21 de setembro de 2016

Os ricos que paguem a crise?

Não gosto de fulanizar propostas que claramente são apresentadas não em nome individual mas sim no âmbito partidário.
O caso das propostas orçamentais do Bloco de Esquerda em matéria fiscal é disso um bom exemplo.
Não são propostas de uma pessoa, são propostas de um dos partidos integrantes da actual solução governativa em Portugal. 
Propostas que me deixam seriamente preocupado porque, a serem aprovadas e levadas avante, acredito que poderão revelar-se desastrosas em termos de poupança e investimento. 
Querer taxar as grandes fortunas e os detentores de grandes patrimónios são propostas demagógicas a fazer lembrar slogans de tempos não muito distantes - os ricos que paguem a crise. 
Como a História tem mostrado, uma e outra vez, não é isso que efectivamente acontece. 
As grandes fortunas, os grandes patrimónios, espalham-se um pouco por toda a parte, conseguem com facilidade esquivar-se à voragem da máquina fiscal portuguesa. 
A serem levadas avante as propostas orçamentais do Bloco de Esquerda estou convicto que vão desencorajar o já débil aforro das famílias portuguesas, vão desencorajar o investimento interno, afastar o investimento externo. 
Propostas que, apresentadas publicamente sem serem antes discutidas no seio da coligação, deixam o PS numa posição muito complicada. 
O que fazer agora? 
Aceitar tais propostas e ser conivente com os resultados a que as mesmas poderão conduzir ou rejeitá-las e correr o risco de ver o Bloco de Esquerda abandonar a coligação, fazer cair o Governo e caminhar para eleições antecipadas? 
A precipitação (ou será estratégia?) do Bloco de Esquerda deixa pouco espaço de manobra ao PS (o PCP mantém um prudente silêncio relativamente a esta matéria...) e pode agravar um ambiente político de alguma crispação que parecia já afastado e que em nada favorece o País.

44 comentários:

  1. Fico contente com a tua visita no meu blogue e ainda bem que gostaste da minha reportagem fotográfica sobre Arouca,é um lugar maravilhoso!! Feliz quarta-feira!!

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    1. Um local que já não visito há muitos anos, Sandra.
      Feliz quarta-feira também

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  2. Subscrevo inteiramente e acho que ao BE ponho um velho ditado: o carro à frente dos bois. Gostei do que ontem ouvi de António Costa e acho que há que aguardar por Novembro e as coisas não serão como o BE anda a apregoar.

    Também acho que se deveria acabar com a isenção de muitos (agora não me recordo o nome) que têm imenso mobiliário, as várias igrejas, etc. etc. onde até a Concordata deveria ser alterada, numa de ou pagam todos ou...fico por aqui.

    Há muitos que fogem ao fisco e há muito onde cortar, portanto aguardo e não entro neste coro de "papagaios" porque anda a debater-se coisas que nem sequer se sabe a forma e o conteúdo.

    Beijocas e um bom dia

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    1. António Costa ficou numa posição muito delicada, Fatyly.
      Ver uma militante do Bloco de Esquerda, num evento organizado pelo PS, apresentar propostas do Bloco de Esquerda e desafiar o PS a segui-las, é muito complicado.
      Se seguir essas propostas, Costa vai ser (novamente) acusado de andar a reboque do Bloco.
      Se recusar essas propostas verá o Bloco eventualmente bater com a porta da coligação e forçar novas eleições.
      Gente que não tem noção das consequências do que diz, ou que apenas pensa em politiquice, dá nisto.
      Beijocas, um bom dia

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    2. Claro, mas à direita, centro e esquerda já para não falar das "extremas" é tudo farinha do mesmo saco e infelizmente a credibilidade dos políticos anda mesmo pelas ruas da amargura. Fora do poleiro é só promessas, vão para o poleiro e fazem tudo ao contrário.

