3 de maio de 2016

Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (APT)


O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (APT), mais conhecido pelas suas siglas inglesas TTIP ou TAFTA (Transatlantic Trade and Investment Partnership e Trans-Atlantic Free Trade Agreement, respectivamente), será talvez o passo mais ousado no processo de remoção de barreiras na vertente comercial alguma vez tentado a nível mundial.
Um tratado de livre comércio entre União Europeia e Estados Unidos seria uma utopia de alguns visionários ainda há bem pouco tempo.
Da utopia à realidade, das intenções à sua formalização e implementação, iremos nos próximos anos assistir a uma verdadeira epopeia negocial entre os dois grandes blocos.
As negociações decorrem desde 2013, vão na sua décima terceira ronda, a informação acerca dos desenvolvimentos das mesmas é escassa e gerida com o máximo cuidado.
Apesar da pouca informação existente, o que se percebe claramente é que este possível acordo terá ainda um longo caminho a percorrer até poder ver a luz do dia.
As negociações são difíceis, complexas, duras.
Cenário agravado pelas imensa desconfiança e dúvidas que suscitam nas opiniões públicas dos dois blocos.
O papão da globalização assusta, faz temer a deslocalização de indústrias, o consequente desemprego, uma realidade bem diferente das promessas, a nível de segurança alimentar e ambiental, a nível do papel dos Estados, dos seus sistemas de Justiça, da sua soberania.
A previsão de crescimento económico em números brutais (130 biliões de euros na União Europeia, 90 biliões nos Estados Unidos, 100 biliões a nível mundial) não é suficiente para vencer as desconfianças que se acumulam com o carácter quase secreto que caracteriza o processo negocial.
Neste cenário só parece prudente apostar num processo negocial que se vai arrastar por um período de tempo muito longo.
Um período de tempo que ultrapassará largamente o mandato presidencial de Obama.
O mesmo Obama que sonhava concluir o tratado antes do final do seu mandato presidencial, não só por uma questão de brio e de vitória pessoal, mas como manifestação de um claro receio acerca do futuro do mesmo nas mãos de um governo liderado pelos tiques nacionalistas de Donald Trump.

20 comentários:

  1. Sinceramente tudo isto é areia demais para a minha camioneta. Sei apenas e a história confirma isso que os EUA levantam-se rapidamente de qualquer queda, mas temo que esse de tal Trump venha a ser presidente pelo seu enorme egocentrismo.

    O mundo, os continentes continuam em grande mudança e na maioria em prol da miséria dos seus povos.

    Estarei errada? Talvez...

    Beijocas e um bom dia

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    1. Eu não só temo que Trump venha ser presidente, como tenho muito medo que isso aconteça, Fatyly.
      O homem não é só parvo, é perigoso.
      E um parvo perigoso, a comandar o país mais poderoso da Terra, é assustador.

      Acredito que este acordo venha a ser adoptado.
      Já há alguns anos, quando fazia mestrado, um dos maus mestres nos dizia que a tendência era esta, a progressiva eliminação de barreiras que constituam entraves ao livre comércio.

      Beijocas, um bom dia aí para Portugal

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  2. Espero sinceramente que o Trump não seja eleito, acho que as pessoas ainda não se aperceberam bem da dimensão deste problema..
    Beijinhos

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    1. Seria uma tragédia, Chic'Ana.
      Não estou a exagerar, a eleição de Trump seria uma tragédia.
      Beijinhos

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  3. Pois é este tratado esteve a ser cozinhado nas costas de todos nós europeus, sinceramente não sei no que esta liberalização possa vir a dar, como diz o primeiro comentário é areia demais para a minha camioneta.
    Um abraço e uma boa semana.

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    1. A tendência para a remoção de barreiras aos livre comércio não é novidade, Francisco.
      A própria União Europeia foi Comunidade Económica Europeia antes de tudo.
      O que não pode acontecer é a negociação de matérias tão sensíveis, é tão importantes para o futuro dos cidadãos, nos gabinetes fechados.
      Aquele abraço, boa semana

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  4. Pedro, este é um péssimo acordo para a Europa e "no pasa nada", ultra-secreto, acordo dissimulado que só agrada aos EUA.

    Trump não vencerá, mas andará lá perto, de tal forma que, daqui a 5 anos, terá legitimas aspirações ao cargo.

    Aquele abraço.

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    1. Com a ameaça do gigante chinês cada vez mais presente, Europa e Estados Unidos procuram reagir e encontrar alternativas, Ricardo.
      É pena que o façam longe das opiniões públicas e mesmo à revelia dessas opiniões públicas.
      Devia ser ao contrário.

      Se Trump não ganhar, e eu espero que não ganhe, não acredito que se meta noutra.
      Vá de retro!!!

      Aquele abraço

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  5. Daqui até lá (APT) não nos doa a barriga.
    É o que me parece.

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    1. Mas é que é isso mesmo, António.
      Até que o tratado veja a luz do dia muitos cabelos brancos nos aparecerão.

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  6. Penso que não será nada bom este acordo, já as eleições é
    assustador se Trump ganhar e não me refiro só aos ideais dele, mas principalmente ao povo que vota nele.

    Beijinho Pedro

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    1. O acordo estamos para ver o que dali vai sair, Adélia.
      Mas uma postura de cautelosa desconfiança é sempre aconselhável.

      Com Trump é que não há dúvidas - será mau, muito mau.

      Beijinhos

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  7. Pois é amigo e será bom ou mau para nós portugueses?
    Contamos alguma coisa nessa negociação ou não?
    Bem, já não deve ser no meu tempo, mas que há
    pessoas preocupadas com o assunto, parece haver.
    Abraço amigo.
    Irene Alves

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    1. Perguntas para as quais não tenho resposta, Irene Alves.
      E que vai demorar muito até terem resposta.
      Um abraço

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  8. A crónica levanta alguns pontos para reflexão, o que é bom, Pedro. Do processo negocial muito pouco se sabe, mas, desconfio, irá responder, ou corresponder, aos interesses das grandes corporações. Se isso acontecer quem se lixa é o mexilhão". Acho que toda a gente já percebeu que a Europa (CEE>UE) é aquilo que os EUA querem. Quem veio resolver os conflitos armados sempre que foi necessário, o último que me lembre o dos Balcãs? E a CEE foi criada na Guerra Fria com a URSS.
    A integração europeia está feita e a ideia original dos fundadores da CEE, muito bonita e democrática, acabou. Portugal está para a UE assim como a UE estará para os EUA: Free Trade. Estão a ver os pequenos a ir vender uns cestos de batatas ao mercado?
    Abraço

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    1. A ideia é essa mesmo, Agostinho - free trade, a remoção de barreiras alfandegárias e outras.
      O que implica muitas questões, muitos perigos, um longo processo negocial.
      Um abraço

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  9. Este acordo vai ser catastrófico para a Europa e para a democracia. Há anos que várias ONG vêm denunciando o que se está a esconder, mas a comunicação social tem-se mantido em silêncio e ao lado do poder. Como já é habitual...

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    1. Porque é que me lembrei da expressão silêncio ensurdecedor, Carlos??

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  10. Temos aqui no Brasil um projeto de Trump, muito pior que o original, supomos.
    Que essa má sorte não nos atinja, nem cá, nem lá na América do Norte.

    Abraços.

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    1. Tudo o que se relaciona com Trump e a sua mundividência (???) é assustador, Milene Lima.
      Se o original é muito mau, as cópias serão de fugir.
      Abraços

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