31 de março de 2016

A polémica com o cão do Presidente da República


Algures entre o lixo noticioso e a imprensa cor-de-rosa estará a nova polémica que se instalou em Portugal - o Presidente da República vai ter um amigo de quatro patas no Palácio de Belém.
Até aqui tudo bem.
Se até Obama fez referência ao canídeo que a família iria ter por companheiro na Casa Branca, e logo no discurso de vitória no primeiro mandato, porque não poderia o Presidente da República em Portugal ter também um amigo de quatro patas no Palácio de Belém?!
Mais a mais o cão que Obama adoptou até é de raça portuguesa, que orgulho!
E aqui é que o bácoro(a) torce o rabo - Marcelo Rebelo de Sousa vai ter a companhia de um pastor alemão.
O Asa, é este o nome do cachorro oferecido pela Força Aérea, é um pastor alemão.
E isso é uma ofensa para as raças portuguesas, gritam as associações protectoras dos animais.
Há mesmo quem vá mais longe e se atreva a ver aqui mais uma prova do domínio alemão na Europa.
Se esta não-notícia, esta pseudo-polémica, já é surpreendente em si mesma, absurda, o facto de ser posta a circular na chamada imprensa de referência, e não na imprensa sensacionalista, chega a raiar os limites da pura patetice.
Esqueçam-se o Orçamento de Estado, as suas componentes e o impacto que vão ter na vida dos cidadãos.
Concentremos a nossa atenção nessa atitude inadmissível, nessa ofensa que o Presidente da República acaba de fazer às raças de canídeos portuguesas.
Terá começado aqui o fim do estado de graça de Marcelo Rebelo de Sousa?
Será motivo de impeachment, tão em voga hoje em dia?
Não há traseiro que aguente!

Intemporais (23)

30 de março de 2016

A maioridade da Catarina


Escolhi esta fotografia da minha filha Catarina, tirada há já alguns anos em Bali, porque acho que resume muito quem é a Catarina - linda, tranquila, feliz, de uma doçura extraordinária.
A Catarina que chega hoje à maioridade.
Eu sei que é lugar-comum nestes momentos dizer que parece mentira, que o tempo passou muito depressa.
Lugar-comum, talvez.
Mas tão verdadeiro e real que até dilacera a alma.
Podia cair noutro lugar-comum e dizer que com a maioridade chega a emancipação e uma maior responsabilidade.
Mas a Catarina sempre foi muito responsável, não é agora que o passará a ser.
A emancipação é que é uma questão mais complicada.
Porque, se ela poderá estar preparada para voar (e eu sei que está), o lado egoísta de um pai, de qualquer pai, não está preparado para a deixar voar (haverá um dia em que esteja??).
Sei que tenho que te dar espaço, sei que tenho que te deixar fazer asneiras, aprender e crescer com elas.
Mas tenho tanto medo que te magoes ou  te magoem...
Neste teu dia de aniversário, no dia em que atinges a maioridade, sabendo que o tempo não pára, que vais crescer mesmo que eu não queira, não te vou prometer que vou ser menos chato, que te vou dar mais espaço, mais liberdade.
Porque sei que seria uma promessa vã, uma promessa que não iria cumprir.
Só te posso prometer que vou tentar.
Por muito que me doa, que me rasgue as entranhas, vou tentar deixar o meu eu racional falar um bocadinho mais alto para que não seja só o meu eu emocional a ter voz.
No dia do teu aniversário, no dia em que atinges a maioridade, repito o que já te disse antes várias vezes - adoro-te de uma maneira que nunca poderás compreender nem eu explicar.
E esse sentimento, tão forte que se torna inexplicável, que não se pode traduzir em simples palavras, posso-te prometer, sabendo que vou cumprir, nunca vai mudar.

