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6 de fevereiro de 2018

Praça de Touros, denominada Coliseu de Coimbra


Praça de Touros, denominada Coliseu de Coimbra, obra datada de 1925. 
Nela se realizavam corridas de touros (era a maior praça do país), espectáculos musicais e sessões de cinema. 
A última corrida de touros teve lugar a 17 de Julho de 1934, porque, no ano seguinte, a 4 de Abril, um fogo destruiu-a totalmente (sobraram a cabina de projecção e o projector). 
Foi nesse lugar que foi erguido, depois disso, o Portugal dos Pequenitos.

24 de junho de 2013

Amantes à distância


Ao contrário do que é habitual, hoje não haverá anedotas aqui no blogue.
Por causa desta notícia e porque hoje é o dia de aniversário da minha mãe.
Fica então a minha homenagem à cidade.
Uma homenagem que é, em simultâneo, uma prenda de aniversário para a minha mãe.

Deste-me a vida e o nome.
E jurámos amor eterno.
Como acontece com todos os amantes, vivemos momentos de intenso romance, passámos incólumes por pequenos arrufos, acaloradas discussões, enormes desavenças.
Porque a paixão, forte, funda, foi sempre vencendo.
Até ao dia da inevitável separação.
Abandonei-te, mas nunca te traí.
Somos agora amantes à distância.
E ainda que os reencontros sejam breves, fugazes, são sempre intensos, plenos de emoção.
Outros, agora, conhecem e reconhecem em ti os encantos que há muito eu te conhecia e reconhecia.
Confesso-te que me confronto com um sentimento algo estranho, bizarro até - um ciúme orgulhoso.
Por favor, permanece o que sempre foste - bela, orgulhosa, boémia.
Sem nunca cederes à tentação fácil da vulgaridade.
Mantenho a minha jura de amor eterno.
Ainda que seja a jura de um amante à distância.

BOA SEMANA!!

7 de fevereiro de 2013

Auto do Relvas


Adaptação do «Auto da Barca do Inferno», de Gil Vicente, feita por Gonçalo, Carolina e Filipe, alunos de 14 anos de idade da Escola EB23 Dra. Maria Alice Gouveia, de Coimbra, numa aula de Português, que teve direito a publicação na biblioteca digital da escola e que merece ser partilhada:



Vem Miguel Relvas conduzindo aos zigue zagues o seu Mercedes banhado a ouro e sai do carro com o seu diploma na mão. Chegando ao batel infernal, diz:

RELVAS -  Hou da barca!
DIABO - Ó poderoso Doutor Relvas, que forma é essa de conduzir?
RELVAS - Tirei a carta de scooter e deram-me equivalência. Esta barca onde vai hora?
DIABO - Pera um sítio onde não hai contribuintes para roubar!
RELVAS - Pois olha, não sei do que falais. Quantas aulas eu ouvi, nom me hão elas de prestar.
DIABO - Ha Ha Ha. Oh estudioso sandeu, achas-te digno de um diploma comprado nos chineses ao fim de três aulas?
RELVAS - Um senhor de tal marca não há de merecer este diploma!
DIABO - Senhores doutores como tu, tenho eu cá muitos.

Miguel Relvas, indignado com a conversa, dirige-se ao batel divinal.

RELVAS -  Oh meu santo salvador, que barca tão bela, porque nom eu dir eu nela?
ANJO -  Esta barca pertence ao Céu, nom a irás privatizar!
RELVAS -  Tanto eu estudei, que nesta barca eu entrarei.
ANJO -  Tu aqui não entrarás, contribuintes cortaste, dinheiro roubaste e um curso mal tiraste.

Relvas, sem alternativa, volta à barca do Diabo.

RELVAS -  Pois vejo que não tenho alternativa. Nesta barca eu irei.Tanto roubei, tanto cortei, não cuidei que para o inferno fosse.
DIABO - Bem vindo ao teu lar, muitos da tua laia já cá tenho e muitos mais virão. Entra, entra, ó poderoso senhor doutor magistrado Relvas. Pegarás num remo e remarás com a força e vontade com que roubaste aos que afincadamente trabalharam.

Gonçalo, Filipe e Carolina
Turma 9º D
Escola EB23 Dra. Maria Alice Gouveia
Coimbra

19 de dezembro de 2011

Coimbra - 100 anos de tracção eléctrica e o meu avô Sá

Já anteriormente aqui tinha referido o meu avô Sá.
Está aqui novamente, por volta dos cinco minutos do vídeo (5.24 min), de óculos escuros, dentro do eléctrico que conduziu toda a vida.

8 de maio de 2010

O Café da minha juventude

O desafio que o Carlos lança no seu Crónicas do Rochedo (vão lá visitar que vale a pena!) é um desafio muito curioso, uma ideia feliz.
Escrever um pouco sobre o "nosso" Café.
Toda a gente teve o "seu" Café.
São até famosas algumas tertúlias que geraram e se cimentaram à volta de um Café.
O "meu" Café é o Nicola, situado na Rua Ferreira Borges, em Coimbra.
Recordo-me que entrei lá pela primeira vez, teria então 15 anos, na companhia de dois amigos, um dos quais precocemente falecido num estúpido acidente de viação.
O Nicola era então um espaço algo conceituado, até exclusivo, na Baixa de Coimbra.
Como em todas as situações, à primeira vez estamos um pouco nervosos.
Mas o ambiente agradou.
O espaço, no primeiro andar, embora fosse pequeno, era atractivo e o grupo de habituais frequentadores era gente bem disposta.
Comecei a frequentar o Café com assiduidade, tal como outros amigos.
E os amigos traziam mais amigos e amigas.
Sem nos apercebermos, a ida ao Nicola passou a ser praticamente obrigatória.
Era ali que a malta se encontrava.
Na época, a Rua Ferreira Boges ainda estava aberta ao trânsito, e não havia a esplanada que agora se vê na foto.
Como tal, quando não havia vontade de consumir, ou dinheiro!, ficávamos muitas vezes ali encostados à porta, a conversar, a "cuscar", a passar tempo entre amigos.
O hábito da ida diária ao Nicola já estava enraizado.
Mais jovens, depois das aulas no liceu, durante a semana; antes de ir para a discoteca ou para os pubs, ao fim-de-semana.
Já na Faculdade, normalmente depois das aulas.
Mas, algumas vezes, antes de subir o Quebra-Costas, nem que fosse para ver o Gastão beber 3 cervejas às oito da manhã (não sei o que é feito do Gastão e do fígado dele!).
Ficaram ali gravadas amizades que preservo e que sei que vou preservar para o resto da vida.
Mais, entre as amizades que ali se criaram e desenvolveram, algumas deram em paixão, as paixões em uniões, e as uniões em garotada, alguma já crescidinha, provavelmente já com o "seu Nicola" para contar.
Estou a viver em Macau há quase 15 anos.
Quando vou a Portugal, a Coimbra, lá passo pelo Nicola.
E estou, o mais possível, com a "malta do Nicola".
O que é mais curioso é que não havia nada que, objectivamente, pudesse atrair no Nicola.
O café até era mauzinho, a pastelaria não era nada de especial.
O espaço não tinha a beleza, a história e a tradição de uma Brasileira, do Nicola de Lisboa, do Majestic do Porto, não tinha a pastelaria da Pastelaria Suíca.
Quantas vezes não fomos comer e beber noutros locais!
Mas voltávamos sempre ao Nicola, ao aconchego que só o Nicola proporcionava.
Porque não era de bolos e café que se tratava.
Era de grandes amigos, de grandes amizades.
E esses estavam todos no Nicola.
Abreijos à malta do Nicola.