31 de julho de 2019

Apoio financeiro a vítimas de violência doméstica


O Instituto de Acção Social (IAS) terá disponibilizado cerca de cento e dez mil patacas de apoio financeiro urgente, concedido ao abrigo do disposto no artigo 16º da Lei nº 2/2016, a treze vítimas de violência doméstica.
A frieza destes números faz-me pensar que, bem mais que as quantias financeiras, está em causa o número de vítimas deste crime hediondo.
Números conhecidos, casos tratados, apoios concedidos, tudo parece ter pouca importância quando se pensa nas vítimas sujeitas a todo o tipo de sevícia e tormento, físico e psicológico, às mãos dos bárbaros que ainda retiram um prazer sádico das torturas que infligem aos seus companheiros e famílias.
Mas, porque money efectivamente makes the world go round, cento e dez mil patacas distribuídas por treze vítimas vem a resultar em menos de dez mil patacas por pessoa.
Seria interessante saber exactamente para serem utilizadas como, em quê.
Porque dez mil patacas são, face à carestia do custo de vida em Macau, uma quantia quase irrisória.
Uma quantia insuficiente para custear uma simples refeição de um conhecido deputado, é sempre bom lembrar.

Do Woody Allen para o Rui

30 de julho de 2019

Reescrever a História


O anunciado Centro Interpretativo do Estado Novo, que nascerá na casa onde nasceu Salazar, e a polémica à volta da criação deste museu, fizeram-me pensar na mania tantas vezes repetida de reescrever a História.
Uma vontade de fazer a História ficar mais agradável, mais ao gosto das pessoas e dos tempos.
Que tem tanto de ridículo quanto de estúpido.
A História deve ser apresentada e ensinada sem rodeios, sem tabus, sem floreados.
Por mais bárbaros que sejam os acontecimentos que se relatam a verdade é sempre a melhor solução.
Porque só à luz dessa verdade se podem colher ensinamentos do passado para serem utilizados no presente e no futuro.
O Estado Novo existiu e Salazar foi talvez o seu maior rosto.
Ainda que o Centro se destinasse a glorificar a figura de Salazar, e parece não ser essa a intenção, estava aí uma óptima oportunidade para ensinar quem foi e o que fez Salazar e o regime político que comandou à revelia da propaganda do Centro.
A mentira combate-se sempre com a verdade.
Porque a verdade é sempre mais forte e acaba sempre por vencer.
Reescrever a História nunca é boa ideia.
Seja em Santa Comba Dão ou muito mais a Oriente.

Marta e Maria, Eco e Narciso (Anselmo Borges Padre e Professor de Filosofia)



1. É um passo extraordinário do Evangelho segundo São Lucas.

Numa aldeia a caminho de Jerusalém, Betânia, Marta, a dona da casa, convidou Jesus, e, claro, querendo receber bem, como é próprio de uma dona de casa que convida um hóspede ilustre, afadigava-se a trabalhar. Entretanto, a sua irmã, Maria, sentada aos pés de Jesus, na posição própria do discípulo que escuta um rabi, um mestre, pôs-se a ouvir a palavra d'Ele. O trabalho era tanto que Marta veio ao encontro de Jesus e, compreensivelmente, quase em termos de repreensão, atirou-lhe: "Senhor, não te importas que a minha irmã me tenha deixado sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me." Jesus respondeu: "Marta, Marta, andas inquieta e agitada com muita coisa, quando uma só é necessária! Na verdade, Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada."

2. Ao longo dos tempos, sobre este texto sucederam-se os comentários. Que Marta representa a acção e Maria a contemplação. Mestre Eckardt, paradoxalmente, chamou a atenção para o facto de a verdadeira mística ser, afinal, Marta, no contexto do que se chamou "a mística de olhos abertos", dirigida à acção a favor dos outros. A contemplação sem acção, sem compaixão, pode não passar de pura ilusão. De qualquer modo, é essencial sublinhar o que raramente ou mesmo nunca se diz: Jesus está a afirmar que as mulheres também podem e devem ser discípulas. Não é por acaso que Maria está precisamente na posição do discípulo: aos pés de Jesus, escutando a sua palavra. Contradizendo o que estava determinado, Jesus teve discípulos e discípulas; as mulheres não podem estar confinadas ao serviço da casa.

