17 de setembro de 2013

Tem a palavra o Chefe do Executivo


Já foram tecidos todos os comentários, feitas todas as análises, acerca das eleições do passado domingo.
Acerca de quem foram os vencedores, os perdedores, da taxa de abstenção, do desempenho da Comissão para os Assuntos Eleitorais.
Assim sendo, prefiro uma abordagem ao tema sob um prisma diverso.
Conhecidos os deputados eleitos, directa e indirectamente, falta conhecer o naipe dos deputados nomeados.
Tantas vezes contestados, tantas vezes incompreendida a sua função e o porquê do seu aparecimento e existência, poderão revelar-se cruciais depois de conhecidos os resultados nas urnas.
Esses resultados fazem temer que a Assembleia Legislativa, já de si pouco interventiva, venha a revelar-se de um cinzentismo confrangedor com esta nova composição.
Uma Assembleia que dá a sensação de perder, ainda mais, o seu papel de órgão legislativo e de fiscalização da actividade governativa, para se tornar, ainda mais, num centro de discussão de interesses privados e sectoriais.
Chui Sai On tem agora, talvez mais que nunca, um papel fundamental na escolha dos deputados a nomear.
Se o Chefe do Executivo quiser criar algum élan, que se adivinha ausente, na Assembleia Legislativa, terá de fazer passar os nomes dos deputados a nomear por um crivo muito apertado.
Um crivo que deixe apenas passar quem revele capacidade técnica e conhecimento da realidade parlamentar.
Só assim o Chefe do Executivo poderá conseguir uma Assembleia que seja um parceiro na tomada de decisões e na partilha de responsabilidades quando essas decisões não são tomadas ou não apresentam resultados satisfatórios.
Se Chui Sai On não tiver engenho e arte na escola dos deputados nomeados, recompondo algum equilíbrio que aparenta estar totalmente ausente depois de conhecido o naipe de deputados eleitos, arrisca-se a ter um resto de primeiro mandato, e um previsível segundo mandato, muito complicados.
Porque o Executivo, com um Conselho Executivo obscuro, ausente, escondido do olhar e do escrutínio públicos, e uma Assembleia Legislativa apenas interessada em jogos de interesses, particulares e corporativos, ficará sozinho na linha de fogo de uma opinião pública cada vez mais exigente e interventiva a cada momento em que algo corra mal na área da governação.
Tem a palavra o Chefe do Executivo. 

11 comentários:

  1. Bom dia Pedro
    E assim vai este mundo...tantos jogos para o poder assentar no poder ...

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    1. Nunca como este ano o papel do Chefe do executivo na escolha dos deputados nomeados foi tão importante como este ano, luis.
      As particularidades do sistema político de Macau têm destas coisas.
      Grande abraço

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  2. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    A cruciante questão é que somente são trocadas as moscas.
    Caloroso abraço! Saudações imutáveis!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Diadema-SP

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    1. Amigo João Paulo de Oliveira,
      E as moscas, neste caso, são muito más :(
      Grande abraço!!!

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  3. Ai, meu caro, o planeta está muito mal entregue...

    Bom dia

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  4. Parece que tudo o que diz a politica, seja onde for,a porcaria é a mesma a diferença está no cheiro!
    Pedro desculpe a grosseria.

    beijinho e uma flor

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    1. Adélia,
      Exactamente o que diz o nosso Amigo João Paulo de Oliveira - só mudam as moscas!
      Beijinho

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  5. Obrigada por esta partilha pois fico a conhecer melhor a realidade política. Tenho pena que não seja diferente.
    Beijinho. :))

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    1. ana,
      Em Macau, a Assembleia Legislativa é composta por deputados eleitos directamente, indirectamente (representantes sectoriais) e nomeados pelo Chefe do Executivo.
      Os deputados nomeados são uma criação dos anos 80 e a ideia era dar maior equilíbrio e maior capacidade à Assembleia.
      Nunca, como depois das eleições de domingo, esta ideia fez tanto sentido.
      Beijinho

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  6. Coimbramigo


    Venho convidar-te a ver na nossa Travessa a troca de ideias entre o Quinhentosamigo e eu próprio. A questão da emigração já extrapolou Para o (des)Governo. Pode ser que ela motive que tu entres na polémica que está a começar. O nosso blogue só ganhará com isso. Obrigado.

    Abç

    Henrique

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