30 de novembro de 2015

Diário de uma condutora loira


Querido diário:

07 de Janeiro
Passei no exame de condução! 
Posso agora conduzir o meu próprio automóvel, sem ter de ouvir recomendações dos instrutores, sempre a dizerem-me: «Por ai é sentido proibido!», «Vamos contra a mão!», «Olha a velhinha!», «Trava! TRAVA!» e outras coisas do género. 
Nem sei como aguentei estes últimos 2 anos e meio.
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08 de Janeiro
A escola de condução fez-me uma festa de despedida. 
Os instrutores nem querem dar aulas. 
Um deles disse que ia a missa, julgo que vi outro com lágrimas nos olhos e todos disseram que iam embebedar-se para comemorar. 
Achei simpática a despedida, mas penso que a minha carta não merecia tal exagero.
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12 de Janeiro
Comprei carro.
Infelizmente tive que o deixar no concessionário para substituir o para-choques traseiro pois quando tentei sair meti marcha-atrás em vez da primeira. 
Deve ser falta de prática, há uma semana que não conduzo!
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14 de Janeiro
Já tenho o carro. 
Fiquei tão feliz ao sair do stand que resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiveram a mesma ideia, pois fui seguida por inúmeros automóveis, todos a buzinar como num casamento.
Para não parecer antipática entrei na brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5km/h. 
Os outros gostaram buzinando ainda mais.
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22 de Janeiro
Os meus vizinhos são impecáveis. 
Colocaram posters avisando em grandes letras: «ATENÇÃO ÀS MANOBRAS!», marcaram com tinta branca um lugar bem espaçoso para eu estacionar e proibiram os filhos de sair a rua enquanto durassem as manobras. 
Penso que é tudo para não me perturbarem. 
Ainda há gente boa neste mundo.
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31 de Janeiro
Os outros automobilistas estão sempre a buzinar e a acenar-me. 
Acho isso simpático, embora um pouco perigoso. 
É que um deles apontou para o céu com o dedo espetado. Quando procurei ver o que me apontava, quase bati. 
Valeu que eu ia a minha velocidade cruzeiro de 10km/h.
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10 de Fevereiro
Os outros automobilistas tem hábitos estranhos. 
Para além de acenarem muito, estão sempre a gritar. 
Não os ouço, por ter os vidros fechados mas julgo que me querem dar informações. 
Digo isto porque julgo ter percebido um a dizer «Vai para casa!». 
A ser verdade, é espantoso. 
Não sei como ele adivinhou para onde eu ia. 
De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão de abrir os vidros vou tirar muitas dúvidas.
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19 de Fevereiro
A cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje a minha primeira condução nocturna e tive de andar sempre nos máximos para ver convenientemente. 
Todos os outros automobilistas com que me cruzei pareciam concordar comigo, pois também ligaram os máximos e alguns chegaram mesmo a acender outros faróis que tinham. 
Só não percebi a razão das buzinadelas.
Talvez para espantar qualquer cão ou gato. 
Sei lá!
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26 de Fevereiro
Hoje tive um acidente.
Entrei numa rotunda, e como havia muitos automóveis (não quero exagerar, mas deviam ser, no mínimo uns quatro), não consegui sair. 
Fui dando voltas bem juntinho ao centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por ficar tonta e fui chocar com um monumento no centro da rotunda. 
Acho que deviam limitar a circulação nas rotundas a um carro de cada vez.
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3 de Marco
Estou em maré de azar. 
Fui buscar o carro à oficina e logo à saída troquei os pés acelerando a fundo em vez de travar. 
Abalroei um carro que ia a passar amassando-lhe o lado direito todo. 
O automobilista era, por coincidência, o engenheiro que me fez o exame de condução. 
Um bom homem, sem dúvida.
Insisti em dizer-lhe que a culpa era minha mas ele, educadamente, não parava de repetir: 
«Que Deus me perdoe! Que Deus me perdoe!»

BOA SEMANA!!

