7 de outubro de 2014

António Costa e uma nova maioria


António Costa, logo após a confirmação da sua esmagadora vitória nas primárias do PS, fez referência ao "primeiro dia de uma nova maioria". 
Os dias passam e ainda não percebi exactamente o que significa esta expressão.
Estará António Costa a pensar na possibilidade de o PS conseguir, por si próprio, uma maioria parlamentar nas próximas eleições legislativas?
Se é esse o plano, legítimo acrescente-se, é bom que António Costa esteja precavido para a forte possibilidade de não se concretizar.
Porque os portugueses já devem estar fartos de governos suportados por maiorias parlamentares, que levam a todos os desmandos (foi assim desde o segundo governo Cavaco), porque não há dados concretos que apontem nesse sentido. 
A não ser assim, qual é a ideia de António Costa?
Uma aliança à esquerda?
Mais uma vez, pouco provável.
Um entendimento com o PCP, ou o Bloco de Esquerda, é desde logo muito complicado não só pelas diferenças ideológicas existentes entre o PS e estes partidos, mas também porque, ao contrário do PS, o PCP e o Bloco não são opções de poder, não têm estratégias de governação.
Restam duas possibilidades:
- Uma aliança com Marinho Pinto e sua versão do PRD no século XXI;
- Um novo "centrão" com o PS como timoneiro da coligação.
Uma vez que a discussão que se gerou no interior do PS neste processo eleitoral sui generis foi muito pessoalizada e muito pouco programática, sobram muitas interrogações, muitas incertezas, quase nenhumas respostas.
Era bom que António Costa, agora que conquistou o Partido e se prepara para partir à conquista do País, esclarecesse exactamente ao que vem.
Começando por precisar afinal o que é essa "nova maioria" de que fala.

26 comentários:

  1. António Costa é daqueles casos clássicos de "boa imprensa". Ainda não lhe ouvi uma ideia concreta para o país.

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    1. Tenho essa ideia desde que o conheci pessoalmente, ainda que brevemente, aqui em Macau, Hugo.
      Passou por aqui, procurou espalhar charme, simpatia.
      Mas ficou-me uma intensa imagem de algo plástico, estudado ao pormenor, em tudo o que fazia e dizia.
      Aquele abraço

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  2. Dois coisas, Pedro:

    1 - António Costa é sábio demais para se unir a Marinho Pinto depois deste ter deixado cair a sua máscara.

    2 - António Costa irá "flertar" o eleitorado da "Livre" de Rui Tavares (homem valoroso, apesar de ser de esquerda), e do "Bloco" que neste momento mais não é que um aglomerado de "desalinhados".

    Quanto ao mais, o CDS-PP bem tenta se descolar do PSD mas já vai tarde e Passos irá ter a maior derrota da história da Direita portuguesa, meu caro.

    Aquele abraço e boa semana, Pedro.

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    1. 1- Por não estar a ver António Costa a unir-se a Marinho Pinto é que fazia a pergunta, Ricardo
      2- Esse flirt será suficiente para formar uma maioria governativa? Especialmente com um Bloco que tende a volatilizar-se e não quer ser poder, insisto?

      O CDS está a perceber (Paulo Portas) que à sombra do PSD, e com as concessões que tem feito, se está a reduzir a uma expressão eleitoral mínima.
      Daí que, com a migração de votos para o PSD (o voto útil) tenha algumas dúvidas que haja uma tão grande hecatombe do PSD como se prevê.
      Até porque, se analiso bem a situação, Pedro Passos Coelho poderá muito bem não ser o líder do PSD a disputar as próximas eleições (as sondagens é que vão ditar se Rui Rio avança, ou não).

      Aquele abraço

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  3. A salvação de Portugal reside apenas num homem, chama-se António, não seguro, um António inchado de autoridade.

    O senhor primeiro-ministro num futuro muito próximo.

    O PPC não enfrenta apenas um homem socialista, mas um santo, que existe apenas por não dizer nada.

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    1. ematejoca,
      Já aqui tive muitos comentários seus que classifiquei de cinco estrelas.
      Este leva seis!!!
      Parece que realmente D. Sebastião finalmente voltou.
      E nem foi numa manhã de nevoeiro.
      Mas D. Sebastião não precisou de convencer o povo para ser Rei.
      Este precisa.
      E ainda não disse exactamente ao que vem.
      Só sei que ele não gosta destes governantes (eu também não) e que não gostava da liderança do antecessor (eu também não).
      Chega para ser alternativa?
      Para mim, não.

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  4. Perguntas que se fazem todos os dias.
    Falta pouco para se saberem todas as respostas.
    Agora o PSD começa nas ofertas de quem dá mais...

