17 de junho de 2015

Tsipras between a rock and a hard place



Na imagem Alexis Tsipras aponta para o relógio.
Uma imagem simbólica acerca do que está a acontecer na Grécia - o prazo para ser encontrada uma solução que agrade a "gregos e troianos" está a esgotar-se.
Os "troianos" (credores) pressionam no sentido de lhes ser apresentada uma solução credível, uma solução do seu agrado.
E o mal-estar é tal que, como bem sublinhava Nicolau Santos, um dos credores (Fundo Monetário Internacional), um organismo composto por membros nomeados, não eleitos, se acha no direito de dizer a um Estado soberano em que áreas pode e não pode fazer reajustamentos orçamentais. 
Nas últimas horas, Jean-Claude Junker, representante de outro dos credores (Comissão Europeia), também ele eleito em círculo fechado, não se coibiu de publicamente demonstrar o seu enfado com o arrastar das negociações, de afirmar que não se importa minimamente com o que pensa o governo grego (apenas o povo grego o preocupa), que os governantes gregos mentem nas declarações que fazem à comunicação social, nas explicações que dão ao povo grego. 
No meio deste turbilhão, à beira da tempestade perfeita, Tsipras procura jogar em dois tabuleiros em simultâneo. 
Não podendo aceitar os cortes que lhe são impostos, porque se revelam socialmente injustos e politicamente inaceitáveis pela traição que representariam face à esperança depositada pelos gregos no Syriza, Alexis Tsipras procura conseguir os maiores ganhos, procura uma solução que não faça parecer que cedeu em demasia e que simultaneamente permita à Grécia permanecer na Zona Euro e, em última análise, na própria União Europeia. 
Do outro lado, os credores procuram jogar com o aproximar dos prazos de maturidade da dívida grega para fazer os governantes gregos ceder mais e mais. 
No mais célebre conflito ocorrido entre gregos e troianos a solução passou por um bem conhecido equídeo. 
Será Alexis Tsipras capaz de encontrar um novo Cavalo de Tróia em pleno século XXI? 
Os próximos dias darão a resposta a esta pergunta e permitirão perceber qual o futuro da Grécia no seio da união monetária e da própria União Europeia.

36 comentários:

  1. Pedro, uma pergunta:
    Pode emprestar-me 2 mil milhões de euros?
    Depois,devo não nego, pago-lhe quando puder.

    Aquele abraço.

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    1. O Ricardo quer fazer um negócio da China aqui com o macaense?? !!:)))

      Os dois lados estão esticar a corda em demasia, Ricardo.
      Não tarda nada ela parte.
      E ficam os dois com umas boas arranhadelas no corpo.

      Aquele abraço

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    2. Pois, Pedro, mas isto tem de ter um fim, meu amigo...e os gregos não estão a facilitar nada.

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    3. Em todas as situações da vida o devedor não está em boa posição para fazer exigências, Ricardo.
      Não sei se não estará aí o grande erro dos governantes gregos.

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  2. Não nego a minha simpatia pelo Alexis Tsipras e pelo Syriza.

    Embora o Pedro não partilhe comigo essa simpatia, escreveu um EXCELENTE artigo sobre o assunto.

    Aquele abraço de admiração pelas suas análises políticas, sem emoções, exactamente como eu aprecio.

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    1. Não é uma questão de simpatia ou antipatia, ematejoca
      Julgo que, na ânsia de mostrar dureza perante os credores, demarcando-se assim de terceiros, Tsipras estará a esticar a corda em demasia.
      Há uma realidade inegável - a Grécia deve muito dinheiro
      O que pode/deve fazer é negociar as condições de restituição desse dinheiro
      Sem aceitar exigências absurdas, amas também sem as fazer porque está na posição mais fraca.
      E Tsipras está a conseguir irritar os credores e o próprio povo grego.
      Ao qual foi prometido mel mas que continua apenas a ver fel.

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  3. O povo grego hoje, sente-se traído pela sua escolha ! Não é o Syrisa que tem culpa, mas sim quem não soube avaliar as consequências do seu voto.
    Hoje (em eleições), dizem as sondagens, não haveria maioria e é muitíssimo maior o nº de gregos que preferiria a austeridade e o cumprimento dos compromissos do que saír do euro, ou da UE ! Hoje, querem é que o Syrisa ceda perante a Europa !... mas o Syrisa ( o governo) recusa-se a fazer um referendo.
    ... e a situação é hoje impossível de resolver, porque a evasão de capitais tem sido assustadora ! Toda a gente está a retirar dinheiro dos bancos para contas no estrangeiro ! Os bancos estão descapitalizados, o desemprego é assustadoramente maior, a captação de recursos para cumprir os compromissos básicos é quase nula ! A corrupção, a fuga aos impostos, a manutenção dos "interesses instalados" e a fuga de capitais aumenta a todos os níveis e ninguém faz nada para mudar seja o que for ! Foram 5 meses perdidos, apenas de gestão corrente, sem intervenção, sem que fosse tomada qualquer medida governamental que ajudasse a Grécia a sair da situação em que se encontrava antes !
    O governo sente-se completamente manietado pela falta de captação de recursos, a captação de impostos baixou assustadoramente pelo desemprego e fuga de capitais (que deixaram de ser pagos na Grécia). O governo, em vez de governar, limita-se a agitar a "bandeira" da luta contra a Europa, para justificar a sua manutenção em funções !

