1 de novembro de 2017

Já “pleonasmaste” hoje?


Todos os portugueses (ou quase todos) sofrem de “pleonasmite”, uma doença congénita para a qual não se conhecem nem vacinas nem antibióticos. 
Não tem cura, mas também não mata. 
Mas, quando não é controlada, chateia (e bastante) quem convive com o paciente.
O sintoma desta doença é a verbalização de pleonasmos (ou redundâncias) que, com o objectivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido quase sempre patético.
Definição confusa?
 Aqui vão quatro exemplos óbvios: 
“Subir para cima”,“descer para baixo”, “entrar para dentro” e “sair para fora”.
Já se reconhece como paciente de pleonasmite? 
Ou ainda está em fase de negação? 
Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se aperceber que pleonasma a toda a hora.
Vai dizer-me que nunca “recordou o passado”? 
Ou que nunca está atento aos“pequenos detalhes”? 
E que nunca partiu uma laranja em“metades iguais”? 
Ou que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?
Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal”. 
Baseio-me em“factos reais” para lhe dar este “aviso prévio”de que esta “doença má” atinge “todos sem excepção”.
O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. 
Na rua, há lojas que o aliciam com“ofertas gratuitas”. 
E agências de viagens que anunciam férias em “cidades do mundo”. 
No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um “acabamento final” naquele projecto. 
Tudo para evitar “surpresas inesperadas” por parte do cliente. E quando tem uma discussão mais acesa com a sua cara metade, diga lá que às vezes não tem vontade de “gritar alto”: “Cala a boca!”?
O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que “estreia pela primeira vez” em Portugal.
E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite, tenho más notícias para si. 
Porque a televisão é, de “certeza absoluta”, a“principal protagonista”da propagação deste vírus.
Logo à noite, experimente ligar o telejornal e “verá com os seus próprios olhos” a pleonasmite em directo no pequeno ecrã. 
Um jornalista vai dizer que a floresta “arde em chamas”
Um treinador de futebol queixar-se-á dos “elos de ligação” entre a defesa e o ataque.
 Um “governante”dirá que gere bem o “erário público”
Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais entre dois países”. 
E um qualquer “político da nação”vai pedir um “consenso geral” para sairmos juntos desta crise.
E por falar em crise!
 Quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma “multidão de pessoas”?
Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores desconfortáveis” nem“hemorragias de sangue”.
 E por isso podemos“viver a vida” com um “sorriso nos lábios”. Porque um Português a pleonasmar, está nas suas sete quintas. Ou, em termos mais técnicos, no seu “habitat natural”.
Mas como lhe disse no início, o descontrolo da pleonasmite pode ser chato para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. 
Os outros podem vê-lo como um redundante que só diz banalidades. 
Por isso, tente cortar aqui e ali um e outro pleonasmo. 
Vai ver que não custa nada. 
E “já agora” siga o meu conselho:
 não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a pleonasmite!
Ou então esqueça este texto. 
Porque afinal de contas eu posso estar só“maluco da cabeça”.

Autor desconhecido
(O remetente é bem conhecido e chama-se Ferreira)

54 comentários:

  1. Agora fiquei boquiaberta, nunca pensei que se usassem tantos pleonasmos! :)
    Saí daqui com um "sorriso nos lábios! ;)

    Beijos Pedro

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    1. Aí espalhadas pelo blogue haverá outras duas mensagens com o mesmo tema mas algumas pequenas diferenças na abordagem, Manu.
      Na minha opinião pessoal perfeitas surpresas inesperadas :)))
      Beijos

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  2. Está fantástico, especialmente o texto que acompanha os pleonasmos ! :)
    Já conhecia em forma de listagem, mas assim enquadrados em texto, não, o que lhes confere uma piada muito especial !
    E de facto, é incrível como nós alinhamos nestas coisas, na maior parte das vezes sem nos apercebermos !!!

    Abraço :)

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    1. Anda aí pelo blogue um vídeo oriundo do Brasil acerca das tautologias, Rui.
      Do acabamento final, do há dez anos atrás e outras pérolas do género :)))
      Aquele abraço

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  3. Pois infelizmente esta doença atinge muita gente e parece-me que também estou a ficar contaminado.
    Um bom mês de Novembro.

    Andarilhar
    Dedais de Francisco e Idalisa
    Livros-Autografados

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    1. Ainda não há vacina conhecida, Francisco :))
      Um excelente mês de Novembro para si e família também

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  4. Infelizmente sou um desses portugueses que sofrem deste mal, mas espero curar-me.

    Um abraço.
    Autógrafos Futebol

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    1. Quem estiver imune que atire a primeira pedra.
      Não vou ser eu :)))
      Aquele abraço

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  5. "Agora sim" já se percebe o "mui bem parlar" portugues.
    Abraço
    Kique
    https://caminhos-percorridos2017.blogspot.pt

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  6. Quem nunca pleonasmou redundantemente, que atire a primeira pedra!! Eu não atiro nem um seixinho da praia!

    :))

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    1. Citando o vídeo que refiro acerca das tautologias, assim não é nada difícil conviver junto com você, Janita :)))

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  7. O pleonasmo tornou-se uma coisa viral.
    Sem dar por isso, todos nós o utilizamos, mais dia menos dia.

