8 de setembro de 2016

Novos muros se erguem


Berlim, 12 de Junho de 1987.
Ronald Reagan, então Presidente dos Estados Unidos da América, proferia um discurso na cidade de Berlim que terminava com uma exortação que se tornaria para sempre famosa - "Mr. Gorbathev, tear down this wall!".
O tristemente célebre Muro de Berlim, que durante décadas dividira a Europa, começava a ser derrubado e a promessa de uma Europa sem fronteiras ganhava ali um simbolismo que se julgava representar um caminho sem retorno.
Quase trinta anos depois, como resposta bruta às vagas de refugiados dos dois lados do Atlântico, a promessa de construção de novos muros é demasiado real.
Depois de Donald Trump, e do muro que supostamente irá proteger os Estados Unidos da América das vagas de refugiados que entram no país pelas fronteiras com o México, agora França e Inglaterra a juntarem esforços e meios para construir um novo muro na Europa.
Um muro a ser construído em Calais, supostamente um travão à vaga de refugiados que arrisca a vida para atravessar a fronteira que separa França e Inglaterra partindo da infame "Selva de Calais".
A História faz-se de ciclos, de avanços, de recuos, de repetições.
Por mais estúpidas que sejam essas repetições como tão bem o comprovam os dois projectos de muros a construir apenas trinta anos depois da queda do que terá sido o mais célebre de todos os muros. 

38 comentários:

  1. Os muros, feliz ou infelizmente fazem parte da nossa cultura e em mais de 90% da humanidade. Destinam-se como sabemos a deter os invasores e os ladrões, são necessários para proteger a nossa intimidade e propriedade, isto sem falar em cultura e modo de vida. É certo? é errado? Eu pelo menos não gostaria de ter estranhos acampados no meu quintal E vocês o que fariam? Eu semi que depois vem as lérias dos direitos do homem, dos chavões da liberdade , igualdade e fraternidade. O santíssimo trindade da revolução francesa, mas mesmo esta não se aguentou nesta tripeça e teve que recorrer ao quarto componente. a guilhotina. E o mundo não vai parar pelos nossos lamentos nem pelas asneiras ou benfeitorias que façamos. Cumprimentos para si.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como a imagem demonstra, os muros, por mais altos e mais seguros que supostamente sejam, não prendem quer quer fugir, aguerreiro.
      O que é que ingleses e franceses julgam que vai acontecer?
      Que os refugiados vão ficar naquele inferno que é a "Selva de Calais"?
      E mesmo que assim fosse, onde é que estaria a resolução do problema?
      Confesso que não consigo perceber.
      cumprimentos para si também

      Eliminar
    2. Muito bem.

      Cumprimentos.


      Eliminar
    3. «Como a imagem demonstra, os muros, por mais altos e mais seguros que supostamente sejam, não prendem quer quer fugir»

      Isso é mentira. Está demonstrado que os muros são barreiras eficientes para travar este tipo de problemas. Os israelitas ja deixaram isso bem demonstrado na Palestina onde construíram vários muros que têm sido extremamente eficientes para conter a população palestiniana.

      Obviamente que os muros não são perfeitos e há sempre um "ratinho" ou outro que consegue "dar o salto", mas em termos gerais, os muros funcionam e funcionam muito bem.

      A ideia de que os "muros não funcionam" é propaganda da esquerda para lançar confusão e atirar areia para os olhos das pessoas.

      Eliminar
    4. O aguereiro tem toda a razão no que diz.

      Eliminar
  2. A anedota do Trump e o muro... como diz, a historia repete-se... A humanidade nao aprende com os erros cometidos no passado?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Parece que não, Catarina.
      Ciclicamente lá vêm as mesmas borradas.
      Noutras épocas, com outros protagonistas, eventualmente noutros locais.
      Mas praticamente as mesmas borradas.
      Como se diz em bom português, mudam as moscas...