3. Numa leitura abrangente e essencial, o que o texto propugna é uma Igreja das duas irmãs e a vida de todos, de cada um e de cada uma, tem de ser a sínteses das duas irmãs. Também na política.

Concretizando.

3. 1. Há hoje muitos que não querem trabalhar e vivem pura e simplesmente encostados ao Estado, aos outros, aos contribuintes. Não é só não procurarem trabalho, é mesmo recusar trabalhar ou ser descuidado no trabalho... Isso é bem conhecido. Ora, o ser humano tem como uma das suas características ser laborans (trabalhador). Não apenas para ganhar a sua vida - uma expressão extraordinária, embora dura: a vida foi-nos dada e, depois, é preciso ganhá-la, e uma das coisas que me têm sido ensinadas pela experiência é que quem nada tem que fazer para ganhar a vida, trabalhando, porque tudo lhe é oferecido, nunca atinge a adultidade -, mas também para se realizar autenticamente em humanidade. De facto, é transformando o mundo que a pessoa se transforma e faz. Isso é dito no étimo de duas palavras: a palavra trabalho vem do latim, tripalium, que era um instrumento de tortura (trabalhar não é duro?), mas também dizemos de alguém que realizou uma obra e que se vai publicar as obras de alguém (do latim, opera) - em inglês, trabalhar diz-se to work, e em alemão Werk é uma obra, sendo o seu étimo érgon, em grego. Ai de quem, à sua maneira, não realiza uma obra, a obra primeira que é a sua própria existência autêntica!

3. 2. Mas ninguém pode ficar absorvido, cansado e morto pelo activismo de Marta. Até Deus, no princípio, segundo o livro do Génesis, determinou um dia de descanso semanal, o sábado, para que o Homem se lembrasse de que não é uma besta de carga. Todos precisamos de integrar na vida a atitude de Maria. Descansar, repousar, festejar, fazer férias (etimologicamente, férias são dias festivos). Ah! E tempo para a beleza, e para a família, tempo para os amigos, tempo para o silêncio, para o encontro consigo. Nestes tempos de dispersão, de corrida louca (para onde?), perigo maior é o do esquecimento de si e da alienação. Nestes tempos de extimidade, do fora extremo, tempos da perdição, precisamos do outro lado: cultivar a intimidade, dialogar na intimidade, lá no mais íntimo, com a fonte de ser e do ser. Ah! E ouvir o silêncio, lá onde se acendem as palavras vivas e luminosas e o sentido do existir. É preciso constantemente pedir com Sophia de Mello Breyner: "Deixai-me com as coisas/ Fundadas no silêncio." Aí, meditar. Quem sabe da sabedoria das palavras? Meditação, moderação, medicina têm um étimo comum: o verbo latino mederi - a raiz é med: pensar, medir, julgar, tratar um doente -, que significa medir, cuidar de, tratar, medicar, curar... Tanto se busca fora e longe o que está dentro e tão perto!

3. 3. Os políticos também precisam? Se precisam! Como é possível a Assembleia da República ter deixado 170 diplomas para o seu último dia de votações?! Uma vergonha! Quando é que os políticos meditam e pensam em profundidade o que é preciso pensar, longe do ruído tagarela e vazio e dos holofotes que cegam e estonteiam?

4. Dei muito recentemente um pequeno curso sobre "Grandes Mitos da Humanidade". Assim, um pouco à maneira de apêndice, deixo aí aquele que considero um dos mitos mais actuais e que diz o amor impossível: o mito de Eco e Narciso.

