28 de fevereiro de 2014

O Passarinho


Motociclista a 140 km/h numa estrada!...
De repente deu de encontro com um passarinho e não conseguiu esquivar-se:
- Ahhhh !!!

Pelo retrovisor, ainda viu o bichinho dando várias piruetas no asfalto até ficar estendido. Não contendo o remorso ecológico, ele parou a moto e voltou para socorrer o bichinho.
O passarinho estava lá, inconsciente, quase morto. Era tal a angústia do motociclista que ele recolheu a pequena ave, levou-a ao veterinário, foi tratada e medicada, comprou uma gaiolinha e levou-a para casa, tendo o cuidado de deixar um pouquinho de pão e água para o acidentado.

No dia seguinte, o passarinho recupera a consciência. Ao despertar, vendo-se preso, cercado por grades, com um pedaço de pão e a vasilha de água no canto, o passarinho põe as asas na cabeça e grita:

- PORRA, ESTOU LIXADO...
... MATEI O GAJO DA MOTA!

BOM FIM-DE-SEMANA!!

FUNERAL DO CARDIOLOGISTA




Um cardiologista muito famoso na cidade morreu.
Seu funeral foi muito pomposo e muitos de seus colegas médicos compareceram.
Durante o velório, um enorme 'coração', rodeado de coroas de flores, permaneceu atrás do caixão. 
Após as últimas palavras do Padre, o coração se abriu e o caixão entrou automaticamente no enorme coração, emocionando a todos os presentes. 
O coração se fechou, levando no seu interior o famoso médico para SEMPRE. 
Um dos presentes explodiu em gargalhada, causando surpresa e indignação. 
Questionado por que ria, ele explicou: 
- Desculpem-me... Por favor, desculpem-me.... É que eu estava pensando como seria meu funeral... SOU GINECOLOGISTA! 
NESSE MOMENTO, O PROCTOLOGISTA DESMAIOU.

Beijinho especial à Janita :)

Grande bronca!!!!

Estavam de férias no Inatel da Costa da Caparica
- Pai, posso levar a tua bóia para a piscina?
- Que bóia, filho? 
- Aquela que está no teu quarto. 
- Não sei de bóia nenhuma, leva o que quiseres e não me chateies mais. 
- Obrigado, pai! 
E lá foi o puto feliz para a piscina...



27 de fevereiro de 2014

Se baterem leve, levemente....


Ainda a discussão em torno da questão da qualificação do crime de violência doméstica como crime público na ordem do dia.
Desta vez com uma novidade - os actos de violência continuada conduzirão à qualificação do crime como crime público.
O que serão então actos de violência continuada?
Se bem percebo, e não é fácil perceber bem, uns murros este mês, uns pontapés no mês que vem, umas cabeçadas no mês seguinte, até serão toleráveis, não poderão ser considerados como ameaça à harmonia familiar e é no seio desta que devem ser resolvidos.
Se for tudo ao mesmo tempo, ou em espaço de tempo muito curto, então sim já é de pensar na intervenção da autoridade pública mesmo quando esta não seja solicitada.
Esta é uma daquelas situações que me fazem sentir simultaneamente triste, revoltado e envergonhado com a mentalidade ainda reinante nos sectores dominantes em Macau.
Que exemplos de vida, de conduta, estamos a passar aos nossos filhos?
E que cidade estamos a construir para o futuro?
Uma cidade onde a violência é aceite desde que seja pontual e fique guardada dentro de casa?
Os que hoje defendem estas ideias, absurdas e abjectas, já pensaram que podem vir a ser vítimas das mesmas no futuro?
Se outros argumentos não são suficientes para os fazer aceitar a necessidade absoluta de qualificar o crime de violência doméstica como crime público, pensem nisso antes de aprovarem a lei.

Qual o café mais forte? O curto ou o cheio?


Qual o café mais forte? O curto ou o cheio?
 
Já houve muitos debates à volta da questão: qual o café mais forte? O curto ou o cheio?
 
Aqui está a resposta (dada pela Delta Cafés):
 
Em resposta à sua questão, venho por este meio informar-lhe de que:
 
Bica "curta"
 
Volume total - ± 25 cc
 
Conteúdo de cafeína: 87,0 mg 
 
Bica "normal"
 
Volume total - ± 35 cc
 
Conteúdo de cafeína: 94,5 mg 
 
Bica "cheia"
 
Volume total - ± 45 cc
 
Conteúdo de cafeína: 98,1 mg 
 

Sendo assim, podemos concluir que um café expresso (vulgar "bica"), resulta da pressão a que a água atravessa as partículas de café moído e da consequente emulsão que essa pressão origina, das substâncias gordas do café - os óleos aromáticos e os colóides - o que caracteriza e  distingue esta bebida das restantes pela sua densidade, creme, corpo e sabor  persistente na boca.

