A semana do Irão e de J.D.Vance


A semana terminou claramente em alta para o Irão e J.D. Vance. 
O Irão porque, com o precioso auxílio do Paquistão (e da China nos bastidores), consegue afinal não só não ser arrasado, como trazer os Estados Unidos para a mesa das negociações. 
E trazer os Estados Unidos para a mesa das negociações ao nível que desejava. 
Jared Kushner e Steve Witkoff não são, do ponto de vista iraniano, interlocutores confiáveis. 
Já J.D. Vance, o vice-presidente, o veterano da guerra no Iraque, o elemento mais vocalmente contra a aventura iraniana na administração Trump, será teoricamente o mediador ideal.
Primeira vitória na semana para J.D. Vance.
Os iranianos, que continuam a obstruir a passagem no Estreito de Ormuz, que mantêm intactas as suas reservas de urânio, que indirectamente estão a auxiliar os russos na guerra na Ucrânia (os russos, que estavam à beira do caos económico estão a ganhar rios de dinheiro com o bloqueio no Estreito de Ormuz), que apresentam uma agenda negocial que em nada diverge do que exigiam anteriormente, e que têm à mesa o negociador que desejavam, acabam a semana de peito feito. 
E o negociador também.
Apesar de J.D. Vance ter de olhar para todos os lados com muita atenção. 
O tirano Trump não admite ser contrariado.
Pam Bondi, a ridícula Pam Bondi, foi a última vítima dessa percepção trumpiana de falta de absoluta fidelidade canina. 
J.D. Vance, que soube sempre deixar passar para a imprensa a sua frontal oposição à guerra no Irão, pisa solo muito escorregadio.
Qualquer distração poderá fazer o agora radiante J.D. Vance, aquele que se apresenta afinal actualmente como o verdadeiro rosto do slogan América First, estatelar-se no chão traiçoeiro da Casa Branca. 

Comentários

  1. Vance disse que as conversações foram “produtivas”, mas que não chegaram a um “acordo formal”. Isto traduz-se em sucesso na sua (dele) opinião? Já é o primeiro passo para um entendimento, suponho...
    Ora vejamos:
    O Irão não aceitou os termos nucleares impostos pela administração americana; parece que o Estreito não foi aberto e Trump pensa (ou já o fez) bloqueá-lo: e creio que a pressão está a aumentar de intensidade.
    Ah! E não chegaram a um acordo de paz.

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    Respostas
    1. Vitória de Vance por aparecer, Catarina.
      Por ter sido escolhido pelo Irão e por quem está na sombra.
      Do ponto de vista diplomático o expectável - o zero absoluto.
      Agendas incompatíveis nunca dão origem a negociações.
      Veja a Ucrânia e a Rússia.
      Teatro.

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    2. O fulano (Vance) tornou-se num “grande” ator (com pouco talento) e os iranianos continuam a ser atores de tragédias.

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    3. Vance tem uma agenda muito particular, Catarina.
      Ele está concentrado na sucessão de Trump e verdadeiramente na agenda MAGA.
      Não lhe interessam minimamente os conflitos fora dos Estados Unidos, as eleições fora dos Estados Unidos.
      Faz o frete para não entrar em conflito com Trump e para se ir mostrando aos eleitores Republicanos.
      O homem de mão de Steve Bannon que este usa para não deixar ascender Marco Rubio (um descendente de cubanos ao leme dos Republicanos?? Credo!!!).

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    4. : ))
      Estava há poucos minutos a recordar o meu grande interesse pelas civilizações Asiáticas e do Médio Oriente, que incluia a “Pérsia”, cujo nome deixou de existir algumas décadas antes de eu existir. : )
      Gostava de ler (ainda bastante jovem) sobre o Xá, Soraya e Farah Diba! Tempo de luxo, de exagerios...
      Eu e o fascínio pela realeza.
      Confirmei que Farah Diba tem 87 anos.

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    5. A tal civilização que o símio americano ia erradicar, Catarina.

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