24 de maio de 2012

Desporto ou uma versão portuguesa da guerra da secessão?



Crescem a minha preocupação e tristeza com o que se passa a nível desportivo (???) em Portugal.
A violência, física e verbal, está a atingir níveis insuportáveis.
Sobretudo quando estão em causa o Porto e o Benfica.
Mau perder, insultos, insinuações torpes, violência física, tudo vale.
De um lado e de outro, que ninguém pode apontar a dedo o vizinho.
As cenas de pura barbárie que se verificaram ontem após a vitória do Benfica no quinto jogo, o do título, no campeonato de basquete, são só o último episódio de uma série ininterrupta de episódios violentos, de linguagem desbragada e ofensiva, que vêm a verificar-se há já muito tempo.
Como se se estivesse imparavelmente a caminhar para uma guerra Norte (Porto)/Sul (Benfica), uma guerra da secessão em versão portuguesa, os insultos e a violência verificam-se a todo o momento.
Mesmo quando as duas equipas não estão directamente envolvidas nos jogos, nas competições (quantos comentários públicos ao jogo da Taça entre o Sporting e a Académica envolveram o Porto e o Benfica? Isto faz algum sentido?!)
Aproxima-se um período de defeso, um Europeu de futebol, uns Jogos Olímpicos.
Uma óptima oportunidade para parar e reflectir.
Infelizmente, é apenas um desejo.
Que, antecipadamente, sei que não se vai tornar realidade.
E a tragédia, tantas vezes anunciada, está ali cada vez mais perto.
Sem que ninguém pareça disposto a evitá-la.

17 comentários:

  1. Análise correcta e sóbria, com a qual me identifico completamente.

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  2. Ando genuinamente assustado, VICI.
    O que se passou ontem no Dragão é vergonhoso.
    E, ao mesmo tempo, perigoso.

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  3. Assino por baixo o seu texto e qualquer outro que condene a violência no desporto!

    Um grande abraço de um amigo benfiquista para um "meu" grande amigo portista!

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  4. Cada vez entendo menos este clima de ódio entre Benfica e Porto, Ricardo.
    A assumir proporções assustadoras, a ficar fora de controlo.
    Numa final fantástica (ora agora ganhas tu, ora agora ganho eu) acaba-se daquele maneira?
    Com polícia, bastonada, provocações?
    Parabéns pela vitória do Benfica.
    Como referi no Blogue do FireHead, glória aos vencedores, honra aos vencidos, nojo absoluto para estas atitudes de pura barbárie.

    Aquele abraço, ainda que virtual, entre um portista e um benfiquista.
    É fácil e possível, porra!!!

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  5. Estimado Amigo Pedro Coimbra,
    Quando no desporto não existe o desportivismo,e os clubes grandes apoiam as claques, o que dá é isso, os adeptos saturados da política imposta pelo governo, aproveita para aliviar a tensão nos jogos de futebol e é a vergonha que vemos nos estádio e fora deles em nome dos clubes.
    Não é guerra Norte/Sul, mas sim um escape ao sossego e à paz.
    Abraço amigo

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  6. UM belíssimo texto Pedro, e também tenho o sonho de que um dia o fair-play no desporto seja uma realidade.*

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  7. Pedro
    Concordo integralmente com a sua ideia transformada em texto.

    Não é admissível o que se tem passado, continua a acontecer e não vai parar.
    Porque a raiva desta gente aumenta de dia para dia.

    Que curso, que formação será ministrado à Polícia?
    O que se viu ontem no Caixa Dragão, foi uma vergonha quase generalizada.

    A tal ponto que a comitiva do Benfica teve que receber as medalhas e a taça dentro dos balneários.

    Mas o que é isto?!?!

    Ficou registada, para memória futura,a vergonha desportiva.

    Os 2.200 espectadores que enchiam literalmente o pavilhão. Como se sentirão?
    Provavelmente nada. Estão habituados a estes 'embrulhos'.
    E eu sei do que falo.

    Pugnemos pela dignidade, pela lealdade.

    Um abraço

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  8. Onde escrevi "Como se sentirão" queria escrever "O que sentirão".

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  9. Amigo Cambeta,
    Não creio que seja essa a explicação.
    Há mesmo ódio, crescente, entre adeptos do Porto e do Benfica.
    Para além de doentio, começa a ser cada vez mais perigoso.
    E sem fim à vista.
    Aquele abraço


    Catarina,
    Entre o Porto e o Benfica as coisas chegaram a um ponto de pura batalha.
    Dentro e fora dos campos.
    Não percebo
    Beijinho


    António,
    O que se passou ontem foi mais um capítulo, mais uma batalha, nessa guerra deplorável que vai sendo travada entre o Porto e o Benfica.

    Desses 2200 espectadores, a grande maioria acredito que estivesse ali para ver um grande jogo de basquete, disputado entre duas grandes equipas.

    Depois há aqueles que vão para estes recintos para armar desacatos, para serem os bárbaros que são.
    Não é possível identificá-los e barrar-lhes a entrada?
    Se houver vontade, claro que é.
    Mas essa vontade não existe.
    Será preciso que aconteça mesmo uma tragédia para que se consiga pacificar estes dois clubes, os seus adeptos?
    Ao que nós chegámos!!!

