11 de fevereiro de 2014

Retirar os residentes do centro da cidade


Depois da cenas caóticas do Ano Novo Lunar no ano transacto, as autoridades governamentais de Macau pouco ou nada aprenderam.
A grande diferença este ano foi a obrigatoriedade de caminhar num só sentido no centro da cidade, utilizando-se barreiras metálicas e vigilância policial para atingir esse desiderato.
Cenário verdadeiramente deprimente o de observar as pessoas a caminhar entre as barreiras metálicas e a parede, fazendo lembrar animais num qualquer matadouro.
Deprimente, também, ouvir a mesma lenga-lenga da parte de responsáveis governamentais.
Afastar os visitantes do centro da cidade, como?
Se é no centro da cidade que se concentram os pontos de interesse turístico e, pour cause, o comércio que mais atrai os que visitam Macau, o comércio que pode pagar as rendas exorbitantes que ali são exigidas, qual é exactamente a ideia?
Mudar as Ruínas de São Paulo para o Fai Chi Kei?
O Largo do Senado para a Areia Preta?
E, talvez assim, as ourivesarias, perfumarias, lojas de souvenirs, se mudem também para longe do centro da cidade?
O problema todos sabemos qual é - demasiada gente para tão pouco espaço, ponto final!
Estudos, brainstorming, discursos inflamados, não escondem essa realidade.
E uma outra cada vez mais óbvia - não foram os visitantes que foram afastados do centro da cidade, foram os residentes.
E, nisso sim, no facto de Macau ser uma cidade que afastou os residentes do seu centro, pode dizer-se com toda a propriedade que "num Mundo de diferença, a diferença é Macau".

23 comentários:

  1. Lamento...
    Há muito que fazer na evolução de mentalidades, na formação da consciência democrática.
    Abraço.

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    1. Este tipo de situações chega a ser algo demente, Majo

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  2. Pena que assim seja, Em Lisboa é pior , a Baixa está deserta e os prédios devolutos muito degradados.

    Poderiam fazer uma animação de quando em vez, mas nada .E principalmente, com tantos sem abrigo, poderiam ocupar as casas...

    Abraços

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    1. A imagem, bastante recente (passada semana) é muito mais elucidativa que as minhas palavras, São.
      Era uma zona tão agradável, é o centro histórica da cidade, beneficia de reconhecimento e protecção da UNESCO (até quando??) e deixou-se chegar a este completo desvario.
      Entristece e revolta.
      Abraços

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  3. Anda alguém, a nível de responsáveis, a fumar coisas esquisitas?

    Fica uma sensação de que não se sabe como resolver uma situação que sendo complicada não é impossível de acompanhar, de forma decente.

    Aquele abraço, Pedro.

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    1. António,
      Como nós portugueses dizemos, não se pode meter o Rossio na Rua da Betesga, não é?
      Só muda o local e os nomes das ruas.
      O resto é igual.
      Aquele abraço!!

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  4. Pedro,
    há por aí "planeamento urbanístico"? Ou, vá, mais lato, "Ordenamento do Território"?
    Enfim, há que fazer algo e de forma urgente, tenho lido (alguma coisa) sobre o assunto e Macau é o exemplo dado de como não se deve fazer!

    Aquele abraço, Pedro!

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  5. Pedro,
    há por aí "planeamento urbanístico"? Ou, vá, mais lato, "Ordenamento do Território"?
    Enfim, há que fazer algo e de forma urgente, tenho lido (alguma coisa) sobre o assunto e Macau é o exemplo dado de como não se deve fazer!

    Aquele abraço, Pedro!

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    1. Ricardo,
      Respostas simples às perguntas que me coloca - não e não :(
      E como eu gostava de lhe dizer que o que tem lido não corresponde à realidade.
      Mas estaria a mentir e eu não quero mentir.
      Aquele abraço!!

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  6. Também em Lisboa quase não há residentes na Baixa...:(

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    1. As razões são literalmente opostas, Rosa dos Ventos.
      Em Lisboa vive-se uma crise financeira, económica, não há dinheiro.
      Aqui há dinheiro a mais.
      Mas nunca chega.
      Ganância louca!!

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  7. Bem sei que não é solução mas, como o interior do nosso país está cada vez mais desertificado...
    :)
    Brincadeiras à parte, imagino como se devem sentir os residentes...
    Cordiais saudações!

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    1. Rui,
      Já viu bem aquele caos?
      Para quem gosta de Macau, e eu gosto muito!!, é revoltante assistir a estas cenas.

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  8. Será que quem preconizou tal medida usa a receita do Bieber ( Sprite com xarope para a tosse?)

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    1. Carlos,
      A polícia faz o que pode.
      O problemas está a montante.
      Em deixar entrar tanta gente na cidade.
      E em dizer que ainda há espaço para mais.

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  9. Talvez se piquem com gasolina. Há drogas que não lembram ao diabo!

    Abraço

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  10. Pedro,
    Realmente é triste tirar as pessoas do centro turístico. Hei-de ir a Macau um dia.
    Beijinho. :))

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    1. ana,
      Eu gosto muito de Macau.
      Por isso me revolta tanto assistir a esta folia gananciosa.
      Não há limites?
      Parece que não :(
      Beijinho

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  11. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Sei a realidade, e estou 100% de acordo com suas sábias palavras.
    Cada vez que vou ao BNU tenho que me cruzar com milhares de pessoas, nada fácil circular naquela e em toda a zona do centro, o não só,, os residentes de Macau é que sofrem, mas os responsáveis pelo turistimo afirmam que macau tem espaço para receber muitos mais turistas!...
    Abraço quentinho desta cidade dos homens livres.

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    1. Amigo Cambeta,
      Ouvir o Sales Marques, no programa Contraponto, dizer que queria ir ao Correio, mas desistiu, e perceber porquê, enfurece!
      Aquele abraço!!

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  12. Pensei que os asiáticos fossem mais organizados.

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    1. Há muitos mitos à volta dos asiáticos, Catarina.
      Organizados?
      Os singapureanos e os malaios.
      Mais do que isso.....

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