21 de janeiro de 2014

Coisas que vamos ver desaparecer



Hoje vou mostrar-vos  9 coisas que irão ver desaparecer das nossas vidas

1. O Correio

Vai-te preparando para viver um mundo sem Correios. Eles estão a decair tanto com problemas financeiros que provavelmente não há maneira de os aguentar por muitos mais anos. O e-mail, FedEx, Facebook e SMS, têm praticamente dizimado as cartas, que é como quem diz a receita mínima necessária para manter os Correios a funcionar. O pouco do que ainda recebemos pelo correio, todos os dias, não passa de ”lixo” e contas.

2. O cheque

A União Europeia já está a preparar o terreno para acabar com o cheque até 2018. O processamento de cheques custa bilhões de euros por ano ao sistema bancário. Cartões de plástico e transacções on-line, ou pelo telefone, vão levar à eventual extinção do cheque. Isto tem ligação directa para a morte dos Correios. Se ninguém nunca pagar as suas contas pelo correio e nunca receber as pensões pelo correio, os Correios ficam em absoluto fora do negócio.

3. O jornal

A geração mais jovem simplesmente não lê o jornal. Eles certamente não se deslocarão a um quiosque para procurar um jornal impresso. Foi o que já aconteceu com o leiteiro e o padeiro. Quanto ao ler o jornal on-line, preparem-se para ter de pagar por isso. O aumento dos dispositivos móveis com Internet e e-readers, tem motivado todos os jornais e editoras de revistas para criar alianças. Eles reuniram-se com a Apple, Amazon, e outras grandes empresas de telefonia móvel para desenvolver um modelo de serviços de assinatura paga.

4. O livro

Vocês podem dizer que nunca vão desistir do livro físico, que seguramos na mão enquanto lemos e vamos virando as páginas. Eu disse a mesma coisa sobre o download de música do iTunes. Eu queria que o meu CD tivesse cópia impressa. Mas eu rapidamente mudei de ideias quando descobri que poderia obter os álbuns pela metade do preço, sem sair de casa, para conseguir os últimos êxitos. A mesma coisa está a acontecer com os livros. Hoje já podemos navegar nas livrarias on-line, e até mesmo ler um capítulo pré-visualizado antes de comprar. E o preço é menos da metade do de um livro em papel. É só pensar na conveniência! Assim que começares a passar os dedos pelo ecrã, em vez do livro, vais entrar na história como se fizesses parte dela, e a desejar mais ver o que acontecerá a seguir, esquecendo logo de que estás a segurar um gadget em vez de um livro.

5. O telefone fixo

Já hoje não precisamos do telefone fixo. A maioria das pessoas ainda o mantém simplesmente porque sempre o tiveram. Até a própria Telecom aproveita a linha do telefone mais para serviços, como o da televisão, do que para o telefone. Inclusivamente todas as empresas de telemóveis oferecem serviço fixo gratuito porque ele já é inexpressivo.

6. A Música

Esta é uma das partes mais tristes da história da mudança. A indústria discográfica está a definhar de morte lenta. E não é só por causa de downloads ilegais. É a falta de oportunidade para a nova música inovadora chegar às pessoas que gostariam de ouvi-la. A ganância e a corrupção é que é o problema. As gravadoras e os conglomerados de rádio estão simplesmente a autodestruir-se. Mais de 40% das músicas compradas hoje são "Anexos dos Catálogos", o que significa música tradicional, com a qual o público está familiarizado. Os artistas mais antigos e consagrados. Isto também é verdade no circuito de concertos ao vivo.

7. A Televisão

As receitas dos canais televisivos têm caído drasticamente. Não apenas por causa da crise. As pessoas estão a preferir assistir a televisão e filmes a partir dos seus computadores. E, ao mesmo tempo, elas jogam e fazendo muitas outras coisas, que ocupam o tempo que costumava ser gasto assistindo a ver televisão. Programas do horário nobre descambam abaixo do menor denominador comum. A publicidade roda a cada 4 minutos e 30 segundos. Eu digo boa viagem para a maior parte de tudo isso. Está na hora das empresas do cabo serem postas de fora da nossa miséria. Deixem as pessoas escolher o que querem assistir on-line através do Netflix.

