6 de setembro de 2016

Da rua para o Legco


Como resultado de umas eleições que registaram uma participação recorde de votantes (58%), as divisões políticas e sociais existentes em Hong Kong passarão a ter expressão muito concreta na composição do novo Legco.
A eleição de elementos ligados aos grupos localistas e independentistas, não constituindo uma surpresa total, não deixa ainda assim de ser um forte abalo na tão ansiada harmonia, discurso a que Pequim repetidamente  recorre e que tenta por todas as vias impor.
O sentimento de pertença do hongkonger é inegável e terá até saído fortalecido do movimento Occupy, constituindo os resultados destas eleições parlamentares a consagração prática desse facto.
A estratégia de confronto aberto dos dois lados da disputa - Pequim/localistas e independentistas - foi favorável, olhando para os resultados eleitorais, a estes últimos.
A Norte, as autoridades centrais têm que perceber que, com esta composição do Legco, doravante se vai falar frequentemente em auto-determinação e até em independência de Hong Kong.
Quer Pequim goste, ou não, ao contrário do slogan que Bill Clinton tornou famoso nos Estados Unidos - "it's the economy, stupid"- em Hong Kong terá nascido um novo slogan e vamos decerto ouvir frequentemente falar de política nos próximos anos - it's politics, stupid.

12 comentários:

  1. Infelizmente Pequim nunca irá abrir mão de Hong Kong nem do Tibete.
    Um abraço e boa semana.
    Andarilhar

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    1. Essa questão nem se coloca, Francisco.
      Mas o que Pequim pretende é que nem se fale do assunto.
      Já hoje houve avisos nesses sentido.
      Bem podem esperar sentados para não se cansarem.
      Vai ser falado e muito.
      Um abraço

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  2. Está nos noticiários "China adverte novos deputados de Hong Kong que não militem pela independência".

    Resta agora esperar pra ver o que virá depois das advertências.

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    1. A postura esperada da parte das autoridades centrais, Rosa Mattos.
      Podem dizer isso, repetir à exaustão, não é o que vai acontecer.
      Haverá discursos e reivindicações tendentes à auto-determinação e independência de Hong Kong no Legco.
      Tenho a certeza disso.

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  3. E é algo que vai ser explorado, enquanto acharem que têm matéria para notícias, não desistem deste assunto!
    Beijinhos

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    1. Dos dois lados, Chic'Ana, dos dois lados.
      Beijinhos

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  4. Pois é amiga, a China...
    mas terá que ouvir falar,
    e vai ser difícil, mas valerá a pena.
    Abraço, amigo.
    Irene Alves

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    1. O hongkonger tem um sentido de pertença, de cultura muito própria, das quais não está disposto a abdicar, Irene Alves.
      É incrível ver uma série de garotos, na casa dos vinte anos, enfrentar e fazer dobrar a grande China.
      Um abraço

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  5. Difícil para mim comentar... Stupid me... eh eh eh eh....

    Beijinhos sem política chinesa...

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    1. O que está a acontecer atrevo-me a dizer que é histórico, Graça.
      Estamos a assistir ao momento em que uma série de garotos enfrente de peito aberto a China.
      Primeiro nas ruas e agora no parlamento de Hong Kong.
      Beijinhos

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  6. Forçar Pequim a dar uma autonomia verdadeira e séria
    é uma luta juvenil muito meritória e saudável...
    Beijinho.
    ~~~

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    1. Um maior grau de autonomia será possível, Majo.
      Mas será MUITO difícil e MUITO moroso, Majo.
      Beijinhos

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