      Tudo isto só cria insegurança, incertezas, tristezas e angústias. Possas que é demais! Estou farta desta gentinha e gostava muito do BE do tempo do Miguel Portas e Louçã. Hoje é uma sombra. O mesmo se aplica a todos ou quase todos os partidos. Quando oiço dizer que o PSD...o tal de Sá Carneiro. Como??? enfim

      Um abraço

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    3. O Bloco de Miguel Portas e Francisco Louçã era mais responsável, muito menos panfletário, Fatyly.
      Este Bloco é pura ideologia e teatro.
      Só que o palco é a política e a peça encenada o futuro do País.

      Não é ser saudosista, é a realidade.
      Se o Bloco degenerou, do PPD de Sá Carneiro há muito poucos vestígios neste PSD, Fatyly.

      É uma pena, mas é a realidade.

      Abraço

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  3. Espero bem que o PS não embarque nesta "aventura" do Bloco.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.
    Andarilhar

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    1. Para fazer isso António Costa terá que ter muito tacto político, Francisco.
      Porque os bloquistas não vão gostar nada de ver publicamente recusada uma proposta que para eles, sobretudo do ponto de vista ideológico, é tão importante.
      Aquele abraço, continuação de boa semana

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  4. A coisa não está nada fácil... esperemos que o PS saiba contornar o problema.
    Mas a questão é sempre a mesma - para se darem benefícios... é preciso dinheiro, e é preciso ir buscá-lo a algum lado. É um ciclo vicioso...

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. A questão é onde se vai buscar, Mariazita.
      Aos ainda existentes pequenos aforradores?
      Aos que, com o seu trabalho, adquiriram propriedades, investiram e pagam impostos?
      Aos que investiram no mínimo meio milhão de euros para adquirirem a nacionalidade para agora verem o seu património ser especialmente tributado?
      Há disparates que custam muito caro.
      E receio que venham alguns a caminho.
      Beijinhos

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  5. Pedro, sinceramente, o que António Costa faz para ter poder é inimaginável, meu caro amigo.

    Costa está refém do BE e nós (portugueses)sequestrados pelos radicais de esquerda do BE,como dizia o velho Winston Churchill, mais palavra menos palavra, «Não tornamos os pobres mais ricos, se tornarmos os ricos mais pobres.».

    Aquele abraço, Pedro.

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    1. A carta que o Ricardo esta semana escrevia às suas filhas está brilhante.
      Para quê poupar, para quê adquirir património para deixar aos filhos?
      E, se isto é verdade para os portugueses, o que dirá dos potenciais investidores externos??
      Não sei como é que o PM se vai safar desta.
      Se cumprir a agenda ideológica dos bloquistas (do PCP também mas esses não dizem nada) está condenado a prazo.
      Vai sobrevivendo politicamente até um dia.
      E, nesse dia, será o País a pagar os desvarios e os jogos políticos que se vão agora jogando.
      Aquele abraço

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    2. Peço desculpa por interferir no comentário, mas estou absolutamente de acordo com o pensamento do Ricardo Meneses e com a resposta do Pedro.

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    3. Interfira sempre, Teresa. Interagir é que tem piada nestes espaços. de outra forma não faz sentido nenhum.

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  6. O PS não pode aceder a todas as exigências do BE. A este também não interessa a queda do governo, por muito que queira demonstrar o contrário.
    Um abraço

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    1. Espero que seja assim mesmo, Elvira Carvalho.
      A última coisa que Portugal agora precisava era de mais umas eleições legislativas.
      Um abraço

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  7. Esta coligação a 3 não pode dar bom resultado. Os ideais são muito diferentes entre todos para que se entendam...
    Beijinhos

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    1. Até agora tem funcionado, Chic'Ana.
      E eu também era dos que pensava que ia dar esterco.
      Ainda não deu.
      Mas sinto que, a qualquer momento, por qualquer problema, pode dar.
      O que é muito preocupante.
      Beijinhos

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    2. A romaria ainda não chegou ao adro.

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    3. É esse o meu receio constante, Teresa.
      Não vale a pena escondê-lo nem negá-lo.
      Se já tinha essa convicção no início, ela vai-se reforçando a cada episódio semelhante a este.
      E esse receio é que, por qualquer minudência, este acordo fique feito em pedações.
      E o País mergulhado em nova crise política e em mais umas eleições.