8. As coisas que hoje usamos

Muitos dos bens que usamos e possuímos já não poderemos realmente possui-los no futuro. Eles podem simplesmente ficar na "nuvem ". Hoje os nossos computadores ainda têm um disco rígido, onde guardamos as nossas fotos, músicas, filmes e documentos. O software está num CD ou DVD, sempre podemos reinstalá-lo, se for necessário. Mas tudo isso está a mudar. Os serviços de internet oferecem "serviços em nuvem" gratuitos. Isso significa que assim que ligamos o computador, a Internet é incorporada ao sistema operativo. Assim, se clicar num ícone, ele vai abrir algo na Internet. Se guardar alguma coisa, ela será salva na nuvem. Neste mundo virtual, podemos aceder à nossa música, ou aos nossos livros, ou qualquer coisa do género, a partir de qualquer computador portátil ou dispositivo movel. Não é porque as coisas estejam mais seguras, mas porque essa é a realidade do futuro.

9. A nossa privacidade

Se já houve um conceito, com que podemos olhar para trás com nostalgia, é o da privacidade. Isso já acabou. Ela foi-se já há muito tempo, de qualquer maneira. Vivemos a era do "big-brother". Há câmaras nas ruas, na maior parte dos edifícios, e até mesmo no nosso computador e telemóvel. E vocês podem ter certeza que funcionam 24 horas por dia, 7 dias na semana, "Eles" sabem quem és e onde estás, até as coordenadas GPS, e o Google Street View. Se comprarem alguma coisa, isso é colocado num trilhão de perfis, e passam a receber anúncios reflectido essa escolha. Neste momento é possível conferir todos os teus passos, desde que te levantas até que te deitas, documentando-os em filmes ou fotografias.


P.S. Beijinho especial à Janita.

17 comentários:

  1. Eu passo muito bem sem o que está em vias de extinção, escepto na privacidade. Um segredo para manter alguma , é ir alterando o nome e código de uma conta, semanal ou mensalmente.

    ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ BEIJINHO MUITO ESPECIAL PARA A JANITA ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

    ~ Um bom dia para ti, J. Pedro. ~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O pior é que essa (privacidade) está a desaparecer todos os dias à frentes dos nossos olhos, Majo.
      Beijinho

      Eliminar
  2. Primeiro foi pensando na nossa segurança mas agora...

    ResponderEliminar
  3. Pedro,
    não concordo com nenhuma das hipóteses aventadas, porque, simplesmente, há coisas que não tem como desaparecer!

    Aquele abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pessoalmente, posso dizer que há aqui coisas que fazem, e farão, parte da minha vida, Ricardo.
      Livros, jornais, televisão, por exemplo.
      Ver televisão no computador?
      No, thank you!
      Jornais na Net?
      Leio, mas não dispenso, diariamente, os jornais em papel.
      Livros online.
      Good God, no!
      Aquele abraço

