12 de setembro de 2017

E quando se pensava que Hong Kong tinha batido no fundo...


Quando se pensava que Hong Kong tinha batido no fundo somos confrontados com um gesto tão vil, tão torpe, que nos deixa boquiabertos.
Felicitar uma mãe porque o seu filho adolescente faleceu na sequência da queda de um prédio (a hipótese suicídio, avançada algo precipitadamente, está ainda a ser investigada) é humanamente inqualificável.
Dois jovens, filmados pelas câmaras do circuito interno da Universidade, deixaram essa mensagem nas paredes da chamada Democracy Wall da Education University of Hong Kong. 
Dois jovens que, como muitos outros, confundem liberdade de expressão com ofensa gratuita, desumana, reles. 
Irritados com a implementação do programa de educação patriótica em Hong Kong, incapazes de perceber que, por muito que berrem, Hong Kong faz e fará parte da China, que o segundo sistema permite um grande conjunto de direitos, liberdades e garantias, mas que exige também responsabilidade da parte de quem usufrui desses direitos, uma série de mentecaptos elege como alvo da sua fúria as entidades oficiais de Hong Kong. 
As quais, na perspectiva destes imbecis, se deviam opor às directivas que emanam do País e que têm que ser implementadas no segundo sistema. 
Confesso que não consigo antever o futuro em Hong Kong de tão tenso que está o ambiente naquela Região Administrativa Especial. 
Se o bom senso, há muito afastado do relacionamento entre Pequim e Hong Kong, não for rapidamente reposto, o que a actual Chefe do Executivo de Hong Kong elegia como prioridade do seu mandato (apaziguamento da tensão social em Hong Kong) corre o sério risco de se ver frustrado ainda antes de ser sequer tentado.

15 comentários:

  1. Nem que estivessem totalmente bêbados seria desculpável !

    Abraço lusitano.

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    1. Só depois de ter publicado isto soube através de pessoa amiga que, em retaliação, apareceram felicitação semelhantes acerca da morte de Liu Xiaobo, João Menéres.
      É assim que está Hong Kong.
      Aquele abraço

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  2. Temos muitos portugueses que emigraram, que dizem que é uma lugar de futuro, e pelo que vejo não está fácil as relações Hong Kong e China.
    Penso que estamos a viver, em todo o lado, numa sociedade incrédula, impaciente, intolerante.

    Pedro, presumo que vai viajar ainda está semana.
    O tempo por cá, se for para norte, tem estado fresco, nublado, mas sem chuva.
    Venha prevenido.
    Espero que tenha um excelente viagem.
    Beijinho

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    1. Vou viajar no final da semana.
      Mas ainda bem que me avisa, Maria Araújo.
      Vou preparado porque não estou para apanhar frio e alguma gripe por causa disso.
      Beijinhos

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  3. Há situações que nos deixam sem palavras ou ... com vontade de dizer palavrões.
    Abraço, Pedro.

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    1. Mais de dizer palavrões, António.
      Aquele abraço

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    1. Agradeço mas só vou a Coimbra, João Menéres.
      E em correria (uma semana).
      Se não houver tufão....
      Aquele abraço

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  5. Lamento muito.
    A China não é incapaz de manter regiões autónomas
    em progresso e harmonia...
    Beijinho
    ~~~~~

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    1. Entre a China e Hong Kong venha o diabo e escolha, Majo.
      Estes tipos aqui ao lado estão cada vez mais parvos.
      Beijinhos

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  6. Admiro e subscrevo o equilíbrio discursivo e seguramente a respectiva sensatez existencial do estimado Pedro, aqui está mais um exemplo disso mesmo.
    Um abraço

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    1. Sensatez é o que tem faltado em Hong Kong e em Pequim relativamente às questões de Hong Kong, Victor Barão.
      Aquele abraço

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  7. A irracionalidade da autoproclamada clarividência. Quando assim é difícil se torna chegar a bom porto.
    Abraço.

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