10 de maio de 2012

Estes islandeses são loucos!





Na Islândia:

- o povo obrigou à demissão em bloco do governo;
- os principais bancos foram nacionalizados e foi decidido não pagar as dívidas que eles tinham contraído junto dos bancos do Reino Unido e da Holanda, dívidas que tinham sido geradas pelas suas más políticas financeiras;
- foi constituída uma assembleia popular para reescrever a Constituição.

Tudo isto pacificamente. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu a esta crise. E aí está a razão pela qual nada tem sido noticiado no decurso dos últimos dois anos. O que é que poderia acontecer se os cidadãos europeus lhe viessem a seguir o exemplo?

Sinteticamente, eis a sucessão histórica dos factos:

- 2008: o principal banco do país é nacionalizado. A moeda afunda-se, a Bolsa suspende a actividade. O país está em bancarrota.
- 2009: os protestos populares contra o Parlamento levam à convocação de eleições antecipadas, das quais resulta a demissão do primeiro-ministro e de todo o governo.

A desastrosa situação económica do país mantém-se. É proposto ao Reino Unido e à Holanda, através de um processo legislativo, o reembolso da dívida por meio do pagamento de 3.500 milhões de euros, montante suportado mensalmente por todas as famílias islandesas durante os próximos 15 anos, a uma taxa de juro de 5%.

- 2010: o povo sai novamente à rua, exigindo que essa lei seja submetida a referendo.
Em Janeiro de 2010, o Presidente recusa ratificar a lei e anuncia uma consulta popular.
O referendo tem lugar em Março. O NÃO ao pagamento da dívida alcança 93% dos votos.

Entretanto, o governo dera início a uma investigação no sentido de enquadrar juridicamente as responsabilidades pela crise. Tem início a detenção de numerosos banqueiros e quadros superiores. A Interpol abre uma investigação e todos os banqueiros implicados abandonam o país.


Neste contexto de crise, é eleita uma nova assembleia encarregada de redigir a nova Constituição, que acolha a lições retiradas da crise e que substitua a actual, que é uma cópia da constituição dinamarquesa.
Com esse objectivo, o povo soberano é directamente chamado a pronunciar-se. São eleitos 25 cidadãos sem filiação política, de entre os 522 que apresentaram candidatura. Para esse processo é necessário ser maior de idade e ser apoiado por 30 pessoas.

- A assembleia constituinte inicia os seus trabalhos em Fevereiro de
2011 a fim de apresentar, a partir das opiniões recolhidas nas assembleias que tiveram lugar em todo o país, um projecto de Magna Carta. Esse projecto deverá passar pela aprovação do parlamento actual bem como do que vier a ser constituído após as próximas eleições legislativas.

Eis, portanto, em resumo a história da revolução islandesa:

- Demissão em bloco de um governo inteiro;
-- Referendo, de modo a que o povo se pronuncie sobre as decisões económicas fundamentais;
- Prisão dos responsáveis pela crise e
- Reescrita a Constituição pelos cidadãos:

O povo islandês deu uma lição à Europa inteira, enfrentando o sistema e dando um exemplo de democracia a todo o mundo?
Está aberta a discussão!! 

11 comentários:

  1. Caro Pedro Coimbra
    De facto por aqui pouco se fala no assunto. Da Islândia só o bacalhau.
    O silêncio nos media não é mero acaso, não vá lá alguem por-se com ideias.
    Excelente divulgação.
    Vou fazer uma chamada no meu blogue.
    Abraço

    ResponderEliminar
  2. Nem pio sobre este assunto, Rodrigo.
    Muito estranho, não é?
    Porque isto é que é (devia ser) notícia!
    O resto, insisto, são não notícias.
    Aquele abraço

    ResponderEliminar
  3. Considerei que os islandeses deram uma lição aos seus parceiros da chamada União.
    A estes e não só.
    A forma como o fizeram pode ser discutível mas, ao que parece, resultou.

    E tomar banho desta forma e nestas condições?
    Tomara eu lá estar e mergulhar, nadar. Faz bem à saúde.
    Fica-se mais rijo.

    ResponderEliminar
  4. Coincidência... acabei há minutos de ler uma reportagem do Daniel Oliveira publicada na Revista do Expresso do último sábado e coloquei-me essa questão. Até tinha pensado escrever um post sobre o assunto, mas este post diz tudo. Por isso, se me dá licença - como estou em frente ao mar e preguiçoso- vou fazer link.
    Abraço

    ResponderEliminar
  5. António,
    Que é de quem os tem no sítio, é!
    Deve ser dos banhos.
    Se resultar, e parece que vai resultando, o que poderá isso representar como exemplo para outros?


    Carlos,
    Vou tentar encontrar a reportagem do Daniel oliveira.
    Agora fiquei curioso.
    Faça o link.
    Vamos nós divulgando esta ideia.
    Abraço

    ResponderEliminar
  6. O que eu acho curioso é que todos os dias se fala na situação da Grécia, mas da Islândia? Nada! Comunicação Social selectiva é o que é... Acho que fizeram muito bem em levar os governantes e e fizeram bem em apurar responsabilidades, em Portugal isso não acontece, roubas um polvo vais preso, roubas milhões consegues provar na justiça que não roubaste, lamento tanto que seja assim! É revoltante.

    ResponderEliminar
  7. Não vejo onde é que está o exemplo em não pagar as dívidas contraídas ou será que sou eu que percebi mal a coisa?
    Por acaso eu tomo sempre banho de água fria seja no Verão ou no Inverno. Faz bem à pele, adapta o corpo ao frio no Inverno, refresca o corpo no Verão, estimula e reforça o sistema imunitário, para além, claro, de poupar gás.

    ResponderEliminar
  8. Pedro,

    mas quem são os loucos?

    Ah, ok tinha percebido que tinha escrito que eram os islandeses!

    Grande abraço!

    ResponderEliminar
  9. São 300 mil que vivem da pesca e da extracção do aluminio...a brincar aos justiceiros!!!!

    ResponderEliminar
  10. Já tinha lido esta notícia há relativamente pouco tempo. A ver vamos... por agora parece que a coisa resultou.

    ResponderEliminar
  11. Catarina,
    Por isso deixei aqui o post - porque é pouco divulgado e para estimular a discussão.
    Nunca ouviu dizer que quem deve mil a um banco tem um problema, se deve um milhão o banco é que tem um problema? :))


    FireHead,
    Reparou que se pede que cada um dê a sua opinião, não reparou?
    Explanou bem a sua.
    Respeitável, como a dos outros.


    Ricardo,
    Deixaram de ser os romanos :)))
    Vamos ver se não cai o céu na cabeça dos islandeses.
    Aquele abraço


    Anónimo,
    Pelos vistos, foram vivendo muitos anos de outras coisas.
    Por isso mesmo é que se viram em aflições.
    Andam a brincar aos justiceiros?
    Vamos ver.
    Até agora parece que a coisa tem resultado.


    Catarina,
    Até agora, é assim.
    Vamos ver o que acontece no futuro.
    Essa é mais uma das curiosidades desta notícia.

    ResponderEliminar