30 de julho de 2014

Bolha imobiliária


O relatório do FMI, que dá conta da existência de uma bolha imobiliária em Macau, fez-me recordar Jacques de La Palice.
Christine Lagarde tem que explicar a quem redige estes relatórios que, para que a instituição goze de alguma credibilidade, é necessário ir para além do óbvio.
Que essa bolha existe já toda a gente percebeu.
Como, e quando (aproximadamente), poderá rebentar, ou como se poderá evitar esse rebentamento repentino e os seus efeitos é que deveriam ser preocupações primordiais do relatório do FMI.
Os mais atentos à realidade de Macau já terão percebido que, num mercado totalmente desregulado e perfeitamente alheio a qualquer lógica económica, a bolha que o FMI parece só agora ter descoberto, só tem tendência a crescer nos próximos anos.
Num cenário em que as transacções diminuem mas os preços aumentam (estatísticas oficiais), não é preciso ser um perito na área económica  para perceber que a expectativa, não a lógica, é um factor de primordial importância nas análises que se possam fazer acerca da situação do imobiliário em Macau.
Partindo desta premissa, e recordando que a bolha se começou a formar com a abertura do casino Sands, não será muito difícil concluir que, pelo menos até que estejam finalizados todos os projectos no Cotai,  já iniciados ou simplesmente anunciados, a bolha não deverá parar de crescer.

24 comentários:

  1. Onde é que eu já ouvi tal versão? Pois é...enquanto os mandantes - políticos no geral e não só - se enchem é tudo bom o pior é quando o cenário muda e aí...o exemplo está em Portugal, o povo é chamado a pagar uma dívida que não fez. Estarei errada?

    Beijos amigo e lá vou eu para o SOS Avó quase, quase, a terminar...por agora:):):):):)

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    1. Uma bolha imobiliária é causa e consequência de uma subida de preços generalizada, Fatyly.
      E, nessa medida, todos são afectados.
      Se, e quando, essa bolha rebentar, as consequências também vão atingir todos.
      Beijos

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  2. O FMI só serve para extorquir dinheiro(através dos juros dos seus empréstimos) e dizer banalidades. Lagarde, que não um cêntimo de impostos sobre o seu principesco ordenado teve o descaramento de afirmar que se os gregos queriam ajuda, então que se ajudassem eles mesmos não fugindo aos impostos.

    Relativamente a Portugal - e não só - já reconheceu erros no Programa de Ajustamento, mas não fez nenhuma alteração !!

    E se denuncia a situação de Macau, que tenciona fazer essa inteligência rara para evitar o descalabro?

    Gostei do poema do post anterior, que desconhecia - embora conheça o autor.

    Boa semana, Pedro.

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    1. Dá vontade de rir, São.
      Acho que, todos os dias, em conversas de café, se diz o que o FMI veio agora solenemente afirmar.
      Seria de esperar que estes senhores, supostamente grandes especialistas, dessem a sua perspectiva acerca de como poderá evoluir essa bolha, quando (mais ou menos) poderá rebentar, com que consequências para a economia.
      Dizerem que existe é mesmo La Palice.

      Não conhecia nem o poema nem o autor que hoje publico.
      Gostei muito e foi por isso que publiquei.

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  3. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    Já lhe pedi escusas, na publicação do nosso xará pelo ato falho, porque quando me distraio troco os nomes dos meus dois estimados Amigos, que tenho em alta estima e consideração.
    Aqui na região metropolitana de São Paulo o preços dos imóveis estão caríssimos.
    Caloroso abraço! Saudações imobiliárias!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver

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    1. Não tem problema nenhum, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Só estava a brincar.

      Eu sei que o imobiliário em São Paulo é caro.
      Mas garanto-lhe que não é sequer próximo dos preços que se pagam actualmente em Macau.
      E, se formos pensar no binómio preço/qualidade, os valores que aqui se praticam são perfeitamente disparatados.