      Eliminar
  3. Só me apetece dizer - É uma vergonha o que se passa na Europa a todos os níveis.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.
    Andarilhar

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vai-se reforçando a sensação de desnorte, Francisco.
      Mais um muro.
      Para quê??
      Aquele abraço

      Eliminar
  4. Sempre gostei de história e uma das memórias que guardo é que a história repete-se, não sei se inevitavelmente, ou se nós precisamos de repetir as asneiras para ver se resultam desta vez.
    Não me revejo nesta actualidade e sinceramente caminhamos de forma abrupta para o abismo. Não sou uma expert, mas não tenho dúvidas de que o mundo está a mudar para pior, muito pior!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se continuamos a construir muros, quando já vimos que não resultam e até derrubámos os existentes, reais ou artificiais, vamos por muito mau caminho, Esmy.

      Eliminar
  5. Tanto se podia retirar desse exemplo Pedro!
    Repetições, ciclos... porquê?
    Será 30 os anos que precisam de passar para a nova geração entender exemplos do passado? Ou será menos? Os muros foram erguidos ao longo da história e continuam a ser. Temos de admitir que cumprem uma função. Ou teriam caído em desuso. Se calhar, são necessários. Não havia pensado nisso até este teu post.
    Claro, agrada-me a ideia de uma europa sem muros e fronteiras. Algo que faz muita confusão aos americanos. Mas há alturas em que algo bom vira-se contra quem pratica o bom. E o mau domina. Cavalos de tróia??

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não vale a pena termos a mania da perseguição, Portuguesinha.
      Os muros não resolvem nada.
      O Cavalo de Tróia é um bom exemplo dessa realidade.

      Eliminar
  6. De facto, Pedro, estamos a ficar com o mundo emparedado...
    O de Calais é demasiado vil...
    Com o mesmo dinheiro, construíam um campo de refugiados...
    Há tanto desperdício...
    Beijinhos.
    ~~~~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As pessoas vão ficar naquele inferno na Terra até desesperarem e tentarem saltar os muros arriscando a própria vida, Majo.
      Que raio de sentido tem isto??
      Beijinhos

      Eliminar
    2. Se o Majo Dutra acha que o muro de Calais é "demasiado vil", então convido-o a ser ele próprio a pagar a estadia aos invasores islamo-africanos e a indemnizar os comerciantes e as famílias prejudicadas pelo que essa gente tem feito por todo o lado onde passa.

      Eliminar
    3. «As pessoas vão ficar naquele inferno na Terra até desesperarem e tentarem saltar os muros arriscando a própria vida»

      Não vão, não. Pelo contrário, essas pessoas irão ser todas deportadas de volta às lixeiras de onde vieram assim que a Frente Nacional tomar o poder. Espere que irá ver o que aí vem e já não falta muito.

      Eliminar
    4. Majo Dutra é uma senhora. Não reparou?? Acha que eu ando a mandar beijinhos a homens?? :))

      Eliminar
    5. «Majo Dutra é uma senhora. Não reparou?? Acha que eu ando a mandar beijinhos a homens?? :))»

      Por acaso não reparei. As minhas desculpas.

      Eliminar
  7. Há muros demais. Haverá assim tanta coisa que separe um lado do outro?
    Abraço, Pedro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Na cabecinha oca de muito boa gente parece que sim, António :(
      Aquele abraço

      Eliminar
  8. Muito triste, Pedro! Pior que triste: aviltante!! Muito mau. Que mundo é este? Que Europa é esta?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta não é a Europa que foi sonhada após a II Guerra Mundial, Graça.
      Arriscaria dizer que é o oposto.

      Eliminar
    2. Cara Graça Sampaio, sustente você os invasores. Se quer essa gente cá dentro, então seja a senhora a pagar-lhes a estadia.

      O que vocês querem é trazer essa gente para o nosso País e depois andar a roubar o povo para dar dinheiro a "refugiados". Esta é que é a verdade de que vocês não falam.