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  8. Nós na ALEMANHA não temos problemas com os ricos, queremos é acabar com os pobres.

    A Assunção Christas vai tirar proveito político destas propostas.

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    1. Olaf Palme disse o mesmo, mutatis mutandis, a Otelo, Teresa - "Na Suécia não queremos acabar com os ricos. Queremos é acabar com os pobres."

      Assunção Cristas não terá grandes chances de brilhar sem o apoio do PSD, Teresa.
      Aliás, esta aventura de se candidatar às autárquicas, anunciada tão a destempo, pode bem ser o princípio do fim de Assunção Cristas.

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    2. Eu sei que é uma frase do OLAF PALME, Pedro, mas que aplica muito bem à conduta alemā.

      A Cristas ainda vai dar muitas dores ao PPC.

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    3. O PPC anda a fazer aquilo que a minha avó designava por arranjar sarna para se coçar, Teresa.
      Nem precisa de Assunção Cristas para lhe atormentar a vida, ele próprio encarrega-se disso.

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  9. Hoje o meu bairro esta repleto de folheto de candidatos. Tem eleição aqui pra prefeito e vereadores em outubro. Um comendo o outro, cada um querendo roubar um pouquinho. Políticos é tudo igual, só muda de endereços.
    Abraço Pedro!
    Boa semana!

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    1. Smaresis,
      Teremos eleições autárquicas em Portugal.
      Não gostava nada que, para além das autárquicas, houvesse outras legislativas.
      Isso custa muito ao país.
      Um abraço, boa semana

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  10. Já não sei o que dizer sobre algumas coisas - há quem lhes chame propostas - que o BE diz.
    Compreendo que a malta tem que ir dando um ar da sua (des)graça para que ninguém pense que a chamada geringonça deixou de funcionar mas não é assim que a coisa se faz.
    Parece-me claro que nem o próprio Bloco acredita no que propõe mas lá está, tem que mexer.
    Um abraço, Pedro.

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    1. O Bloco funciona por ideologia, por panfletos, muitas vezes desligados da realidade, António.
      Especialmente este Bloco das meninas.
      O pior é que, sem qualquer sentido de conveniência, diz umas palermices que depois se torna muito difícil corrigir.
      Aquele abraço

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  11. Pedro, o nosso PM está numa encruzilhada perigosa. Parece-me que o PCP não partilha das ideias do Bloco de Esquerda, ou pelo menos, não é tão militante nestas propostas. Aliás, em termos de património, convém lembrar que o Partido com maior património imobiliário é... justamente o Partido Comunista, o que faz pensar, sem dúvida. António Costa ao aceitar uma proposta destas mostra-se refém dos interesses do Bloco e mostra que o seu partido não terá ideias próprias ou coragem política de as tentar implementar. Inclino-me para o segundo ponto. A conquista do poder terá sido um momento feliz para Costa. A ressaca estará a ser mais trabalhosa do que este pensava. A ideia de taxar as grandes fortunas terá de ser gerida com pinças. Nem sempre são os pobres e os ricos os culpados de tudo. O Estado endividou-se demasiado ao longo das últimas décadas. Aceitou múltiplas parcerias público-privadas que tantos danos causaram e, não esquecer os famosos submarinos em segunda ou terceira mão que tanto dinheiro nos custaram. Serão as pessoas sempre as mais culpadas? Ou o Estado tem sido gastador até ao extremo?

    Um abraço
    (estou de regresso à blogosfera!)

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    1. Bem regressado, Carpe Diem!!

      O António Costa está, como tão bem dizem os anglófonos, "between a rock and a hard place".
      O desplante de Mariana Mortágua, ao anunciar uma mediada do Bloco num acontecimento organizado pelo PS, e desafiando o PS a seguir o Bloco, deixou Costa, para voltar à língua inglesa, em loose, loose situation.
      Vire-se para onde se virar vai levar na tromba.
      A escolha será entre levar na tromba do Bloco ou do País.
      Aquele abraço

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  12. Não acredito que Costa se limite a nadar a favor da corrente do Bloco de Esquerda, já o PC é o habitual, joga na retranca, criticando tudo e todos, mas não tem poder de palavra, muito menos de iniciativas.