    Um abraço

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    1. Sem excepção, António.
      Este é mesmo um mal geral que afecta todos :))))
      Aquele abraço

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  8. O pleonasmo tornou-se parte do vocabulário corrente... acontece aos melhores, Pedro!

    Um abraço

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  9. Boas
    começo a gostar desse Ferreira !!!
    JAFR

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    1. O FerreirAmigo é um must, Joaquim Rosario.
      Gajo do caraças!!

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  10. Quanto à pergunta, "certeza absoluta", sim, poderia ser relativa, que hoje ainda não disse ou escrevi nenhum pleonasmo, porque me levantei tarde (bem, talvez a sonhar), e não falei, até agora, com ninguém, todavia padeço dessa "maleita", também, embora, não de forma aguda, enfim, "prefiro antes" pensar assim, mas tenho
    episódios recorrentes, mas "imediatamente a seguir", costumo dar por eles, o que pode significar que não estou ainda "maluca da cabeça", mas posso estar maluca de outro órgão qualquer.

    Parabéns ao Henrique, que voltou em alta e espero que assim se mantenha, porque o polo sul não tem lá grande interesse.

    Beijos para ambos.

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    1. Convenhamos que isto sem o FerreirAmigo não tem a mesma piada, CÉU
      Beijos

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  11. Um texto interessante e alegre. Tambem uso alguns pleonasmos, mas nao tantos como o texto. :)

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    1. Usamos todos, Sami.
      Uns mais, outros menos, mas acabamos todos por usar.

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  12. Alguns já são tão banais que nem damos conta.
    Cada vez gosto mais de frases curtas...
    Bjs

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  13. Muitas pessoas se encaixam neste texto!

    Beijinho Pedro.

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    1. Muitas mesmo, Adélia.
      Mesmo que disso não se apercebam.
      Beijinhos

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  14. Já conhecia e quando oiço entrevistas sobretudo de rua...por vezes dá dó os pontapés no português:)))

    Beijocas e finalmente chove muito neste Portugal tão queimado

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    1. Estive há pouco a falar com os meus pais e eles disseram-me que estava a chover imenso, Fatyly.
      Beijocas

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  15. Também uso alguns, "Já agora", por exemplo, ahahaha, mas de facto ouvem-se muitos que seriam inevitáveis.
    Está muito bom, este pleonasmite.
    Lendo a pergunta que fez à Fatyly, aqui pelo norte, durante a manhã e até às 13h, choveu bem.
    Agora, parou.
    Beijinho

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    1. O já agora deve ser dos mais utilizados, Maria Araújo.
      Beijinhos

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  16. Aponta com humor aquilo que é realmente muito frequente e a que ninguém escapa...


    rrsssssss

    Semana feliz !

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    1. Este é mesmo um mal geral, São :)))
      Final de semana feliz

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  17. É uma doença incurável.
    Mas que não mata... Do mal o menos...
    Continuação de boa semana, caro Pedro.
    Abraço.

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    1. Um mal que não tem grandes repercussões, Jaime Portela :))
      Aquele abraço

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  18. mas é tão giro de reforçar a ideia com a mesma coisa, tipo bis, bis!a conclusão final disto tudo é que repetimos de novo, sem planos para o futuro !!!
    já chove Pedro :)
    Angela

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    1. Chover no molhado, Angela :)))
      Os meus pais tinham-me dito que já chovia por aí.

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  19. Por vezes sai-nos cada pleonasmo!
    Eu por vezes sou assim, uma pateta.
    :)

    Beijinhos

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  20. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Aqui também padecemos dos perniciosos efeitos do pleonasmo, como por exemplo:
    - Se é uma surpresa, logo, será inesperada.
    Max...
    Caloroso abraço. Saudações antipleonasmos.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver, sem véus, sem ranços, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

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    1. Esse é dos mais idiotas, Amigo João Paulo de Oliveira :))
      Aquele abraço

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  21. Usamos mesmo muitos pleonasmos e alguns bastante absurdos.
    O " há uns anos atrás " está a ser uma praga!

    Boa coleção de pleonasmos!

    :)

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  22. E EU A PENSAE QUE NÃO PLEONASVA...
    AI NÃO !...

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    1. Na minha opinião pessoal foi o acabamento final dessa opinião, João Menéres :)))

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  23. Já conhecia, mas é sempre bom relembrar.
    Abraço

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    1. Há várias versões, Elvira Carvalho.
      Esta é a terceira que aqui publico.
      Um abraço

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  24. Respostas
    1. Como respondi à Elvira Carvalho, esta é a terceira versão que aqui partilho, Carlos.
      Há várias.

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  25. Bestial, Pedro.

    Votos de excelente semana para si e suas princesas, meu caro.

    Aquele abraço.

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    1. Aquele abraço, votos de excelente semana para si e as mais que tudo, Ricardo.

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  26. até gosto de alguns pleonasmos, penso que dão mais força à frases, assim por exemplo descendo-se para baixo desce-se muito mais :)

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  27. Quando finalizo um texto, ando sempre 'à cata' dos pleonasmos, porque de facto, abundam na linguagem oral.
    Beijinhos para si e Henrique.
    ~~~~

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    1. Um pleonasmo aqui, outro acolá, acontece a todos, Majo.
      Beijinhos

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