25 de fevereiro de 2014

Em tribunal

Umas das histórias judiciais que ficaram célebres, na primeira metade do século XX, teve a ver com a defesa de um arguido acusado de chamar "filho da puta" ao ofendido, expressão que, na altura, era considerada altamente ofensiva.

Nas sua alegações, o escritor e advogado Ramada Curto começou por chamar a atenção do juiz para o facto de muitas vezes se utilizar essa expressão em termos elogiosos ("Ganda filho da puta, és o melhor de todos !") ou carinhosos ("Dá cá um abraço, meu grande filho da puta !"), tendo concluído as suas alegações da seguinte forma :

"E até aposto que, neste momento, V. Exa. está a pensar o seguinte :

'Olhem lá do que este filho da puta não se havia de ter lembrado só para safar o seu cliente !"


Chegada a hora da sentença, o juiz vira-se para o réu e diz :

"O senhor está absolvido, mas bem pode agradecer ao filho da puta do seu advogado".

Este era Ramada Curto !


12 comentários:

  1. Parece que na época, o termo era insultuoso mas muito usado.
    Advogado sofre, mas o incidente deve ter rendido o dobro dos honorários.

    ~ ~ ~ Muito sucesso, sem vitupérios. ~ ~ ~

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    1. Confessemos que a estratégia foi brilhante, Majo.
      E a resposta do juiz ainda mais.

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  2. Esta fez-me lembrar o teste da linha e da agulha usado em tribunal para confrontar as "femeas" violadas.

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    1. Confessor que não conheço o teste a que se refere, Agostinho

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    2. O juiz pegava na agulha e a vítima na linha e ordenava: vê lá se tu consegues enfiar a linha... Não consegues não é? Conclusão, foste violada porque deixaste.

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    3. Afinal já conhecia, Agostinho.
      Só não me ocorreu no momento

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  3. Considero ainda hoje "filho da puta" uma expressão altamente ofensiva!!!

    Todavia, acho esta história judicial muito bem apanhada, diria mesmo, a estratégia do advogado de defesa foi absolutamente brilhante, e a resposta do juíz não lhe ficou atrás.

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    1. Esta sim, é uma expressão altamente ofensiva, ematejoca.
      Por tudo quanto implica para o ofendido e a família.

      O raciocínio do advogado é excelente.
      O do juiz, fenomenal!

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  4. No fundo os verdadeiros amigos (homens) tratam-se sempre mais ou menos desta maneira:

    - Então seu cabr** de mer**! Tás bom??

    ou então:

    - Meu ganda panele***! anda aí beber um copo.

    A lista de impropérios nunca mais acaba. eheheheh!!!

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    1. Luciano,
      Um bom amigo meu só tratava os Amigos por carneiros.
      Mas só os Amigos é que eram carneiros.
      Mais ninguém.
      Se ele dizia - "és um grande carneiro!!" - era o maior elogio que nos podia fazer :)))

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  5. Pedro,
    Delicioso.
    Adorei. Só o Pedro para encontrar boas histórias. :))
    Beijinho.

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    1. Esta foi uma das muitas que o meu pai me envia, ana.
      Excelente, não é?!
      Beijinho

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