27 de novembro de 2015

Tipos de peidos


Apaixonado - assume o peido da mulher amada;
Artista - ensaia antes de peidar;
Assassino - estrangula o peido;
Atleta - peida e sai correndo;
Azarado - aquele que peida e o peido sai alto;
Cientista - engarrafa o peido para analisar;
Cínico - peida e pergunta quem peidou;
Corajoso - avisa que vai peidar;
Covarde - peida e foge do mau cheiro;
Delegado - prende o peido;
Educado - pede licença para peidar;
Egoísta - aquele que peida debaixo do cobertor para cheirar sozinho;
Fingido - peida e fica sério;
Hippie - considera o peido uma manifestação de arte;
Incendiário - acende um fósforo para ver se pega fogo;
Infantil - peida na água só para fazer bolhinhas;
Inteligente - peida e sai de perto;
Irresponsável - sabe que está com diarreia e mesmo assim arrisca um peido;
Meteorológico - peida e diz que foi um trovão;
Músico - aquele que peida em vários tons;
Ninja - silencioso, mas mortal;
Oportunista - aproveita o peido dos outros para soltar o seu;
Político - peida e promete que vai cagar;
Professor - dá aulas de Flatulência Aplicada;
Rebelde - usa o peido como forma de protesto;
Religioso - aquele que peida e vai-se confessar;
Veterano - reúne os velhos amigos para lembrar dos peidos de antigamente;

Às vezes, quando você chora, ninguém percebe suas lágrimas.
Às vezes, quando você está feliz, ninguém percebe seu sorriso.
Mas peide uma vez para você ver !!!

BOM FIM-DE-SEMANA

26 de novembro de 2015

Ramalho Eanes recebe Prémio Internacional da Paz Gusi 2015



Passou quase despercebida a entrega ontem a Ramalho Eanes daquele que é conhecido como "Prémio Nobel da Ásia".
O Prémio Internacional da Paz Gusi, atribuído pela Fundação Gusi Peace Prize International, assim designado em homenagem ao capitão Gusi, combatente na II Guerra Mundial, líder político e defensor dos direitos humanos nas Filipinas, distingue personalidades que, pela sua obra e vivência, tenham deixado uma marca indelével na defesa dos valores humanistas e na defesa dos direitos humanos no Mundo.
Entregue a António Ramalho Eanes como público reconhecimento da sua dimensão e estrutura morais, acção política e social, justamente quarenta anos depois de Eanes ter sido fundamental no combate à tentativa de tomada do poder por forças de extrema esquerda em Portugal, facto que foi aliás referido na ocasião e que muito sensibilizou o laureado, passou um pouco ao lado do espaço noticioso em Portugal por estes dias quase exclusivamente ocupado por ministros e ministeriáveis. 
Ministros e ministeriáveis que fariam bem se olhassem para Ramalho Eanes e procurassem emular a sua postura moral, cívica e política. 
Quarenta anos depois, uma homenagem internacional que Ramalho Eanes não solicitou, que humildemente recebeu, que inteiramente mereceu e que Portugal quase ignorou. 


Intemporais (7)

25 de novembro de 2015

Incompreensível


O Porto de Lopetegui é definitivamente um caso que merece aprofundado estudo clínico.
Quando tem tudo a seu favor, a equipa claudica, falha incompreensivelmente.
A jogar em casa, tendo como adversário um Dínamo de Kiev pouco convincente, a precisar apenas de um empate para seguir em frente nesta edição da Champions, o Porto entrou com uma postura perfeitamente inaceitável.
A postura de um diletante que está inteiramente convencido da sua superioridade e de que será apenas uma questão de tempo até que essa superioridade se manifeste.
Como tantas vezes acontece nestas situações, e como tantas vezes já aconteceu ao Porto sob comando de Julen Lopetegui, esta postura dá lugar a perigosa sobranceria.
Quando do outro lado está uma equipa que estudou bem as fraquezas do adversário, que soube explorar as mesmas com uma boa dose de matreirice, a balança que parecia definitivamente inclinada para um dos lados começa a pender para o lado contrário.
Quando sofreu o primeiro golo a equipa do Porto ficou quase petrificada.
Seria possível?? Estar a perder, num jogo em casa, quando só era necessário empatar?? O que fazer agora??
Como é norma sob o comando de Lopetegui a equipa, quando se encontra a perder, fica sem reacção.
O que é que falta?
Liderança, obviamente.
Lopetegui mudou tudo (saiu Maxi, entrou André André, Layun foi para a direita, Danilo para o centro da defesa, Indi para a lateral esquerda) e não alterou nada.
Agora, com a obrigação de ganhar em Stamford Bridge (o empate deixaria todos com 11 pontos mas com o Porto em desvantagem face aos adversários directos), é melhor começar a preparar a participação na Liga Europa.
Incompreensível quando os oitavos da Champions estavam praticamente garantidos.

