4 de junho de 2014

25 anos depois, o que mudou?






Há 25 anos, na Praça da Paz Celestial, o exército chinês reprimia brutalmente as manifestações, que já decorriam há vários dias, reivindicando uma maior abertura do sistema político.
Nestes 25 anos o regime político chinês pouco mudou.
No que se refere aos acontecimentos de Tiananmen, nada mudou.
O discurso oficial mantém-se teimosamente inalterado - uma revolta contra-revolucionária, uma violação da lei chinesa, reprimida só e apenas enquanto tal.
Um discurso oficial que apenas existe, e em termos muito sumários, para o exterior. 
Porque a nível interno Tiananmen continua a ser tema tabu. 
No dia a dia das pessoas, nas escolas, nas notícias, nas redes sociais. 
Acompanho Larry So, um dos mais argutos e clarividentes analistas políticos locais, quando afirma que a intenção do regime político chinês é apagar definitivamente da memória colectiva interna os acontecimentos de 4 de Junho de 1989. 
Intento que está a ser levado a cabo lançando mão da frieza e da noção de tempo tipicamente chinesas - se a História é alterada, negada, e não é ensinada, tarde ou cedo deixa de existir. 
Não é assim, como bem sabemos. 
Porque, como escreveu o poeta, "(...) há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". 
Esperemos então que o regime político chinês, um dia, qualquer dia, com o vento que passa, venha a saber lidar com as suas tragédias e os seus erros.

32 comentários:

  1. se a História é alterada, negada, e não é ensinada, tarde ou cedo deixa de existir.
    .....................
    pois é meu amigo e a ditadura de Salazar como tem sido passada para quem não viveu debaixo dela? e sobre o holocausto alemão?...enfim poderia enumerar vários e que há quem tenha sobrevivido e que conta como foi...mas...fico-me por aqui!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há sempre alguém que lembre, Fatyly.
      Por mais que se tente fazer esquecer, há sempre alguém que lembre.

      Eliminar
  2. Mais tarde ou mais cedo , a verdade sabe-se...os ditadores que não tenham a ilusão de que as suas infâmias fiquem para sempre enterradas na poeira do tempo!!

    Tudo de bom, Pedro, e obrigada por ter lembrado esta chacina inominável.

    (Se puser a foto no facebook, faça o favor de partilhar comigo , sim? É que eu quero a foto, porque a acho impressionante, mas não a tenho)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Está publicado no Facebook, São.

      A História não se apaga.
      Quem tem essa ilusão é tonto.
      Há sempre alguém para lembrar o que aconteceu.

      Eliminar
  3. Como o tempo passa!
    Já 25 anos?!
    Agradeço a lembrança!

    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estes acontecimentos nunca se podem esquecer, Rosa dos Ventos.
      Essa é a estratégia do poder chinês.
      Há sempre gente que lembre.
      Inclusive os familiares dos que foram barbaramente assassinados naquele dia.
      Abraço

      Eliminar
  4. Infelizmente isso não acontece só na China, Pedro. Veja só, à guisa de exemplo, como se mantém inalterada a história dos descobrimentos portugueses. Apenas Oliveira Martins faz uma interpretação desse período à margem do discurso oficial .
    Todos os países têm tendência para branquear períodos negros da sua História, reescrevendo-a como mais lhes convém. É para isso que serve a maioria dos historiadores. Poucos são os que fogem da leitura oficial dos factos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O caso da China é flagrante e gritante, Carlos.
      O que é que aconteceu em 89?
      Um bando de desordeiros que tentaram derrubar o regime foram punidos por terem desrespeitado a lei.
      E é isso, no máximo, que é permitido às gerações mais novas conhecer.
      Falsear a História, branquear massacres, é algo que já não devia acontecer na nossa época.

      Eliminar
  5. ~
    ~ Uma vergonha que deixou em estado de choque, o mundo democrático!

    ~ Seis meses depois, caía o muro de Berlim-- os russos não aprovaram a barbaridade.

    ~ Não há ninguém que, tendo acompanhado as notícias, possa esquecer a angústia daqueles dias!
    ~ Como poderão apagá-los da memória os que vivenciaram a tragédia de perto?

    ~ Mas uma coisa os caciques conseguiram-- amordaçaram o povo, de tal modo que os jovens chineses que fazem o percurso escolar em Portugal, não se atrevem a fazer nenhum comentário sobre qualquer assunto que critique o governo so seu país.

    ~ ~ ~ ~ Até quando?! ~ ~ ~ ~

    ~ ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~ ~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se têm esse comportamento em Portugal, imagine o que é na China, Majo.
      Mas ainda há resistentes no interior da China.
      E em Macau e Hong Kong (muito mais em Hong Kong) essas vozes fazem-se ouvir cada vez mais.
      Um dia chegarão ao interior da China, um dia haverá um encontro com a História.
      Acredito nisso.
      A abertura económica, quase inevitavelmente, trará consigo a ansiada abertura política.
      Gradual, lenta, mas acontecerá.
      Beijinhos

      Eliminar
  6. Apetece perguntar, Pedro, o que é que mudou e se mudou?

