31 de agosto de 2016

Guterres ainda à frente

Terceira votação informal e António Guterres ainda é o candidato mais bem colocado para suceder a Ban Ki-moon como Secretário-geral da ONU.
Onze votos de encorajamento, três de desencorajamento, uma abstenção (sem opinião), são um resultado um pouquinho pior que os anteriores.
Mas, ainda assim, o melhor de entre todos os candidatos.
No longo processo que conduzirá à sucessão de Ban Ki-moon, que se imiscuiu neste processo de forma perfeitamente despropositada, apelando ao voto numa mulher (não é nada difícil colocar um nome e um rosto nesta declaração de Ban Ki-moon...), António Guterres continua a reunir um forte apoio entre os membros do Conselho de Segurança e no seio da chamada comunidade internacional.
Entra-se agora na fase crucial do processo de escolha, na fase que terá que culminar com a escolha de um candidato consensual para ser apresentado a aprovação  da Assembleia Geral da ONU lá mais para o final do ano.
Com António Guterres, à revelia dos desejos de Ban Ki-moon, muito bem colocado para lhe suceder e ocupar o mais prestigiado cargo alguma vez ocupado por um português.
Que Portugal saiba acompanhar António Guterres, e saiba agora jogar o jogo diplomático que é sempre fundamental nesta fase e neste processo, é o que se deseja.
Faites vos jeux!

Intemporais (41)

Esta semana excepcionalmente à quarta-feira

30 de agosto de 2016

No meu tempo não era assim


Detesto a expressão "no meu tempo não era assim".
Por muitas razões mas sobretudo porque compara o incomparável.
Apesar disso, e quando ainda ecoa a indignação acerca das agressões bárbaras e criminosas que tiveram os filhos do embaixador iraquiano como protagonistas, um novo crime envolvendo jovens, desta vez em Baguim do Monte, Gondomar, toma conta do espaço mediático em Portugal.
Um crime passional, como alguma imprensa o qualifica.
Qualificação a roçar o patético quando estão em causa garotos de 16 e 14 anos, respectivamente.
Um psicopata de 16 anos, que já tivera outros desentendimentos com a vítima, de 14 anos, friamente segue o seu alvo e agride-o com uma soqueira provocando-lhe lesões que o deixaram em morte cerebral.
E, não gostando nada da expressão, lá sou obrigado a pensar que efectivamente no meu tempo não era assim.
Uns tabefes, uns murros, umas nódoas negras, foram experiências que todos tivemos.
Agressões brutais, a ponto de deixarem a vítima num estado de morte cerebral, nunca que eu tivesse conhecimento.
Temos que procurar perceber as causas destes fenómenos, destes comportamentos de extrema violência, perguntar-nos que sociedade estamos a construir, que valores estamos a transmitir aos nossos jovens.
Para pôr fim a esta verdadeira loucura e não sermos obrigados a reconhecer que se calhar os filhos do embaixador iraquiano até tinham alguma razão quando afirmaram que episódios de extrema violência acontecem todos os dias em Portugal.

Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. 
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

