Cinismo político
Moscovo foi uma vez mais palco de uma manifestação de puro cinismo político.
A recepção aos líderes africanos, a cimeira Rússia/África.
Putin tenta a todo o transe demonstrar que não está isolado na arena internacional, que não é um pária.
E para isso faz desfilar no Kremlin uma miríade de figurinhas que lhe alimentam o ego e a narrativa.
Um olhar um pouco mais atento desmonta facilmente o circo mediático que Moscovo se esforça para apresentar.
Bastava olhar o número de países presentes nesta cimeira para perceber que algo está a mudar.
Não só estavam presentes muito menos países relativamente à última cimeira (cerca de metade), como as representações dos que estavam presentes eram em grande medida constituídas por segundas linhas (estou a ser simpático).
E o que foram dizer a Moscovo?
Basicamente que o espetáculo não é grátis, que é preciso ver resultados práticos, investimento nesses países.
Ver investimento europeu e americano em risco por causa do “amigo” russo não constitui alternativa se não compensar financeiramente.
Pináculo do cinismo, a gratidão de líderes autocráticos a Putin e à União Soviética por terem sido libertados do jugo do colonialismo.
Sem uma palavra acerca da guerra na Ucrânia (também fazia parte da União Soviética, não fazia??).
Mais uma vez a agenda das indemnizações coloniais a ser agitada, agora no Leste da Europa.
Win/win situation - os países africanos procuram atrair investimento russo e novamente agitar a bandeira das indemnizações supostamente devidas pelos antigos colonizadores; Putin mostra que ainda tem amigos, aliados.
The show must go on.



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