29 de março de 2016

Orçamento de Estado promulgado


Marcelo Rebelo de Sousa parece querer marcar um novo tempo, e um novíssimo estilo, no exercício das funções de Presidente da República.
A energia que sempre lhe foi reconhecida está a reflectir-se muito positivamente na mais alta magistratura do Estado que tão maltratada tinha sido recentemente.
Sensível a uma nova realidade interna, procurando a estabilidade política que seja o fundamento necessário à estabilidade e crescimento económicos, o Presidente da República promulgou em tempo recorde o Orçamento de Estado para o ano de 2016.
E foi muito claro quando, de improviso, explicou o porquê desta decisão - depois de longas negociações, a nível interno, e a nível europeu, depois da aprovação do documento na Assembleia da República, só questões de (in)constitucionalidade poderiam obstar à aprovação imediata daquele que será o instrumento fundamental de estabilidade política e económica em qualquer democracia.
Defensor que é desse cenário de estabilidade e previsibilidade, Marcelo Rebelo de Sousa fez o que lhe competia enquanto garante máximo do regular funcionamento das instituições democráticas - promulgar o Orçamento, deixar que o Executivo governe, que o país possa respirar e, todos ansiamos que assim seja, crescer.
Alcançado o necessário consenso, a nível interno e externo, para quê perder mais tempo?
Se é um bom ou mau Orçamento, se é bem ou mal executado, serão juízos para fazer mais tarde e para serem feitos nas urnas e não no Palácio de Belém. 

SERÁ POSSÍVEL RESSUSCITAR A EUROPA? (Frei Bento Domingues, O.P.)


1. Não tenho nenhuma competência para me juntar à torrente de discursos sobre os modos de enfrentar os actuais movimentos terroristas, quer nos seus desígnios globais, quer europeus. Destaco a lucidez do Editorial do PÚBLICO: Enquanto se financiar sem limites, o terrorismo continuará a matar. É preciso secar-lhe as raízes.
É sempre possível dizer que as raízes do terrorismo não são financeiras e que o dinheiro, sempre à disposição, é apenas um recurso instrumental. Seja como for, as discussões sobre as suas raízes metafísicas, sociais, éticas e religiosas não podem servir para esquecer a urgência em lhe cortar as bases e os percursos financeiros. Haverá vontade firme de executar esta operação, quando os bem conhecidos circuitos do comércio de armas e de seres humanos continuam, ano após ano, à solta, a crescer e a matar?
Existe, na Arábia Saudita, um campo de Tendas espantosamente bem equipadas para 3 milhões de pessoas, utilizadas apenas durante 5 dias por ano, na peregrinação a Meca. Não é nenhum santuário. É uma residência. Pergunta-se: não deveriam os muçulmanos de todo o mundo serem interpelados pelo escândalo humano e religioso de verem os seus irmãos na fé terem de fugir para países pagãos, em condições miseráveis, com a morte por companhia? Que interesses estará esta situação a esconder? Poderá Alá estar de acordo com este comportamento da Arábia Saudita e satélites?
Não digo que a indignação e as condenações dos atentados em Paris e em Bruxelas não sejam profundamente sinceras, aliás como as condolências que chegaram de todo o lado. Pergunta inevitável: terá finalmente a Europa acordado e entendido o sentido do que lhe está a acontecer?
2. Quando o Papa Francisco visitou Lampedusa, transformada num cemitério de vivos e mortos, resumiu tudo numa só palavra: vergonha! Poucos se importaram. Os interesses em jogo não podem dar ouvidos a uma sotaina argentina. Quando, diante das matanças dos cristãos, no Médio Oriente, declarou aos jornalistas que era preciso suster aquele avanço do crime, foi logo sussurrado o comentário: diz isso só para salvar a pele dos cristãos e, afinal, nem é tão pacifista como parece.
Agora, a Europa, a braços com os refugiados e agredida até à morte pelo terrorismo, desencanta especialistas em ciência da religiões por todo o lado, mas recusa reanimar o projecto europeu que ainda a poderia salvar. Podem fazer as coisas mais sensatas e sofisticadas em termos de segurança. Podem e devem atacar as fontes económicas que alimentam a demência terrorista a nível mundial! Mas sem fazer da Europa, e não só, uma zona de paz e desenvolvimento inclusivista, pouco adiantam tantas lágrimas.
3. Uso o termo reanimar e não ressuscitar, por escrúpulos teológicos. No Novo Testamento (NT) temos narrativas de “reanimação” de cadáveres, como, por exemplo, a de Lázaro. Temos outras de encontro com Cristo Ressuscitado, mas não há ninguém a dizer que tinha visto Jesus a sair do túmulo. 
S. Paulo foi muito enfático sobre o evangelho que anunciou aos Coríntios: «Transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos só de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago e, depois, a todos os apóstolos. Em último lugar, também me apareceu a mim, o abortivo. Pois sou o menor dos apóstolos, nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus.
Como dizíamos, nenhuma destas testemunhas afirma que viu Cristo a ressuscitar.
Aqueles que pensavam que o percurso de Jesus tinha sido sepultado para sempre, testemunharam que ele se tornou a vida das suas vidas, que ressuscitou neles uma esperança invencível, que tinham de continuar com Cristo um projecto que não pode morrer. A evidência empírica da morte não é a última palavra sobre a aventura humana. 
Se em Deus vivemos, nos movemos e existimos, se a nossa vida está no coração de Deus, esconde-se na nossa existência terrena o mistério que, apenas, a fé na ressurreição nos pode revelar.
A apologia que S. Paulo faz da fé na ressurreição dos mortos não tem nada a ver com uma atitude fideísta, um eclipse da razão, hoje muito frequente: quem acredita, acredita; quem não acredita, não acredita e pronto. A fé é uma graça e eu não recebi essa graça.
Mas assim o que resta? Uma confissão niilista acerca da vida humana. Faça-se o que se fizer, aconteça o que acontecer, a última palavra é a morte. O resto é só para entreter os que tiverem sorte. Por alguns anos.
S. Paulo julga esta posição miserável, pois não vence a morte. Ele acredita na ressurreição,que não é na reanimação de um cadáver, um regresso ao mesmo.
Os cristãos europeus, mulheres e homens, jovens e adultos não podem fingir que é possível reanimar o projecto europeu. Seria investir num caminho que já não leva a lado nenhum.
O que importa é a ressurreição da Europa. Como? Veremos.
in Público