29 de agosto de 2016

TULIPA ROXA


Zé namorava Maria há 5 anos. 
Uma moreninha de corpo escultural, bundinha perfeita, peitinho durinho. 
Simplesmente as medidas de deusa grega. 
Só havia um problema: até então Maria não tinha liberado nada mais que uns amassos.
Um dia os começaram a rolar pelo sofá: pega aqui, pega ali, mão naquilo, aquilo na mão etc.
 José começou a tirar a blusa de Maria, abriu sua calça e quando achou que finalmente iria rolar, Maria cortou o barato dizendo: - José, eu sou moça de família! 
Só vou transar com você depois de casar. 
Quando acontecer, até tulipa roxa prometo que farei com você.
Sem saber o que era tulipa roxa José levantou-se e saiu. 
Foi à casa de Joana, uma loirinha que era caso antigo e liberava geral.
Ao chegar José não pensou duas vezes e partiu para cima. 
Rola prá cá, rola prá lá, depois de vários amassos perguntou: - Joana, não acha que estão faltando idéias para melhorar nossa transa?
- Também acho amorzinho.
- Então quem sabe você poderia fazer uma tulipa roxa?
Joana ficou branca e gritou:
- QUEM VOCÊ PENSA QUE SOU? 
POSSO SER SUA AMANTE, FAZER TODO TIPO DE SACANAGEM, MAS VOCÊ ESTÁ ACHANDO QUE SOU DESSAS QUE FAZEM TULIPA ROXA?!
 E ENFIOU A MÃO NA CARA DO COITADO! 
- FORA DAQUI, JÁ!!
Jogou tudo o que podia em cima de José, que não teve alternativa a não ser sair correndo, com as calças na mão.
No dia seguinte José foi para o trabalho sem parar de pensar o que seria a tal tulipa roxa.
Claro que não perguntou a nenhum amigo, não querendo passar vergonha.
Encontrou como solução uma visita ao puteiro local. 
Para lá se dirigiu, à noite.
Depois de beber muitas, sentiu-se preparado e chamou uma das garotas.
No quarto foi logo perguntando: 
- Você faz realmente tudo?
- Claro. Estou aqui pra isso, fofinho.
- Qualquer coisa,mesmo?
- Estou aqui para faturar e faço tudo o que for preciso: anal, oral..., o que você quiser.
- Então vamos começar logo com a tulipa roxa?
Sem pensar a putinha tascou um tremendo tapa na cara de José e foi gritando:
- SEU SEM VERGONHA! 
SOU PUTA, MAS NÃO SOU QUALQUER UMA! 
QUEM VOCÊ PENSA QUE EU SOU?!!!
E enfiou a mão na cara do coitado de novo enquanto fora do quarto todo o mundo escutava seus berros sem entender o que estava acontecendo.
O segurança e dono do puteiro invadiu o quarto, irritado, perguntando: 
- O que está acontecendo aqui?
- Meu caro, eu só perguntei se ela fazia de tudo - respondeu José.
- Ora, aqui todas fazem de tudo. Não estou entendendo - disse o cafetão.
- Mas quando eu pedi para ela fazer tulipa roxa ela enlouqueceu...
Sem deixar José concluir a frase o cafetão saca o revólver e vai berrando:
- ISTO QUI É UM PUTEIRO DE RESPEITO! 
MINHAS MENINAS NÃO SÃO DESSE TIPO! 
SAIA JÁ DAQUI, SEU FILHO-DA-PUTA, ORDINÁRIO, SENÃO TE FURO O RABO!
José saiu correndo e foi direto para a casa de Maria.
Ao chegar, propôs: 
- Maria, case comigo agora, por favor.
José não aguentava mais não saber o que era tulipa roxa.
Dois dias depois casaram-se e foram à lua-de-mel.
No caminho sofreram um acidente. 
Maria morreu.
Até hoje José chora. 
Menos por saudade. 
Mais por raiva pois até hoje não conseguiu descobrir o que é tulipa roxa.
E a gente também vai ficar. 
Afinal, se José não descobriu o que é tulipa roxa, muito menos eu, que recebi esta mensagem de um filho-da-puta que também não sabia e perdi um tempão lendo essa porra deste e-mail e não descobri o que é essa merda de tulipa roxa.
Então pensei: por que não dividir a frustração com vocês, que são meus amigos...?!

BOA SEMANA!

26 de agosto de 2016

O que se aprende com os miúdos do 2º ano


- A minha tia tem tantas dores nos braços que mal consegue erguê-los por cima da cabeça; e com as pernas é a mesma coisa.
(Acho que a mim aconteceria o mesmo às pernas.)

- Um círculo é um quadrado redondo.
(Também pode ser visto assim...)

- A terra gira 365 dias todos os anos, mas a cada 4 anos precisa de mais um dia e é sempre em Fevereiro. 
Não sei porquê. 
Talvez por estar muito frio.
(Um génio!)

- A minha irmã está muito doente. 
Todos os dias toma uma pílula, mas às escondidas para os meus pais não ficarem preocupados.
(Sem comentários!)

(Todas da colaboração com o FerreirAmigo)

BOM FIM-DE-SEMANA!