Dois pesos e duas medidas, não! (Frei Bento Domingues, O.P. Público 22NOV2015)


1. A Revista Islâmica Portuguesa Al Furqán fez uma declaração muito ampla sobre os acontecimentos de Paris. Destacamos a seguinte passagem: 
O ser humano merece viver em paz, independentemente de raça, credo ou cor. Não ao que aconteceu em Paris. Não ao que se passa na Palestina. Não ao que ocorre na Síria. Não ao que acontece no Iraque. Não ao que ocorre no Afeganistão. Não ao que se passa na Birmânia. Não e não aos massacres, não às atrocidades, não ao egoísmo e não à hipocrisia. Ninguém deve ser outro, mas sim o respeito mútuo. Merecemos viver num mundo melhor.
No mundo contemporâneo, global, nada é simples. Já quase não existem sociedades homogéneas do ponto de vista étnico ou religioso. Ao contrário da opinião corrente, como mostra L'Atlas des Religions (2015), nem todas as religiões são instituições petrificadas. Muitas delas evoluem, deslocam-se, recompõem-se como as culturas e as civilizações. 
Se é verdade que as religiões podem motivar e aumentar os conflitos, também podem e devem fortalecer a coabitação pacífica e intensificar a comunicação. Com uma diferença: quando a religião é convocada para abençoar a violência e para legitimar a guerra, atraiçoa a sua própria natureza; quando religa as pessoas, as comunidades e os povos vive a sua missão essencial. É próprio da cultura e da religião produzirem significações múltiplas. A violência e a guerra respondem quase sempre ao absurdo, com mais absurdo.
Em 1986, João Paulo II convocou para Assis, em Itália, os líderes das grandes religiões para rezarem pela paz, proclamando: nunca mais uns contra os outros; sempre uns com os outros. Participaram, nesse acontecimento memorável, personalidades judaicas, cristãs, muçulmanas assim como de religiões orientais e de tradições africanas. Foi retomado depois do 11 de Setembro para recusar o choque das civilizações e das religiões.
Diz-se que há mundos religiosos e políticos que recusam, por princípio, o caminho do diálogo. Perante a crise síria por exemplo, os grupos do califado ou do império islâmico declaram que não é o diálogo que lhes interessa, mas a luta armada até à morte ou à vitória. Seguem o caminho de bin Laden: os ocidentais querem diálogo, nós queremos a sua morte.
Por tudo isto e muito mais, nas últimas décadas, tornou-se corrente associar a violência e o terrorismo ao Islão. Porque não dar a conhecer as personalidades, os países e os movimentos muçulmanos que lutam contra o ódio e a guerra?

Deixemos, por instantes, outras questões históricas e os terroristas profissionais e seja feita a pergunta: qual poderia ser o contributo dos muçulmanos que vivem em países de liberdade religiosa para que esta seja reconhecida e praticada nos países islâmicos?

Pode parecer uma pergunta ingénua, mas é tempo de a fazer. Será longo e difícil este caminho para a grande maioria. Esta julgará normal que os seus países de origem recusem a liberdade às outras religiões e que, nos países onde vive e trabalha, lhe reconheçam não só a liberdade de culto como o absoluto respeito pelas suas expressões públicas. Isto por uma razão muito simples inculcada desde a infância: o Islão considera-se a si próprio como a religião mais simples e perfeita da revelação divina. O Corão é o próprio ditado de Alá a Maomé e constitui a fonte de toda a lei e de todo o direito: relações com Deus, culto, higiene, urbanidade, educação, moral individual, vida social e política.
Em tempos de crise, os fundamentalistas - de várias origens e diversas reconfigurações - acabarão por se considerarem os guardas da pureza islâmica, recorrendo, se for preciso, aos métodos mais radicais. A submissão a Deus pratica-se na vida toda. Não me espanta.

