18 de junho de 2014

Chantagem descarada


Ouvir a Associação de Administração de Propriedades de Macau afirmar que a implementação de um salário mínimo (30 patacas/hora) implicará automaticamente um aumento de, no mínimo, trinta por cento na factura dos condóminos dos prédios é absolutamente revoltante.
É uma vergonha que Macau, terra onde o dinheiro cada vez mais abunda, ainda não tenha implementado um salário mínimo para todas as actividades económicas.
Esta tentativa, este primeiro passo, este tubo de ensaio (salário mínimo para porteiros e funcionários de limpeza de empresas de gestão de condomínios), depara-se logo à partida com uma manobra de chantagem absolutamente descarada e despudorada por parte das entidades patronais.
Manobra de chantagem revoltante porque demasiado evidente nos seus propósitos - a ameaça que o patronato, pela voz de uma das muitas obscuras associações que povoam o espaço público de Macau, veladamente faz, visa apenas criar na opinião pública uma reacção de repúdio à consagração de um direito fundamental de todos os trabalhadores.
Tão simples quanto maquiavélica nos seus pressupostos, a reacção em cadeia que se pretende é demasiado óbvia - se eu, consumidor, é que vou ter que suportar os custos hipoteticamente decorrentes da consagração de um salário mínimo, rejeito liminarmente essa consagração.
Se rejeito essa consagração, não haverá condições políticas para levar a mesma até ao fim.
E o status quo vigente não sofrerá qualquer alteração.
Raciocínio típico de sociedades onde o individualismo feroz e a exploração do mais fraco pelo mais forte imperam, esta forma de pensar e agir devia envergonhar Macau.

15 comentários:

  1. Situações vergonhosas como esta é o que mais abunda por cá onde o salário mínimo é aviltante!

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    1. Mas aqui nem sequer há salário mínimo, Rosa dos Ventos

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  2. Lamentável, Pedro, é o que me ocorre dizer, meu caro.

    Aquele abraço

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    1. Estes gajos são viscosos, Ricardo :(
      Aquele abraço

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  3. O guião é universal, sempre o mesmo. Sorrisos e apertos de mão primeiro, a seguir a revelação de profecias de desgraça. Se não for suficiente para demover os "anjinhos" a mão, que têm nas costas, aparece em cena com um cacete para desancar os f.p..
    Veja-se a novela do Mínimo em Portugal. Reuniões, conferências, declarações que se vão sucedendo; uma autêntica sinfonia que vai alternando o tema de tom maior a menor consoante a "agenda" do poder.
    O ror de gente envolvida! tudo isto de borla? um desperdício!!! Os papagaios da reforma do Estado e das gorduras fazem isto durante anos. Concretizar seja o que for? Népia.

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    1. Mas aqui nem um salário mínimo há, Agostinho.
      Exploração pura e dura.
      Quando se tenta implementar, surgem estas manobras demasiado óbvias para não serem consideradas abjectas.

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  4. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    O mercantilismo está por toda parte e estão sempre na espreita para meter a mão no nosso bolso.
    Caloroso abraço! Saudações parcimônicas!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver

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    1. Gente sem vergonha, sem coração, Amigo João Paulo de Oliveira
      Grande abraço!

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  5. ~ Passo, para dizer que ando em viagem, pelo que, não estranhe a minha ausência.

    ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~

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  6. Será que as criaturas acreditam que levarão o dinheiro quando morrerem?!

    É que eu não entendo tanta ganância ....

    Aqui, boa noite :)

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    1. Também não tenho explicação lógica para estes fenómenos, São.
      Nem sei se haverá.
      Aqui já é bom dia (19)

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  7. Boas férias, Pedro. Mas agora como é que eu lhe vou dar os parabéns no dia 27?
    No início de Julho também vou arejar durante uns dias.
    Abraço e até daqui a um mês

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