Narciso, enamorado da sua própria imagem reflectida na água, deixou de comer, de distrair-se com qualquer outra coisa, e ficou apenas uma flor, um narciso. A ninfa Eco, tagarela infindável, foi castigada pela deusa Hera, pois a sua tagarelice impedia-a de vigiar o seu divino esposo Zeus, que a traía: ficou muda, sem voz própria, repetindo apenas em eco as palavras alheias.
in DN, 28.07.2019

29 de julho de 2019

Loira cheia de calor


Uma loira chegou ao hotel e como estava muito calor, ela abriu a janela. 
Só que começaram a entrar vários mosquitos.
Então, ela ligou para a recepção e reclamou:
– Boa noite, estou com muito calor e com a janela aberta vários mosquitos entraram no meu quarto e estão-me a incomodar.
– Se a Senhora desligar as luzes do seu quarto, eles irão embora, disse-lhe o recepcionista.
Ela fez o que ele disse e realmente eles foram embora.
Depois de um tempo, começaram a entrar vários pirilampos, e então ela tornou a ligar para a recepção a reclamar.
E o recepcionista perguntou:
– Mas o que foi agora?
Ela responde:
– Não resolveu nada! Os mosquitos voltaram com lanternas!

BOA SEMANA!

25 de julho de 2019

Bam Bam in Downing Street


Lembram-se do personagem Bam Bam da série The Flinstones?
Cresceu, adoptou o nome Boris Johnson, fez carreira política em Inglaterra e vai agora ocupar o número 10 de Downing Street.
Bam Bam dava umas valentes mocadas em tudo à sua volta e partia o que lhe aparecia pela frente.
Este Bam Bam também vai partindo muito do que o rodeia.
Mas anuncia as suas intenções com antecedência o que é louvável.
O que quer partir até Outubro é a União Europeia.
Uma tarefa que já está iniciada e que Boris Johnson se propõe agora terminar.
I Yabba-Daba Do!

Intemporais (172)

24 de julho de 2019

Nada de novo a Oriente



Uma das especificidades de Macau é raramente termos surpresas na vida.
Muito menos na vida política.
Pode haver folclore, foguetório, teatro, no fim não ganha a Alemanha mas ganha quem toda a gente sabia que ia ganhar.
Ho Iat Seng vai ser o próximo Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau.
Dizia-se que havia muitos interessados em ser candidatos à eleição, que podia haver mais que um candidato.
Era Ho Iat Seng, não era preciso ser genial para perceber que era Ho Iat Seng.
Sozinho, inviabilizando o debate, o confronto, Ho Iat Seng é a personificação da harmonia na vertente política.
Agora vai ser cumprido o ritual que todos já conhecemos, ao qual já assistimos, para se poder justificar a eleição e não uma nomeação.
Nada de novo a Oriente que Macau sã assi.

A FÉ CRISTÃ NUM COLÉGIO CATÓLICO (Frei Bento Domingues, O.P.)


A procura da excelência no ensino tem de ser o cuidado de todos, seja qual for a sua orientação.

