25 de abril de 2017

O 25 de Abril ainda não chegou ao Instituto Cultural de Macau


Comemora-se hoje o 43º aniversário da chamada "revolução dos cravos", o momento que devolveu a liberdade aos portugueses e que permitiu que hoje se viva em democracia e paz social.
Fernando Savater ensina-nos que "do que se trata é de levarmos a sério a liberdade, ou seja, de sermos responsáveis" e que "o que há de sério na liberdade é que ela tem efeitos indubitáveis, que não se podem apagar quando isso nos convém, uma vez que tenham sido produzidos".
Ouvindo ontem a conferência de imprensa do presidente do Instituto Cultural de Macau fiquei com a nítida sensação que o 25 de Abril só em parte entrou naquela instituição.
Livre para dizer o que quer, o presidente do Instituto Cultural mostrou que não sabe fazer uso dessa liberdade.
Simplesmente porque não entende a necessária dimensão de responsabilidade que a mesma implica.
Apontar o dedo ao anterior titular do cargo, já aposentado, responsabilizando-o isoladamente pela existência de problemas de todos conhecidos, é uma atitude irresponsável e inadmissível.
O actual titular do cargo era o número dois de uma equipa que tem que celebrar êxitos e assumir falhas como um todo.
Empurrar responsabilidades para o seu antecessor, pondo-se à margem de um processo polémico quando era o vice-presidente da instituição à época, faz perceber que a mentalidade de quintas e quintais murados (os muros, sempre os muros...) continua a afectar muitos sectores da Administração em Macau.
Bem pode o Chefe do Executivo falar em responsabilização de dirigentes e chefias.
Com exemplos destes a credibilidade do discurso político é muito mais afectada do que por uma série de contratações efectuadas sem que fossem cumpridas todas as formalidades legais.

26 comentários:

  1. Como podem existir bons e credíveis discursos políticos, se os políticos não são eles próprios competentes e credíveis?
    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A conferência de imprensa de ontem parecia surreal, Elvira Carvalho.
      Apontar o dedo ao antecessor quando este nem sequer está presente para se defender das acusações?
      Que coisa feia!
      Um abraço

      Eliminar
  2. Concordo consigo, Pedro.
    Além de deselegante, é uma falta de ética crassa...
    Beijinhos.
    ~~~~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu tive que confirmar hoje, Majo.
      Porque até parecia mentira o que estava a ouvir.
      Será mais um erro de tradução?
      Não era.
      Beijinhos

      Eliminar
  3. O verdadeiro espírito do 25 de Abril também ainda não chegou a Portugal.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nomeadamente nesta vertente da responsabilidade, Teresa.
      Nisso tenho que concordar.

      Eliminar
  4. Eu podia até dizer uma frase bem brejeira, mas contenho-me.
    Liberdade ou liberdades é para mim, para os outros é somente meia liberdade mesmo que eu seja defensor da Liberdade
    Kis ,:=}

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta gente recusa perceber que liberdade e responsabilidade têm que andar de mãos dadas, AvoGi.
      Enquanto assim for vamos assistir a mais episódios tristes como este.
      Bjs

      Eliminar
  5. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    É intrigante um membro de alto cargo da gestão anterior e atual gestor-mor, creditar todas as mazelas que afetam a Instituição ao gestor anterior.
    Arregace as mangas e labore.
    Caloroso abraço. Saudações empenhadas.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira​
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver, sem véus, sem ranços, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois é isso mesmo que se lhe pede, e é para isso mesmo que é muito bem remunerado, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Mas apontar para o lado é sempre muito mais fácil.
      Aquele abraço

      Eliminar
  6. Há uma luz que refulge, sulcando as trevas
    Há um gesto que renasce, fazendo o dia
    Há um canto que se ouve, quase em murmúrio
    Há um despontar de vozes, quase melodia.

    Um abraço, Pedro :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A melodia de ontem estava muito desafinada, AC.

      Bela celebração do 25 de Abril.

      Aquele abraço

      Eliminar
  7. Há locais onde o 25 Abril não chegou, outros onde 'chegou, viu e não gostou'.
    A cada ano que passa sinto-me desiludir.

    Um abraço, Pedro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ainda há muita coisa que foi prometida e que ficou por fazer, António.
      Aquele abraço

      Eliminar
  8. Realmente, que falta de espírito de equipa!!

    Abril, sempre !

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que falta de chá, São.
      E que demonstração eloquente de falta de capacidade para ocupar aquele cargo.

      Eliminar
  9. Só por aí? E por cá? Pois enganem-me que eu gosto...ó se gosto...vai tudo à frente!

    Já agora para muitos a liberdade tornou-se em libertinagem.

    Beijos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Está aqui um bom exemplo, Fatyly - quando não há responsabilidade é libertinagem, não é liberdade.
      Beijos

      Eliminar
  10. Não me surpreende não ter chegado até Macau, se a cada dia me convenço mais que ainda não chegou na totalidade cá.

    Desculpe Pedro, continuo sem tempo para poder acompanhar os blogues.

    Um beijinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não peça desculpa, Adélia.
      Leve o tempo que for preciso.
      Não há pressa.
      Beijinhos

      Eliminar
  11. Oi, agradeço mais uma vez sua visita lá! Te espero ;)

    O Planeta Alternativo

    ResponderEliminar
  12. De facto.... ainda há muito para ser feito no que toca a mudança de mentalidades e de aprendizagem da cidadania...

    Beijinhos de Abril.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nisso acho que estamos todos de acordo, Graça.
      E não é só em Portugal.
      Beijinhos

      Eliminar
  13. Desculpem lá mas o verdadeiro "espírito do 25 de Abril" foi uma "quartelada" para impedir que os oficiais milicianos pudessem ascender com igualdade de direitos e de antiguidades ás promoções em igualdade com os oficiais oriundos da Academia Militar. Este era o verdadeiro espírito! O resto são elocubrações mentais, mais ou menos fantasiosas, com pitadas de marxismo, com arremedos democráticos e muita muita vontade e sede de ir ao pote, (concretamente banquetearem-se na mesa do orçamento do estado, e liberdade para sugar através de impostos e coimas o 3º estado, que trabalha e produz riqueza). Esta é a minha opinião sobre o espírito do dito 25 A. Que o vivi como universitário há 43 anos tendo eu nesse tempo 22

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se procurar aqui pelo blogue irá perceber que o 25 de Abril me traz memórias dolorosas, álvaro silva.
      Nem tudo foram cravos.
      Mas, ainda assim, valeu a pena e não se pode comparar o país que tivemos a partir de então com o panorama cinzento, pobre, atrasado, fechado, que havia anteriormente.

      Eliminar