      Eliminar
  9. Não me parece que a recolha de refugiados seja a solução do problema da guerra. Aliás, tenho lido, ouvido e visto vários artigos e videos sobre este assunto que me deixam cada vez mais convicto que as sociedades "desenvolvidas" não querem resolver o problema. A solução é termninar com a guerra nesses Países e deixarem de lhes vender armas e de a fomentar. Não é solução aqui e em década nenhuma a emigração massiva.

    https://www.youtube.com/watch?v=UKAQX74yRyc
    Este é interessante sobre o assunto e deixa-nos a pensar sobre o assunto !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou perfeitamente de acordo, Ricardo.
      A recolha de refugiados terá que acontecer enquanto as guerras de que fogem não terminarem.
      Quando terminarem esses próprios refugiados quererão voltar aos seus países, às suas raízes, aos seus costumes.

      Eliminar
  10. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Excepcionalmente meu comentário somente será:
    Saudades desiludidas e desiguais.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cada vez mais desiguais, Amigo João Paulo de Oliveira.
      O que provoca cada vez mais desilusão.

      Eliminar
  11. O Pedro Coimbra faz jogo sujo ao comparar o muro de Berlim, com os actuais muros em construção, pois o Muro de Berlim foi construído para impedir os cidadãos soviéticos de fugirem do terror comunista que assolou a Europa durante décadas, pelo contrário, os actuais muros em construção, visam apenas impedir a entrada de invasores alógenos em países que não lhes pertencem.

    Quem compara o Muro de Berlim, com o muro que Trump quer construir, está a comparar o cu com as calças, pois o muro do Trump se for construído, não irá impedir nenhum cidadão americano de sair dos Estados Unidos. Trata-se apenas de um muro defensivo para travar a imigração ilegal em massa e ajudar a controlar o tráfico de droga, mais nada.

    O que se está a passar hoje na Europa é uma invasão estrangeira em toda a linha e uma invasão que tem de ser repelida a todo o custo:

    http://historiamaximus.blogspot.pt/2016/09/e-invasao-prossegue.html

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu até estava a achar estranho ainda não ter recebido nenhum comentário seu acerca do tema, João José Horta Nobre

      Eliminar
  12. Claro que os muros não resolvem nada, Pedro.

    Aqui já vivemos com duas sociedades paralelas. O medo aumenta de dia para dia e a Alternative já tem mais votos do que o partido da Angela Merkel.

    Um tema que me preocupa e ao qual não tenho resposta.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esse crescimento da extrema-direita é que é realmente preocupante, Teresa.
      Olhe aqui o exemplo nos comentários que hoje publico.
      E eu também não tenho respostas nem soluções para o travar.

      Eliminar
    2. Eu sou membro desse grupo político a que chamam de "extrema-direita". Aconselho-vos a tentarem perceber melhor quem nós realmente somos, o que defendemos e a informarem-se sobre quem são os vossos verdadeiros inimigos:

      http://historiamaximus.blogspot.pt/2016/09/as-elites-judaicas-reagem-com-furia.html

      http://historiamaximus.blogspot.pt/2016/08/contra-tudo-e-contra-todos-alt-right.html

      http://historiamaximus.blogspot.pt/2016/08/adivinhem-so-quem-sao-os-maiores.html

      Eliminar
  13. Os muros fazem parte de nós, limitamo-nos a usá-los conforme as circunstâncias.
    (Bem vendo as coisas, parece que nada mudou desde o início. Um quintal será sempre um quintal)

    Abraço :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como uma célebre governante aqui em Macau eu também não gosto nada de quintais, AC.
      Aquele abraço

      Eliminar
  14. Me pergunto hoje que fizeram com a esperança aquando
    da queda do muro de Berlim? E ver Angel Merkel a sofrer
    nos resultados eleitorais, também dá que pensar.
    A selva, é o nome que lhe dão, e precisam de um muro e
    há muito dinheiro para construir o muro.E a cabeça dos
    homens não precisará de uma nova construção?
    Abraço,amigo.
    Irene Alves

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A cabeça dos homens precisa de profunda remodelações, Irene Alves.
      Um abraço

      Eliminar
  15. Não tem havido discernimento, vontade e acção políticas coordenadas de modo a encarar o problema como um de toda a Europa. E assim sendo, cada país tenta solucionar o problema que tem à porta. Assim não vamos lá...

    ResponderEliminar