2. Ainda conheci, na Igreja Católica, o império de certos teólogos que atacavam, como heréticas e inimigas da sã doutrina revelada, as correntes cristãs que defendiam a tolerância e a liberdade religiosa e consideravam uma loucura o diálogo inter-religioso.

A argumentação era muito simples: só a verdade tem direito a afirmar-se e a defender-se publicamente. Para o erro não pode haver nem tolerância nem liberdade. A Igreja Católica é a única verdadeira Igreja cristã e a única verdadeira religião. Deve fazer tudo para impedir a divulgação do erro.
O mais espantoso é o seguinte: investigada sob todos os aspectos, desde o começo do Concílio Vaticano II, a declaração Dignitatis Humanae, sobre a liberdade religiosa, encontrou tantos obstáculos que só foi aprovada a 7 de Dezembro de 1965, apenas um dia antes do seu encerramento por Paulo VI. Seremos capazes de imaginar, hoje, a Igreja Católica contra a liberdade religiosa? Dir-se-á que é um texto menor comparado com as grandes constituições do Concílio. Sem estas não teria sido possível, mas é esta breve declaração que constitui o contributo maior do catolicismo para o diálogo entre os povos e entre as religiões.
Enquanto os países de maioria islâmica não deixarem praticar, nos seus espaços, a liberdade religiosa que para si reivindicam, estão a exigir que entre os seres humanos haja dois pesos e duas medidas. É a desumanidade. Não é bonito.

24 de novembro de 2015

Os cães correm, os criativos criam e os jovens arrendam


Já se sabe que a concessão da exploração do Canídromo de Macau ao universo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) foi renovada por mais um ano.
Colocado entre a espada da pressão interna e internacional no sentido de não renovação da concessão tendo em conta os maus-tratos que sofrem os animais e a violação dos seus direitos, e a parede dos fortes interesses sectoriais que se encontram a montante a jusante das actividades relacionadas com as corridas de galgos que ali são realizadas,  o Executivo de Macau optou por uma solução típica do mindset asiático - renovação da concessão por um ano.
Nem os defensores dos direitos dos animais teriam grandes razões de protesto porque se transmite a ideia que é uma renovação temporária, talvez até o princípio do fim do Canídromo, nem a SJM poderia reclamar vitória porque a sua directora executiva (Angela Leong) ainda no dia anterior dava conta da expectativa de uma renovação por um período mínimo de dois ou três anos.
Angela Leong que parecia fundamentar esta convicção na abertura da concessionária para auxiliar o Executivo na diversificação da economia, no apoio às indústrias criativas e culturais no espaço do Canídromo, inclusive no arrendamento de imóveis a jovens junto ao Canídromo com rendas mais baixas do que aquelas que são praticadas no mercado imobiliário.
No mínimo curiosos estes rebuçados (Angela Leong foi tocar todos os temas que são mais queridos, pelo menos no discurso, ao Executivo) depois de tantas décadas de concessão sem quaisquer propostas deste ou de outro teor por parte da concessionária.
Angela Leong ofereceu os doces.
O Executivo, quiçá em dieta, não aceitou a oferta e devolveu os doces à procedência com um bilhete de agradecimento (renovação da concessão por um ano).
Entretanto a instituição académica encarregue de elaborar um estudo relativo à renovação da concessão terá mais tempo para estudar e entregar os resultados desse estudo.
Daqui a um ano veremos o que faz Chui Sai On com esses resultados e com a concessão que agora renovou por um ano.

