4 de novembro de 2015

Tão amigos que nós éramos?


A cerca de uma semana de o novo governo se apresentar na Assembleia da República para enfrentar a anunciada rejeição em bloco a um programa que ainda se desconhece, a presumível alternativa à esquerda parece cada vez mais complicada e tremida.
Não é só o acumular de vozes discordantes da estratégia política seguida dentro do PS (Francisco Assis está longe de estar sozinho...), é algum mal-estar que parece existir no que deveria ser um ambiente de concórdia nas conversações tripartidas que decorrem entre os partidos que se apresentam como alternativa.
Catarina Martins tem ocupado literalmente o centro do palco, anunciando antecipadamente medidas que um executivo que resulte destas negociações irá tomar.
Quando as negociações não estão concluídas, quando não há acordo para apresentar publicamente, com PS e PCP a remeterem-se a um prudente silêncio, Catarina Martins, com as suas declarações públicas, que deixam a ideia que as medidas anunciadas são conquistas do Bloco (descongelamento das pensões, devolução dos descontos efectuados e aumento do salário mínimo), e um fracasso será apenas imputável aos outros parceiros, poderá ter comprometido irremediavelmente um possível acordo governativo entre PS, Bloco e PCP.
A reacção de Carlos César, resultante do descontentamento dentro do PS daqueles que se revoltam (Vera Jardim foi a última voz) por ver o que devia ser o maior partido da oposição refém da agenda do Bloco e da sede de protagonismo do partido e da sua líder,  só poderá ser inteiramente percebida, para além deste mal-estar,  também no quadro de alguma dificuldade na agenda negocial.
Tão amigos que nós éramos?

44 comentários:

  1. A acreditar na imprensa cada dia é mais preocupante.
    Um abraço

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    1. Vamos aguardar que a novela parece que vai ser longa, Elvira Carvalho.
      Um abraço

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  2. Vamos lá a ver se estes "gajos" não nos vão lixar.
    Um abraço.

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    1. Eu creio que já estão, Francisco.
      Um mês depois e ainda não ata nem desata???
      Um abraço

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  3. Se a Esquerda falha o acordo , depois de toda esta expectativa ficará totalmente descredibilizada-

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    1. São,
      O problema é que não há Esquerda.
      Há três partidos que estão separador por grandes divergências, especialmente entre o PS e os outros dois, e que querem forçar um acordo contra natura.
      O PS devia ter seguido aquilo que o povo lhe indicou claramente nas urnas - liderar a oposição ao governo, obrigar o governo a dialogar e a negociar, esperar pelo natural desgaste governativo para voltar a ser poder.
      A sobrevivência política de António Costa é que está a forçar esta pseudo solução.
      Um erro que pode sair muito caro.

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    2. Caro Pedro Coimbra, subscrevo inteiramente o que escreveu. Tem razão, na realidade não existe uma esquerda, mas duas esquerdas. A esquerda democrática (PS) e a esquerda revolucionária BE e PCP), embora em prefira chama-la de anti-democrática.

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    3. Agora misturadas numa amálgama de futuro e consequências imprevisíveis, Paulo Lisboa.

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  4. O problema é mesmo esse, Pedro, isto é, o PS ficar refém de Catarina Martins e do Bloco de Esquerda, e correr o sério risco de se tornar uma espécie de PASOK lusitano.

    O Pedro sabe o que penso sobre esta matéria, também sabe que não sou um fundamentalista que não possa mudar de opinião, porém, há algo que não consigo conceber, isto é, como é que alguém (António Costa) para se salvar da humilhação sofrida a 4 de Outubro põe em causa o interesse de toda uma Nação (socialistas incluídos) levando a que dentro do próprio PS existam muitos que não se revêem nesta "coligação à esquerda" que tem tudo para dar...errado.

    Aquele abraço, meu caro amigo.