 Reconhece-se um bom expresso pela cor e textura do creme à superfície, o qual deverá ser levemente acastanhado (cor avelã) e com ligeiras nuances mais escuras no centro e sem "Bolhas". A sua espessura deverá ser de 3 a 4 mm e consegue-se analisar essa espessura se ao deitarmos açúcar na bebida, o creme consiga sustentar durante poucos segundos essa quantidade de açúcar, indo-se depositando no fundo da chávena de forma gradual. 

26 de fevereiro de 2014

Crónica de uma morte anunciada?


No dia em que faleceu mais um dos grandes vultos do futebol mundial, Mário Coluna, antecipo o que julgo ser o estertor de Paulo Fonseca enquanto treinador do Porto.
O jogo de amanhã, em Frankfurt, poderá muito bem ser o último de Paulo Fonseca na qualidade de treinador do Porto.
Uma derrota, e consequente eliminação da Liga Europa, terá por certo esse efeito.
Pinto da Costa não aceitou o pedido de demissão do treinador no último domingo.
Conservador, avesso a mudanças de treinador a meio da época, Pinto da Costa, neste caso em concreto, até terá procedido bem.
Deixar sair o treinador ao domingo quando se tem um jogo fundamental na quinta-feira seguinte?
Quem é que iria preparar a equipa nestes dias?
Paulo Fonseca ficou.
A prazo, com a espada de Dâmocles a ameaçar cair a qualquer momento.
Entretanto, frio, calculista, Pinto da Costa procura o sucessor do actual treinador.
A bancada, totalmente divorciada de Paulo Fonseca, pede o impossível - André Villas-Boas.
Esquecendo que André Villas-Boas, hoje em dia um treinador caro, se aceitasse voltar à tal cadeira que disse um dia ser de sonho, iria encontrar um plantel longe da qualidade daquele que treinou na época (quase) perfeita.
Treinador caro, ao qual Pinto da Costa não perdoa a traição da saída para o Chelsea daquela forma, não será Villa-Boas a solução por certo.
E, se é verdade que Paulo Fonseca é um treinador muito fraco, incapaz de treinar uma equipa com o grau de exigência que a equipa do Porto tem, que cultiva uma relação estranha com alguns jogadores (os casos de Defour, Otamendi, Kelvin, Quintero, Iturbe, estão muito mal explicados), não é menos verdade que o plantel do Porto apresenta um défice de qualidade visível a olho nu.
Sobretudo na zona nevrálgica que é o meio-campo.
Paulo Fonseca, que é responsável pela formação do plantel, é também vítima dos erros cometidos nessa formação.
Com a Liga perdida (o Benfica não vai repetir erros de um passado muito recente e está muito mais forte que os adversários), com a Liga Europa em risco (não acredito que o Porto dê a volta à eliminatória em Frankfurt), restará ao Porto procurar limpar a face na Taça de Portugal, na Taça da Liga, chegar ao segundo lugar e à Liga dos Campeões.
E, entretanto, começar a preparar a sucessão de Paulo Fonseca e a próxima época.  
A partir de amanhã, estou capaz de apostar.

O que pensam os católicos sobre a Igreja? (ANSELMO BORGES)



1- A Bendixen & Amandi realizou, entre Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014, com 12 038 fiéis adultos de 12 países maioritariamente católicos dos cinco continentes, para a Univisión, a principal televisão em espanhol dos Estados Unidos, uma sondagem sobre temas importantes na e para a Igreja. Fiabilidade: 95%.

Alguns resultados, com dissonâncias entre a doutrina e a opinião e vivência dos fiéis. a) Anticonceptivos: 78% a favor; 19% contra; 3% não responderam. b) Ordenação sacerdotal das mulheres: 45% a favor; 51% contra; 4% não responderam. c) Casamento dos padres: 50% sim; 47% não; 3% não responderam. d) Aborto: 8% deve permitir-se sempre; 65% nalguns casos; 33% nunca; 2% não responderam. e) Quanto ao casamento homossexual, há acordo com a doutrina: 66% contra; 30% a favor; não responderam 4%. f) Como avalia o trabalho do Papa Francisco? 41% excelente; 46% bom; 5% medíocre; 1% mau; 7% não responderam.