A violência nas religiões (ANSELMO BORGES DN 21 NOV 2015)


1. Na base das religiões está a experiência do Sagrado, de Deus, de quem se espera salvação para todos. Mas, depois, é o que se sabe: há uma brutal "história criminosa" das religiões, devendo, porém, acrescentar-se que essa história se estende ao ateísmo, que cai no mesmo paradoxo: uma das suas razões é a tolerância, mas, depois, foi também o horror - basta citar o nazismo e o comunismo e o seu ateísmo. E isto dá que pensar.
Como faz notar o teólogo J. I. González Faus, "a violência não é própria da experiência crente: é, sim, intrínseca ao ser humano", por necessidade de autodefesa e de sobrevivência, sobretudo por causa da sua dimensão racional e da pretensão de universalidade, intrínseca à razão: "A maior parte das violências impostas por alguns contra outros apenas pretendiam, em teoria, fazê-los "entrar na razão" ou "aceitar a verdade"." Nas religiões, lá está o alegado encontro exclusivo com a verdade e a necessidade de impô-la, precisamente para defender a verdade e Deus. Foi isso que aconteceu também com o comunismo, que, segundo uma expressão de Karl Marx, "é a resolução do enigma da história e sabe que o é".
O ser humano é finito, carente e mortal. Quando julga encontrar a verdade, a verdade única e toda, encontra o bálsamo da existência: o da verdade salvadora. Como precisa de segurança, de reconhecimento, de superar a carência, a finitude, a mortalidade, não tolera a dúvida, a diversidade, e vai impor "a verdade", justificando-se, nesse propósito, a agressão e a violência.
O pensamento total desemboca em totalitarismo. Por isso é que quem julga deter a verdade única, toda, não pode ter do seu lado o exército e a polícia. Para não acontecerem as tragédias da barbárie. Quando a Igreja pensou deter a verdade toda e tinha do seu lado o poder, surgiu a Inquisição. Com o "socialismo real" e a pretensa solução do enigma da história, foi o goulag. Lá está a perversidade: a alegada posse da verdade total também serve para justificar interesses outros que não são os da verdade e que têm que ver com a dominação, o poder, que quer sempre mais poder. É mesmo isso: levamos connosco a ilusão de que, se fôssemos omnipotentes, com o poder todo, mataríamos a morte. Sempre a ilusão de ser Deus, concebido como omnipotência, no sentido de domínio total. Mas o núcleo da revelação cristã é que Deus não é Poder infinito enquanto dominação, mas Força infinita de criar e de amar. No entanto, no Credo, mesmo no Credo, não se diz explicitamente a única "definição" de Deus no Novo Testamento: "Deus é amor incondicional." E ainda funciona um "Deus dos exércitos" e, segundo a tradição, há um bispo das Forças Armadas e Segurança, mas não há um bispo da Cultura, da Saúde e da Segurança Social.
2. A questão não é a experiência religiosa mística, pela sua própria natureza, antiviolenta, felicitante e que traz salvação. A questão é o que as religiões fizeram e fazem de Deus.
No dizer do filósofo Frédéric Lenoir, isto vê-se concretamente nos monoteísmos, por se julgarem detentores da "verdade única que lhes foi dada por Deus". Deve juntar-se a tal atracção do poder, que torna as religiões violentas. "O caso do judaísmo é típico, pois durante mais de dois mil e quinhentos anos foi uma minoria politicamente dominada ou perseguida." E lá está ainda hoje o terrível fanatismo. De qualquer modo, Javé é um Deus muito violento. O cristianismo é a religião do amor e começou por ser pacífico e violentamente perseguido. As coisas mudaram desde o século IV, com Constantino, e sobretudo a partir de 380, ao tornar-se religião de Estado, numa união religioso-política. De religião perseguida, começou a tornar-se perseguidora e implacável para com os infiéis não cristãos e os cristãos heréticos. Santo Agostinho já fala em "perseguição justa". Depois, são as cruzadas, fazendo o papa Urbano II apelo à guerra santa: "Deus o quer." E a "santa inquisição". Santo Tomás de Aquino escreveu: "Os hereges merecem ser suprimidos do mundo pela morte." E o ódio aos judeus. E a brutalidade da conquista da América e do tráfico de escravos. O Alcorão prega a guerra santa contra os infiéis: "Profeta, combate contra os infiéis e sê duro com eles" (9, 73); "Infundirei o terror nos corações dos que não acreditem. Cortai-lhes o pescoço" (8, 12). E Lenoir lembra que Maomé foi ele próprio "ao mesmo tempo um chefe espiritual e político, e um guerreiro". Participou em 60 batalhas.
A história mostra que também o hinduísmo e o budismo não estão imunes à violência, por vezes brutal, exercida até por monges.
3. O casamento das religiões com o poder e a política corrompe-as. Aí está porque, para lá da urgência do diálogo inter-religioso, condições essenciais para a paz são a leitura histórico-crítica dos textos sagrados e a laicidade do Estado, com a separação da(s) Igreja(s) e do Estado e o respeito pelos direitos humanos.

