25 de outubro de 2016

Citizens arrest



Nesta Macau que se quer Centro Internacional de Turismo e Lazer, Ng Kuok Cheong, na sua qualidade de deputado eleito na Assembleia Legislativa de Macau, terá ontem tentado introduzir no ordenamento jurídico da Região Administrativa Especial de Macau um conceito jurídico típico da Common law.
A proposta de intervenção directa de qualquer cidadão no combate ao trabalho ilegal, esse fantasma que continua a assombrar certas luminárias em Macau, não pode enquadrar-se noutro conceito que não seja o de citizens arrest.
Deter os trabalhadores ilegais que forem encontrados, e manter os mesmos cercados e impedidos de se movimentarem até à chegada das autoridades policiais, não poderá ser outra coisa que não uma versão algo matizada de citizens arrest.
A bandeira do combate ao trabalho ilegal, da protecção da mão-de-obra local, a mesma que não existe ou se mostra incapaz de responder às necessidades da cidade, uma cidade que tem um nível de desemprego invejável (na prática é zero, como todos sabemos, porque os poucos desempregados que existem ou o são por opção ou por não serem empregáveis), é uma bandeira que continua a ser agitada pelas mais variadas forças que compõem o sui generis parlamento macaense e a ser instrumento da mais despudorada caça ao voto.
Citizens arrest na caça ao trabalho ilegal? E porquê ficar só por aqui? Que tal também no combate aos taxistas que caçam passageiros? E aos automobilistas que desrespeitam as passadeiras, as regras da prioridade e a proibição de utilizar o telemóvel quando conduzem o seu veículo? E aos peões que desrespeitam as passadeiras e os semáforos? E a tudo o mais que seja susceptível de violação legal, porque não?!
Com as eleições para a Assembleia Legislativa ainda algo distantes no horizonte político, propostas como esta, e declarações populistas e demagogas como as que se vão ouvindo frequentemente, fazem temer o pior no período oficial de campanha eleitoral.


18 comentários:

  1. Em ano de eleições acontecem aparecem sempre ideias malucas.
    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estes tipos não têm vergonha na cara, Elvira Carvalho.
      Fui há bocadinho entrevistado por um jornal local acerca deste assunto.
      Como é óbvio não fui eu o único a ficar indignado com estas declarações.
      Um abraço

      Eliminar
  2. Começa a faltar pachorra para ouvir estes desenquadrados da vida real que são os deputados.
    Um abraço e boa semana.
    Andarilhar

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oportunismo, demagogia, xenofobia, tudo em poucos minutos de discurso, Francisco.
      Ainda vai aparecer uma alminha que siga Duterte e sugira que se abatam os trabalhadores ilegais.
      Aquele abraço, continuação de boa semana

      Eliminar
  3. Há palermas para todos os gostos, Pedro.
    E, o que é pior, reproduzem-se a uma velocidade vertiginosa.

    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. E estes tipos fizeram-se passar durante muito tempo por democratas (são sufragistas estou farto de o dizer) e católicos.
      Tá bem abelha!
      Aquele abraço

      Eliminar
  4. Tudo se faz em ano de eleições, é uma coisa incrivel!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As eleições são só no próximo ano, Chic'Ana.
      Tremo só de pensar no que aí vem.
      Pela amostra.... :(
      Beijinhos

      Eliminar
  5. Ainda bem que grande parte das promessas eleitorais, não passam disso. Não consigo compreender como é que uma promessa deste tipo consegue atrair votos ...
    beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Infelizmente é bem possível que este discurso xenófobo, populista, quase racista, atraia votos, Isabel.
      É isso deixa os eleitores muito mal no retrato.
      Beijinhos

      Eliminar
  6. Só para dar os parabéns, Pedro, pelos felizes 19 anos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foi um dia calmo, tranquilo, Teresa
      Tínhamos celebrado a dois no domingo.

      Eliminar
  7. Bem, Pedro, parece que a onda populista, longe de ser travada, grassa por todo o lado. A mediocridade veio mesmo para ficar.

    Abraço :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como a publicidade da Toyota, AC - veio para ficar e ficou mesmo.
      Aquele abraço

      Eliminar
  8. É tipo fascista! Tipos destes nunca deveriam ter hipótese de se aproximarem do governo.

    Beijinho Pedro com desejo que tivesse um feliz dia.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas o mais curioso é que estes indivíduos é que são tidos como os democratas cá do sítio, Adélia.
      Democratas e católicos.
      Como democratas e católicos destes o que serão os totalitaristas e agnósticos????
      Beijinhos (foi, foi um dia tranquilo e feliz)

      Eliminar
  9. Não fosse triste, até daria para rir...
    Beijinhos.
    ~~~~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas é triste, Majo, muito triste.
      E é esta a suposta ala democrata e católica.
      Livra!!

      Eliminar