3 de setembro de 2013

Falso piloto condenado a 16 anos de prisão por burlar mulheres


Conheciam este episódio rocambolesco, uma espécie de capitão Roby?

O homem que se fez passar por comandante da TAP e ex-piloto militar e que burlou várias mulheres com posses, recém-divorciadas e solitárias, subtraindo-lhes centenas de milhar de euros, foi condenado a 16 anos de prisão, esta segunda-feira, pelo Tribunal de Júri de Benavente. A ex-mulher do "comandante Perestrelo" e sua cúmplice foi condenada a sete anos de cadeia.

José Perestrelo Nogueira, de 57 anos, natural de Lisboa, foi condenado por seis crimes de burla qualificada - relativos a cada uma das vítimas -, por um crime de falsificação de documentos, um de dano e um de furto. Ao todo, o arguido foi condenado a 32 anos e dois meses de prisão, tendo o coletivo de juízes e o tribunal de júri aplicado a pena única de 16 anos de prisão. Leonilde Santos, que esteve casada 20 anos com o arguido e era sua cúmplice no esquema engendrado pelo pai do seu filho, foi condenada a sete anos de prisão efetiva por coautoria em três dos crimes de burla qualificada. O coletivo de juízes deu como provada praticamente toda a acusação do Ministério Público.
Segundo os despachos de acusação e de pronúncia, a que agência Lusa teve acesso, o arguido, de 57 anos, após "selecionar" as vítimas, algumas que conheceu através de salas de conversação na Internet, apresentava-se como "piloto de companhias aéreas comerciais e ex-piloto militar", conseguindo "criar nas ofendidas a ilusão de uma relação amorosa, levando-as a entregar avultadas quantias em dinheiro e objetos valiosos".
Desde, pelo menos, 2008, o homem burlou seis mulheres, com recurso "a identidade, estilos de vida e documentos falsos", tendo contado com a cumplicidade da ex-companheira, acusada de coautoria nos seis crimes de burla, pela intervenção no esquema fraudulento e em toda a encenação criada.
Segundo a acusação, o arguido apresentava-se às mulheres "trajado a rigor, com fardamento típico de pilotos das linhas comerciais, respetiva mala de bordo, insígnias e outros acessórios relacionados com a aviação", dizendo que era de "boas famílias, com brasão".
Apresentava ainda documentos falsos, como a licença de tripulante de aeronaves e um diploma do curso de engenharia mecânica que, alegadamente, tirou no Brasil.
Assim, sustenta o MP, o arguido, através de um "embuste" e de uma forma "astuta, minuciosa e ardilosa, encarnando personagens com identidades e costumes de vida falsos", levou as mulheres a acreditarem que era piloto com posses, e que pretendia encetar uma relação amorosa com elas.
"Quando o arguido já tinha obtido o enriquecimento pretendido e não era possível manter a fraude por si criada, punha fim à relação amorosa de forma repentina e inesperada, e passava à vítima seguinte. Recorreu à pressão psicológica e, nalguns casos, a agressões físicas, para que as vítimas terminassem o relacionamento", explica a acusação.
A ex-companheira chegou a "encontrar-se socialmente com algumas das vítimas, apresentando-se como magistrada/juíza do Tribunal da Relação de Lisboa, facto que era confirmado pelo arguido junto das mulheres".
Quando foi detido, o arguido identificou-se aos inspetores da Polícia Judiciária como piloto de linha aérea comercial, conhecido por "Comandante Perestrelo". Durante as buscas foram apreendidos dois veículos e diversos objetos alusivos à aviação - nomeadamente fardamento diverso, capacetes de piloto, malas, fotos, crachás e coleções de aviões.
Miguel Gonçalves aqui

24 comentários:

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    1. Conhece a história do capitão Roby, Catarina?
      Este burlão deve ter-se inspirado nele.

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  2. E agora, pergunto eu, onde estão aqueles que dizem que a Justiça não funciona em Portugal, Pedro!

    Aquele abraço

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    1. Ricardo,
      Volto a perguntar - dê-me um exemplo de um país, que não seja uma Coreia do Norte, que ache que o sector da Justiça funciona bem.

