16 de junho de 2015

Crónica de uma rejeição anunciada


Começa amanhã a ser discutida a proposta de reforma política apresentada por Pequim tendo em vista as eleições para o cargo de Chefe do Executivo de Hong Kong em 2017.
A menos que se assista a um volte-face de todo inesperado, a proposta apresentada por Pequim deverá ser rejeitada pelo Legco da Região Administrativa Especial de Hong Kong.
Chegou-se a uma fase em que, para além das posições extremadas do campo pró-Pequim e do Executivo de Hong Kong de um lado, e dos pró-democratas do outro, o próprio tema parece ter perdido grande parte do seu interesse, da sua sedução, lost momentum.
A fraca participação na manifestação realizada no último domingo é disso mesmo um sinal óbvio.
A busca de consensos há muito que se encontra num impasse, a fase de protestos nas ruas teve o seu momento alto no longo período do Occupy Central, é chegada a hora da discussão e votação.
As dissensões e divergências que se verificam no campo pró-democrata, entre os que defendem uma postura mais musculada e os que procuram um caminho de maior diálogo, que Pequim procura explorar em benefício da sua proposta de reforma política,  não deverão revelar-se suficientes para fazer aprovar esta.
Prevê-se uma rejeição dessa proposta, desse pequeno passo que sempre se encontra no início de uma longa caminhada.
Se é mais ou menos fácil antever  este desenlace, é tarefa de aventureiros e videntes adivinhar as suas consequências.
As vozes mais pessimistas anunciam um período de ingovernabilidade de Hong Kong.
Será assim?
Impossível prever com um mínimo de rigor.
Fácil será prever que a governabilidade da Região Administrativa Especial estará em sério risco face a um extremar de posições tão acentuado. 

18 comentários:

  1. Provavelmente Pequim jogará na divisão da oposição e no cansaço arrastando as negociações.
    Bom dia.

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    1. Não acredito, Agostinho.
      Não creio que haja mais espaço nem tempo para negociações.
      Esse tempo já lá vai.
      E sem resultados práticos.
      Aquele abraço

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  2. Vamos ver em que é que isto vai dar, Pedro.

    Abraço.

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    1. Na rejeição da proposta apresentada por Pequim, Ricardo.
      O contrário seria surpreendente.
      Eu estou curioso é para ver como regirá Pequim a essa mais que provável rejeição....
      Aquele abraço

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  3. A politica não difere muito entre continentes, quer-me parecer.

    Beijinhos

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    1. Os asiáticos têm uma forma de fazer política muito diferente dos europeus e americanos, Pérola
      Amanhã vou fazer referência a isso.
      Mais uma vez por causa da Grécia
      Beijinhos

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  4. Quando leio todos os artigos nestes âmbitos vejo como os meandros da politica são tão imprevisiveis e como as surpresas surgem sendo sempre inesperadas...

    Boa semana

    Beijinho da Gota

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    1. Os pró-democratas de Hong Kong são muito difíceis de dobrar, Gota.
      Se nem Pequim consegue!!
      Beijinhos

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  5. Será que em caso da provável rejeição, Pequim endurece as posições?...

    Boa semana

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    1. Essa é mesmo a pergunta do milhão de dólares, São
      Estou curioso para ver como vai Pequim reagir a esta perda de face.
      Boa semana

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  6. Está tudo dito.
    Proposta feita por Pequim é quase uma lei.
    Abraço

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    1. Que Hong Kong se dá ao luxo de rejeitar, António
      Aqueles gajos são tesos!
      Aquele abraço

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  7. Pela Europa, até ao final da semana, espera-se uma decisão sobre o futuro da Grécia que pode pôr tudo isto em estilhaços. O mundo está perigoso...

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    1. É o tema de hoje, Carlos.
      Também acerca da Grécia estou a ver que se estão a extremar posições.
      E isso é sempre muito perigoso.

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  8. Aguardo se há rejeição, ou não!

    Beijinho Pedro

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  9. Coimbramigo

    Expuseste o problema mas nem sequer sugeriste uma saída. Nestas coisas da política ou se é ou se não é (lá dizia o amigo Banana) Pelos vistos Hong Kong não está numa encruzilhada, está numa salgalhada. E o que se passa com Macau?

    一個大大的擁抱

    Pernoca Marota

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    1. Nem me atrevo a sugerir uma eventual saída, FerreirAmigo.
      Parece-me óbvio que, a confirmar-se a rejeição, Pequim irá reagir.
      Antes de mais dizendo que não há alterações no sentido que propôs então não há alterações, ponto final.
      O que é que vem a seguir?
      Ninguém sabe.
      Só o "céu" saberá.
      Grande abraço para ti, beijinhos para a Raquel

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