1. Neste texto, não pretendo abordar as questões gerais do ensino, em Portugal. Não é da minha competência. Pediram-me para tratar do que exige a fé cristã de um Colégio Católico.
É suposto estes colégios terem alguma referência ao Secretariado Nacional da Educação Cristã. Isto não impede que as orientações de cada instituição, com as suas tradições e práticas educativas, possam ser bastante diferentes.
As escolas, segundo os habituais rankings, são classificadas, bem ou mal, pelos resultados académicos. Nunca dei conta que a Religião contasse para esse efeito. Falo de religião em sentido genérico sem, para já, apreciar as tendências dentro deste fenómeno social que, no Ocidente e nomeadamente em Portugal, é cada vez mais investigada pela Sociologia.
A Igreja Católica, sobretudo em alguns países do Ocidente, vê-se confrontada com a declaração: “espiritual sim, religioso não”. Uma sondagem do ano passado, na Alemanha, referente ao ensino religioso e ético, dava os seguintes resultados: 52% acredita em Deus, mas só 22% se declara religioso. “Crentes” são o dobro. O facto de haver pessoas que se definem “espirituais” e não “religiosas” ainda não é um fenómeno de massas. É uma minoria, entre os 6 e 13%, mas é uma tendência que se vai afirmando sobretudo entre os jovens.
É preciso ter em conta que, quando, no Ocidente, se fala de religião, a maior parte das pessoas pensa no Cristianismo, nas grandes Igrejas com os seus dogmas e os seus ritos. A distinção entre espiritual e religioso exprime a tentativa de preferir formas de religiosidade que não têm uma conotação eclesial. As normas respeitantes à fé, sentidas como obrigatórias, contam apenas para um número cada vez menor de pessoas. Neste contexto, a expressão mais usada é a de mercadoou mosaico das religiões, seja qual for a sua origem.
A Religião é considerada tão privada – cada um tem a sua ou não tem nenhuma – que, mesmo nos colégios católicos, não conta para os seus rankings. Nestes existe, no entanto, uma disciplina, com carga horária, chamada Educação Moral e Religiosa Católica.
2. Quando os colégios tinham regime de internato, ouvi dizer muitas vezes a quem viveu nesse quadro: já tenho missas para o resto da vida. Como dizia o célebre Bispo de Viseu, D. António Alves Martins, a religião deve ser como o sal na sopa: nem de mais nem de menos. Um remédio medíocre contra o aborrecimento.
A verdade é que encontrei, ao longo da vida, pessoas que frequentaram colégios e seminários que conservavam más recordações da religião que lhes era imposta. Isto não significa que não houvesse, também, pessoas agradecidas por essa rigidez disciplinar. Essas reacções, por vezes, manifestavam temperamentos: as alunas/os de carácter mais submisso ou mais rebelde.
Excepto aqueles casos, que de educadores só tinham o nome, pois eram doentios com os educandos, sempre ficou uma boa recordação dos mestres que o eram e da qualidade do ensino e, sobretudo, do sentido da justiça.
O que me impressiona é que, na escolha dos professores de Educação Moral e Religiosa, não haja, pelo menos, o cuidado que existe com os professores de matemática e de português.
Num colégio católico devia existir – e em muitos casos talvez já exista – uma equipa pastoral que reúna professores de psicologia, de ciências e literatura para evitar o desfasamento entre o crescimento académico e o crescimento da fé e das suas razões. De outro modo, quando os alunos ouvem nas aulas de Religião narrativas bíblicas sobre a criação, por exemplo, e nas de ciências estudam as teorias da evolução, quem fica a perder é a religião, a linguagem do inverosímil. Parece que não se aprendeu nada com os embates entre a religião e as ciências do passado. Galileu e a Inquisição! Esquece-se, porém, que a teoria do Big-Bang é de um padre, professor da Universidade Católica de Lovaina. A tão falada contradição entre religião e ciência só pode ser fruto da ignorância nos dois campos.
A procura da excelência no ensino tem de ser o cuidado de todos, seja qual for a sua orientação. Esta procura não pode abrandar quando se trata do ensino religioso. Convém não esquecer aquilo que S. Tomás dizia: se sei e digo de cor o Credo, estou a confessar a fé católica, mas se não procuro saber como é verdade aquilo que confesso ser verdade, estou certo, mas de cabeça vazia. Isto era da Idade Média! Agora, o ambiente que se respira não é o da Cristandade. O dom da fé ou é cultivado ou desaparece. Importa criar um ambiente em que a fé cristã surja como uma fonte de alegria. Como dizia S. João, isto vos escrevemos para que a vossa alegria seja completa.
3. A educação cristã da fé exige a descoberta progressiva de Jesus Cristo como sentido, como beleza, como responsabilidade da vida e para a vida. Para realizar essa descoberta progressiva, a filosofia, as ciências, a estética e a ética devem andar bem casadas. Como os bons casamentos, também conhecerá as suas turbulências amistosas.
A linguagem simbólica da fé cristã não apaga o pensamento nem a investigação. A linguagem simbólica nasce de fontes profundas. Não pode ser usada como um calmante. Ela é um excitante de todas as manifestações da vida verdadeira. Dá sempre muito que sonhar e pensar.
A expressão estética dos símbolos da fé provocou e convocou, ao longo da história, a grande música, a grande poesia, a grande pintura e a grande arquitectura.
As celebrações, as orações e as múltiplas expressões da espiritualidade, de um colégio católico, devem merecer um tal cuidado, uma tal participação, que se tornem apetecidas e interpelantes.
Um colégio católico deve ser um laboratório da descoberta e da experimentação da fé cristã. Esta exige o respeito prático do pluralismo religioso. A educação para a tolerância, para o diálogo, para a descoberta do outro é o melhor clima para esse laboratório.