23 de novembro de 2015

Qual é o título do filme??



Um agricultor tinha duas galinhas de estimação das quais ele gostava muito: seus nomes eram Odi e Célia.
Uma noite elas não o deixaram dormir pois estavam cacarejando muito.
Quando amanheceu, ele pegou o milho delas e encheu com dinamite e jogou para elas comerem.
Qual o título do filme?
Dois MILho e BUM, ODI e CÉLIA no espaço!

BOA SEMANA!!

Rosário e vinho


Numa pequena cidade do interior o padre recebe a visita de um vigário de uma outra paróquia.
Após um farto almoço, começam a conversar.
- As coisas por aqui não parecem ser muito agitadas - comenta o padre visitante.
- Você tem toda a razão, meu caro!
A vida aqui é muito monótona, rosário, vinho, rosário, vinho... assim a gente vai levando!
 Faz uma pequena pausa e logo dá um berro em direcção à cozinha: 
- Rosário! Traz mais vinho!

A irmã do Joãozinho


Isabel, irmã do Joãozinho,casou-se e foi morar para o andar de cima, mas mesmo assim continuava a comer com os pais.
 Certo dia a mãe chama a Isabel e ela:
- Já vou mãe, não demoro.
Diz o Joãozinho:
 - Não demora não! Eu sei o que é que eles estão a fazer.
A mãe: - Deixa de ser parvo e cala-te!
Isabel, anda p'ra mesa!
- Já vou mãe! 
– Ehehe eu sei o que eles estão a fazer! 
O puto leva um tabefe e cala-se.
 Passado quase meia hora:
- Isabel, filha, despacha-te que a comida fica fria!
Diz a filha quase a chorar: 
- Oh mãe já vou!
O Joãozinho então desata a rir.
 - Eu sei o que eles estão a fazer.
A Isabel pediu-me o tubo da vaselina e eu dei-lhe o da cola!!!!

20 de novembro de 2015

Dicionário Alternativo (actualização)


ABAFADO - Fado cantado por um grupo muito em voga nos anos 70; 

ABAIXADOR - Aquilo que sentimos quando somos atingidos nas 'partes baixas'; 

ABANANAR - Adormecer ao som da música dos ABBA; 

ABARBATAR - Fazer transas com a barba; 

ABASTECER - Tecer as abas; 

ABDICATIVO - 'Abdi' que está preso (seja lá o que for um ABDI); 

ABDOMINAL - Muito feio (Ex.:"Abdominal homem das neves"); 

ABELOIRA - Nome que se dá nas beiras a um pássaro de coloração amarela; 

ABISMADO - pessoa que caiu no abismo; 

ABLEGADO - Agradecimento feito por um japonês recém chegado a Portugal; 

ABREVIADO - Bisturi destinado exclusivamente à operação de Gays; 

ABSORVEDOR - Remédio milagroso que tira todo o tipo de dores; 

ABSTERGENTE - Ignorar pessoas , ou pô-las de parte; 

ABUNDAR - Tornar algo parecido com a 'bunda'; 

ACABADOR - O mesmo que ABSORVEDOR; 

ACABRAMAR - Estar apaixonado por uma cabra; 

ACAPACHAR - Acto de achar a capa; 

ACHUMBAR - Bar para pessoas constipadas; 

ADMIRADOR – Masoquista; 

ADORADOR - Ver ADMIRADOR; 

AGUACHADO - Outro nome pelo qual era conhecido MOISÉS; 

AMACIAR - Adora fazer 'truca-truca'; 

AMADOR - Ver ADORADOR. O mesmo que masoquista; 

AMARELENTO - Adora levantar-se cedo , ou passar as noites na rua ao relento; 

AMARGADO - O mesmo que ACABRAMAR , só que este é mais abrangente; 

AMAZONAS - apreciador das zonas de baixo meretrício; 

