Torcer a Constituição


A Constituição da República Portuguesa prevê que os juízes do Tribunal Constitucional sejam escolhidos pela Assembleia da República (10) e cooptados pelos juízes designados (3).
Os juízes escolhidos pela Assembleia da República serão os nomes resultantes de uma maioria de dois terços dos deputados. 
A intenção do legislador constitucional não podia ser mais óbvia e transparente - procurar entendimentos alargados entre as forças políticas representadas no Parlamento, resultantes do voto popular, o que teoricamente resultaria na busca de nomes consensuais, normalmente figuras públicas de grande destaque e amplo reconhecimento e capacidade. 
Esta era a teoria.
A prática (law in the books and law in action) foi durante anos um jogo de troca de nomeações entre o chamado “centrão” e nada mais que isso.
Até aparecer uma variável chamada Chega.
O longo impasse a que se assiste na nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional, assim como na nomeação de titulares para outros órgãos regulatórios, tem tudo a ver com o fenómeno Chega. 
O Partido que, legitimamente, goste-se ou não, também quer ter direito à fatia do bolo proporcional aos votos que conseguiu nas urnas. 
E assim o que antes era dividido por dois passa agora a ter que ser dividido por três. 
Matematicamente simples, politicamente é uma operação muito complicada como temos vindo a testemunhar.

Comentários

  1. Será que os juízes deviam ser escolhidos pelo poder partidário...
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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    1. Essa já é outra questão, Isa Sá.
      Os juízes do Tribunal Constitucional não são necessariamente juízes de carreira.
      Enquanto não houver alteração constitucional este é o método.

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    2. Então, a alteração constitucional era uma excelente ideia.

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    3. E como é que se consegue, Teresa??

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  2. Concordo contigo!
    Beijos e um bom dia!

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  3. Tem que se "normalizar" o Chega. Quer se goste ou não eles estão lá com o voto do povo. O grande problema talvez esteja neste partido se querer "normalizar". Eles sabem que o serem radicais é que lhes dá votos. Não estou a ver este partido a indicar um nome que seja consensual. Até porque um juiz de com reputação e prestigio não vai querer o seu nome ligado ao Chega. Talvez seja este um assunto para vermos a capacidade do novo Presidente da Republica para por ordem na casa.
    Um abraço.
    https://rabiscosdestorias.blogspot.com

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    1. O Chega tem o direito de indicar quem quiser.
      Expor o Chega, nas suas fragilidades e contradições, é a melhor forma de o combater.
      Desprezar os votos que recebeu já vai fazer o partido crescer.
      Ainda não aprendemos isso??
      Um abraço

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  4. Preconceitos, nada mais do que preconceitos por parte de quem diz não os ter. O CHEGA tem direitos inerentes aos que o povo lhe deu nas urnas.
    Compreendi bem o seu posto de vista, Pedro e não é de si que falo...
    Beijinhos

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    1. Temos que respeitar o voto popular.
      Mesmo quando não gostamos.
      É isso o tal jogo democrático.
      Beijinhos

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  5. Por que não seguir o caminho até então seguido?
    Um abraço.

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    1. Porque agora é mais um partido.
      E há um PS a exigir uma representação que não tem correspondência com os votos recebidos e a representação parlamentar.
      Um abraço

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  6. Uma situação que deve ser resolvida com brevidade.

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  7. Thanks dear Pedro for letting me know that it’s not just my country where constitution has been twisted over the years but it happens everywhere,where politicians intend to gain power
    Sad situation

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  8. Boa tarde Pedro. Obrigado pela sua escolha no Blogger. Confesso, que não sou muito bom, em Constituição de outro país. Desejo uma excelente, tarde de terça-feira. Grande abraço do seu amigo brasileiro.

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  9. Finalmente, uma posta sensata e razoável com a qual posso concordar!

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