2- "Agora, o Papa Francisco, no confronto com os reaccionários da Cúria, pode apelar para as respostas da maioria dos fiéis sobre temas tão importantes. O Papa emérito Bento XVI escreveu-me há pouco, a mim eterno rebelde, uma carta afectuosa na qual mostra empenho em apoiar Francisco, esperando que ele tenha todo o êxito - "a minha única e última tarefa é apoiar Francisco", escreve." Quem isto revelou foi Hans Küng, o famoso teólogo crítico, condenado por João Paulo II e um dos poucos peritos do Vaticano II vivos, numa entrevista ao La Reppublica, no dia 10 deste mês, sobre a sondagem, na qual é manifesta a distância entre a Igreja oficial e os fiéis.

Para ele, o mais importante nela é a maioria esmagadora de vozes favoráveis a Francisco, que também já lhe escreveu pessoalmente: 87% dos católicos interrogados em todo o mundo e 99% dos italianos estão de acordo com ele. É "um pequeno milagre" Francisco ter conseguido, em menos de um ano, inverter a tendência dos fiéis e não só quanto à crise de confiança na Igreja.

Interrogado sobre o significado dos resultados da sondagem para a hierarquia, Küng dá uma resposta sensata: "Para os bispos preparados para reformas, e eles existem em todo o mundo, eles significam um grande encorajamento. Quanto aos conservadores, que têm as suas reservas: deveriam reflectir sobre as suas reservas e escutar os argumentos dos renovadores. Os bispos reaccionários, presentes não só no Vaticano mas em todo o mundo, deveriam abandonar a sua resistência obstinada e optar pela razoabilidade."

E o Papa Francisco? "Se me é permito dar-lhe um humilde conselho, deveria avançar com coragem no caminho iniciado e não ter medo das consequências." Em concreto, "espero que use a arte do "Distinguo" que aprendemos na Universidade Gregoriana: onde, na sondagem, há consenso na Comunidade eclesial, deveria propor uma solução positiva ao Sínodo. Onde há dissentimento, deveria permitir e suscitar um debate livre na Igreja. Onde ele próprio tem uma opinião diferente da da maioria dos católicos, como quanto à ordenação das mulheres, deveria nomear uma task force de teólogos e outros peritos, homens e mulheres, para enfrentar o tema."

Está contente? "Não me considero vencedor, não travei batalhas para mim, mas para a Igreja. Tenho a alegria de ver, ainda vivo, o êxito das ideias de reformas da Igreja pelas quais tanto combati."

3- A Igreja Católica é a única instituição verdadeiramente global. Assim, um problema maior será o da convivência com a variedade de posições.

Exemplos, a partir desta sondagem global, após a apresentação dos dados totais. Os divorciados recasados não podem comungar: na Europa, não concordam com esta proibição 75%, mas a não concordância é de 46% nas Filipinas. Ordenação das mulheres: na Europa estão a favor 64%, mas, nas Filipinas, 76% são contra. Casamento homossexual: em Espanha, 64% são favoráveis, mas na África 99% opõem-se-lhe. Na Europa, 50% pronunciam-se a favor do casamento dos padres, mas na África só 28%.
in DN

25 de fevereiro de 2014

Miguel Relvas??!!


O Congresso do PSD não foi a mesma sensaboria que costumam ser os congressos partidários em Portugal.
Porque foi a mais recente prova do completo divórcio existente entre as elites partidárias e a realidade do País.
Com Portugal mergulhado numa crise profunda, a nível económico, social, psicológico, qual foi a prioridade do líder do partido e actual primeiro-ministro?
Procurar reabilitar Miguel Relvas, o guru de Passos Coelho, o apparatchick que se comenta ter sido o grande responsável pela ascensão de Pedro Passos Coelho dentro do partido.
Passos Coelho que, com eleições europeias agendadas para Maio, resolveu dar um sinal de força para dentro do partido (o líder do PSD claramente olhou para o interior do partido e esqueceu o País), tocou a reunir, e escolheu para isso o seu homem de mão, aquele a que outras lealdades e obediências o unem.
A tentativa desesperada de evitar o desastre eleitoral teve um primeiro teste muito negativo.
Miguel Relvas, completamente desgastado e descredibilizado na sua imagem pública, conseguiu para Passos Coelho o pior resultado de sempre nas eleições para o Conselho Nacional.
E isto dentro do próprio partido.
Veremos o que acontecerá nas eleições de Maio (Paulo Rangel terá tarefa ingrata e hercúlea para não aparecer como cara de uma retumbante derrota).
A reacção interna perante tão insensata atitude da parte de Passos Coelho, do ponto de vista dos sociais democratas, acredito que fará temer o pior.
Depois de ter sido o responsável pela ascensão de Pedro Passos Coelho dentro do partido, será Miguel Relvas também o responsável pela queda do líder que construiu?

Em tribunal

Umas das histórias judiciais que ficaram célebres, na primeira metade do século XX, teve a ver com a defesa de um arguido acusado de chamar "filho da puta" ao ofendido, expressão que, na altura, era considerada altamente ofensiva.