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    1. Ricardo,
      Não mudo uma vírgula ao que já aqui escrevi - o PS meteu-se nesta aventura porque António Costa não quis assumir uma derrota pessoal e comprometer o seu futuro político.
      Ficou o partido refém do líder, arrisca-se agora a ficar refém de terceiros.
      E o país à espera....
      Aquele abraço

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    2. Concordo inteiramente com os dois.
      Se este governo das esquerdas chegar a ver a luz do dia, já sabemos como vai terminar. E aí termina também a carreira política de António Costa.
      O pior vai ser o resto, vamos ficar com um PS esfrangalhado e arredado do poder durante muitos anos e um país igual ou pior ao encontrado pela coligação de direita em 2011.

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    3. Será muito difícil ao PR rejeitar a solução que os três partidos lhe vão propor, Paulo Lisboa.
      Vamos ver no que vai dar.

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  5. Geometricamente falando... acho tão possível este entendimento a três como fazer a quadratura do círculo.

    Beijinhos ao cubo
    (^^)

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    1. Este é mais um dos casos que estou como o famoso santo - só vendo para crer.
      O que é que há ali de comum???
      Não quererem novo governo da coligação??
      Chega???
      Beijinhos

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  6. Eu se fosse à Mealhada era para "dialogar" com um leitão. E garanto que não me estou referindo ao Assis, apesar o seu perfil anafado.
    Não gosto do Costa porque não gosto de um "chefe" que se aproveita de um António pouco Seguro para lhe ocupar o lugar, mas só depois do outro ter desbravado o caminho. O Costa é um "chefe" oportunista e eu nunca gostei de chefes destes.
    Porém estando ele lá agora aninhado saltam da capoeira os ressabiados gritando aos ventos os seus desacordos! Porque raio não o fazem dentro do partido? Será que lá dentro estão amordaçados?
    Cada vez mais se acentua a minha antipatia por políticos, e com situações destas não vejo como possa mudar de ideias; é que essa coisa de dizerem que: não são todos iguais nem são todos maus, leva-me a pensar que ainda os há piores!
    Grande abraço pah!

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    1. António Costa é o grande culpado de todo este imbróglio, Kok.
      Tomou o partido de assalto, ia fazer e acontecer, ficou com a cara no chão.
      Em vez de dar o lugar a outros, e sentar-se na bancada da oposição, esperneia tentando sobreviver.
      Mas, mais é mais, dá a sensação que pisa areia movediça.
      E que se vai enterrando a cada dia que passa.
      Aquele abraço

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  7. Há, claramente, duas posturas que divergem na tão desejada aliança de esquerda. Tendo o PS como denominador comum, BE e PCP destoam. Com os bloquistas mais perto dos socialistas e os comunistas a fazerem o papel do costume. Sim mas, e tal, propostas nim, acordos bem logo se vê.
    Assim não dá. E cá temos uma vez mais, o Partido Comunista na sua tão amada postura do contra tudo e todos.
    Francisco Assis vai pagar o almoço à Mealhada e a factura vai sair-lhe muitíssimo mais cara do que estará, eventualmente, a pensar.
    Vou ser franco, Pedro. Preferia que o PS ficasse na oposição, uma oposição bem concebida e melhor conseguida, porque só teria a ganhar com isso.
    De resto, não sei se já não passou esta ideia pela cabeça de António Costa.
    Um abraço

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    1. Não acredito que tenha passado, António.
      Repito - António Costa é o culpado desta situação toda.
      Devia ter assumido a derrota, afastar-se, dar o lugar a outros, deixar o PS ser oposição, evitar abusos da coligação, jogar com o desgaste do poder para voltar a ser poder naturalmente.
      Ficou totalmente descredibilizado e está a levar o partido com ele.
      Um PS que é FUNDAMENTAL no arco partidário português, António.
      Aquele abraço

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    2. «Um PS que é FUNDAMENTAL no arco partidário português». Embora esteja à direita do PS, concordo consigo, porque o PS representa (ou devia) representar uma esquerda moderada, civilizada, europeia, construtiva e cordata.
      Com esta golpada do António Costa, o PS corre um sério risco de ser comido vivo pelo BE e pelo PCP e de se tornar um partido residual ao estilo do PASOK. Se tal acontecer, será muito grave para a democracia em Portugal.

