5 de março de 2014

Início da fase "eu quero!"


O processo político na China é altamente ritualizado.
Consequentemente, em qualquer tomada de decisão, há um iter processual muito circunstanciado que tem que ser rigorosamente seguido.
É neste quadro que se devem inserir e interpretar as declarações de Chu Sai On, Chefe do Executivo da RAEM, à partida para Pequim no dia de ontem.
Chui Sai On, que vai participar na reunião anual da Assembleia Popular Nacional e da Conferência Consultiva do Povo Chinês, deu formalmente início ao processo de recandidatura ao cargo que actualmente ocupa ao declarar a sua vontade de cumprir um segundo mandato.
É a fase "eu quero!".
Seguem-se agora as fases "será que Pequim quer?"; "será que os membros da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo querem?" (parte I - recolha de assinaturas); "será que os membros da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo querem?" (parte II - eleição propriamente dita); "nomeação por parte das autoridades centrais" (chegados a esta fase, é óbvio que Pequim quer).
Fica apenas uma dúvida no meio de tantas certezas - Chui Sai On aparecerá de novo sozinho?
Faites vos jeux!

12 comentários:

  1. ~
    ~ Um longo caminho a percorrer para a democratização e justiça social.
    ~ Lamento muito pelo povo chinês que passou por tanto, que tem a maior dificuldade em acordar.
    ~ Há uns três anos comprei o livro " La couleur du bonheur", de Wei Wei. Gostei muito. A autora estudou em França e é, presentemente, professora de francês, no Reino Unido.
    Através de uma saga familiar que inclui uma avó, filha e neta, ela conta a história da China, do último século. Uma leitura instrutiva e aliciante, numa linguagem familiar e deliciosa.
    ~ Um dos meus tesourinhos. ~

    ~ ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~ ~

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    1. Este ritual todo é muito próprio das duas regiões administrativas especiais (Macau e Hong Kong), Majo.
      Um filme com um enredo e um final que todos conhecem.
      Mas que tem que ser repetido.
      Começou ontem.
      Com aquela dúvida que deixo no fim.

      A escritora que refere só conheço de fama.
      Ainda não li nada dela.

      Beijinhos

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  2. Tudo isto é areia demais para a minha camioneta:(

    Beijos

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    1. O processo político para estas bandas é muito complicado, Fatyly.
      Até mesmo para quem aqui vive.
      Beijos

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  3. Nem podia deixar de ser complicado!
    Se em Portugal que é minúsculo é como é,, imagine-se num país como a China e nas duas cidades que têm uma vertente civilizacional bem diversa...

    Abraço

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    1. Mais ainda porque estamos a viver sob a égide do famoso princípio, "Um país, dois sistemas".
      E estas questões têm que ser tratadas com o país, com o primeiro sistema.
      Abraço

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  4. Gostaria de comentar mas, sobre isto, não pesco nada (:-

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  5. Para quem nunca viveu nessas paragens será difícil perceber as liturgias do poder nesse gigantesco país. O máximo que pode é formular perguntas e, mesmo assim, com o risco de cair no ridículos, parece-me.
    Uma coisa que me causa estranheza é a coexistência de dois sistemas administrativos e financeiros. E as pessoas? Também são de duas espécies? Podem optar?

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    1. As suas perguntas fazem todo o sentido, Agostinho.
      Então é assiim:
      Deng Xiaoping, "o pequeno grande homem" criou o conceito "um país, dois sistemas".
      Com este conceito, o que se procurava era reintegrar na China Hong Kong, Macau, eventualmente Taiwan.
      O conceito estabelece que, nas Regiões Administrativas Especiais (Macau e Hong Kong), o sistema capitalista continua a vigorar.
      Como tal, as duas RAES têm sistemas políticos e económicos próprios.
      Bom como moeda própria.
      Para além de sistemas jurídicos e judiciais inteiramente independentes.
      Ficam reservadas para o primeiro sistema as questões típicas de soberania (defesa e política externa)
      As pessoas que vivem nestas RAES, para além da nacionalidade, obedecem ao conceito de residentes.
      Que podem ser permanentes e não permanentes.
      Os permanentes, o meu caso, são titulares de todos os direitos, excepto os reservados a cidadãos que são simultaneamente residentes permanentes e cidadãos chineses (eu não posso ser titular de um dos principais cargos governativos em Macau).
      Não é uma questão de opção, é uma questão de preenchimento de determinados requisitos.
      Todas as dúvidas que tiver, não hesite em perguntar.
      Terei todo o gosto em responder a tudo o que souber.

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  6. Ai, se o Chui Sai On soubesse que eu também quero tanta coisa... :)))

    Beijocas!

    ps - cá também há uma série de gente que quer ser o próximo PR, mas não tem a frontalidade de o dizer... ;)

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    1. Mas este é como a pescada (antes de o ser já o era), Teté.
      Ele vai ser reeleito.
      Apresenta-se sozinho a sufrágio?
      Muito provavelmente.
      Beijocas

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