27 de janeiro de 2016

Quando me amei de verdade (Carlos Drummond de Andrade)


Quando me amei de verdade, 
compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome… auto-estima.
Quando me amei de verdade, 
pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. 
Hoje sei que isso é… autenticidade.
Quando me amei de verdade, 
parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento 
Hoje chamo isso de… amadurecimento.
Quando me amei de verdade, 
comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. 
Hoje sei que o nome disso é… respeito.
Quando me amei de verdade, 
comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. 
De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama… amor-próprio.
Quando me amei de verdade, 
deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. 
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… simplicidade. 
Quando me amei de verdade, 
desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes. 
Hoje descobri a… humildade.
Quando me amei de verdade, 
desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. 
Hoje vivo um dia de cada vez. 
Isso é… plenitude. 
Quando me amei de verdade, 
percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. 
Tudo isso é…. saber viver!

14 comentários:

  1. Isso é o saber viver que nem sempre o amadurecimento nos proporciona. Chegar a esta fase da nossa vida requer muitos e muitos anos de introspeção e observação. Sortudos aqueles que conseguem essa benção!

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    1. Sem dúvida, Catarina.
      Vamos aprendendo a viver, aprendendo a gostar de nós próprios para estar bem com os outros.
      Esta peça de Carlos Drummond de Andrade é simplesmente sublime!

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  2. Muito bonito.
    A plenitude é recente, na medida de que não mais me angustio com o futuro, rsss.
    Bem, a bem da verdade, por vezes ainda acordo sobressaltada e sou soterrada em pensamentos aflitivos e incógnitas. Mas sem ser nesse estado entre "lá e cá", consciente, o futuro e o passado ficam distantes e o presente torna-se mais relevante.

    O resto sempre teve muito a ver comigo mas sem dúvida que, quando mais se vive, mais nos aperfeiçoamos. Pelo menos em alguns sentidos.

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    1. O tal saber de experiência feito, Portuguesinha.
      Que Carlos Drummond de Andrade aqui tão bem retrata.

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  3. ~~~
    ~ Um grande poema e uma aula brilhante de psicologia.

    ~~~ Beijinhos. ~~~~~~~~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  4. Drummond de Andrade, deixou-nos um espólio riquíssimo de sabedoria e beleza: A sua Poesia, ímpar. Não conhecia este poema e adorei.
    Obrigada pela partilha, Pedro!

    Beijinhos

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  5. Lindo, lindo e o melhor é que me sinto muito proximo desse maravilhoso estado.
    bjs

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    1. De uma maneira ou de outra acho que chega a um momento da vida em que todos sentimos isto, papoila.
      Bjs

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  6. Drummond de Andrade era além de um grande poeta um sábio.
    Abraço

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  7. Um grande poeta. Até se alcançar aquele estado muita luta é precisa.

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    1. Luta e sabedoria que só chegam com a idade, Agostinho

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