in Público, 21.07.2019

23 de julho de 2019

Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão


Gosto muito da sabedoria popular dos provérbios.
Porque são sabedoria consolidada, reflectem experiência de vida.
Olhando para o que se passa em Hong Kong fico a pensar se a sabedoria chinesa não terá algum ensinamento semelhante ao provérbio português “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.
As leis de extradição foram o mote para o extravasar de sentimentos de revolta que continuam latentes e que não desaparecerão se não forem dadas perspectivas de vida decente, digna, ao povo de Hong Kong.
Quando a miséria convive diariamente com a mais descarada opulência é só uma questão de tempo, de quando, a revolta se irá instalar.
O que está a acontecer em Hong Kong só terá fim quando a imensa riqueza que a Região Administrativa Especial gera, e que Pequim fomenta, for mais equitativamente distribuída pela população.
Até lá qualquer acontecimento, por mais banal que seja (não é o caso das leis em discussão, sublinhe-se), irá fazer soltar a revolta que todos dias está oculta, recalcada.
Macau, tão preocupado com hipotéticas ameaças à segurança interna, devia perceber muito melhor o que se passa em Hong Kong.
Porque as desigualdades económicas e sociais só têm vindo a agravar-se com o passar do tempo.
E essa sim é uma verdadeira ameaça à segurança interna.

Religiosas e sacerdotes presos nos EUA no protesto contra políticas migratórias



Vatican News, 19/07/2019


Uma manifestação de desobediência civil organizada no Senado dos Estados Unidos resultou na prisão de alguns religiosos. O protesto foi promovido pelo Colomban Center para a defesa e a sensibilização, pela Conferência dos Superiores Maiores do sexo masculino, pela Conferência Jesuíta do Canadá e dos EUA, pela Conferência das Religiosas dos Estados Unidos, pela Pax Christi EUA, entre outros, contra as políticas de imigração implementadas na fronteira, em particular as medidas contra as crianças.


Os manifestantes entraram no Salão Oval do Senado tendo em mãos fotos de crianças migrantes que morreram em instalações de custódia do governo federal. Pouco antes, no gramado externo, haviam rezado, ouvido testemunhos de migrantes aterrorizados com a ideia de perder seus filhos e lido as mensagens dos bispos presentes em apoio ao protesto.

Ignorando as advertências dos agentes, segundo a agência de notícias Sir, cinco dos ativistas deitaram-se no piso do Capitólio formando uma cruz humana. Em coro, entoavam os nomes das pequenas vítimas: "Darlyn, Jakelin, Felipe, Juan, Wilmer, Carlos".

A polícia teve que intervir, prendendo alguns dos manifestantes enquanto deitados entoavam cânticos. Foram algemadas freiras, membros de paróquias e outros líderes católicos, retirados enquanto recitavam a Ave Maria.

Entre os 70 presos, está a Irmã Pat Murphy, de 90 anos, que trabalha com migrantes e refugiados em Chicago e que há 13 anos organiza, todas as sextas-feiras, vigílias de oração em frente à agência de migração.