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    1. Os gregos fizeram uma escolha um pouco à moda do náufrago, Rui.
      Desesperados agarraram a primeira bóia que lhes apareceu à frente.
      O pior é verificarem que essa bóia não os está a salvar.
      Pelo contrário, vai perdendo ar, vai perdendo fulgor, ameaça mesmo mandá-los ao fundo de vez.
      Confesso que tenho receio do que poderá acontecer na Europa com a situação da Grécia.
      Basta verificar as condições de financiamento de Portugal nos mercados, as taxas de juro exigidas, para ficar assustado com o que poderá estar para acontecer.

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    2. Concordo e subscrevo o comentário do Rui.

      Um outro erro do governo grego é apostar na ajuda de Putin.

      Os eleitores gregos fizeram o que eu tenciono fazer nas eleições em Outubro, porque não suporto, nem o partido socialista nem os seus membros, que são tão oportunistas como os membros dos partidos que estão a governar Portugal.

      Se o barco grego se afundar, o nosso barco será o próximo.

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    3. O meu maior receio é mesmo esse possível efeito de contágio, potencialmente devastador, ematejoca

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    4. Permitam-me intervir para dizer o seguinte: Isto é tudo «show off», as instituições europeias e o governo Tsipras estão aqui todos aos tiros e para que a coisa não dê mesmo para o torto, são tiros de pólvora seca.
      É óbvio que no último minuto do prazo lá arranjam um acordo qualquer que não danifique a imagem de ninguém. É que não interessa, nem à Grécia e talvez ainda menos à Europa, a saída da Grécia da zona euro, com as consequências imprevisíveis que daí poderiam advir.

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    5. Eu também tenho essa esperança, Paulo Lisboa
      Mas confesso que muito mais moderada que há algum tempo.
      As posições estão demasiado extremadas e a irritação começa a ser visível dos dois lados

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  4. Quem não cumpriu o exigido pelos credores não foi o Syriza , mas sim os Governos que até são da mesma área política ( ou próxima) da dominante actualmente na Europa.

    A UE pretende tornar a Grécia num triste exemplo de como se humilha um povo e se verga uma nação desrespeitando o resultado de votações livres.

    O povo grego foi enganado ?--- E aqui em Portugal quem votou Passos não foi totalmente ludibriado?!

    Tudo de bom.

    Em tempo: gostei das razões para não visitar Portugal...

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    1. São,
      Desde o início, talvez por viver na Ásia e já ter alguma ideia do que é o modo de ser asiático, também por ter estudado a Asean e a chamada Asean Way, que afirmo que a situação da Grécia não pode ser resolvida com extremismos.
      E é isso que tem visto dos dois lados.
      Aprendam com a Asean - por mais duras e longas que sejam as negociações, por mais cedências que tenham de ser feitas, há que chegar a um consenso.
      Ainda que seja, na esteira da tal Asean Way, baseado no menor denominador comum.
      Se não forem por este caminho, as duas partes ficarão a perder
      Mas é bem provável que sejam os gregos, o devedor, os mais afectados.
      Carrega-se no fraco, São, é essa a lei da vida.


      O Portugal que a São nos vai mostrando está ali um pouquinho retratado

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    2. «Quem não cumpriu o exigido pelos credores não foi o Syriza».

      Aqui não concordo nada consigo. O regabofe que assistimos, é porque o governo de Tsipras não quer cumprir o que foi previamente acordado, ou seja, pagar o que deve.

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    3. Tem que haver cedências dos dois lados, Paulo Lisboa.
      Mas partindo sempre do princípio que essas cedências se destinam a a auxiliar a Grécia a pagar o que deve.
      Um perdão de dívida, ou algo semelhante, seria inaceitável e incompreensível
      Então outros países (Portugal antes de todos dos demais) passaram por sacrifícios tremendos e agora assistia-se a um deixa para lá com os gregos???
      O que é que seria o futuro depois de uma medida dessas???

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    4. Claro e tem que haver cedências mútuas. A Grécia tem que ser um pouco mais razoável e a União Europeia também. Esta vai ter que ter alguma compreensão com a Grécia e vai ter provavelmente que estender os prazos de pagamento da dívida grega.

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    5. Será assim tão complicado entender e conseguir isso, Paulo Lisboa?