24 de março de 2016

Uma longa caminhada feita de pequenos passos


Lao-Tsé ensinou-nos que "Uma longa caminhada começa com o primeiro passo".
E pode continuar com outros pequenos passos, estaria tentado a acrescentar.
É sob este prisma que deve ser analisada a visita de Barack Obama a Cuba nesta semana de Páscoa.
O tal primeiro passo pode ter sido dado no funeral de Nelson Mandela com um mediático aperto de mão entre Barack Obama e Raul Castro.
Logo ali se pressentiu que algo estava a mudar no relacionamento tenso entre as duas nações.
Pulemos até ao ano de 2014, quando é oficialmente anunciada a intenção de reabertura de embaixadas dos Estados Unidos em Cuba, e de Cuba nos Estados Unidos, depois de meses de intensas negociações (mais pequenos passos) altamente secretas mediadas pelo Vaticano na pessoa do Papa Francisco.
Obama teve finalmente a oportunidade de, depois de ter afirmado que uma fórmula que não resulta durante cinquenta anos deve ser alterada, oitenta e oito anos depois de Calvin Coolidge ter desembarcado em Cuba, cumprir um sonho, aterrar em Cuba e dar mais um pequeno passo no caminho tendente à possível normalização das relações diplomáticas entre os dois países.
Um caminho que será longo, que certamente conhecerá avanços e retrocessos no processo negocial e diplomático, que enfrentará obstáculos que se torna impossível tentar prever quais e como serão ultrapassados.
O primeiro dos quais certamente a prender-se com a mudança de lideranças.
Nos Estados Unidos muito proximamente, em Cuba e no Vaticano (a própria lei da vida por certo a isso obrigará...) provavelmente depois, e na prioridade que as novas lideranças venham a dar a este caminho que calma e seguramente vai sendo percorrido.
Uma longa caminhada que já teve vários pequenos passos, que se deseja continue no caminho que vem sendo seguramente trilhado pelas duas nações.
As quais, como os próprios líderes publicamente reconheceram, têm visões muito diferentes acerca de múltiplas questões, grandes divergências de todos conhecidas e frontalmente assumidas, mas que se espera não constituam obstáculos inultrapassáveis nesta longa caminhada feita de pequenos passos.

Votos de uma Feliz Páscoa para todos os que por aqui passam e respectivas famílias.

