24 de novembro de 2015

Os cães correm, os criativos criam e os jovens arrendam


Já se sabe que a concessão da exploração do Canídromo de Macau ao universo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) foi renovada por mais um ano.
Colocado entre a espada da pressão interna e internacional no sentido de não renovação da concessão tendo em conta os maus-tratos que sofrem os animais e a violação dos seus direitos, e a parede dos fortes interesses sectoriais que se encontram a montante a jusante das actividades relacionadas com as corridas de galgos que ali são realizadas,  o Executivo de Macau optou por uma solução típica do mindset asiático - renovação da concessão por um ano.
Nem os defensores dos direitos dos animais teriam grandes razões de protesto porque se transmite a ideia que é uma renovação temporária, talvez até o princípio do fim do Canídromo, nem a SJM poderia reclamar vitória porque a sua directora executiva (Angela Leong) ainda no dia anterior dava conta da expectativa de uma renovação por um período mínimo de dois ou três anos.
Angela Leong que parecia fundamentar esta convicção na abertura da concessionária para auxiliar o Executivo na diversificação da economia, no apoio às indústrias criativas e culturais no espaço do Canídromo, inclusive no arrendamento de imóveis a jovens junto ao Canídromo com rendas mais baixas do que aquelas que são praticadas no mercado imobiliário.
No mínimo curiosos estes rebuçados (Angela Leong foi tocar todos os temas que são mais queridos, pelo menos no discurso, ao Executivo) depois de tantas décadas de concessão sem quaisquer propostas deste ou de outro teor por parte da concessionária.
Angela Leong ofereceu os doces.
O Executivo, quiçá em dieta, não aceitou a oferta e devolveu os doces à procedência com um bilhete de agradecimento (renovação da concessão por um ano).
Entretanto a instituição académica encarregue de elaborar um estudo relativo à renovação da concessão terá mais tempo para estudar e entregar os resultados desse estudo.
Daqui a um ano veremos o que faz Chui Sai On com esses resultados e com a concessão que agora renovou por um ano.

18 comentários:

  1. Desde que essa renovação anual, não se torne habito.
    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já vem sendo hábito há dezenas de anos, Elvira Carvalho.
      Esse era até um dos argumentos - a História, a tradição.
      Agora foi renovado por um ano para ganhar tempo.
      Dentro de um ano, com o estudo na mão, o Executivo vai dizer que a responsabilidade pela tomada de decisão é dos académicos que elaboraram esse estudo.
      Um abraço

      Eliminar
  2. E o que fazem aos galgos quando acabar a jogatana. Pim, pam, pum: puuuuum!!!.
    A habilidade negocial entre os interessados no negócio poderá não ser suficiente para mais prorrogaçoes. Não será viável o jogo continuar clandestinamente?
    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A ANIMA (associação de protecção dos animais a nível local) fala no abate de cerca de trinta galgos por mês, Agostinho.
      Foi assim que várias instituições a nível internacional juntaram a voz e a indignação à ANIMA e deixaram o Executivo de Macau em maus lençóis.
      Estou curioso para ver o que vão fazer daqui a um ano....
      Aquele abraço

      Eliminar
  3. Pedro, ainda há pouco, denunciei um contrato (estatal) que já se renovava (anualmente) desde 1997...Palavras para quê?

    Aquele abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas para isso é preciso vontade política e tê-los em su sitio, Ricardo.
      Coisas que por aqui não abundam em boa verdade.
      Aquele abraço

      Eliminar
  4. O que o Chui Sai On vai fazer é renovações de um ano uma após outra.
    Desconhecia este problema com os animais e a sua exploração.
    Um abraço e continuação de uma boa semana.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou curioso para ver os resultados do estudo, Francisco.
      Depois já poderei perceber qual será a decisão "científica" como esta gente gosta de dizer.
      Aquele abraço, continuação de boa semana

      Eliminar
  5. Não gosto de corridas de cães nem de cavalos nem nada que force os animais.

    Sempre detestei ver animais amestrados, por exemplo, e o Zoo de Lisboa aflige-me , porque tem um gatopardo , que é o animal mais veloz em cima da Terra numa jaula de muito poucos metros quadrados.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou aqui há 20 anos, São.
      Adivinhe quantas corridas de galgos e de cavalos vi até hoje - isso mesmo, nem uma!!!

      Eliminar
  6. Um mundo hipócrita, Pedro.
    Estarei a ver bem?
    Um abraço.

    ResponderEliminar
  7. Mas lá para essas bandas a carne de cão não é piteu? Porquê tanto barulho e assombração, por cá os porcos morrem pelo S. Martinho Que mais dá criar galgos que coelhos para que dêm umas corridas e depois acabem no tacho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estes não vão para o tacho, vão para o lixo, alvaro guerreiro.

      Eliminar
  8. Existem coisas que são de difíceis interpretações. Vivemos num mundo de tantos pensar... Bela noite

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É fácil, POESIAS SENSUAIS E CONTOS.
      Fortes interesses, muito $$$

      Eliminar
  9. Então que invistam numa fábrica de salsichas de cão. Mesmo que pesquisem o ADN esse não destrinça galgo de cão e o negócio está garantido,

    ResponderEliminar