IMI


O azeite virgem


25 de agosto de 2016

O adeus à Uber


Os lóbis em Macau ainda são o que eram e há muito têm sido - poderosas máquinas de pressão política, de defesa de interesses económicos e corporativos.
Tão poderosas que conseguiram, no espaço de sete meses, levar ao desespero a Uber.
A empresa que viu os seus serviços serem reconhecidos e legalizados um pouco por todo o Mundo, incluindo no interior da China, abandona Macau nos primeiros dias do mês de Setembro vergada ao peso das pressões que se diz alvo e da incapacidade de legalizar os serviços que se propõe prestar (a Uber é por natureza concorrencial do serviço de táxis por isso não faz sentido nenhum que lhe seja proposto candidatar-se a licenças de táxi).
No meio de acusações gravíssimas às autoridades administrativas e policiais de Macau, a Uber, que se propunha concorrer com um péssimo de serviço de táxis como o que é oferecido em Macau, vê-se obrigada a procurar outras paragens para continuar o seu modelo de negócio.
E eu só quero deixar uma pergunta - no dia em que precisar de transporte, eu e/ou a minha família, que tentar pedir um táxi, se tiver a sorte de a minha chamada ser atendida (e é preciso muita sorte para isso acontecer!!), só para me comunicarem que não há táxis disponíveis, devo telefonar a quem??

Intemporais (40)

Uma singela homenagem...

24 de agosto de 2016

Um néctar encorpado e muito saboroso

Há cerca de uma semana escrevia neste espaço que o Porto que fora servido tinha um travo amargo.
E antevia a eliminação da equipa portista na pré-eliminatória da Liga dos Campeões porque não acreditava numa vitória em Roma.
Felizmente não podia estar mais enganado.
Não só o néctar servido ontem em Roma foi encorpado, personalizado, cheio de cor e sabor, como o Futebol Clube do Porto conseguiu uma vitória inteiramente justa, merecida, indiscutível e convincente.
Vitória que implica prestígio, dinheiro (muito dinheiro!), que reforça a moral.
Mas que, como com o tão famoso néctar da região, não pode dar lugar a exageros.
Se é verdade que o Porto foi altaneiro, dominador, foi acima de tudo equipa, conjunto, colectivo, também não é menos verdade que o adversário cometeu erros perfeitamente suicidas.
As duas expulsões, inteiramente justificadas e a deixarem Maxi lesionado com gravidade, a saída extemporânea e disparatada do guarda-redes que dá origem ao segundo golo, foram prendas que o Porto soube aproveitar e agradecer.
Três golos marcados (o terceiro é delicioso!), nenhum sofrido, segurança defensiva que há muito não se via na equipa do Porto, são bons indicadores para o futuro.
Mas não mais que isso.
Venha agora o sorteio da fase de grupos, mais uma vez com três equipas portuguesas envolvidas.

Trindade

HOJE TINHA QUE SER :)

23 de agosto de 2016

Vítimas, dizem eles


Haider e Ridha são dois gémeos de 17 anos.
Mas Haider e Ridha não são apenas dois gémeos de 17 anos.
Haider e Ridha são os filhos do embaixador iraquiano em Portugal.
Os mesmos que espancaram barbaramente em Ponte de Sor o jovem Rúben Cavaco, de 15 anos, que continua internado em coma induzido e com prognóstico muito reservado.
Os mesmos que se apresentaram ontem em entrevista à SIC alegando ter agido em legítima defesa e dizendo-se vítimas de uma situação que ocorre todos os dias em Portugal.
Haider e Ridha, dois bárbaros que agem a coberto da imunidade diplomática que o estatuto do papá lhes confere, depois de terem espancado e desfigurado um garoto de 15 anos, têm o desplante de insultar Portugal e os portugueses em entrevista a uma estação televisiva portuguesa.
Espancamentos que deixam pessoas em coma acontecem todos os dias em Portugal??
Vai sendo tempo de dar uma lição a estes fedelhos e ao papá.
Não sendo possível aplicar-lhes a Lei de Talião (vontade não falta...), em vez de lhes dar tempo de antena é necessário ensinar a esta escória que imunidade e impunidade são coisas muito diferentes.

Porto (Portugal) - casas especiais