O Carlos lançou o desafio.
E eu respondo - presente!
Estávamos em 1996.
Mais ou menos um ano depois de ter chegado a Macau.
Na bagagem trazia alguns projectos, alguns sonhos, muita expectativa.
Apaixonar-me não era coisa que, nem remotamente, me passasse pela cabeça.
Tudo começou inocentemente.
Dois colegas de trabalho, amigos, que foram um dia almoçar juntos.
Não foi o repasto que foi propriamente agradável.
Foi a companhia, a conversa, a sensação de bem estar.
E os almoços repetiram-se.
Brevemente, e novamente de forma natural, prolongaram-se para lanches, jantares, saídas ao fim-de-semana.
E o sentimento que havia ali algo mais que simples amizade, que simples atracção, começou a instalar-se.
Ao mesmo tempo, o receio que um movimento precipitado, em falso, pudesse deitar tudo a perder.
Valia a pena correr o risco.
Mas com cautelas.
E esse risco tinha que obedecer a um sinal simultaneamente claro e subtil.
Imediatamente se instalou a ideia - Francis Ford Coppola, Tom Waits e Crystal Gayle.
O filme e a banda sonora - One From The Heart.
A mesma que, ainda hoje, 17 anos depois, nos acompanha.
Oh baby, this one's from the heart!