(O blogue só volta ao vosso convívio na próxima terça-feira, uma vez que na segunda-feira há tolerância de ponto)

Intemporais (22)

23 de março de 2016

Novas invasões bárbaras


Ano de 476 d.c. - o Império Romano do Ocidente, o maior império da Antiguidade, tombava às mãos dos invasores.
Os bárbaros faziam cair um império poderosíssimo, uma civilização extraordinária, tirando proveito das suas debilidades internas, da instabilidade económica, da desestruturação militar.
Violentos, sanguinários, cruéis, impiedosos, os bárbaros destruíram tudo o se interpunha entre eles e o seu desígnio de espezinhar a civilização que odiavam.
Século XXI - os hunos, os visigodos, os ostrogodos, dão lugar a um outro bando de assassinos impiedosos, terroristas, torcionários, um escarro humano que se auto-intitula Estado Islâmico.
Objectivo deste vómito - destruir a civilização ocidental, os seus valores, o seu legado, todos a serem substituídos por um califado que, à semelhança dos invasores bárbaros, se regeria por regras próprias.
Regras essas que fariam corar de vergonha os nossos antepassados que habitavam as cavernas.
Ontem Bruxelas, antes Paris, Madrid, Ancara...
Ontem hipoteticamente em directa acção de retaliação face à detenção de Salah Abdeslam, o cérebro dos atentados de Paris.
E antes?
E depois?
Bernardo Pires de Lima, aos microfones da Antena 1, apontava para a certeza de novos atentados no futuro, para um novo normal no dia-a-dia europeu.
Até que um dos lados do conflito destrua o outro, atrevo-me a acrescentar.
Porque aquilo a que vamos assistindo é sem dúvida um conflito, uma guerra.
Uma guerra que foge aos padrões tradicionais, que não conhece quartéis, regras.
O medo do terror, assim como o sentimento de insegurança, são normais (a normalidade que Bernardo Pires de Lima referia), humanos.
Mas não nos podem levar a negar os valores que são o húmus da civilização ocidental e a ceder à tentação fácil da paranóia securitária e da vingança torpe.
Se entrarmos por esse caminho começaremos a perder a guerra com os bárbaros do século XXI, faremos passar a ideia que afinal nada aprendemos com o legado da História porque, à semelhança do Império Romano do Ocidente, a nossa civilização começará a ser destruída a partir de dentro, das suas fraquezas e debilidades.
Esta guerra tem que ser combatida com coragem, com tenacidade, mas também com inteligência, com valores.
As armas que os bárbaros do século XXI não possuem nem nunca possuirão.

Um grande exemplo da irmã Guadalupe


DE ONDE LHE VEM ESTA FORÇA QUASE INSUPERÁVEL??

A minha resposta a esta pergunta foi:

De onde lhe vem a força?
Da fé, obviamente.
Que não se discute, que se sente ou não.
De onde lhe vem a força?
Dos horrores que já testemunhou e que fazem tudo o resto parecer simplesmente ridículo.
De onde lhe vem a força?
Do exemplo que vê naquela gente que sofre mas sorri, que dá valor aos momentos mais insignificantes.
De onde lhe vem a força?
De um coração ENORME, do verdadeiro espírito missionário, dessa capacidade que nós não temos de entregar a vida a causas, de devotar a vida a terceiros.
De onde lhe vem a força?
Da revolta interior contra a injustiça e a mentira que testemunha todos os dias.
De onde lhe vem a força?
Para os crentes, de Deus.
Para os agnósticos, de um poder superior, seja ele qual for, que tem que existir para existirem pessoas assim.
Se realmente há santos, ela, e todos os que com ela vivem aquela missão, terão de ser santos.

O vídeo é algo longo, mas vale a pena ver até ao fim.

22 de março de 2016

Quinze meses depois o que é que mudou?


Ontem, enquanto tentava atravessar uma Ponte Sai Van completamente congestionada, e com o trânsito praticamente parado nos dois sentidos em hora de ponta, fiquei a pensar que, quinze meses depois da tomada de posse do novo Executivo, a grande esperança que então nasceu terá sido largamente defraudada.
Sendo inegável uma nova energia, uma nova estratégia de comunicação, uma Administração menos fechada nos gabinetes, uma vontade de mostrar trabalho (neste particular destaca-se claramente Alexis Tam), as alterações sensíveis, aquelas que têm reflexos no dia-a-dia dos cidadãos, ainda estão para chegar (visão optimista...).
Mais, para o cidadão comum fica a ideia que algumas alterações mais sensíveis (maior responsabilização dos titulares de altos cargos, alguma dessacralização de certas figuras tidas por intocáveis, que tiveram como consequência processos judiciais muito mediáticos e mediatizados) são comandadas de fora e reflexo directo dos ventos que sopram de Norte.
Problemas antigos mantêm-se teimosamente inalterados e não são apresentadas soluções, ou calendarização para essa alteração, dos mesmos.
A imagem da Ponte Sai Van congestionada, entupida, com duas faixas reservadas a motociclos, uma em cada sentido, teimosamente fechadas ao trânsito de automóveis ligeiros mesmo nestes dias de completo caos no tráfego, quando bastaria um simples sistema de semáforos para descongestionar o trânsito e fazê-lo fluir nestas situações, foi o mote para o pensamento correr da área das Obras Públicas para as outras áreas da governação e um certo sentimento de desilusão se instalar.
O período normalmente conhecido por estado de graça já se terá esgotado ou estará a esgotar-se.
E o que se vê efectivamente não tem graça nenhuma.
Porque começa a instalar-se a forte sensação que, à maneira de Lampedusa, tudo se alterou para que  afinal tudo ficasse na mesma.