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  3. Só 16 anos? Vá lá, ao menos sempre foi condenado...

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    1. Numa coisa estamos de acordo, FireHead - um escroque destes merece umas chibatadas!

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    2. Pedro,

      permita-me responder ao Fire:

      Caro, consigo é sempre a "pocar" (partir o coco a rir), com efeito, para você ou é tudo ou é nada, você é um "eterno" insatisfeito e, sem rodeios, um maldizente de "profissão", diz mal de tudo e todos, é mais fundamentalista que os fundamentalistas islâmicos que você tanto mal fala, não existe em si um laivo de humor.

      Desculpe-me a frontalidade mas já, de há algum tempo a esta parte, não há pachorra para as suas "taras e manias", aconselho-o a viver a vida da melhor maneira, sem amargura, pois assim dessa forma amarga você não cativa e aproxima ninguém, bem pelo contrário.

      Pedro, desculpe-me o desabafo, mas aqui para o Fire-Head já não há pachorra que sobre para o aturar nas suas..."cruzadas"!!!

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  4. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    Estou cá estupefato com a audácia do fraudador.
    Nossa amada língua portuguesa, com suas variações linguísticas, sempre deixa-me propenso a aprender mais.
    Hoje aprendi que, no reino distante além-mar, o ato ilícito fraude é denominado como burla.
    Caloroso abraço! Saudações aprendizes!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Diadema-SP

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    1. Amigo João Paulo de Oliveira,
      Na linguagem corrente podem usar-se ambas.
      Na linguagem jurídica, exprimem dois tipos de crime diferente.
      Grande abraço!!

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  5. E, as mulheres que o ajudarm também não eram santas...coitadas das que se deixaram levar pelos encantos da farda!

    :)

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    1. Tétisq,
      Esta é das tais situações nas quais as vítimas também foram um bocadinho parvinhas, não é?

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    2. deixem que vos diga caros/as/amigos as mulheres que caiam na cantada tb eram burras,mesmo tapadinhas

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  6. Há com cada burlão, que ninguém imagina! ;)

    Beijocas!

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    1. Gente com imaginação para fazer mal há imensa, Teté.
      Beijocas!

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  7. Por acaso já conhecia e na altura pensei ao estilo da Ematejoca: a culpa é delas! :-)

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    1. Também não podem apontar o dedo só ao tipo, Carlos.
      Sem dúvida.

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  8. Também já conhecia e penso tantas vezes...o que leva estas mulheres e noutros casos homens...a cairem nestes "velhos contos do vigário"? Que Deus mi guardi!

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  9. Há tempos ouvi falar num caso parecido mas não tenho a certeza se será o mesmo, no caso em questão o "Dom Juan" enganava juízas do MP para, além de as roubar aceder a informação privilegiada...

    Estas histórias deixam-me a pensar, onde vai o desespero das mulheres, para caírem nestas patranhas... Mas este sim, foi condenado e bem condenado!

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    1. Há muitos, Catarina.
      O mais famoso de todos foi o tal capitão Roby.
      Acho que foi feita uma série televisiva à volta da vida do personagem.
      Também ele foi condenado e cumpriu pena de prisão

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  10. Pedro,
    permita-me a observação, para esclarecer a Catarina de que não há Juízas no MP, mas sim Procuradoras!!!

    Abraço aos dois!

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    1. Como sabe agradeço sempre esclarecimentos dessa natureza Ricardo. Encontrei a notícia relativa ao caso que já é de 2011:
      http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/falso-pj-seduz-e-burla-magistradas

      Abraços*

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  11. A história do capitão Roby é sobejamente conhecida... até já houve uma série na televisão baseada na história verídica.
    (salvo erro, o protagonista que fazia de Roby era o actor Vítor Norte)


    Beijinhos sem burlas à mistura
    (^^)

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    1. Foi o que li online, Afrodite.
      Vi, há muitos anos, uma entrevista com ele num programa do Herman.
      Dizia-se muito arrependido.
      Tá bem abelha!!

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