Nas sua alegações, o escritor e advogado Ramada Curto começou por chamar a atenção do juiz para o facto de muitas vezes se utilizar essa expressão em termos elogiosos ("Ganda filho da puta, és o melhor de todos !") ou carinhosos ("Dá cá um abraço, meu grande filho da puta !"), tendo concluído as suas alegações da seguinte forma :

"E até aposto que, neste momento, V. Exa. está a pensar o seguinte :

'Olhem lá do que este filho da puta não se havia de ter lembrado só para safar o seu cliente !"


Chegada a hora da sentença, o juiz vira-se para o réu e diz :

"O senhor está absolvido, mas bem pode agradecer ao filho da puta do seu advogado".

Este era Ramada Curto !


21 de fevereiro de 2014

Jesus Cristo num hospital português

Jesus Cristo, cansado do tédio do Paraíso, resolveu voltar à terra para fazer o bem.
 Procurou o melhor lugar para descer e optou pelo Hospital de S. Francisco Xavier, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço.

Para não atrair as atenções, decidiu ir vestido de médico.
 Jesus Cristo entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o
gabinete do médico.
 Os pacientes viram e comentaram:
- Olha, vai mudar o turno...
Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço. E, decidido, gritou:
- O PRÓXIMO!
Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas.
Jesus Cristo levantou-se, olhou bem para o homem, e com a palma da mão direita sobre a sua cabeça disse:
- LEVANTA-TE E ANDA!
O homem levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas.
Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou:
- Que tal é o médico novo?
Ele respondeu:
- Igualzinho aos outros... nem exames, nem análises, nem medicamentos...

BOM FIM-DE-SEMANA!!

Solidariedade masculina


Uma mulher está na cama com o amante, e quando pressente o marido a chegar, diz-lhe:
- Depressa ! Fica de pé e muito quieto ali no canto.


Rapidamente, ela cobriu o corpo do amante com óleo e pó-de-talco e diz-lhe:
- Finge que és uma estátua. Eu vi uma igualzinha na casa dos Almeida!


Pouco depois, o marido entra, olha para a "estátua" e pergunta à mulher, o que é isto? 
Ela um pouco assustada mas fingindo naturalidade, responde.
- Isto? Ah, é uma estátua! Os Almeida têm uma no quarto deles...Gostei tanto que comprei esta igual para nós!


... E não se falou mais da estátua.


Às duas da madrugada, o marido que ainda estava a ver televisão, e aproveitando o facto da mulher já estar a dormir, vai até à cozinha, prepara uma sanduíche,pega uma lata de cerveja gelada e vai ao quarto.


Ali, dirige-se para a "estátua" e diz:
- Toma! Come e bebe alguma coisa, meu filho da p...! Não quero que te aconteça o mesmo que a mim, que fiquei dois dias a fazer de estátua no quarto dos Almeida e nem um copo de água me deram!!!

... A isto, chama-se Solidariedade Masculina!

Uma mulher jamais faria isto!!

ORAÇÃO DA MULHER



Querido Deus,
Até agora o meu dia foi bom:
- Não fiz fofoca;
- Não perdi a paciência;
- Não fui sarcástica, rabugenta, chata nem irónica;
- Não reclamei;
- Não praguejei;
- Não gritei;
- Não tive ataques de ciúmes;
- Não comi chocolate;
- Também não fiz débitos no meu cartão de crédito;

Mas peço a sua proteção, Senhor, pois estou para me levantar da cama a qualquer momento!

AMÉM!!

20 de fevereiro de 2014

Portugal é um Estado de Direito?


Portugal é um Estado de Direito!
Foi com esta afirmação peremptória que alguém que me é muito próximo justificou a sua decisão de transferir a liquidação mensal da sua reforma para a Caixa Geral de Pensões, em Portugal, em detrimento do Fundo de Pensões, em Macau.
Estávamos nas vésperas da transferência de poderes em Macau e pairava um sentimento de alguma incerteza acerca de qual seria a postura da administração chinesa na futura Região Administrativa Especial.
Compreensivelmente, aqueles que tinham durante a sua vida activa efectuado os descontos necessários para garantir a tigela de arroz para si e para as suas famílias no futuro, queriam assegurar-se que essa tigela de arroz ia estar ali ao seu dispor chegado o momento contratualmente estabelecido.
Suprema ironia, a administração chinesa tem vindo a honrar pontualmente os compromissos assumidos.
Simultaneamente, o Executivo português, o Governo do Estado de Direito, rompe unilateralmente o contrato social que tinha voluntariamente subscrito.
Como milhares de outros reformados e pensionistas, esta pessoa amiga sente-se revoltada e traída.
E aquilo que era uma certeza, uma afirmação peremptória, transformou-se numa pergunta - Portugal é um Estado de Direito?
Acabrunhado, envergonhado até, tenho que responder - nem sempre.