A paixão e a política (Anselmo Borges)


Pascal observou agudamente nos Pensamentos: "Jesus estará em agonia até ao fim do mundo; é preciso não dormir durante este tempo." Todos sabemos do "calvário" do mundo, e as personagens são as mesmas.

1. Jesus sabia que, a continuar nas suas palavras, atitudes e comportamentos, o que o esperava era a morte, condenado pelos poderes religiosos e políticos. Assim, realizou uma ceia, a Última Ceia: "Isto é o meu corpo", "este é o cálice do meu sangue". Aquele pão e aquele vinho são a sua pessoa entregue, para dar testemunho da Verdade e do Amor.

2. Judas era discípulo, mas sentiu-se enganado, porque Jesus não tomava o poder. Assim, entregou-o, tendo recebido trinta moedas de prata. Depois, perdido, enforcou-se. De que valera aquilo? Mas o dinheiro, em conluio com o poder político, continua a ser o móbil da entrega de milhões de inocentes à ignomínia e à morte.

3. Fora Caifás, o sumo sacerdote, que dera este conselho: "Interessa que morra um só homem pelo povo." Tinha medo do poder dos romanos. Quantos inocentes não foram e são vítimas da razão de Estado ao longo dos tempos!

4. No Getsémani, Jesus entrou em pavor e angústia, pôs-se a rezar instantemente e suou sangue. Deus aparentemente não o ouviu, até os discípulos mais íntimos adormeceram. Todos, de um modo ou outro, fomos, seremos, confrontados com horas do horror da solidão mortal.

5. Jesus é condenado em primeiro lugar pela religião oficial, cujos sacerdotes viram os seus poderes e privilégios ameaçados. Do pior que há: viver à custa da religião e condenar à humilhação, à submissão e indignidade, à violência, à morte, utilizando o santo nome de Deus.

6. Pedro era um homem espontâneo, amigo e generoso. Tinha prometido que acompanharia Jesus para todo o lado. Seguiu-o de longe até à casa do sumo sacerdote. Aí, uma criada atirou-lhe: "Esse também estava com ele." Pedro acobardou-se e negou o Mestre. Depois, recordou-se da palavra de Jesus: "Antes de o galo cantar, negar-me-ás três vezes." "E, vindo para fora, chorou amargamente." Ainda hoje aparece por vezes um galo nas torres das igrejas lembrando o facto. Pedro foi o primeiro papa. A Igreja está assente na fé de Pedro, uma fé vacilante e sempre ameaçada. "Senhor, aumentai a minha fé."

7. O conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e escribas levaram Jesus ao seu tribunal. Não tendo poder para o executar, entregaram-no a Pilatos, o governador romano, representando o império. Pilatos ter-se-á apercebido da inocência de Jesus. Mas, ao ver que os judeus se não calavam e que podiam acusá-lo ao imperador, lavou as mãos e mandou crucificá-lo. Pilatos é talvez o nome mais repetido ao longo dos séculos, porque está no Credo. Lavou as mãos, proclamando inocência. Mas elas estão manchadas pelo sangue de um poder cobarde. Ainda hoje se diz de alguém que se encontra num lugar indevido: "Está ali como Pilatos no Credo."

8. A multidão gritava: "Crucifica-o, crucifica-o." No Domingo de Ramos, tinha aclamado Jesus: "Hossana, hossana ao filho de David!" Não se pode confiar nas multidões: são volúveis, interesseiras, manipuláveis. No fim, preferiram Barrabás.