    Beijinho de quem não comenta politica :))

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    1. O PC está naquela fase que nos tribunais costumas ser designada por "e, aos costumes, disse nada", Adélia.
      Vai vendo no que é que o circo dá.
      Já António Costa tem muito que reflectir.
      Quer levar pancada do Bloco ou do País??
      Basicamente é isso.
      Beijinhos

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  13. Mas é que o mundo inteiro faz o contrário! é só acumular e esconder !!! isso é que está na onde, não é ?!

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    1. Sendo assim, Angela, mais se reforça a ideia que taxar as grandes fortunas, os grandes patrimónios, é apenas um panfleto e uma ilusão.

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  14. Sinceramente, Pedro, creio que se está a fazer uma tempestade num copo de água. A comunicação social empolou e transformou em proposta de governo uma atoarda, ainda por cima deturpada. Obviamente, há interesse em intoxicar a opinião pública.
    Não quero com isto dizer que não concorde que é preferível taxar a riqueza, do que os rendimentos de trabalho, mas partilho dos seus receios quanto às consequências negativas de uma medida desse teor.
    Não acredito é que o BE abandone o governo se a medida nao for adoptada. Catarina Martins sabe, muito bem, que isso seria o fim do BE.

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    1. Não é uma proposta do Governo, Carlos.
      E espero que não o venha a ser.
      É uma proposta do Bloco, lançada em tom de desafio num vento organizado pelo PS (aqueles aplausos todos é que assustam...), que é coisa bem diferente.

      "Não quero com isto dizer que não concorde que é preferível taxar a riqueza, do que os rendimentos de trabalho".
      Mas quem é que não concorda com isso, Carlos?
      Vamos é ver como vamos implementar essa ideia.
      O que o Bloco propõe é demagógico, panfletário.
      E perigoso, muito perigoso.

      Eu não confio no bem senso dos bloquistas, Carlos.
      A sensatez desapareceu com o apagamento daqueles que pensaram e criaram o Bloco.
      Este Bloco tem espírito de escorpião - mata a rã mesmo sabendo que também vai morrer.
      Porque é essa a sua convicção, a sua maneira de ser.

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    2. Que bela definição, Pedro!
      Interessante.

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    3. É a triste realidade, Portuguesinha

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  15. Onde e qdo é que eu já ouvi esta frase, Pedro?

    Deitaste abaixo o governo de Sócrates, portanto, já tens algum traquejo. E és de esquerda? Bora lá, então, Katrina, Dra. ministra! Espera! Not yet! Depois das Autárquicas. Tá?

    Happy days!

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    1. Não haverá ministros do Bloco e do PCP, CÉU.
      Nem um nem outro querem isso.
      Estão dentro sempre com um pé fora, um olhar desconfiado, uma postura céptica.
      São a Grã-Bretanha dentro da União Europeia.
      Beijinhos

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  16. Respostas
    1. Passamos a vida à espera para ver, Portuguesinha

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  17. Segundo percebi, a medida já constava do programa de governo do PS aquando da campanha eleitoral. Assim, o assunto estaria a ser acertado entre a coligação para ser incluído no orçamento de 2017.
    Ou seja, a proposta não é do BE. A Mortágua apenas deu voz pública ao assunto.
    Por outro lado, a filosofia deste governo é transferir impostos das classes mais pobres para as mais ricas.
    Nos últimos anos, segundo a OCDE, foi em Portugal onde os impostos mais subiram nos rendimentos mais baixos.
    Por isso, a medida poderá ajudar a corrigir a situação.
    Se é bom ou mau... não faço ideia. Em qualquer caso, a medida atingirá, se aplicada, cerca de 1% das pessoas (qualquer coisa como 8 mil).
    Um abraço.

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