20 de outubro de 2016

Um mito desfeito no espaço de dois dias


Na passada segunda-feira, no retomar dos trabalhos da Assembleia Legislativa, foram vários os discursos inflamados em defesa do ensino e do emprego da Língua Portuguesa na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
Discursos que retomavam o que tinham sido as recomendações deixadas em Macau pelo Primeiro-Ministro da República Popular da China reafirmando a aposta Lusófona do Governo de Pequim.
Para os mais distraídos, ou mais crentes, estava de uma vez por todas efectiva e definitivamente consagrado na prática o estatuto legal da Língua Portuguesa enquanto uma das línguas oficiais na RAEM.
Dois dias depois, na Abertura do Ano Judiciário de Macau, Jorge Neto Valente, Presidente da Associação dos Advogados de Macau, desfez esse mito muitíssimo efémero.
No seu habitual tom frontal e desassombrado, o Presidente da Associação dos Advogados de Macau afirmou alto e bom som aquilo que todos sabemos ser a realidade da RAEM no que diz respeito à utilização das línguas oficiais.
A Língua Portuguesa é cada vez menos utilizada, tantas vezes em flagrante violação da Lei Básica e de outros diplomas legais em vigor e que são pura e simplesmente ignorados (olimpicamente desprezados, na expressão de Jorge Neto Valente).
Apetecia perguntar a quem tão eloquentemente defendeu o ensino e a utilização da Língua Portuguesa  no plenário da Assembleia Legislativa se conhece a expressão bem portuguesa "que bem prega Frei Tomás...".

22 comentários:

  1. De boas palavras e intenções está o inferno cheio...e tanto se diz e nada se faz. Que mundo!

    Beijocas

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    1. Jorge Neto Valente não se deixa ir em cantigas, Fatyly.
      E, TODOS OS ANOS, diz o que tem que ser dito.
      Doa a quem doer.
      E a verdade é que o rei vai nu.
      Beijocas

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  2. Toda a razão, Pedro. Não há o minimo de respeito pela também lingua oficial, a portuguesa...
    Mor

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    1. Mas quem ouvir falar aquelas alminhas na AL, e não os conhecer, pensa exactamente o contrário, Mor.

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  3. A violação constante da Lei Básica e de outros diplomas legais em vigor, como foi dito deve ser uma constante nessas belas terras de Macau que tanto nos dizem.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.
    Andarilhar

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    1. No que diz respeito à utilização das duas línguas oficiais sem dúvida que o é, Francisco.
      Infelizmente, digo eu.
      Aquele abraço, continuação de boa semana

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  4. Ou seja, o português é língua oficial como reza a lei mas há outras, porventura o inglês é mais sem o ser
    Haverá pruridos políticos de resistência chineses e interesses económicos que se sobrepõem à posição daqueles que defendem a língua de Camões.
    Abraço.

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    1. Aquilo que há muitos anos me ensinavam na Faculdade, Agostinho - a diferença entre the law in the books and the law in action.
      A verdade é, também muito por culpa das sucessivas administrações portugueses, que não quiseram ou não souberam implementar o ensino e a utilização da Língua Portuguesa em Macau, esta nunca teve aqui grande implementação.
      Bem diferente do que aconteceu com os ingleses ali ao lado em Hong Kong.
      Aquele abraço

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    1. Vou citar António Guetrres na frase que o celebrizou, Majo - é a vida... :(
      Beijinhos

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  6. O mito foi desfeito, Pedro.
    A questão é saber se vai voltar.
    Abraço

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    1. Vai, António, tenho a certeza que vai.
      E muitas vezes.
      Aquele abraço

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  7. É uma pena que se vá perdendo essa utilização da lingua portuguesa!
    Beijinhos

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    1. Enquanto houver rezingões que não se calem há esperança, Chic'Ana.
      Estarei sempre disposto a dar o meu pequeno contributo nesse sentido.
      Beijinhos

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  8. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Fico cá baralhado, como dizem no reino distante além-mar, em imaginar a vivência com duas línguas oficiais.
    Valha-me Camões...
    Caloroso abraço. Saudações baralhadas.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver, sem véus, sem ranços, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

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    1. Não é fácil exige grande esforço e coordenação, para além de formação, mas vale a pena.
      A visão de Pequim para Macau é ter aqui uma sociedade quadrilingue (cantonense, mandarim, português, inglês) e um centro de difusão e aprendizagem da Língua Portuguesa.
      A minha mulher e as minhas filhas são multilingues.
      Eu ando a tentar.
      As línguas latinas e o inglês já domino.
      O cantonense um bocadinho da fala (percebo mais do que falo).
      Mas nunca é tarde para aprender mais.
      Aquele abraço

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  9. Aqui cabe bem o ditado : "Olha para o que eu digo, mas não para o que eu faço" (ou tenciono) ! :(
    Serão precisos muitos Valentes, Jorge Neto !!! :)

    Abraço

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    1. Mas o Jorge Neto Valente, que até foi meu colega de mestrado e é um craque, não se atemoriza, Rui.
      Aquele diz o que pensa.
      Muita gente não gosta dele por isso mesmo.
      Eu só espero é que nunca lhe doa a língua.
      Aquele abraço

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  10. Um mito desfeito, mas não morto, (digo eu)
    Abençoada frontalidade de Jorge Neto Valente.

    Beijinho Pedro

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    1. Que não lhe doa a língua, digo eu, Adélia.
      Beijinhos

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