AMBICIOSO - Pessoa que dá cio para os dois lados (BISSEXUAL); 

ANABÓLICO - Relativo a Ana Bola; 

ANALCIMA - Hmmmmmmmmm ... Também há analbaixo?; 

ANALECTOR - Pessoa que lê o futuro (ou o passado) pela forma do ânus; 

ANALFABÉTICO - Pessoa que consegue escrever com o ânus; 

ANALOGIA - Ciência que estuda o ânus; 

ANÃO - Ano bissexto (por ser descomunalmente grande); 

ANAPLÁSTICO - Nome de uma boneca (forte concorrente da 'BARBIE'); 

ANATÓMICO - Nome da filha mais velha de Albert Einstein; 

ANDAPÉ - Pessoa que não possui meio de transporte; 

ANDIROBA - Pessoa com licença de ladrão ambulante; 

ANIÃO - 'ANÃO' em espanhol; 

ANTIEVANGÉLICO - Pessoa que não gosta da música do Vangelis; 

ANTIGÉNIO - Pessoa muito estúpida; 

ANTIPAPA - Pessoa que está em greve de fome; 

ANTI-RÁBICO - Pessoa que é contra os homossexuais; 

AORTA - Local de cultivo , Quintal; 

APARTADO - Coisa ou local muito pequeno; 

APAVORAR - Oração feita pelos suecos ao seu Deus 'APAV'; 

APICIADURA - Sem comentários (seus badalhocos...); 

ARCUENSE - Ar que vem do ânus (Pop. peido ou bufa); 

ARGENTÃO - Pessoa aparentemente muito grande; 

ARMADURA - Pénis em estado de erecção; 

ARMARINHO - vento proveniente do mar; 

ARMÁRIO - Vento proveniente do litoral; 

ARMENTAL - Camada de ar no interior da cabeça; 

ARRETADURA - Grito de espanto ao aperceber-se da rigidez da coisa; 

ARRIMAR - Poema (Os versos acabam sempre ARRIMAR); 

ARTESÃO - Pessoa aparentemente excitada; 

ASSAFIADO - Assador que não recebe dinheiro; 

ATAFERA – Domador. 

ATAMARADO - Colete de forças; 

ATAVIADOR - Cinto de segurança utilizado pelo piloto e co-piloto de um avião; 

ATESTADOR - Enxaqueca ; Dor de cabeça; 

ATOLADOIRO - Coroa do rei; 

AVELAR – Ninho; 

AVOCATURA - Avô muito chato ou teimoso; 

AZARCÃO - Diz-se de uma pessoa com muita falta de sorte; 

BALATA - Insecto preto oriundo do Japão; 

BARACHAR - Encontrar local para matar a sede; 

BARÃO - Bar muito grande; 

BARATEZA - Bar para pessoas sem dinheiro; 

BARBAR - Bar para pessoas gagas; 

BARBASCO - Bar que se encontra na fronteira Franco-Espanhola; 

BARBICHA - Este é só para Gay's; 

BARBÍPEDE - Bar onde não podem entrar pernetas; 

BARBUDA - Bar onde se pratica o budismo; 

BARGANHAR - receber um botequim de herança; 

BAROCLÍNICO - Cafetaria de um hospital; 

BARRACÃO - proibir a entrada de cachorro; 

BATACHIM - SANTINHO !!!!!!!!; 

BATELA - Ordem dada para se agredir uma pessoa do sexo feminino; 

BELADONA - Mulher boa; 

BELIPOTENTE - Eu ! (Lindo e forte...); 

BERIBÉRICO - Observar um nativo português ou espanhol no Porto; 

BEZERRO - O mesmo que "Num be nada!..."; 

BIBOCA - Pessoa que tem duas bocas; 

BIGAMIA - Acto de roubar duas vezes; 

BISBÓRRIAS - Ordem para cagá-las duas vezes; 

BISCOITO - Acto sexual repetido; 

BLASFÉMIA - Eu nem sequer sabia que havia BLASMACHO; 

BOLBO - Filial portuense da conhecida marca de automóveis suecos; 

BOMBARATO - Não existe, ou é bom e caro, ou barato e fraco; 