A senhorita Maria Luís é como o armeiro branco da anedota (Alfredo Barroso)


«Este governo não tem nada contra os funcionários públicos nem contra os pensionistas», disse a inefável ministra das Finanças, senhorita Maria Luís Albuquerque, explicando que o alargamento da famosa Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) justifica-se pela «necessidade de garantir a sustentabilidade das contas públicas». Esta extraordinária declaração da senhorita Maria Luís fez-me lembrar uma famosa anedota, que, por acaso, me foi contada pela primeira vez pelo Raul Solnado, num jantar de aniversário, há mais de 20 anos, e que reza mais ou menos assim:

Numa cidade do sul dos EUA, um preto entra numa loja de venda de armas, é recebido ao balcão pelo armeiro branco dono da loja, vai olhando para as armas expostas nas vitrinas e vai perguntando:


- O senhor tem uma pistola Beretta?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma Walther?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma Smith & Wesson?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma espingarda Remington?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma Brownning?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma Kalashnikov?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma pistola-metralhadora UZI 9MM?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma Breda M37?

- Não tenho, não senhor!

- E tem um lança granadas de espingarda Energa m/953?

- Não tenho, não senhor!

- E tem um lança granadas Battlefield 4 MGL?

- Não tenho, não senhor!

- E tem uma BaZuka by runie84?

- Não tenho, não senhor!

- Oiça lá, o senhor tem alguma coisa contra os pretos?

- Tenho, sim senhor! Uma Beretta, uma Walther, uma Smith & Wesson, uma Remington, uma Brownning, uma UZI 9MM, uma Breda M37, um Energa m/953, um Battlefield 4 MGL, uma BaZuka by runie84, e ainda, se for preciso, um Canhão Sem-Recuo de 106MM!


A senhorita Maria Luís também não tem nada contra os funcionários públicos e contra os pensionistas, a não ser a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), os cortes brutais nos salários e nas pensões, o aumento dos impostos e das contribuições para a ADSE, a diminuição dos subsídios de doença e de desemprego, assim como das comparticipações nos medicamentos, o aumento das taxas moderadoras no SNS, etc, etc, etc...

19 de fevereiro de 2014

Os erros de Pereira Coutinho


Este post é quase uma carta aberta ao deputado José Maria Pereira Coutinho, pessoa com quem mantenho uma boa relação pessoal, acrescente-se.
Depois de tantos anos como deputado, Pereira Coutinho ainda não consegue dominar os seus instintos, ainda não consegue ter a frieza necessária para passar a barreira que distingue um deputado popular de um parlamentar.
Sendo asiático, com ascendência e educação portuguesas, Pereira Coutinho deixa que esse seu lado latino, repentista, se sobreponha à intensa busca de apoios e consensos que caracteriza a política na Ásia, Macau incluído.
E faz passar imensas vezes a imagem de alguém precipitado, panfletário, oportunista até.
O maior prejudicado com essa atitude é o próprio Pereira Coutinho.
Que dá constantes tiros nos pés.
Tiros que, tantas vezes, fazem vítimas colaterais.
Pereira Coutinho é uma voz necessária dentro de uma Assembleia demasiado prisioneira de interesses pessoais e corporativos.
E poderá ser ainda muito mais útil se aprender a estabelecer entendimentos com outros deputados, se aprender que o consenso, nem que seja baseado no menor denominador comum, é essencial na política asiática.
Quando (se) o conseguir será ele o primeiro beneficiado.
Porque conseguirá fazer aumentar a sua credibilidade e conseguirá alargar ainda mais a sua base eleitoral.
Aquele abraço, Coutinho!

Francisco e Obama (ANSELMO BORGES)


Bento XVI teve um gesto histórico único ao determinar que no dia 28 do mês de Fevereiro passado, às 20 horas, a sede de Roma ficava vacante, abrindo assim caminho à eleição de um novo Papa. No dia 13 de Março, aconteceu pela primeira vez um Papa jesuíta: o cardeal de Buenos Aires, Bergoglio.

O nome escolhido, Francisco, foi todo um programa, que tem realizado. A sua atitude tem sido autenticamente franciscana. Conquistou o mundo, ao inclinar-se, despojado, perante a multidão e pedindo a sua bênção. Depois, com a sua humildade, simplicidade, bondade, compaixão, deixou o Palácio Apostólico para viver normalmente em Santa Marta. O seu interesse pelas pessoas é real e genuíno. Foi a Lampedusa, beija, diz piadas, sorri, ri, acaricia, escreve cartas, telefona. Não tem medo. Declara que também tem dúvidas.