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  4. (Trabalhei nos mercados financeiros (bolsa on line) de 95 a 2004. Nesta altura, analisando e prevendo o futuro, abandonei este tipo de investimentos. Num só dia liquidei todos os meus investimentos, perdendo uma pequena parte, mas ficando com a maior, mantendo-me fora até hoje).

    Hoje, é fácil culpar o FMI pelas consequências da ambição generalizada das "massas" investidoras !
    Já em 1998 se falava na bolha imobiliária dos USA e das suas previsíveis consequências em anos próximos, primeiro lá e seguidamente nas periferias!

    Dois bancos imobiliários estatais, financiavam todas as compras de casas. Os novos proprietários renovavam os contratos, sucessivamente, cada ano, por um valor mais alto, recorrendo a novos créditos. Ou seja. compravam por 100. Ao fim de um ano, tinham amortizado 5, mas como a casa estava valorizada, valia 110 . Como devia 95, ia pedir um novo crédito de 15 que lhe era concedido, passando a dever 110 e isso ia acontecendo todos os anos, até que a oferta começou a superar a procura . Nessa nova situação, os proprietários deixaram de poder ir buscar mais créditos e a ter que amortizar os empréstimos, o que não conseguiam, porque já eram muito elevados para os seus vencimentos. As empresas construtoras começaram a falir, por falta de clientes e os bancos a ficar com as casas , porque os compradores não podiam cumprir !
    (Onde é que eu já "revi" isto" ?) ...
    Dá-se então o "rebentamento da bolha imobiliária" nos USA !!!
    Entretanto, o mesmo estava a acontecer nos investimentos em bolsa e em poucos anos, por ex. em Portugal, o Indice PSI 20 passou de cerca de 14 mil pontos, para cerca de 7 mil (metade dos valores das acções), o que levou a tremendos prejuízos dos particulares e dos institucionais. A ambição e o desconhecimento dos mercados levou a que se insistisse neste tipo de investimentos com a "esperança" vã, de recuperar o perdido !

    O curioso é que isto já se sabia há muito tempo e os próprios governos preferiram fazer "vista grossa" e adoptar os mesmos procedimentos com os dinheiros da Europa, "não se lembrando" que cada vez seriam mais elevados os seus próprios débitos (improváveis de amortizar), que um dia teriam que ser pagos ! ... O resultado está à vista !!!
    .

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    1. Rui,
      Sou conservador por natureza.
      Até nos investimentos que faço.
      A única vez que o não fui dei-me muito mal.
      Expor-nos demasiado ao crédito, ao jogo das bolsas, de investimentos arriscados no imobiliário, é um jogo.
      Como eu, vivendo em terra de casinos, não gosto de jogar, vou pela prudência.
      Tenho duas filhas, tenho que pensar no meu futuro mas, acima de tudo, no futuro delas.
      Tive a sorte, e alguma perspicácia, passe a imodéstia, de investir quando percebi que esta escalada de preços estava para ficar.
      Sem nunca correr grandes riscos, sem nunca dar passos maiores que as pernas.
      Mete-me muita impressão o tormento que os jovens enfrentam para adquirir ou arrendar uma habitação.
      Os preços são disparatados!
      Uma casa com dois quartos por um valor próximo de um milhão de euros é algo que se vê facilmente nas urbanizações mais recentes.
      E é a casa.
      Porque se quiser comprar um lugar de parqueamento (não é uma garagem!) paga entre 150 mil e 200 mil euros, ou mais.
      É preciso o FMI vir dizer que há uma bolha imobiliária em Macau?!

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    2. Certo, que seria desnecessário, mas também representa um "alerta" para que os mais incautos não comprem casa nesta altura, nem nos próximos tempos !
      Eles pretendem avisar que os preços são puramente especulativos e que dentro de alguns anos será muito mais vantajosa a compra.
      O que é preciso é que as pessoas entendam a "mensagem" e não façam "ouvidos moucos" !
      O grande perigo é que, sabendo-se que há uma fase de subida de preços, se espere que ela dure muito mais e que agora ainda seja um "bom negócio" porque a casa "ainda vai" valorizar ! ... e é precisamente nestas situações que as pessoas "arriscam" a pensar em grandes rentabilidades ! Gostam de pensar por si e não pela racionalidade ! :((

      (Nota: fiquei escandalizado pelo valor das casas e parqueamentos em Macau ! )

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    3. Mas vão continuar a subir, Rui.
      Estão a subir continuamente.
      E será assim até estarem terminados todos os projectos ainda não iniciados ou em fase de construção.
      O que acontecerá dentro de dois ou três anos.
      Essa é a definição clássica de bolha imobiliária - não há grandes transacções mas os preços crescem.
      Ficou escandalizado, Rui?
      Quem é que não fica?!