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    1. Ele tem que começar a dizer ao que é que vem, luis
      Obviamente estamos a entrar na fase de, quem tem o poder, distribuir benesses.
      Espero que o povo não vá na cantiga do bandido

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  5. Meu caro, não acredito em ninguém. Sócrates e o PS enganou-me duas vezes, maneiras nem Costa nem mais nenhum líder do PS me voltará a enganar. Promessas muitos, trabalho pouco. Cansei-me de alimentar estes politicos ignóbeis de todos os quadrantes que prometem muito e trabalham pouco
    Tenho dito

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    1. Luís Carlos,
      Tenho sido abstencionista nos actos eleitorais já de há alguns para cá
      Porque também eu fiquei desiludido, magoado até, porque não me foram apresentadas propostas que me fizessem sequer votar em branco.
      Mas espero, e desejo, que essa minha condição mude.
      Não vejo ainda sinais de isso poder vir a acontecer.
      Mas, como se costuma dizer, enquanto há vida.....

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  6. Partilho completamente esta sua reflexão sobre Costa e o futiro do país.

    Tudo de bom, Pedro

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    1. São,
      O homem não pode fazer afirmações como esta gratuitamente e depois remeter-se ao silêncio.
      O que é que ele quer dizer?!
      Desembuche!!!
      Tudo de bom para si também

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  7. Só ser for uma maioria de incompetentes.

    Estou farta deles todos! Desculpe o desabafo.

    beijinho

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    1. Não peça desculpa, Fê.
      Exteriorizou um sentimento que muitos de nós partilhamos
      Beijinho

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  8. Não prevejo nada de bom, Pedro ! ... E receio muito as más companhias internas e possíveis externas, do António Costa !
    De concreto, ainda não ouvi uma palavra sobre "como reagir" à actual situação do país ! ... apenas eleitoralismo e mais nada ! :((( Quando e se lá chegar, vai ser o bom e o bonito ! :(( ... e então, não faltará quem apele a novas eleições !

    Abraço ! :(
    .

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    1. Mas eu estou plenamente convencido que António Costa vai ser o novo primeiro-ministro de Portugal, Rui.
      E fico assustado ao vê-lo rodear-se das caras que nós trouxeram até aqui, ao afirmar (terá lido o meu post?) que vai fazer alianças à esquerda.
      Com o PCP? Com o Bloco?
      E eles querem?
      E, se quiserem, quanto tempo durará tal casamento e com que consequências?
      Só lhe vi um acto positivo - reabilitar Ferro Rodrigues, afastado de forma suja, num processo sórdido.
      Mais do que isso, nada.
      Abraço

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  9. Creio que Costa está a preparar o terreno para mostrar que, apesar de ser essa a sua vontade, não é possível fazer alianças à esquerda, porque a esquerda ( BE e PCP) não querem, E, como exemplos recentes ( a nível nacional e particularmente de Lisboa ) demonstraram, não anda longe da verdade, diga-se...

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    1. Pode ser essa a estratégia, Carlos.
      E não tenho dúvidas, há muito tempo, que o PCP e o Bloco não querem contribuir para soluções de governabilidade.
      São partidos que se colocaram voluntária e conscientemente à margem do sistema.

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  10. A solução não poderá residir apenas em António Costa!
    Espero que saiba ouvir e que se rodeie de uma boa equipa... há gente boa no PS e nos simpatizantes/independentes.
    Ainda há muito para fazer!

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    1. Ora nem mais, Rosa dos Ventos!
      António Costa não é um enviado dos deuses nem é justo que seja encardo como tal.
      Repito que acho que já tomou uma boa decisão - recuperar Ferro Rodrigues.
      E o caminho tem que ser esse.
      Rodear-se dos hipotéticos velhos senadores do PS é que não, por favor.
      Essa gente é que nos arrastou para este lamaçal em que nos vimos envolvidos.

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  11. Sobre Antónios e outros que tais não me apraz comentar... Venho só visitar porque nos últimos tempos não tenho tido oportunidade de o fazer. :)

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    1. Respeito perfeitamente, luisa.
      E gosto muito de a ver por aqui.

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  12. O que ele disse foi que "hoje é o primeiro dia do fim do atual governo" e isso foi música para os meus ouvidos... :)

    Beijocas

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    1. também falou no primeiro dia de uma nova maioria, Teté.
      Pode confirmar na imprensa
      Mas agora já explicou o que queria dizer com isso.
      Beijocas

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  13. Foi positiva esta mudança. O próprio governo concluiu que tem de levantar o rabinho da cadeira.

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    1. Isso é verdade, Agostinho.
      Seguro não estava a ser bem sucedido no combater ao governo
      Costa traz outra esperança.
      Veremos se bem fundada

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