Mas Francisco tem pela frente imensos problemas. Diria que o primeiro é tentar converter a sua Igreja ao cristianismo, começando pelos hierarcas. Que os cardeais, bispos, padres, católicos, se convertam ao Evangelho de Jesus.

Os problemas são ad intra e ad extra, isto é, no interior da Igreja e na sua relação com o mundo. Dentro, para lá da questão decisiva da conversão, há todo o problema de uma nova Constituição para a Igreja, a começar pelo papado. Não é compreensível que o Papa sozinho tenha tanto poder como o Papa e os bispos juntos, no quadro de uma monarquia absoluta. Significativamente, Francisco não fala de si como Papa, mas como bispo de Roma, o que indica que quer descentralizar, no quadro de maior participação dos bispos e das conferências episcopais. A Igreja Católica é a única instituição verdadeiramente global, e isso tem de implicar descentralização nos vários domínios da vivência do cristianismo. Se a Igreja é de todos, Povo de Deus, impõe-se a participação activa de todos, e será necessário dar também lugar às mulheres nos lugares cimeiros de decisão.

Para a pedofilia, tolerância zero. Essencial é a transparência no Banco do Vaticano. No contexto da moral, o próprio Francisco já condenou o legalismo e o ritualismo e avisou que não pode viver obcecada com o sexo. Assim, mostra compreensão em relação aos homossexuais, mandou um inquérito audaz a todos os católicos sobre o novo mundo da vivência familiar. É expectável que se abra a uma revisão da Humanae Vitae e aos anticonceptivos, à participação em toda a vida da Igreja, incluindo a comunhão, por parte dos divorciados recasados. Não irá ainda para a abolição da lei do celibato dos padres, mas poderá abrir as portas aos padres que entretanto casaram e à ordenação de homens casados.

Quanto à missão da Igreja para o seu exterior, Francisco já manifestou o seu empenhamento no ecumenismo - diálogo com as outras Igrejas cristãs, nomeadamente a ortodoxa, não sendo impossível vê-lo a visitar Moscovo - e no diálogo inter-religioso, concretamente com o islão. As Nunciaturas Apostólicas, isto é, as Embaixadas do Vaticano em quase todos os países do mundo terão o papel de pontes para a paz e a promoção dos direitos humanos. O Papa Francisco continuará a intervir no mundo como voz político-moral global, proclamando a justiça e a paz.

O efeito Francisco é inegável. Está aí a sua imensa influência nos média. Tem 11 milhões de seguidores no Twitter. Foi considerado a personalidade do ano 2013. Granjeou empatia, simpatia e admiração global. A prática religiosa tem aumentado. E a razão é simples: tomou a sério o Evangelho.

Mas não se pode ser ingénuo. Encontrará muitas resistências dentro e fora da Igreja. Sobretudo dentro, correndo o risco de, como Obama, cuja popularidade desceu, ver em parte bloqueada a sua revolução pacífica. É o que aconteceria se não conseguisse uma nova Constituição para a Igreja, uma profunda e rápida transformação da Cúria, transparência plena no Banco do Vaticano.

Mas há razões para uma esperança fundada. Rodeou-se do G8 cardinalício e quer rapidamente reformar a Cúria. Francisco faz a síntese de franciscano e de jesuíta. Ele é cristão franciscano, com formação de jesuíta para uma estratégia na eficácia.

in DN

18 de fevereiro de 2014

A ONU escreveu uma carta a Kim Jong-un


Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, mais um na longa linha de loucos torcionários da dinastia que oprime a Coreia do Norte há já longos anos, recebeu uma carta de Michael Kirby. 
Com o carimbo da ONU, a missiva avisa o assassino em massa que, ou se porta bem, coisa que nunca fez, ou pode vir (o condicional é excelente!) a ser julgado por crimes contra a Humanidade no Tribunal Penal Internacional.
Eis o exemplo acabado da suprema inutilidade do chamado soft power que as Nações Unidas tão bem representam.
Qual é o ditador, assassino, tresloucado, demente e mentecapto, que não treme perante tão duras palavras?!
Confrontada com relatos, na primeira pessoa, dando conta de repetidos actos de puro horror, da mais absoluta barbárie,  que chocam mas não surpreendem, a ONU escreve uma carta ao responsável pela destruição silenciosa e massiva do seu próprio povo.
Carta que terá o mesmo destino de todas as outras que os Michael Kirby deste Mundo escrevem - o caixote do lixo.
E o que acontecerá depois, perante a mais que certa indiferença do regime corte-coreano a tão solene aviso?
Um outro qualquer Michael Kirby escreverá uma outra carta.
Dura nos seus termos e devidamente publicitada nos media.
Enquanto isso, um povo vai sofrendo, vai sendo oprimido, dizimado, votado o mais absoluto isolamento do resto do Mundo.
E os Kim deste Mundo vão continuando o seu desfile de horrores e vivendo uma vida de opulência longe dos olhos do povo que oprimem e esmagam. 
E, claro, também vão continuar a receber cartas.