BORDADURA - Extremidades rijas; 

BRUTAMONTES - Mosh (de "brutos" + "aos montes"); 

COMUNGUEI - estar relacionado com um homossexual; 

CONCEIÇÃO - elemento de soma. Ex: quatro com seis são dez; 

CRETINO - nativo de Creta; 

DATE - mandar alguém deitar : Date aí; 

DEBUG - transporte: Adoro andar Debug; 

DEPAUPERADO - operado de fimose; 

DESANUVIADO - a glória do gay; 

DESBOTAR - quando a galinha bota dez ovos; 

DESDENTADAS - o mesmo que dez mordidas; 

DESVIADO - uma dezena de homossexuais; 

DETERGENTE - ato de prender indivíduos suspeitos; 

EDIFÍCIO - antônimo de "é fácil”; 

EFICIÊNCIA - ciência que estuda a letra "F"; 

ENCURRALAR - o mesmo que esfolar o cu; 

ENTREGUEI - estar cercado de homossexuais; 

ESFERA - animal selvagem já domesticado; 

ESPERTO - o mesmo que distante; 

FILE - Comunicar: Não File comigo; 

FLUXOGRAMA - direcção em que cresce o capim; 

GENEROSA - factor genético da rainha das flores; 

GINCANA - bebida contendo gim e pinga; 

GLANDE - sinônimo de "enolme”; 

HALOGÊNIO - forma de se cumprimentar pessoas muito inteligentes; 

HOME - Expressão do agreste : Home cabra da peste; 

HOMOSSEXUAL - sabão em pó para lavar partes íntimas; 

INTIMAÇÃO - o mesmo que carícias sexuais; 

MINISTÉRIO - aparelho de som de tamanho reduzido; 

MISSÃO - missa muito longa; 

NEGATIVA - crioula muito trabalhadora; 

NEGOCIANDO - crioulo entrando no cio; 

OBSCURO - "OB" de cor preta; 

PAINT - Usado para desembaraçar o cabelo : Me dá o Paint; 

PRESSUPOR - colocar preço em alguma coisa; 

SOLUÇÃO - forte soluço; 

SUPERSTIÇÃO - crioulo muito forte; 

TABELA - sinonimo de "estar muito bonita"; 

UNÇÃO - erro de concordância, o correcto seria "um é"; 

VGA - Actividade profissional : Precisa-se de VGA nocturno; 

XIITA - nome da macaca do Tarzan. 

BOM FIM-DE-SEMANA!!

19 de novembro de 2015

Competências de um Governo de Gestão


Nos últimos dias tem-se ouvido falar frequentemente da possibilidade de o Presidente da República optar por manter o actual Governo como Governo de Gestão em detrimento da nomeação de um novo Governo.
O próprio Presidente da República retirou qualquer dramatismo a essa possibilidade e até utilizou a sua experiência pessoal como argumento para validar a mesma.
A reacção de António Costa não se fez esperar e o líder do PS e candidato a Primeiro-Ministro veio dizer que a solução Governo de Gestão seria inconstitucional e catastrófica.
Muito barulho, muito pouco esclarecimento.
O que é que prevê a Constituição da República Portuguesa relativamente às competências de um Governo de Gestão?
Muito pouco em boa verdade.
Apenas que essas competências se deverão limitar à "(...) prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos" (número 5 do artigo 186º).
Densificando o conceito,  na sequência de um pedido de apreciação de constitucionalidade endereçado pelo Presidente Jorge Sampaio ao Tribunal Constitucional relativamente ao conteúdo de um Decreto-Lei aprovado pelo Governo liderado por António Guterres, já depois de ter sido demitido, o Tribunal veio (Acórdão 65/02) esclarecer que o critério essencial para verificar o limite das competências de um Governo de Gestão não era a prática apenas dos chamados actos de gestão corrente mas sim a estrita necessidade da prática dos mesmos, o carácter inadiável das decisões a serem tomadas.
É bom que fiquemos familiarizados com estes conceitos porque há no horizonte a  possibilidade (acredito agora mais na mesma do que antes...) de, acabada a conversa das bananas, o Presidente da República optar por uma solução deste tipo para pôr termo à crise política que se vive em Portugal.