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    3. Vamos ver o que acontece daqui para a frente, Paulo Lisboa.
      Está inaugurada uma nova era na política portuguesa.

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  8. Mesmo a propósito, Pedro.
    Leia isto, por favor:
    http://www.vidapratica.pt/n/ps-aperta-com-pcp-e-bloco-de-esquerda/?utm_source=email&utm_medium=newsletter&utm_content=nl

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    1. Era inevitável, António.
      Não se chega à conclusão nenhuma, PCP e Bloco vão fazendo passar a ideia que o PS terá que ceder às suas pretensões.
      O PS representa trinta e tal por cento dos votos.
      Os outros dois, somamos, nem perto disso chegam.
      E ficam a dar ordens, com os louros e a deixar o odioso para o PS???

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    2. Há o risco do PS ficar refém da extrema-esquerda. Até nem sou contra uma aproximação a esses partidos, mas essa aproximação tem de ser feita numa posição de força do PS e não na posição de fraqueza em que se encontra agora. O PS como maior força de esquerda, é que está a mudar e a ceder, quando devia ser ao contrário.

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    3. Não acredito que o ADN de Bloco e PCP mude, Paulo Lisboa.
      Conhece a história do escorpião??
      Pois....

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  9. As intenções do anterior governo,
    já sabemos que foram de austeridade
    por isso digo, fora portas e coelho
    venha quem nos deseja felicidade!

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    1. Não partilho do seu optimismo, Edumanes.
      Se este triunvirato não se entende nas negociações para formar a tal alternativa, o que seriam como poder???

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    2. Caro Edumanes: Respeito a sua opinião, mas deixa-me disser-lhe que venha o governo que vier, a austeridade (maior ou menor) será uma certeza. Não tenha ilusões quanto a isso.

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    3. Haverá petróleo no Largo do Rato, Paulo Lisboa?? :)))

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  10. A Dra. "Ministra" Catarina Martins talvez engula o k disse no dia 04. Bem, tem outras opções, tais como fazer gargarejos ou deitar fora (desculpe, Pedro)!

    A gente vai continuar.... vamos assistir ao "circo".

    Beijo.

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    1. Por estes dias ela comporta-se como líder da oposição, CÉU.
      Como é que onze por cento ultrapassam trinta e tal por cento????
      A matemática está a ser muito maltratada em Portugal!!!
      Beijo

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  11. Já tinha pensado que não iria ser fácil um acordo entre os três...

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    1. Acho que só (parte) destes três é que não pensou nisso, Gábi

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  12. Não acredito nesta eventual coligação e ou apoio e que me recordo é um "circo" nunca visto. A política de interesses partidários está acima do povo, das pessoas e vamos a ver o resultado desta cebolada da esquerda e da direita porque todos andam apenas e tão só...com sede ao pote.

    Beijocas

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    1. Normalmente quem vai com muita sede ao pote acaba engasgado, Fatyly.
      O pior é deixarem outros engasgados também.
      Beijocas

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  13. Há demasiadas marteladas nos dedos, Pedro. A começar pelo PS com demasiados partidos dentro todos a quererem a preservação dos seus interesses individuais ou de grupo. Que credibilidade tem esta gente que estrebucha mas não larga o osso?
    Vera era a prima... Pois que vão todos ao leitão mas paguem dos seus bolsos pessoais. O que eu não acredito. Há sempre um cartão mágico na carteira.
    A Catarina não aprendeu bem a lição do Louçã e mordeu a língua.
    Reticências. Sempre se poupam bytes.
    Abraço.

