10 de setembro de 2013

As lições do Afeganistão e do Iraque a travarem uma intervenção militar na Síria


Tinha aqui escrito que se tornava evidente a progressão dos Estados Unidos no sentido de uma intervenção militar na Síria.
Errei.
E estou agora a reconhecer o erro.
A administração Obama pensou que seria fácil obter a aprovação da opinião pública americana para autorizar e legitimar (legitimidade the american way, sublinhe-se) uma intervenção militar na Síria.
E, como eu, equivocou-se, errou, não se apercebeu da repulsa que sente a maioria do povo americano face à perspectiva de uma qualquer intervenção armada no Médio Oriente depois dos desastres no Afeganistão e no Iraque.
Tudo indica que o Congresso, sensível a essa repulsa, não dê luz verde aos planos bélicos da administração Obama.
Uma intervenção limitada será o máximo que o Congresso poderá autorizar.
Mesmo essa, uma autorização muito complicada de obter porque os congressistas americanos não querem alienar a respectiva base de apoio.
Neste cenário, será Obama capaz de se mostrar autista face a esta oposição a nível interno e externo (só Hollande é um aliado declarado e de peso) e ainda assim avançar militarmente, mesmo que sem tropas no terreno, como aliás já prometeu, para a Síria?
Estará Obama disposto a, como dizia o stand up comediant irlandês Dylan Moran a propósito do Iraque, conseguir fomentar o ódio à América, um fenómeno obviamente localizado, just mainly in the World???
Já se percebeu que Obama não conta com a ONU.
Porque o consenso no Conselho de Segurança é impossível face à oposição declarada da China e da Rússia.
Falta perceber se terá a audácia de, contra tudo e contra todos, avançar para a Síria e derrubar o regime de Assad.
Uma decisão que seria tanto mais curiosa quanto o facto de ser assumida quase unilateralmente por um prémio Nobel da Paz.

EM TEMPO:
Se se quiserem rir à minha custa, espreitem aqui

18 comentários:

  1. Pedro,

    diria que o colapso para a "não" intervenção na Síria começou, na semana passada, no centro de Londres. Com efeito, a "derrota" de David Cameron levou a que os súbditos de "Sua Majestade" manifestassem repulsa por tal intervenção militar.

    Não é menos verdade que Obama se tem vindo a revelar, para muita pena minha, mais um entre os muitos presidentes que os EUA tiveram com um sentido beligerante muito apurado.

    Interrogo-me:

    Onde pára o Obama Nobel da Paz?

    E Guantanamo está já desactivado?

    É caso para dizer que os principais inimigos dos americanos são, efectivamente, os próprios.

    Abraço, Pedro e perdoe-me ter-me intrometido em tão eloquente post.


    P.S.- Já deixei comentário na "Travessa"!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ricardo,
      É mesmo por os americanos serem os maiores adversários de si próprios que Dylan Moran diz que o sentimento anti-americano é localizado, mostly in the World.

      Também para mim Obama tem sido uma desilusão.
      As perguntas que o Ricardo faz são as que eu faço.
      O tal prémio Nobel à esperança caiu em saco roto.

      Por favor, com comentários deste teor, intrometa-se sempre, Ricardo!

      Agora vou lá espreitar a Travessa.

      Aquele abraço!!!

      Eliminar
  2. Os norte americanos - entenda-se Obama e Cia - já moderaram o tom.
    Estão, agora, naquela do 'bem, não será bem assim mas ...'
    O que é bom sinal.

    E os russos têm grande responsabilidade, pela positiva.
    Se a proposta apresentada por Putin resultar, não haverá mesmo ataque.

    Aquele abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A haver um ataque será única e exclusivamente da responsabilidade da administração Obama, António.
      E será mais uma machadada na já tão descredibilizada estrutura das Nações Unidas.
      Aquele abraço!!

      Eliminar
  3. Obama transformou-se de ridente esperança em enorme desilusão...e, aliás, jamais percebi porque motivo o agraciaram com o Nobel da Paz.

    Esperemos que haja senso e deixem a Síria em paz. Obviamente, não estou a declarar o meu apoio a ASSad, fique bem claro.

    Boa semana.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. São,
      Uma coisa é não apoiar Assad.
      Outra, bem diferente, é invadir o país para o derrubar.
      O mesmo líder que o Ocidente ainda há bem pouco tempo apoiava para fazer frente ao perigo islâmico, saliente-se.

      O Nobel da Paz, escrevi isso na altura, foi uma Nobel à esperança, a um desejo de uma nova ordem mundial, de uma nova América.
      Que Obama vem traindo.

      Boa semana!!