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  5. Vai acontecendo por todo o mundo, mas nunca se aprende com os erros cometidos! Mundo cão que só vê dinheiro e lucros rápidos e chorudos. Raios partam isto tudo!!!

    A imagem está muito bem conseguida! Boa escolha!

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    1. Essa é a ilusão, Graça - o lucro rápido e fácil.
      Que gera uma corrida desenfreada atrás do que não existe, que desafia a lógica mais básica.
      A imagem é gamada da net :))

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  6. ~ ~ Pouco entendo...

    ~ ~ ~ Já estive para investir no ramo imobiliário, mas não tinha nada a ver com a bolsa.

    ~ ~ ~ Disso só percebe a minha filha que é gestora.

    ~ ~ ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~ ~ ~

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    1. O imobiliário, se for controlado, é um investimento que oferece alguma segurança, Majo.
      Quando há descontrolo,e é o caso, torna-se muito perigoso.
      Beijinhos

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  7. O FMI é como a polícia. Avisa para o perigo de roubos, mas quando é chamada só aparece depois de o gatuno se ir embora

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    1. As coisas óbvias que eles descobrem, Carlos!!

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  8. Por vezes, pergunto-me para que servirão os FMIs deste mundo, quando só constatam o que toda a gente já adivinha há muito. Até os professores Mambo e outros que tais fazem melhor... :)

    Beijocas

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    1. Teté,
      A esta hora, no café ali ao lado, haverá pessoas a falar acerca deste tema.
      E com muito mais profundidade e informação do que aquela que é dada pelo FMI neste relatório.
      Beijocas

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  9. Os balões até são bonitos. Os gráficos idem, coloridos. Os mapas já são mais chatos de ler.
    Antigamente quem fazia/tinha um negócio fazia-o na expetativa de ganhar e ficava à espera que desse certo mesmo esperando anos pelos resultados. Hoje não. Criam-se à partida metas, percentagens, especula-se, arranjam-se valores perfeitamente inchados, tudo em função dos objetivos que têm de ser "atingidos". Retornos rápidos. Os lorpas garantem o êxito e o último que feche a porta.

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  10. Quanto ao FMI... toca a musica de circunstancia. Sao politicos...

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    1. A riqueza que não existe, que é apenas produto da fantasia, tarde ou cedo da sérios problemas, Agostinho.
      O mais aborrecido é que esses problemas muitas vezes atingem os inocentes, os tais danos colaterais.

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  11. Vejo países diferente tendo a mesma história e as mesmas crises. A globalização nos tornou refém dos mesmo problemas. Por aqui acontece o mesmo. Tu sabe que esses governantes deveriam ser responsabilizados por sua má gestão, irem para cadeia, por aqui ia faltar prisões. Pois os que sofrem são a população. Estava falando para meu filho, aqui por exemplo é assim. O homem quando não presta para mais nada vai ser politico. Não vejo grandes homens na politica.
    Ontem pensei em ti ,assisti um programa da Tv cultura brasileira. O SR. Brasil
    e ele contou uma piada muito interessante, vou te mandar o link:
    https://www.youtube.com/watch?v=smVhx0ydLFc
    Tenha um ótimo dia.
    Anajá

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    1. "O homem quando não presta para mais nada vai ser politico. Não vejo grandes homens na politica."
      Aí, Anajá?
      Diga-me um local onde isso não aconteça.

      Já me ri um bocado com as anedotas.
      A primeira já conhecia.
      Tenha um óptimo dia também

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