    Aquele abraço, meu caro!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. No interior da China, e a nível oficial, nadinha mesmo, Ricardo.
      Nas regiões administrativas especiais, uma consciência cívica que cresce, que se consolida.
      Convido-o a ver as imagens do que se está a passar em Macau neste momento.
      No emblemático Largo do Senado, que já há 19 anos não recebia estas vigílias.
      Faz bem à alma ver estas coisas.
      Aquele abraço!

      Eliminar
  7. Que a Alemanha levou uma eternidade a digerir o Tratado de Versalhes (1919), não é novidade. Ainda hoje se notam pequenos tiques.

    Não sei se os chineses têm melhor capacidade para aguentar.

    Esta coisa das aberturas, leva o seu tempo.

    Um abraço, Pedro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É a noção de tempo na milenar China é única, António
      Mas chegará o dia em que a História terá que ser enfrentada na sua plenitude.
      Aquele abraço

      Eliminar
  8. esperemos que não caia no esquecimento e sobretudo que a História não se repita

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não acredito que haja repetições, Tétisq.
      Mas, no que diz respeito ao esquecimento, o regime chinês está a tentar tudo para que aconteça

      Eliminar
  9. Na China, ainda hoje é proibido fazer referência ao terrível massacre.

    Vi um filme sobre o artista plástico e ex-soldado Chen Guang que sentiu na pele a repressão.

    O primeiro canal da TV alemã apresenta esta noite um filme sobre os 25 anos do massacre da Praça da Paz Celestial.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mais do que fazer referência, esse massacre pura e simplesmente não existe.
      Foi um golpe contra-revolucionário, em clara violação da lei, e foi tratado como tal.
      E isto é dito para fora.
      Para dentro, nem isso.

      Eliminar
  10. Olá, era para ser uma libertação para o povo. O que será que foi feito com esse valente rapaz? Eles devem ter dado um sumiço nele. Uma imagem de coragem e bravura.
    Tenha um ótimo dia.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ainda hoje não se sabe quem seria o rapaz na foto e qual o seu destino, Minha vida de campo.
      Uma das imagens mais fortes que conheço.
      Tenha um óptimo dia também

      Eliminar
  11. Provavelmente a atitude de negação radica na incapacidade e na impossibilidade de mudar. A evolução política e social é um risco para o poder e uma responsabilidade para a população.
    Quanto à história ... há muitas. A que prevalece é a de quem manda.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Agostinho,
      História só há uma.
      Há muitas histórias e muitas estórias.
      Mas História só há uma.
      Por mais que a tentem alterar, acaba sempre por ser conhecida.

      Eliminar
    2. Mas muitas vezes nao e escrita nem conhecida pela maioria das pessoas, embora haja sempre alguem que resiste...

      Eliminar
    3. Essa é a estratégia do poder chinês - estes acontecimentos acabarão por cair no esquecimento.
      Ao verem ontem uns milhares de pessoas em Macau, cerca de 200 mil em Hong Kong, devem ter ficado assustados.
      Até porque, na sua grande maioria, eram jovens.
      Alguns, susto dos sustos, estudantes chineses (vindos do interior da China) que estão a estudar em Macau e Hong Kong.

      Eliminar
  12. Não posso acreditar numa sociedade onde capitalistas compram dívida externa de países endividados e têm no seu país, a China, gravíssimos problemas sociais dentro de casa.
    Um abraço Pedro

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esse é o anátema da China, Ricardo - cresceu brutalmente em termos económicos; paralisou em termos políticos.
      E isso, a História assim o ensina, dá sempre maus resultado.
      Aquele abraço

      Eliminar
  13. Regimes totalitários - está tudo dito! E por cá? Não se está a tentar branquear (ou mesmo esquecer) o período da ditadura fascista a que eufemisticamente chamaram de Estado Novo?!

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pode-se tentar branquear tudo, Graça.
      Não resulta.
      Há sempre gente com memória.
      Quem não entende isso é tonto.
      Beijinhos

      Eliminar
  14. Obrigada, Pedro.
    É bom que não esqueçamos.
    Beijinho.:))

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Procure ver as imagens de Macau e Hong Kong, ana.
      Valem mesmo por mil palavras.
      Beijinhos

      Eliminar
  15. Se há quem queira negar o holocausto, porque é que o governo chinês não iria tentar fazer o mesmo com Tiananmen? Mesmo assim, o poeta não deixa de ter razão... e ainda bem! :)

    Beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esses negacionistas nunca terão sucesso, Teté.
      A memória não se apaga com uma borracha na ponta de um lápis.
      Beijocas

      Eliminar