      Eliminar
  4. Espero que Obama pense bem, poderá ser o caus.

    beijinho e uma flor

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acredito que Obama trave nas suas intenções, Adélia.
      Porque, ao contrário do que pensava, o Congresso não quer mais aventuras.
      Beijinho

      Eliminar
  5. Acabei de falar sobre isto com a minha prima e o marido, porque afilha deles -com 17 anos - estava sem perceber o que se passa na Síria e qual o papel dos EUA nisto tudo.

    Resumindo, acabei por lhe fizer que enquanto Sadam foi útil aos EUA pôde fazer tudo , incluindo utilizar armas químicas contra os curdos. Logo que deixou de ser necessário os mesmos EUA inventaram armas de destruição maciça , que nunca apareceram, e assassinaram-no.

    POr essas e por outras é que neste momento ninguém , exceptuando a França, está disposta a embarcar noutro desastre bélico.

    Bons sonhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sadam, Mubarak, Musharaf, Assad, a lista é muito longa, São.
      Não sei qual será a solução para o problema sírio.
      E, atenção, Assad não é o diabo e os outros uns santinhos.
      Mas sei que não é uma nova guerra.

      Eliminar
    2. ESpero não ter dado a errada impressão de achar a oposição a Assad uma corte celestial, porque o não é de todo!

      Sabe quem eu lamento mesmo? São as pessoas apanhadas entre o fogo cruzado dos vários interesses e grupos e países que neste momento se digladiam na Síria, cujo problema não sei muito bem como se resolverá ...mas que me assusta.

      Meu caro Pedro, fique bem

      Eliminar
    3. E eu deixei metade da resposta de fora, São :))
      Queria eu dizer que a solução para o(s) radicalismo(s) na Síria não é uma nova guerra.
      Não sei exactamente qual será, mas sou capaz de intuir que tem que passar pela diplomacia e por uma clara intervenção da ONU.
      É bom que todos nos lembremos disso neste dia 11 de Setembro.

      Eliminar
  6. Pois, esta história das armas químicas é tão mal contada como as de destruição maciça no Iraque, do Papa a vários comentadores já corre o "boato" que quem quer esta guerra são os lobbies de armamento dos States e o antigo Nobel da Paz (bem disse que era precipitado) parece bem mandado... :P

    Mas ainda é cedo para saber como isto vai acabar! E no meio disto tudo o que menos entendo é a posição de Hollande... :P

    Beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Teté,
      Same same but different.
      O Nobel a Obama foi um Nobel à esperança.
      Que tinha ele feito para mercer o Nobel?
      Promessas.
      Que caíram em saco roto.
      Beijocas

      Eliminar
  7. Um Nobel da Paz que tb o surpreendeu.

    Pois é, o presidente da Síria vai fazer tudo certinho de agora em diante de acordo com os pedidos de Putin. Tudo. Até lhe vai dizer onde se encontram as armas químicas, com mapa a acompanhar.
    Obama é um presidente que quer o melhor para o seu país. Nem sempre consegue a concretização dos seus planos porque depende da aprovação de uns quantos que têm uma agenda diferente.
    Ou se admira um líder ou, na volta, pomo-lo de rastos.
    Como é impossível agradar a todos...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Catarina,
      Eu não estou a dizer que Assad é um santo.
      Obviamente, é um assassino.
      Mas, do lado do oposição, a santidade também não é uma virtude.
      Nem nada que se pareça.

      Aceito uma intervenção militar onde quer que seja, com mandato expresso da ONU.
      Tem que ser assim.
      A ONU não funciona?
      Reformule-se a sua estrutura, o seu funcionamento.

      A América não pode intervir unilateralmente onde quer que seja.
      E, apesar de o admirar em muitos aspectos, de o achar uma lufada de ar fresco, estou desiludido com a postura de Obama neste caso em particular.
      Nesta situação, nesta postura de polícia do Mundo, qual é a diferença para Bush???

      Eliminar
  8. Uma intervenção militar na Síria é um tema muito sério.

    Assad é um ditador, mas os rebeldes não são de melhor pinta; vemos o que está a acontecer no Egipto.

    Repito com o Obama, que os Estados Unidos não são a Polícia do Mundo, como a Esquerda Internacional nos tenta convencer.

    E então, que me dizem do Monsieur Hollande?
    Pronto para mandar as tropas francesas para a Síria!

    A diferença entre o Bush e o Obama é tão grande como como a cor da pele deles, meu caro Pedro.

    O Putin vai ter a última palavra neste conflito.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As notícias das últimas horas são encorajadoras, ematejoca.
      É evidente que há uma grande distância entre Bush e Obama.
      Mas, se Obama interviesse na Síria à revelia da ONU, qual seria a diferença?
      Neste particular, sublinho.

      Eliminar