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    1. Amanhã visitarei o blogue, POESIAS SENSUAIS E CONTOS
      Agora são horas de dormir em Macau

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    2. Não tenho acesso ao seu blogue, os filtros não mo permitem.

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  6. Assustador, não estão a negociar, mas sim exigir, isso não é bom! E não acredito que Portugal não venha a ser afectado, mesmo tendo o Passos Coelho hoje dito que não.

    Beijinho Pedro
    Adélia

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    1. Mas essa postura de inflexibilidade existe dos dois lados, Adélia.
      Quando é assim costuma quebrar pelo lado mais fraco.
      O incumprimento grego, e as consequências deste resultantes, vão afectar toda a gente, Adélia.
      Dizer o contrário é negar uma evidência.
      A interligação entre as várias economias é tal que os problemas com uma afectam inevitavelmente as outras.
      Beijinhos

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  7. E Portugal?

    Que teve de ceder aos credores e moramos numa miséria?

    É que quem precisa de dinheiro ou passa mal ou tem de aceitar as condições dos que emprestam.
    Não é assim connosco e os bancos num simples crédito à habitação?

    De qualquer das formas, há acordos e quem não quer não aceita.

    A Inglaterra não quis o Euro e ei-la como quer e muito bem.

    Parece-me que o povo grego não tem bem noção do que é ser um pais pobre.

    Nós (portugueses, em geral) aprendemos da pior forma.

    Vamos ver.

    Estou curiosa com a saga.

    Beijo

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    1. Essa é a regra, Pérola, o célebre carrega-se no fraco.
      Quem necessita fica em posição de subalternidade, não fica em posição de fazer exigências.
      A lei da vida é essa - quem pode fazer exigências é quem empresta.
      Beijo

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  8. Muito preocupante, Pedro. Vamos ver se a teimosia destes troianos não vai empurrar os gregos para outros mares, outros braços e não vamos começar a World War III - e mais uma vez à volta da Alemanha...

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    1. Se Tsipras está realmente a pensar cair nos braços russos, se se está a deixar embalar pela balalaika, então é/está mesmo demente.
      Os russos têm problemas económicos próprios, estão em dificuldades com as sanções que estão a sofrer por causa da situação na Ucrânia,e é para eles que Tsipras se vira.
      Esperemos que haja definitivamente juízo.
      Dos dois lados.
      Até agora têm estado ambos a falar para a parede.

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    2. A Alemanha ainda quer salvar a Grécia, Graça, ou pelo menos a minha amiga Angie. O resto da Europa não quer como, por exemplo, Portugal.

      Ainda há muitas minhocas na cabeça dos portugueses no que respeita a Alemanha, INFELIZMENTE!!!

      O Putin não está disposto a ajudar a Grécia e o Tsipras ainda não compreendeu isso.

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    3. Não vai haver 3.ª Guerra Mundial por causa da Grécia.
      No limite os Estados Unidos não vão deixar cair a Grécia. E até já pressionaram a União Europeia a resolver a situação, dê lá por onde der.

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    4. Não acrescento uma vírgula ao seu comentário, Paulo Lisboa.

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  9. ~~~~
    ~~ Não concordo quando afirma que a Grécia é um país soberano!!
    ~~ Se Portugal deixou de o ser, desde que a «troika» pisou Lisboa...

    ~~ É incrível a maneira como os que possuem a faca e o queijo na
    mão, esmagam os pobres, encostados à parede...

    ~~~ Beijinhos. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. Majo,
      Todos os países que pertencem à União Europeia, sendo países soberanos, não o são no conceito clássico de soberania.
      A adesão à União Europeia, a aceitação do primado de uma entidade supranacional, a isso conduz.

      "É incrível a maneira como os que possuem a faca e o queijo na
      mão, esmagam os pobres, encostados à parede"
      Isso acontece com os Estados e as pessoas como bem comenta a Pérola, Majo.
      Se as exigências dos credores são por vezes absurdas, a postura do devedor, como se tivesse uma posição negocial superior, também é perfeitamente disparatada, Majo.

      Beijinhos

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  10. "Nem o pai morre, nem a gente almoça". Isto é já "cirurgia", a mais.

    Resto de boa semana.

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    1. Diálogo de surdos, CÉU.
      Se alguém ainda tinha dúvidas acerca do significado deste conceito, tem aqui um óptimo exemplo prático.
      Resto de boa semana também

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  11. Estão criadas circunstâncias que podem induzir transformações de vuto no mundo. Não interessa quem vai ganhar esta aposta.
    O que me parece evidente é que a organização política e económica do mundo já mudou e vivemos uma despudorada simulação.
    Um abraço.

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    1. Não creio que ninguém saia a ganhar com esta guerra, Agostinho (especuladores em Bolsa, talvez...).
      Haverá muita gente a perder.
      Impossível prever quantas e onde.
      Abraço

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