23 de julho de 2019

Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão


Gosto muito da sabedoria popular dos provérbios.
Porque são sabedoria consolidada, reflectem experiência de vida.
Olhando para o que se passa em Hong Kong fico a pensar se a sabedoria chinesa não terá algum ensinamento semelhante ao provérbio português “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.
As leis de extradição foram o mote para o extravasar de sentimentos de revolta que continuam latentes e que não desaparecerão se não forem dadas perspectivas de vida decente, digna, ao povo de Hong Kong.
Quando a miséria convive diariamente com a mais descarada opulência é só uma questão de tempo, de quando, a revolta se irá instalar.
O que está a acontecer em Hong Kong só terá fim quando a imensa riqueza que a Região Administrativa Especial gera, e que Pequim fomenta, for mais equitativamente distribuída pela população.
Até lá qualquer acontecimento, por mais banal que seja (não é o caso das leis em discussão, sublinhe-se), irá fazer soltar a revolta que todos dias está oculta, recalcada.
Macau, tão preocupado com hipotéticas ameaças à segurança interna, devia perceber muito melhor o que se passa em Hong Kong.
Porque as desigualdades económicas e sociais só têm vindo a agravar-se com o passar do tempo.
E essa sim é uma verdadeira ameaça à segurança interna.

41 comentários:

  1. Subscrevo inteiramente e o mesmo se aplica a outros países. Triste muito triste "Quando a miséria convive diariamente com a mais descarada opulência(...)"

    Beijos e um bom dia

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    1. Jovens a dividir apartamentos minúsculos porque as rendas são demasiado elevadas (comprar nem pensar!) e ao lado deles gente a exibir riqueza ofensiva?
      E admiram-se que haja revolta??
      Beijos

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Lembro-me de há cerca de 5-6 anos numa das entrevistas referi que a discrepância das classes, muito evidente nos jovens, muitos deles diferenciados superiormente em termos académicos, na árdua progressão como estudantes, bons estudantes, grandes notas nos estudos, se tornavam em trabalhadores com salários de miséria, sem acesso ao simples aluguer de quartos individuais(casas é para esquecer), alugando quartos repartidos por paredes com cerca de 3-4metros quadrados a $5000 HKD($500 Euros) e sem perspectiva de progressão social, se iria eclodir em grande contestação cívica mas com exigência de alteração política, eclodindo com a contestação e revolta “das guarda-chuvas amarelas”. Os problemas não se resolveram, ainda mais, se agravaram com o passar dos anos. Falta de senso político de quem governa influenciado pela oligarquia empresarial e imobiliária. Eis a pólvora suficiente para eclodir “a harmonia”, falsa harmonia social, repressiva e bloquedora ao invés de fazer escoar os problemas latentes acumulados. Ao governante(s) é exigido não só execução e boa execução na governação mas no essencial matricial que é, prevenção. NG

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    4. O que me mete mais impressão é ver isso a acontecer em Macau.
      A ganância tolhe a visão.
      Para quê?
      Não é possível ganhar dinheiro sem pisar quem nos rodeia?
      Vi o debate no Contraponto e, como é hábito, acertaram na mouche.
      Primeiro o pão, a habitação, depois a política.
      Abração!!

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  2. Concordo plenamente amigo Pedro os desequilíbrios sociais são uma verdadeira ameaça à segurança interna de qualquer país o região, aproveito para desejar uma boa semana.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    O prazer dos livros

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    1. Parece que há muito boa gente que ainda não percebeu essa realidade, Francisco.
      Aquele abraço

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  3. Foi para mim uma grande surpresa saber das desigualdades sociais que se vivem em Hong Kong.
    Quando lá estive só vi fausto e opulência, afinal por detrás disso tudo há muita miséria :(

    Beijos Pedro

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    1. Muita miséria escondida, Manu.
      Que depois, tarde ou cedo, sai à rua.
      Beijos

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  4. Tempos difíceis se vivem em tempos em que a divisão é feita pelo dinheiro. :(((

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    1. É possível ganhar dinheiro sem ser ganancioso e explorar de forma despudorada os outros.