9. Ao saber que Jesus era galileu, Pilatos remeteu-o a Herodes, que se encontrava naqueles dias em Jerusalém e que tratou Jesus com desprezo. Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois antes viviam em mútua inimizade. Interesses comuns, políticos, económicos e outros, podem levar ao corte de relações ou à amizade. Mas será amizade mesmo?

10. Simão de Cirene foi obrigado a carregar com a cruz. Na via dolorosa da vida, também há cireneus, gente que apoia, por vezes até forçada. Mas apoia.

11. Os soldados riram-se, fizeram chacota e imensa troça de Jesus. Afinal, a sua própria vida não era feliz.

12. As mulheres, talvez porque são mais cuidadoras da vida e amem mais, foram as únicas que não fugiram e estiveram sem medo junto à cruz.

13. Mesmo no final e na suprema dor, os seres humanos comportam-se de modo diferente. Também foram crucificados dois malfeitores: um continuou a blasfemar, o outro reflectiu e pediu a Jesus que se lembrasse dele no seu Reino. O centurião deu glória a Deus: "Realmente este Jesus era justo."

14. No total abandono, Jesus perdoou a quem o matava, e rezou, a gritar, perguntando, aquela oração que atravessa os séculos: "Meu Deus, meu Deus, porque é que me abandonaste?" Deus não disse nada, mas Jesus continuou a confiar: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito."

15. Depois, os discípulos fizeram a experiência avassaladora de fé de que este Jesus crucificado está vivo em Deus, e acreditaram, porque Deus é Amor. Nasceu assim a esperança para todas as vítimas da história. Mas é em Sábado que vivemos: entre o horror da Sexta-Feira e a esperança do Domingo da Páscoa.

Padre Anselmo Borges
in DN 19.03.2016

21 de março de 2016

Cirurgia ao pénis


Aqui há tempos, um indivíduo sofreu um terrível acidente e o seu pénis foi dilacerado e arrancado.
Foi atendido no Hospital de Santa Maria e o médico assegurou-lhe que a medicina moderna podia pôr-lhe um 'instrumento' novo, mas que o seguro de saúde não cobria a cirurgia, já que a mesma é considerada cirurgia estética.
O médico, um ilustre cirurgião estético da nossa praça, informou-o acerca dos preços da cirurgia:
- 3.500,00 €, para um pénis de tamanho pequeno;
- 6.500,00 €, para o tamanho médio;
- 9.000,00 €, para o de tamanho grande.
O homem aceitou imediatamente mas ficou na dúvida se havia de implantar um médio ou um grande. O cirurgião, então, aconselhou-o a conversar com a mulher antes de tomar uma decisão.
O homem assim fez.
Todo entusiasmado, telefonou à mulher e explicou-lhe o que se passava.
No fim da chamada, o médico viu que ele estava visivelmente incomodado e deprimido e perguntou-lhe:
- Então, o que é que o senhor e a sua mulher decidiram?
O homem, cabisbaixo, responde-lhe:
- Puta que a pariu! Diz que prefere remodelar a cozinha...

BOA SEMANA!

Criatividade na Cama


É noite e o casal já está deitado. 
Diz o marido:
- Querida... se tu quisesses, abusava de ti. 
Responde ela: 
- Mas eu quero... abusa, abusa!! 
Diz ele:
- Então, vai lá à cozinha buscar-me uma cervejola ao frigorífico.
(O INEM chegou passados 10 minutos!!)

Questão muito pertinente


Questão – Se depilar o cu posso ser considerado gay?
Resposta - Pode, porque lá diz o ditado: "Quem limpa a casa, espera visitas..."

18 de março de 2016

Pecados da carne


Um padre começou a ouvir algumas paroquianas que em confissão declaravam ter ido para a cama sempre com um tal de Zé Manel.
Como penitência mandava-as rezar 5 Avé Marias e um Padre Nosso.
Porém, ao fim de algum tempo, a coisa tornou-se complicada porque agora, eram às dezenas de paroquianas, as que se confessavam o pecado de terem ido para a cama com o tal de Zé Manel.
Além dos conselhos, o pobre padre achou que tinha que tornar a penitência mais severa. 
Passou a mandar sempre rezar 10 Avé Marias, mas colocar 50€ na caixa das esmolas.
Ora um dia, estando o padre no confessionário, ouve do lado de fora:
"EU SOU O ZÉ MANEL"
- Ah... vens confessar os teus numerosos pecados?!!!
- Nãaa !!!... - responde o tal de Zé Manel...
 - Venho dizer-lhe que se não me der 50% dos lucros vou #%der para outra paróquia!