    Aquele abraço

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  10. E é uma pena, pois antes o FC Porto tinha relações de amizade/proximidade com o Benfica. A Leonor Pinhão até trouxe uma ocasião na sua crónica n'A Bola à baila um artigo publicado nos tempos doutra senhora onde a cidade do Porto se encheu de alegria para ver jogar o Benfica no antigo estádio das Antas contra o FC Porto, com todo o respeito e amizade - o resultado desse jogo foi o que menos importou perante saudável rivalidade típica entre clubes, mas amigos. Porém, com a ascenção do Pinto da Costa que tornou conhecido no futebol o "mestre" (bandido) José Pedroto, o Benfica, que até então era o clube dominador em Portugal, virou ódio de estimação e único e principal rival que tinha que ser abatido, fomentando uma espécie de guerra Norte-Sul... e hoje os resultados disso estão à vista. Enquanto dirigentes incendiários como o Pinto da Costa continuarem no desporto em Portugal de forma completamente impune, as coisas jamais mudarão. É uma cultura de ódio e de terror que há muito está instalada em Portugal como um cancro.

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  11. Pedro
    Tem barbas longas brancas este sentimento que eu me atrevo a chamar de ódio entre eles, não diria própriamente de todos os adeptos mas sim das claques, é vergonhoso, mas principalmente triste existirem violências em desportos.

    Beijinho e uma flor

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  12. Uma tristeza, Pedro E fico-me por aqui, porque acabei de ouvir o LFV a falar. Uma vergonha!

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  13. FireHead,
    Você esquece (desconhece???) que as relações entre Porto e Benfica, até à presidência de Fernando Martins, que se fartou de ganhar ao Porto, foram muito boas.
    Fernando Martins e Pinto da Costa eram amigos pessoais.
    E olhe que essas relações são contemporâneas do Pedroto.
    Já ouviu falar no célebre rapaz alto e louro, não já?
    É dessa época.
    A partir daí é que a coisa descambou.
    E não foi o presidente do Porto que mudou.

    O Pinto da Costa é um escroque.
    Mas está muito bem acompanhado.
    Não é o diabinho e os outros os anjinhos.
    Ele é mais esperto e mais irritante que os outros escroques, nisso estamos de acordo.
    Mas essa é a grande diferença, FireHead.


    Adélia,
    E é um sentimento fomentado.
    Anteontem (???) o Pinto da Costa teve aquele discurso estúpido em Espinho (???).
    Ontem foi a vez do Luís Filipe Vieira.
    Assim não dá.
    Não só não há pacificação, como há incitamento ao ódio, à violência.
    Um nojo!!!
    Beijinho


    Carlos,
    Já ouvi também.
    Não há nada melhor para apagar o incêndio do que atirar óleo para a fogueira, não é?
    Mas, com estes discursos, talvez a malta se esqueça que ele gastou oitenta milhões de euros (!!!!), em dois anos, para ganhar duas Taças da Liga.
    Como dizia a minha avó, quem não os conhecer que os compre.

    Acerca do Carlos Lisboa, e do seu enorme desportivismo, talvez um dia aqui escreva um post relembrando um amigo pessoal que lhe enfiou uma cuspidela e dois bananos na tromba e que jurou que, se o encontrasse na rua, ia limpar a rua com a cara dele.
    E esse meu amigo até era um tipo calmo.

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  14. Como o Pedro diz qualquer dia vai acontecer uma desgraça. Muito mal os idiotas que fizeram aquelas figuras mas é bom não esquecermos o comportamento do Lisboa, sobre o qual já existem uns vídeos a circular.
    Abraço

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    1. O comportamento de Carlos Lisboa foi desagradável, evitável.

      Talvez fosse, no entanto e sem querer justificar coisa nenhuma, de lembrar que Carlos Lisboa sofreu, e muito, há alguns anos, com os ares do norte (desportivamente falando, claro).
      Inclusivé, sofreu uma lesão que o poderia ter afastado precocemente da modalidade, no Pavilhão Rosa Mota, e onde o Sr. Costa 'mandou dizer' que se morresse não se perdia nada.

      Cumprimentos

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  15. Hugo,
    Estes acontecimentos, quando estiverem menos quentes, levaram-me a querer escrever um pequeno post sob essa figurinha que é o Carlos Lisboa.
    Foi um magnífico jogador, era um porcalhão da pior espécie.
    O testemunho é de um bom amigo de juventude contra ele jogou muitas vezes.
    Lá iremos.
    Não há justificação para actos de pura barbárie.
    Mas aquele gajo, sempre com aquele ar de santinho, sempre foi nojento.
    Aquele abraço

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  16. António,
    Acredite no que lhe digo (não estou a justificar nada do que aconteceu no Dragão, porque isso não tem justificação) - o Carlos Lisboa é um porco, um sabujo.
    Foi um jogador excepcional.
    Nunca conheceu o que significa desportivismo.
    Dentro e fora do campo.

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