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  5. Todos sofrem...Que triste :((

    Bjos
    Votos de uma óptima Terça - Feira.

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  6. Não consigo entender como algo tão simples não é visível aos olhos de quem detém o POder!!

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    1. Distraem o pagode com desculpas parvas, São.
      Só engole quem quer.

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  7. Também eu gosto muito da sabedoria popular dos provérbios.

    A discussão também tem lugar nas casas com muito pão‼‼

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    1. Mas nessas casas é mais facilmente mitigada, Teresa.
      Como recentemente era referido pelos media de Hong Kong acerca dos jovens e das suas perspectivas de futuro - no job, no money, no flat.

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  8. Concordo com o provérbio. Mas, Quando a riqueza produzida por uns, mais favorece aqueles que a não produzem. Talvez haja alguma razão para as lutas contra as desigualdades sociais que acontecem em muitos países do mundo?

    Continuação de uma boa semana caro amigo Pedro Coimbra. Um abraço.

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    1. Exploração que tem inevitavelmente mau fim.
      Só não vê quem não quer.
      Aquele abraço

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  9. Triste é saber que todos sofrem amigo.
    Que bom que está de volta =)

    Beijos
    Pâmela Sensato

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    1. Uns sofrem para outros viverem numa ostentação ofensiva.
      Revolta, obviamente.
      Beijos

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  10. Olá Pedro, então se os tão ricos se revoltam tanto ?!
    como será com os pobres ? estão habituados :(
    ou será que se aprende demasiado que se deve ser o maior, o melhor, a exigir, a agressividade como se fosse normalidade, competitividade, oportunismo, e sem consciência de quem fica para trás, sem o prazer da contemplação, tendo como limite os cada vez maiores edifícios que pretendem alcançar o céu...

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  11. É triste que as desigualdades económicas e socais sejam cada vez maiores...

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  12. Ficam preocupados, mas não fazem cumprir as leis,
    parto do princípio que as há.
    Tudo bom.
    Beijinho
    ~~~~

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  13. Os provérbios não podiam estar mais correctos! Triste situação...

    A linha que me determina
    Beijos e uma boa noite!

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  14. Desigualdades também bem patentes aqui em Portugal.

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  15. Quando há desigualdades, é isso que acontece.
    Gosto dos provérbios, da sabedoria popular, dá sempre certinho. O povo não é bobo.
    Beijo, Pedro.

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    1. Bem mais que questões políticas são questões económicas e sociais, Tais Luso.
      Beijo

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  16. Miséria escondida e muita envergonhada, existe por todo o lado, e só não vê quem é egoísta.

    Beijinho Pedro, desculpe a minha ausência.

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    1. Veja a estirpe desta escumalha, Adélia.
      Um conhecido deputado aqui dizia há dias que pagava 4500 patacas/mês à empregada doméstica (45 euros, mais ou menos).
      E que era muito.
      Para logo acrescentar que ele, figura muito importante, chegava a gastar 10000 patacas numa refeição...
      FDP, esta gente não pode ter bom fim.
      Beijinho (não peça desculpa).

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  17. OI PEDRO!
    O POVO QUANDO EM ESTADO DE MISÉRIA É UMA BOMBA PRESTES A EXPLODIR E COMO BEM O DIZES, DEVERIA SER A MAIOR PREOCUPAÇÃO DE GOVERNANTES.
    AÍ "MORA O PERIGO"(DITADO POPULAR)
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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    1. Só não vê isso quem não quer ver, Zilani Célia.
      Abraços

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  18. «O que está a acontecer em Hong Kong só terá fim quando a imensa riqueza que a Região Administrativa Especial gera, e que Pequim fomenta, for mais equitativamente distribuída pela população.»

    Espero que isso não seja uma mera utopia...
    Beijinhos sonhadores
    (^^)

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    1. Mas há quem insista em não ver o que tem à frente, Clara.
      Beijinhos em dia de greve geral

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  19. Respostas
    1. Começo a ficar realmente preocupado.
      O copo está a transbordar...

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