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    1. A marcação do Congresso para sábado deu cabo da almoçarada, Agostinho.
      Porque os contestatários vão estar onde devem - dentro do partido a mostrar o seu descontentamento, a marcar a sua posição, a defender as suas ideias.
      Assim é que é bonito.
      Aquele abraço

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  14. Dos outros, seria natural, mas o AC ?... Quem é que ele pretende enganar ? ... Antes de todos, será o próprio PS. Veja-se as "manobras" destes últimos dias para tentar impedir o Francisco Assis ! ... Neste momento já 50% dos socialistas estão contra o "falso" acordo à esquerda !
    Todo este cenário, só para derrubar o governo, pensando que o PR o empossaria assim sem mais, do pé para a mão e sem garantias ! ... mas onde estão essas garantias de acordo ? ... Qual acordo ? ... Onde está ele, com garantias de credíveis e sustentáveis para a legislatura ? ... Há um mês que andam nisto e o acordo não termina ! A solução que se desenha tem de ser pública, não por uma questão de legitimidade, que não está em causa nem pode ser questionada, mas de transparência e antes da votação na AR, para conhecimento de todos os deputados socialistas !
    Ou o AC é muito ingénuo e não conhece o PCP, ou então estará disposto a, à última hora, lhes dar tudo que eles quiserem, para manter a face ! ... e aí sim, seria "legítimo" em termos constitucionais, mas seria a desgraça de todos nós !
    Outra Grécia, na versão de há um ano !!!

    Abraço, Pedro.

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    1. Atenção ao PR, Rui.
      Caladinho, a ver o circo pegar fogo, a mexer as suas influências.
      Foi por acaso que Passos Coelho mudou de ideias acerca da hipótese de liderar um governo de gestão?
      Não acredito.
      Acredito mais que tenha recebido sinais muito concretos de que o PR estará mais disposto a tolerar essa hipótese do que a dar posse a um governo liderado por António Costa integrando o Bloco e o PCP.
      Depois, quando tal se revelar possível, os portugueses que se pronunciem nas urnas e que escolham o que querem.
      Vamos aguardar.
      Aquele abraço

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    2. ??? ... Não sei Pedro ! (??) ... Essa solução poderia "salvaguardar" mais o país, mas seria a pior para o PSD !
      Seria uma governação "para ser queimada em lume brando", governada (na prática) pela AR e a descredibilizar o PSD, o PPC e o CDS.
      Daqui a 8 meses, o PS ganharia com maioria absoluta de caras.

      Era essa a minha opinião de há uns dias atrás, parecendo-me que essa pudesse ser uma "jogada" de poker do AC ! ... Derrubar o Governo, mas não apresentar acordo escrito compatível com as exigências, intencionalmente para não ser empossado agora e levar o PR a convencer PPC a continuar em governo de gestão ! :(

      Por isso é que seria muito importante que os deputados socialistas conhecessem o teor do acordo antes das votações, o que está a ser tentado impedir pelo AC. Primeiro que tudo, derrubar o governo e depois, logo se verá !

      Apesar de tudo, acredito na recusa de PPC para ficar em gestão e que o PR empossaria o AC desde que este apresentasse um documento escrito e assinado pela "triôca", sério, credível e com garantias de governabilidade para 4 anos !

      Caso haja derrube do governo e não haja "documento de acordo válido", ficarei ainda na dúvida se foi por ser inviável, ou habilidade estratégica política do AC !

      Aguardemos pelo dia 10 e .... seguintes! :))

      :)

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    3. Não será PPC quem estará muito interessado na hipótese de chefiar um governo de gestão.
      Acredito que seja o PR quem está a pressionar PPC nesse sentido
      O mesmo PR que, em fim de mandato, não quer por nada dar posse a um governo chefiado por António Costa com o apoio do Bloco e do PCP.
      Esperar para ver.

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  15. Um grande sarilho!
    É impossível que o eleitor comum não dê em doido :)))
    Não sei se voltarei a votar.
    bjs

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    1. Já aqui escrevi que acredito que muita gente tenha o mesmo sentimento, papoila.
      Vou votar para quê??
      Para usarem o meu voto em jogos de bastidores???
      Vão à ......fava.
      Bjs

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    2. «Não sei se voltarei a votar.» Não faça isso, o voto é uma arma que temos, pode ser muito pequena, mas não devemos de modo algum prescindir dela. Embora compreende todo o seu mal estar pelo que se está a passar em Portugal.

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    3. Mas olhe que há muita gente a pensar assim, Paulo Lisboa....

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