"A civilização da praxe" por Inês Pedrosa


“Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos”. Esta ordem foi lavrada por El-Rei D. João V, no ano da graça de 1727, na sequência da morte de um aluno da Universidade de Coimbra. 
Não se pode dizer que tenha sido muito eficaz; a prática da humilhação como ritual de entrada numa comunidade parece demasiado humana para ser arredada pela luz da razão. 
De onde vem este impulso de aviltar o outro ou acatar aviltamentos? 
Enquanto não soubermos desmembrá-la e combatê-la, a chamada 'radição' das praxes prosseguirá, com o seu cortejo de tragédias. 
O espectro das mortes provocadas por esta barbárie apresentada como 'acto de integração e cultura' é muito mais amplo do que aquele que as estatísticas sugerem. 
A humilhação desfigura as pessoas e as suas existências a longo prazo, e a ideologia das praxes entranha-se na sociedade cada vez mais cedo.
Os actos de abuso continuado que a globalização baptiza como bullying são a praxe da infância e da primeira juventude. 
Ao bullying entre adultos chama-se 'espírito competitivo' ou 'esperteza'; o lema é: 'salve-se quem puder'. Há uma caterva de teóricos do instantâneo que usam a nobre palavra 'mérito' como sinónimo de voracidade. 
Nesta era de individualismo vertiginoso, instauramos paradoxalmente um sistema de anulação da responsabilidade individual - isto é, do pensamento livre e da auto-determinação. 
O bem e o mal tornam-se definições exteriores ao sujeito, reguladas por decretos discricionários e sinuosos, numa encenação ética leviana de voto-ou-veto. 
O poder, por sua vez, é cada vez menos identificável e mais disseminado: está em toda a parte e em lugar nenhum. 
Esta semana, o presidente do Conselho de Administração da Universidade Lusófona defendeu o direito à praxe, alegando que só sociedades totalitárias e ditatoriais proíbem e censuram. A liberdade, como o terror, parece ter deixado de ter limites.
O direito à máxima expressão potencia o direito à opressão.
Vivemos na hiperrealidade do Big Brother, num mundo assombrado por ameaças altamente sofisticadas e invisíveis e dominado pelo espectro soberano do medo. 
O medo desumaniza: fecha as comportas do pensamento e da sensibilidade. 
Fala-se de “praxes graves” ou “excessivas”; não entendo que ligeireza pode existir na ideia de “integrar” através de rituais colectivos de submissão. O facto de a praxe ser circunscrita no tempo e perfumada pelo erotismo da extrema juventude não atenua o seu impacto de intimidação, antes define uma sociedade repartida entre intimidantes e intimidados. 
Proibir as praxes não acabará de imediato com elas; ainda hoje a escravatura e a tortura resistem à lei. 
Mas, pelo menos, será um sinal de recusa de uma civilização de autómatos castigados e castigadores. 
“Que lhes sejam riscados os cursos”, como postulava D. João V. Que paguem multas pelo menos tão criativas e assustadoras quanto os jogos de desmoronamento da personalidade de que se compõe isso a que tantos insistem em chamar “brincadeira”. 
Gente destruída compõe um rebanho manso, infinitamente manipulável pelos mercados, pelos pulverizados poderes, por todos os papões. E capaz de tudo para sobreviver.

CARTA ABERTA A UM DUX




Dux:

Ando aqui com esta merda entalada há já algum tempo. A ouvir as diferentes versões, a pensar nas dúvidas e a pôr-me no lugar das pessoas. Tento pôr-me no lugar dos pais dos teus colegas que morreram. Mas não quero. É um lugar que não quero nem imaginar. É um lugar que imagino ser escuro e vazio. Um vazio que nunca mais será preenchido. Nunca mais, Dux. Sabes o que é isso? Sabes o que é "nunca mais"?

