Pedro e a Ucrânia

Ensina a Bíblia que Pedro negou Cristo três vezes.
E Cristo, na sua infinita misericórdia, perdoou Pedro.
Putin não é misericordioso.
Bem pelo contrário, é vingativo.
E não perdoa o Pedro ucraniano.
O Pedro que declarou a independência da União Soviética em 24 de Agosto de 1991 numa votação massiva no Parlamento; que ratificou essa decisão num referendo em Dezembro de 1991 (1 de Dezembro) no qual 90% dos ucranianos disseram sim à independência; que trinta e cinco anos depois esfrega nas ventas do brutamontes invasor russo essa vontade indominável de ser dono do seu destino mesmo que tenha que sacrificar a vida para atingir esse desejo.
É isto que Putin não consegue perdoar nem esquecer.
Esta rejeição humilhante, o profundo nojo que provoca aos ucranianos.
A retórica propagandista do Kremlin só consegue esconder estas realidades dos ideologicamente cegos e dos mentalmente vesgos.
Putin não perdoa a quem o rejeita.
E age como um predadador, viola quem ousa dizer não.
Ainda que para tal tenha que entregar trinta dinheiros aos Judas dos templos modernos.

Comentários

  1. Eu também não perdoo o facto de Vladimir Putin ter invadido a Ucrânia, por razões diferentes das do Pedro.

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  2. A Ucrânia não foi invadida. A Rússia simplesmente anulou o reconhecimento da independência da Ucrânia que tinha sido dada a 2 de Dezembro de 1991, porque a Ucrânia não cumpriu com aquilo que prometeu na sua declaração de independência, ou seja, que seria um "Estado permanentemente neutro".

    O Pedro Coimbra é jurista, certo? Então sabe que quando nós assinamos um contrato, temos de o cumprir, certo?! A Ucrânia quando declarou a sua independência em Agosto de 1991, deu garantias escritas à Rússia de que seria um "Estado permanentemente neutro" e foi com base nesta garantia de neutralidade permanente,, que a Federação Russa, na altura liderada por Boris Ieltsin, reconheceu a independência da Ucrânia.

    Ora, a Ucrânia quebrou as garantias escritas de neutralidade permanente que tinha dado à Rússia ao querer aderir à NATO e aliar-se à UE. Isto é claro como água. Foi isto que levou à intervenção russa na Ucrânia a partir de 2014, pois os russos passaram a considerar que as condições jurídico-legais criadas em 1991 para dar a independência à Ucrânia, deixaram de existir e como tal podem ser revertidas.

    Qual é a parte aqui que o Pedro Coimbra não entende?... Desculpe dizer-lhe, mas a sua desonestidade intelectual começa a deixar-me estupefacto... ainda para mais quando compara os russos aos nazis, sem ter a mínima noção dos factos históricos comprovados.

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  3. Olhe, Pedro Coimbra, está aqui um texto da própria embaixada ucraniana em Portugal, em que está preto no branco aquilo que os ucranianos garantiram aos russos em 1991:

    https://portugal.mfa.gov.ua/pt/news/38559-25-rokiv-deklaraciji-pro-derzhavnij-suverenitet-ukrajini

    Aí está a "neutralidade permanente" que a Ucrânia garantiu à Rússia e que depois, como vimos, não cumpriu. Portanto, deixem de mentir e enganar as pessoas. Se querem falar da guerra que decorre na Ucrânia, falem a verdade e relatem os factos históricos como eles realmente ocorreram, deixem-se de mentiras. Quem não cumpriu com as promessas dadas em toda esta história foram os ucranianos e os EUA, que sistematicamente, desde 1991, nada mais fizeram a não ser andar a provocar os russos e a alargar sucessivamente a NATO, em violação daquilo que tinha sido prometido aos russos nos início dos anos 1990. Já chega de mentiras por favor.

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  4. Um facto histórico comprovadíssimo é que já morreram milhares de militares e civis nestas guerras sem sentido.

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  5. O Pedro Coimbra continua a não entender as realidades da Geopolítica internacional. Continua a não entender que para existir a paz no Mundo, tem de existir na arquitectura de segurança internacional um equilíbrio entre as superpotências. Esse equilíbrio foi quebrado pelos EUA, que permitiram que a NATO se alargasse até às fronteiras da Rússia, colocando em causa a segurança do Estado Russo. É um princípio estabelecido da geopolítica, que a segurança de uma superpotência, não pode ser obtida à custa da insegurança de outra superpotência. Foi isto que os EUA fizeram ao alargar a NATO. Garantiram a sua segurança, à custa da insegurança da Rússia.

    Não é aceitável que os EUA possam ameaçar a Rússia, cercando a mesma com bases militares na Roménia, Polónia e nos Estados Bálticos e que a Rússia, em contrapartida, não possa ter bases militares no México e no Canadá. Esta situação securitária absolutamente intolerável para os russos, foi o que deu origem à guerra que decorre na Ucrânia.

    Pode continuar a debitar as suas baboseiras, parolices e insultos à vontade, caro Pedro Coimbra, que isso não vai alterar a realidade dos factos, nem a realidade geopolítica, nem a situação militar no terreno. Se gosta ou não dos russos, isso é irrelevante. As análises têm de ser objectivas e ir à raiz das questões e o Pedro Coimbra, desculpe dizer-lhe, está muito longe de ser um analista minimamente objectivo ou capacitado em termos de conhecimentos para escrever sobre este tema.

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