      Eliminar
  4. Só posso falar em relação à indústria fonográfica e/ou discográfica. Se estão a desaparecer, a culpa é deles próprios devidos aos preços escandalosos com nos têm brindado desde há várias décadas atrás. Os artistas sempre ganharam o mínimo dos mínimos com a venda dos discos. Já investi imenso no suporte físico. Tenho cerca de 500 discos de vinil e mais de 2000 cds originais. Já dei muito dinheiro a ganhar às editoras. Claro que eu preferia mil vezes o produto original. Compra-lo-ia se tivesse um preço justo para o consumidor. Mas acho que os gajos ainda não aprenderam a lição. Por isso continuarei os meus down que nada têm de ilegais. Tratam-se antes de partilhas de baixa qualidade (em mp3) que servem unicamente o propósito de dar a conhecer coisas que muita gente nem sequer ouviu falar. As editoras até deviam agradecer estas promoções. Já não seria a primeira vez que eu compraria um cd depois de ter apreciado devidamente o download "ilegal". Não há nada como ter o produto genuíno. Mas chega de considerações. Penso que o meu amigo entendeu-me muito bem.
    Aquele abraço!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Luciano,
      Esse é um dos suportes que não tenho qualquer dúvida que irá desaparecer.
      E que, francamente, não me faz grande falta.
      Aquele abraço!

      Eliminar
  5. Tudo é renovável meu amigo...onde pára a velha máquina de escrever? etc, etc.

    No que toca a livros e música e jornais...pois numa altura destas o factor preço é o que agrava tudo. On-line leio muito, mas jornais não. Comprava a Visão e o Expresso e agora nem um e lamento, mas lamento mesmo e já não compro livros há anos, assim como músicas. Os que tenho é porque me oferecem.

    Enfim...mudam-se os tempos...mudam-se as vontades, mas agora sou mesmo obrigada a prescindir de muita coisa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foi a prenda de Natal que a minha mulher me ofereceu, Fatyly - livros, Murakami (1Q84) para ser exacto.
      Não me estou a ver a ler um livro em suporte informático, francamente não estou.

      Eliminar
    2. Eu também não Pedro, prefiro livros, papel, desfolhar e o Pai Natal também me deu livros:) do meu autor preferido: Nicholas Sparks:)

      Mas um amigo que lançou dois de sua autoria, também teve a gentiza de me oferecer...que bom.

      Eliminar
  6. Não acredito, pelo menos nos tempos mais próximos, do fim do livro em suporte papel.
    A questão da privacidade é a que se me afigura mais grave. Trás tantas implicações, e a tantos níveis, que é assustadora.

    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nunca li um livro em suporte informático, GL.
      E, repito, acho difícil que o venha a fazer
      E o ritual de ir à livraria, escolher os livros, andar por ali?
      Prescindir disso?
      Não creio.
      Abraço

      Eliminar
  7. É a evolução! Com os seus prós e contras.

    Sabemos tudo isto e ainda nos escandalizamos com a subida do números do desemprego...

    O que me preocupa mais é a falta de privacidade, já lá vai o tempo em que sorria quando lia a frase "Sorria, está a ser filmado"...hoje já não me dá tanta vontade de sorrir...digo tantas vezes que seria incapaz de participar num BB, sem querer e sem ter sido convidada, participo num enorme BB, bem pior que aquele que as tv's mostram, mas pior que isso é que não ganho nada com esta "participação" :(

    Beijinho :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O diálogo que estamos agora a ter pode perfeitamente estar a ser monitorizado, vigiado, maria
      E isso é assustador e revoltante.
      Beijinho

      Eliminar
  8. Caro Amigo Pedro Coimbra!
    Na minha já bem distante adolescência, quando li o imperdível livro "Nineteen Eighty-Four", aqui intitulado"1984" da lavra do nobilíssimo escritor George Orwell (1903-1950), fiquei sem chão ao ficar aterrado com a possibilidade de ser monitorado o tempo todo e viver numa sociedade onde a privacidade é letra morta.
    Para minha grande exasperação constato, que na contemporaneidade o "grande irmão" é um fato.
    Também fico cá a divagar: será que tornar-me-ei um leitor virtual de livros e jornais?
    Valha-me Padroeira dos desvalidos e aturdidos leitores de jornais e livros impressos!!!!!!!!!!
    Caloroso abraço! Saudações leitoras/papelistas!
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo João paulo de Oliveira,
      Insisto, não me estou a ver a abandonar os suportes em papel de livros e jornais.
      Grande abraço!

      Eliminar