"O tratamento dos migrantes deveria ofender todas as pessoas de fé", reiterou Irmã Pat, apoiada pela Irmã Ann Scholz, da Conferência das superioras das religiosas estadunidenses. "Estamos aqui porque o Evangelho nos obriga a agir e estamos indignadas com o horrível tratamento reservado às famílias, em particular, às crianças", afirmaram.
"Luzes pela liberdade"



A manifestação de quinta-feira, 18, é apenas uma das tantas ocorridas em várias cidades em todo o país desde o último sábado. O anúncio da ação dos agentes imigratórios mobilizou centenas de pessoas de todas as religiões, que juntas, pedem uma mudança radical nas leis de migração e o fim da detenção de migrantes em centros de detenção na fronteira com o México, onde as imagens de crianças imigrantes, separadas de suas famílias e mantidas em uma espécie de gaiolas e áreas com cercas, completamente insalubres, indignaram a nação.

"Luzes pela liberdade" é o nome dado a esses protestos, que têm como símbolo a Estátua da Liberdade, um ícone da acolhida de imigrantes nos Estados Unidos.


Manifestantes da religião judaica também são presos


Na terça-feira passada, escreve Maddalena Maltese em seu artigo, dez manifestantes judeus também foram presos: a acusação foi que eles tinham entrado ilegalmente no hall da sede da Agência para controle de fronteiras e da imigração em Washington, enquanto outros 100 ativistas criaram uma barreira humana, todos de mãos dadas, na frente das portas e garagens do prédio, com o objetivo de interromper as operações de limpeza feitas por agentes da imigração.
Basta de ódio contra os refugiados


O cardeal de Nova York Timothy M. Dolan, após a Missa dominical celebrada na Capela de Santa Francisca Cabrini, padroeira dos imigrantes, denunciou a atitude geralmente negativa em relação aos refugiados e requerentes de asilo, precisamente em um país que, por definição, “é nação de imigrantes ".

O purpurado reconheceu com dor que existem "muitos lugares" onde "os refugiados são objeto de ódio e de malícia".
Ameaças de deportação são cruéis


No Texas, o bispo de Brownsville, Daniel Flores, disse que "as ameaças de deportação são cruéis para as famílias e crianças, e que a separação dos pais de seus filhos, sem sequer a possibilidade de comparecer no tribunal, é reprovável".

"As leis – acrescentou – deveriam tratar famílias e crianças de maneira diferente de como são tratados os chefões do tráfico".

Por fim, o diretor executivo da Rede de Solidariedade Inaciana, Christopher Kerr, explicou que os grupos e paróquias associados aos jesuítas no serviço aos migrantes, distribuíam manuais de emergência durante as Missas em espanhol e muitas paróquias declararam-se "santuários" para garantir a segurança das famílias que teriam pedido acolhida.

( Com informações de Maddalena Maltese, de New York – Agência Sir)

19 de julho de 2019

Composição Ilustrada : " O LEITE " (Classificação Mau, o que foi uma enorme injustiça)



Escola Primária de Esmojães- Stª Maria da Feira

(Escola do Zé da Mula)

COMPOSIÇÃO

O LEITE

O leite é muito bom para a saúde.
Eu gosto muito de leite.
As vacas dão leite e as cabras também. O meu pai diz que há cabras de duas pernas à noite no parque Eduardo cétimo de Lisboa mas não dão leite, dão outra coiza que ele dice mas eu não percebi.
As ovelhas também dão leite e mais outros animais que tem mamas.
O senhor prior cá da aldeia também dá leite aos pobres mas é em pó.

O aluno

(corto o nome porque fala-se no milagre e não no santo)

Feira 27 de Março de 2003

BOM FIM-DE-SEMANA

17 de julho de 2019

De regresso


Tudo o que é bom acaba depressa, não é?
Já acabaram as férias.
Em ritmo lento (devagar, devagarinho, parado), de volta à blogosfera e ao vosso convívio.
Foram umas férias em boa companhia (eu e quatro raparigas) e com muitas viagens.
Gostei muito de Ottawa, de Quebec City, estava à espera de melhor em Montreal.
Não gosto nada da confusão das zonas mais turísticas de Nova Iorque.
Valeu a pena, passou rápido, em Outubro está programada uma ida a Portugal para visitar a família e os amigos que lá estão.