BOM FIM-DE-SEMANA!

Lógica de um alentejano


O alentejano morre e vai para o inferno.
Bate à porta, o diabo abre, e o alentejano pergunta:
"Aonde estão as gajas" ???????????
O diabo responde: "És parvo? Aqui não há gajas" !!!
Diz logo o alentejano:
"Ai não há gajas? Então, quem é que te pôs os cornos???"

CARTA AO PAI NATAL


- Que estás a fazer, filho?
- Estou a escrever uma carta ao Pai Natal…
- Mas porque é que estás a escrever numa folha de lixa?
- Para que ele não limpe o cu com ela, como fez o ano passado!!!

17 de março de 2016

Trambiqueiros


O dicionário informal define trambiqueiro como "pessoa golpista, que dá trambiques, enganador, trapaceiro".
Uma definição que caracteriza perfeitamente Dilma Rousseff e Lula da Silva e os seus comportamentos.
Dilma convida Lula para ser assumir o cargo de ministro chefe da Casa Civil, este último aceita o convite.
Dilma procura a todo o custo evitar o impeachment (é bem provável que tenha dado o último passo na direcção do abismo...) e a prisão do seu camarada de partido e guru político.
Lula procura imunidade judicial e a prerrogativa de foro privilegiado (só poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal e foge assim ao implacável juiz Sérgio Moro).
Sem escrúpulos, sem preconceitos, sem vergonha na cara, ambos conspiraram (a gravação de uma conversa telefónica conhecida nas últimas horas só confirma aquilo que já se apresentava como óbvio) para fintar a Justiça e a vontade popular.
Mais um caso de golpistas que abocanham com desenvergonhada gula o lugar que deveria pertencer a estadistas.
Pode ser que o tiro lhes saia pela culatra.
O efectivo impeachment de Dilma, e dos seus companheiros de executivo, seria o bastante para que isso acontecesse.
E estes dois chico - espertos trambiqueiros teriam o destino que merecem depois de terem sido protagonistas maiores de uma página negra na vida da grande nação brasileira.

Intemporais (21)

16 de março de 2016

Um dia a casa vem abaixo


Neste filme não há Steven Spielberg, Tom Hanks e Shelley Long.
O realizador e os protagonistas são outros e o argumento não é o de uma comédia.
Aproxima-se mais até da tragédia, ou de um épico ao género Le Soulier de Satin, tão longo é o processo que envolve o decrépito Hotel Estoril.
Com a decisão ontem tomada por larga maioria no seio do Conselho do Património Cultural de não classificar o edifício do Hotel Estoril está aberto o caminho para que no local possa nascer uma obra icónica, assinada por Siza Vieira, que venha de vez substituir a ruína que há décadas é o outrora vistoso Hotel Estoril.
A obra projectada por Oseo Aconcci encontra-se num estado de abandono e degradação que entristece.
Tudo isto numa zona central da cidade, uma zona que pode tornar-se novamente num pólo de atracção  para os residentes e os que visitam Macau.
Um novo pólo  que terá que ser conjugado com a dinamização de São Lourenço, do Tap Seac e de toda a zona envolvente.
A decisão do Conselho do Património Cultural abre o caminho para uma nova vida em toda a zona envolvente ao espaço do actual Hotel Estoril.
Cabe agora ao Executivo ser de uma vez por todas célere na tomada de decisões para que possa depois também exigir celeridade aos executores do projecto que ali venha a ser edificado.

Bocage acerca da presença portuguesa em Macau


Um governo sem mando, um bispo tal,
De freiras virtuosas um covil,
Três conventos de frades, cinco mil,
Nh's chins cristãos, que obram mal;

Uma Sé que hoje existe tal e qual,
Catorze prebendados sem ceitil,
Muita pobreza, muita mulher vil,
Cem portugueses, tudo em um curral;

Seis fortes, cem soldados, um tambor,
Três freguesias cujo ornato é pau,
Um vigário-geral sem promotor,

Dois colégios, um deles muito mau,
Um Senado que a tudo é superior,
É quanto Portugal tem em Macau.