A história que te recusas a contar cheira cada vez mais a merda, Dux. Primeiro não falavas porque estavas traumatizado e em choque por perderes os teus colegas. Até acreditei que estivesses. Agora parece que tens amnésia selectiva. É uma amnésia conveniente, Dux. Curiosamente, uma amnésia rara resultante de uma lesão cerebral de uma zona específica do cérebro. Sabias Dux? Se calhar não sabias. Resulta normalmente de um traumatismo crânio-encefálico. Portanto Dux, deves ter levado uma granda mocada na cabeça. Ou então andas a ver se isto passa. Mas isto não é uma simples dor de cabeça, Dux. Isto não vai lá com o tempo nem com uma aspirina. Já passou mais de 1 mês. Continuas calado. Mas os pais dos teus colegas têm todo o tempo do mundo para saber a verdade, Dux. E vão esperar e lutar e espremer e gritar até saberem. Porque tu não tens filhos, Dux. Não sabes do que um pai ou uma mãe é capaz de fazer por um filho. Até onde são capazes de ir. Até quando são capazes de esperar.

Vocês, Dux... Vocês e os vossos ridículos pactos de silêncio. Vocês e as vossas praxes da treta. Vocês e a mania que são uns mauzões. Que preparam as pessoas para a vida e para a realidade à base da humilhação, da violência e da tirania. Vou te ensinar uma coisa, Dux. Que se calhar já vai tarde. Mas o que prepara as pessoas para a vida é o amor, a fraternidade, a solidariedade e o civismo. O respeito. A dignidade humana e a auto-estima. Isso é que prepara as pessoas para a vida, Dux. Não é a destruí-las, Dux. É ao contrário. É a reforçá-las.

Transtorna-me saber que 6 colegas teus morreram, Dux. Também te deve transtornar a ti. Acredito. Mas devias ter pensado nisso antes. Tu que és o manda-chuva, e eles também, que possivelmente se deixaram ir na conversa. Tinham idade para saber mais. Meco à noite, no inverno, na maior ondulação dos últimos anos, com alerta vermelho para a costa portuguesa? Achavam mesmo que era sítio para se brincar às praxes, Dux? Ou para preparar as pessoas para a vida? Vocês são navy seals, Dux? Estavam a preparar-se para alguma missão na Síria? Enfim. Agora sê homenzinho, Dux. E fala. Vá. És tão dux para umas coisas e agora encolhes-te como um rato. Sabes o que significa dux, Dux? Significa líder em latim. Foste um líder, Dux, foste? Líderes não humilham colegas. Líderes não "empurram" colegas para a morte. Líderes lideram por exemplo. Dão o peito e a cara pelos colegas. Isso é um líder, Dux.

Não sei o que isto vai dar, Dux. Não sei até que ponto vai a tua responsabilidade nesta história toda. Mas a forma como a justiça actua neste país pequenino não faz vislumbrar grande justiça. És capaz de te safar de qualquer responsabilidade, qualquer que ela seja. Espero enganar-me. Vamos ver. O que eu sei é que os pais que perderam os filhos precisam de saber o que aconteceu. Precisam mesmo, Dux. É um direito que eles têm. É uma vontade que eles precisam. Negá-los disso, para mim já é um crime, Dux. Um crime contra a humanidade. Uma violação dos direitos humanos fundamentais. Só por isso Dux, já devias ser responsabilizado. É tortura, Dux. E a tortura é crime.

Sabes, quero me lembrar de ti para o resto da vida, Dux. Sabes porquê? Porque não quero que o meu filho cresça e se torne num dux. Quero que ele seja o oposto de ti. Quero que ele seja um líder e não um dux. Consegues pereceber o que digo, Dux? Quero que ele respeite todos e todas. Que ele lidere por exemplo. Que ele não humilhe ninguém. Que seja responsável. Que se chegue à frente sempre que tenha que assumir responsabilidades. Que seja corajoso e não um rato nem um cobardezinho. Que seja prudente e inteligente. E quero me lembrar também dos teus colegas que morreram. Porque não quero que o meu filho se deixe "mandar" e humilhar por duxezinhos como tu. Não quero que ele se acobarde nem se encolha perante nenhum duxezinho. Quero que ele saiba dizer "não" quando "não" é a resposta certa. Quando "não" pode salvar a sua dignidade, o seu orgulho ou até a sua vida. Quero que ele saiba dizer "basta" de cabeça erguida e peito cheio perante um duxezinho, um patrãozinho, um governozinho ou qualquer tirano mandão e inseguro que lhe apareça à frente. É isso que eu quero, Dux. Quem o vai preparar para a vida sou eu e a mãe dele, Dux. Não é nenhum dux nem nehuma comissão de praxes. Sabes porquê, Dux? Porque eu não quero um dia estar à espera de respostas de um cobarde com amnésia selectiva. Não quero nunca sentir o vazio dos pais dos teus colegas. Porque quero abraçar o meu filho todos os dias da minha vida até eu morrer, Dux. Percebeste? Até EU morrer. EU, Dux. Não ele.

Texto original aqui