1 de dezembro de 2015

Comunidade Económica da ASEAN


22 de Novembro de 2015 - reunidos em cimeira em Kuala Lumpur, os líderes dos países que compõem a ASEAN (Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Vietname, Laos, Birmânia e Cambodja) acordam formalmente a criação da Comunidade Económica da ASEAN.
Inserida no movimento de crescente integração regional que se pode constatar a nível mundial, esta decisão vem dar corpo ao que era a visão estratégica das nações do sudeste asiático para o novo milénio.
A abolição de barreiras alfandegárias e a maior integração e interpenetração económica serão progressivas e deverão ser acompanhadas também de movimentos similares nas áreas da segurança e da cultura.
O horizonte de médio prazo que fica acordado para aprofundar estes laços é agora 2025.
Será curioso seguir a evolução deste mercado de mais de 620 milhões de pessoas, e cerca de 2.6 triliões de dólares, sobretudo sabendo-se que tal integração não poderá pôr em causa a soberania interna dos países integrantes, em oposição ao que acontece com a visão supranacional europeia.
Com mecanismos de decisão extremamente complexos, sendo o consenso entre os membros ainda incontornável, mesmo que baseado no que é comummente designado por menor denominador comum, a ASEAN necessitará de uma reformulação institucional e dos processos decisórios para atingir os objectivos a que se propõe - ser um dos espaços economicamente mais vibrantes e de maior peso a nível global.
A extraordinária dimensão populacional, e o potencial económico, se não forem acompanhados dessa reforma institucional e do processo decisório, não serão  por certo suficientes para atingir os objectivos propostos.
Haverá vontade política, acompanhada de suficiente integração também a nível político, para conseguir alcançar as metas definidas para 2025?
Um processo para acompanhar com atenção nos próximos anos.

17 comentários:

  1. Vai ser um mercado que vai dar que falar devido ao seu desenvolvimento e poder de compra.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

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    1. Este mercado, alargado a outras parcerias (ASEAN+3 com a China, o Japão e a Coreia, por exemplo) e à APEC, será o grande motor de desenvolvimento neste século, Francisco.
      O tema é-me particularmente caro porque foi o meu tema de tese de mestrado - comparação entre os modelos de integração da ASEAN e da UE.
      E poderá bem vir a ser tema de um futuro doutoramento.
      Um abraço, continuação de boa semana também

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  2. Pedro, questiono-me sobre se haverá vontade política para se fazerem as reformas.

    Aquele abraço, meu caro amigo.

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    1. O mindset asiático é muito peculiar, muito diferente do europeu, Ricardo.
      Assim como o é a noção de tempo.
      Estou convicto que a integração económica irá obrigar a uma maior integração política.
      Nunca nos moldes europeus mas uma inevitável aproximação política entre países que têm história de conflitos e que ainda nos dias de hoje alimentam disputas territoriais.
      Aquele abraço

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  3. Concordo, é algo para acompanhar com atenção.

    Tudo de bom

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    1. Impressão minha ou também passou ao lado da comunicação social portuguesa, São??

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    2. Penso que passou, pois eu sou atenta e só através deste seu post é que tomei conhecimento.

      Pedro, o jornalismo em Portugal está uma pobreza franciscana...

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  4. Pois...não entendo do assunto o suficiente para um comentário válido.
    Um abraço

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    1. É um tema que me interessa particularmente, Elvira Carvalho.
      E ao qual vale a pena estar atento.
      Um abraço

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    2. Acredito que sim, mas eu nada sabia sobre o assunto
      Um abraço

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    3. Foi tema de tese de mestrado, está pensado como possível tema numa tese de doutoramento que ando a adiar sucessivamente, Elvira carvalho.
      Esta zona do Mundo está com uma dinâmica tremenda.
      Um abraço

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  5. Uma coisa implica a outra, Pedro.
    Isso anda tudo ligado.
    Abraço

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    1. A integração política, se é complicada na Europa, na Ásia é tremendamente difícil, António.
      A noção de soberania é muito próxima com aquilo que nos ensinavam acerca do direito de propriedade - plena re potestas.
      Aquele abraço

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  6. Um projecto sem dúvida muito interessante e importante.
    Que se venha a concretizar totalmente.
    Abraço, amigo.
    Irene Alves

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    1. Será muito provavelmente o motor económico a nível mundial, Irene Alves.
      Um abraço

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  7. Na verdade o assunto foi abordado só muito ligeiramente pela comunicação social e muito "por tabela" com o recente acto terrorista de Paris, o que alertou a Malásia para outros também ataques terroristas nesta cimeira !
    Também é um facto que a ASEAN se encontra bastante "longe dos olhos" dos portugueses, o que quer dizer, também "longe dos corações", pese embora toda a sua importância !
    Não fosse o facto de Obama ter seguido do Forum da APEC, para lá e do ataque terrorista de Paris, talvez nem se tivesse falado no assunto (?).
    E creio que ao fim e ao cabo, foi esse tema o do terrorismo o mais discutido, mesmo talvez mais que o Económico ! :(

    Um Abraço, Pedro ! :)

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    1. A vertente da cooperação em matéria de segurança foi reforçado com a ameaça terrorista, Rui.
      Também é importante.
      Mas esquecer a vertente económica, a região economicamente mais vibrante a nível mundial, é pura ignorância.
      Aquele abraço

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