31 de maio de 2016

A crise já chegou ao património?


Decorriam celebrações eucarísticas na Igreja de Santo Agostinho no passado domingo quando uma parte do telhado do monumento, património mundial classificado pela Unesco, ruiu.
Felizmente não resultaram vítimas deste incidente.
O que resultou foram sérias questões acerca do cuidado que estará a ser tido com a preservação do património classificado pela Unesco.
O património que afinal faz de Macau um local único no Mundo.
As entidades responsáveis falam de um problema causado pelas intensas chuvadas e pelo forte vento que se fizeram sentir muito recentemente.
Pouco convincente, convenhamos.
Chuvas e ventos mais fortes são susceptíveis, de per si, de causar danos desta natureza em património classificado?
As perguntas são óbvias e necessárias - então em que estado de conservação se encontra o edifício?
E é este o único edifício que enfrenta estes problemas?
Sendo este o único, ou havendo mais, de que estão à espera as autoridades de Macau para os reparar e preservar?
Não estaremos a pisar o risco que delimita a classificação da desclassificação pela Unesco?
E estaremos dispostos a passar pela vergonha da desclassificação?
Last but not least, porque é que se deixa deteriorar o património único e inimitável de Macau?
Nem quero pensar que estejamos a assistir às primeiras consequências de cortes orçamentais determinados pela hipotética crise económica...
Porque, se for essa a razão, numa cidade cheia de dinheiro para patos e patos bravos, estamos perante um atentado, um procedimento próximo do criminoso, face ao património classificado.

28 comentários:

  1. O que se passou foi mesmo criminoso, numa zona o dinheiro circula com abundância e em que alguns patos bravos enchem os bolsos não é admissível que situações destas aconteçam.
    Alguém tem que ser responsável.
    Continuação de uma boa semana.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já deu para perceber que a culpa vai ficar com a chuva e o vento, Francisco.
      E vai embora com a chuva e o vento também.
      Aquele abraço, continuação de boa semana

      Eliminar
  2. Muito bem, Pedro. Há muita gente que não entende o valor do património (os tais que se ocupam na leitura das vacuidades e morbidez de alguns tablóides nem se apercebem destes problemas). Depois há na cabeça dos políticos e responsáveis da gestão pública assuntos "muito mais prioritários" como dar milho aos patos.
    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O que faz de Macau um local único é o extraordinário património cultural que possui, Agostinho.
      Quem não perceber isto, mesmo depois da classificação da Unesco, vai para além de estúpido.
      E é bom perceber também que a Unesco depressa pode retirar a classificação atribuída.
      Para que isso não aconteça há um caderno de encargos a cumprir.
      E uma das tarefas primordiais desse caderno de encargos é preservar esse património.
      Será tão complicado perceber e executar???
      Aquele abraço

      Eliminar
    2. Mas isso é valido em todo lado. É a cultura de um povo que decide definitivamente a sua identidade e o seu futuro. É um valioso activo, Pedro.
      Abraço.

      Eliminar
    3. Continua a haver aqui algumas alminhas pendas que não querem perceber isso, Agostinho.
      Aquele abraço

      Eliminar
  3. Não faço ideias, mas espero sinceramente que perservem a riqueza de Macau!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Seria crime não o fazerem, Chic'Ana.
      Beijinhos

      Eliminar
  4. ~~~
    Concordo inteiramente.

    ~~~ Beijinhos.~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Procure ver o lindo património classificado de Macau, Majo.
      Não cuidar dele é criminoso.
      Esta Igreja foi onde foi baptizada a Catarina.
      Beijinhos

      Eliminar
  5. A crise chegou foi aos valores essenciais, Pedro!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há aqui muita gentinha que só conhece valore$$$, São :(

      Eliminar
  6. Não será, certamente, por falta de dinheiro.
    À atenção, urgente, das autoridades de Macau, Pedro.
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ouvia há bocadinho que Macau tem o segundo PIB per capita no ranking dos mais altos do mundo, António.
      Atrás do Luxemburgo.
      Não sei se isto corresponde à verdade.
      Sei que está muito mal distribuído, muito mal gasto, e que se gasta rios de dinheiro em porcarias que o não justificam.
      E estas alminhas continuam a falar em crise a apregoar cortes orçamentais.
      Loucos!!
      Aquele abraço

      Eliminar
  7. Do outro lado do mundo e os mesmos problemas...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Infelizmente esta (quase) indiferença pelo património é generalizada, Cristiano

      Eliminar
  8. Tocou-me saber desta noticia porque eu vivo numa região que é património mundial, o Alto Douro Vinhateiro. E se é um desafio preservar um monumento, o que dizer de uma paisagem cultural? A UNESCO distingue e premeia, mas este presente é uma responsabilidade disfarçada. A responsabilidade de preservar e fazer o melhor da distinção atribuída. Estamos em lados opostos do mundo, mas os problemas são comuns.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois é, Briseis, a distinção de Unesco não é só um prémio, é antes de tudo uma obrigação de manter e preservar o que foi classificado.

      Eliminar
  9. A crise quando nasce é para todos, Pedro. Infelizmente, as primeiras vítimas não humanas são a cultura e o património. Aí com o cá.
    Abraço e boa semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não há crise nenhuma, Carlos.
      Tira-me do sério ouvir esta gente falar de crise quando está senta no segundo PIB mais alto do Planeta.
      Obviamente que, se esse dinheiro todo é mal gasto, e é muito fácil gastar dinheiro!!, as estatísticas não valem nada.
      O tal frango que, entre nós os dois é comido metade cada um.
      Como eu não gosto de frango, e não como frango, o Carlos na realidade abocanha-o todo.
      E há aqui muito boa gente a papar tudo.
      Até os ossos!
      Aquele abraço, boa semana

      Eliminar
  10. Possivelmente não têm sensibilidade, uma vez
    que falta de dinheiro, não é!
    Quem sabe se também pouco lhes interessa
    conservar tal património.
    Um abraço, amigo.
    Irene Alves

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O património não se protege nem se mantém sentado na secretária, Irene Alves.
      Há que ir para a rua, ver as coisas, prevenir e não remediar.
      Um abraço

      Eliminar
  11. A crise está em tudo o que não dá dinheiro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas o património dá dinheiro, Isabel.
      Macau, sem o património, o que é que seria??
      Os casinos iguais aos de Las Vegas???

      Eliminar
  12. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Lastimo sobremaneira saber deste infausto acontecimento que deixa patente a inoperância e descaso dos órgãos responsáveis por zelar dos bens tombados da cidade de Macau.
    Como tu sabes sou Conselheiro do Conselho do Patrimônio de Diadema e temos que dar "murros em ponta de faca" para ao memos tentar solicitar o tombamento de bens patrimoniais.
    Caloroso abraço. Saudações inconformadas.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver, sem véus, sem ranços, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se há algo que faz de Macau um sítio único é o extraordinário património que possui, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Quem não entender isto, mesmo depois da classificação pela Unesco, só pode ser profundamente estúpido.
      Aquele abraço

      Eliminar
  13. Há uns anos, aconteceu o mesmo na Igreja de Santa Maria de Lagos.
    Felizmente a recuperação foi feita e o monumento ficou impecável.
    Espero que aconteça o mesmo aí.
    Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quero acreditar que sim, Elvira Carvalho.
      Mas, como sou exigente, o que eu quero mesmo é que estas situações não se repitam.
      Abraço

      Eliminar