15 de março de 2016

Coragem política de Merkel resulta em derrota nas eleições regionais e em ascensão da extrema direita


A política de acolhimento de refugiados seguida por Angela Merkel terá sido a grande causa da derrota do Partido Cristão Democrata nas eleições regionais realizadas no final da semana na Alemanha.
Uma convicção que se vê reforçada pelos resultados obtidos pelo partido anti-imigração, Alternativa para a Alemanha, e também pelo fraco desempenho do SPD, parceiro de coligação de Merkel.
Merkel, a líder europeia com mais carisma, autoridade e poder, apostou esse seu capital político e a sua forma resoluta de estar na política, mas apenas conseguiu assustar uma parte da sociedade alemã.
A ideia de receber um milhão de refugiados, ao mesmo tempo que negoceia um acordo com a União Europeia e a Turquia tendente a conter a onda de migrantes, não foram suficientes para a mais poderosa líder europeia vencer na frente interna. 
Os slogans xenófobos e racistas dos partidários do Alternativa para a Alemanha (“Assegurem as fronteiras” e “Parem o caos dos asilos políticos”) parece terem tocado fundo nos receios de uma boa fatia da sociedade alemã.
Sendo verdade que se tratava de eleições regionais, é inevitável a extrapolação para o espaço nacional e inclusive para o espaço europeu.
A nível interno, Angela Merkel será obrigada a rever a sua estratégia, comunicacional e política, para conter a queda do seu partido e dos seus parceiros de coligação, ao mesmo tempo que procura travar a ascensão de uma extrema direita perigosa, xenófoba, racista, violenta.
A nível europeu, por muito que se diga o contrário, a posição da chanceler alemã também sai enfraquecida destas eleições regionais.
Porque os seus adversários vão procurar conseguir o máximo aproveitamento desta debilidade momentânea de Merkel, desta necessidade imediata de jogar em dois tabuleiros ao mesmo tempo.
O tempo, como sempre, se encarregará de confirmar ou infirmar a  percepção que fica no final destas eleições regionais na Alemanha.
A percepção de ser bem possível que o que aparentemente seriam apenas umas simples eleições regionais se possam  vir a transformar num forte abalo político a nível interno na Alemanha e  mesmo no espaço da União Europeia.

GEOMETRIA AMOROSA (Millôr Fernandes) - Admirável utilização da matemática




Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente 
Por uma Incógnita. 

Olhou-a com seu olhar inumerável 
E viu-a, do Ápice à Base… 
Uma Figura Ímpar; 
Olhos rombóides, boca trapezóide, 
Corpo ortogonal, seios esferóides. 

Fez da sua 
Uma vida 
Paralela à dela. 
Até que se encontraram 
No Infinito. 

“Quem és tu?” indagou ele 
Com ânsia radical. 
“Sou a soma do quadrado dos catetos. 
Mas pode chamar-me Hipotenusa.” 

E falando descobriram que eram 
O que, em aritmética, corresponde 
A alma irmãs 
Primos-entre-si. 

E assim se amaram 
Ao quadrado da velocidade da luz 
Numa sexta potenciação 
Traçando 
Ao sabor do momento 
E da paixão 
Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais. 

Escandalizaram os ortodoxos 
das fórmulas euclidianas 
E os exegetas do Universo Finito. 
Romperam convenções newtonianas 
e pitagóricas. 

E, enfim, resolveram casar-se. 
Constituir um lar. 
Mais que um lar, 
Uma Perpendicular. 

Convidaram para padrinhos 
O Poliedro e a Bissetriz. 
E fizeram planos, equações e 
diagramas para o futuro.
Sonhando com uma felicidade 
Integral 
E diferencial. 

E casaram-se e tiveram 
uma secante e três cones 
Muito engraçadinhos. 

E foram felizes 
Até aquele dia 
Em que tudo, afinal, 
se torna monotonia. 

Foi então que surgiu 
O Máximo Divisor Comum… 
Frequentador de Círculos Concêntricos 
Viciosos. 
Ofereceu, a ela, 
Uma Grandeza Absoluta, 
E reduziu-a a um Denominador Comum. 

Ele, Quociente, percebeu 
Que com ela não formava mais Um Todo, 
Uma Unidade. 
Era o Triângulo, 
chamado amoroso. 
E desse problema, ela era a fracção 
Mais ordinária. 

Mas foi então que Einstein descobriu a 
Relatividade. 
E tudo que era espúrio passou a ser 
Moralidade. 
Como aliás, em qualquer 
Sociedade.