26 de agosto de 2015

Demissão no presente a pensar em ganhos futuros


25 de Janeiro de 2015 - o Syriza vencia as eleições legislativas gregas e anunciava um novo modo de fazer política, coragem para enfrentar o monstro da dívida, dos mercados e dos credores que vinham assombrando o Sul da Europa.
Uma onda de simpatia e entusiasmo invade alguns sectores da sociedade europeia e a postura descontraída e fresca de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis rapidamente conquista adeptos e seguidores.
Sete meses depois este élan inicial deu lugar a alguma desilusão, a convulsões internas na Grécia, a fracturas no seio do Syriza e na sociedade grega.
Tsipras recuou perante a intransigência dos credores, aceitou mesmo entregar a cabeça de Varoufakis, muito mais radical nas suas posições que Tsipras e figura muito menos grata aos credores.
A Grécia conseguiu algum alívio financeiro mas as feridas abertas no partido e na sociedade grega obrigaram Tsipras a demitir-se para clarificar a situação política interna.
Dimitris Rapidis, analista do think-tank Bridging Europe (Atenas), fala numa estratégia que aposta na instabilidade a curto prazo no intuito de garantir a estabilidade a médio prazo.
Uma estratégia que, sublinhe-se, colhe simpatia e até entusiasmo em Bruxelas.
Tsipras foi glorificado por alguns sectores políticos europeus ao ter apresentado a demissão do cargo de primeiro-ministro grego supostamente por ter traído as expectativas dos gregos e o programa eleitoral do Syriza.
Não terá sido esta a principal motivação de Tsipras para tomar a decisão (arrojada) que tomou.
Tsipras quer verificar qual é afinal a exacta medida da sua popularidade junto dos gregos e, em simultâneo, verificar o quanto valem os dissidentes do Syriza nas urnas.
Se a sua estratégia e as suas expectativas se revelarem certas, com o apoio que recolhe em Bruxelas, Tsipras, fortalecido no seu mandato, legitimado por mais uma vitória nas urnas, poderá então governar com os credores e não contra os credores.

14 comentários:

  1. Creio em um só deus, criador de toda a riqueza universal e no seu único filho FMI distribuidor de ajudas segundo as suas necessidades.
    Amen.

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    1. Comentário cinco estrelas, Agostinho!!
      Nunca percebi se os governantes gregos acharam mesmo que tinham hipóteses de afrontar os credores a quem deviam dinheiro e ainda iam ter de pedir mais, ou se se tratou apenas de estratégia eleitoral, de pura jogada política.
      Fosse qual fosse a intenção, aí está o choque com a realidade.

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  2. Olá Pedro ! ... Concordo em absoluto com a resposta ao Agostinho.
    Ora aí está !
    Muitas vezes consciente das realidades, mas com aproveitamento do desencanto político vigente, como estratégia, é facílimo ganhar umas eleições ! Basta dizer mal e "prometer o céu" e o voto é certo.
    Outras vezes e bem pior, é a pura ignorância das "dificuldades do poder" e pensar-se que tudo são facilidades, quando as realidades são bem diferentes.
    Sinceramente também não sei em qual destas duas situações se enquadrou o Sirysa ! ... mas que tudo isto foi uma "grande lição" para todos (os portugueses e não só) é bem verdade !

    Abraço !

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    1. Antes de tudo, seja bem regressado, Rui!
      Venham de lá esses desafios!!!

      Não sei se houve populismo da parte dos governantes gregos.
      Mas estava bem de ver que não podia ser como queriam e diziam que iria ser.
      Depois deste banho de realidade acredito que Tsipras ainda sairá vencedor das eleições.
      Mas terá que adoptar um tom muito mais moderado e ceder em muitas matérias que não quereria.
      Aquele abraço

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  3. Governar com os credores.
    É isso que deverá acontecer.
    Abraço

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    1. É o que vai acontecer, António.
      Goste-se ou não, vai ser assim.
      Aquele abraço

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  4. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Aqui também a coisa está feia, porque aquela que não ouso pronunciar o nome ganhou as eleições, porque cometeu estelionato eleitoral.
    Caloroso abraço. Saudações exasperadas.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver sem véus, sem ranços, com muita imaginação e com muito gozo.

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    1. Vou acompanhando com interesse a evolução da situação política no Brasil, Amigo João Paulo de Oliveira.
      E, pelo que vou percebendo, Dilma não tem condições de continuar no cargo.
      Grande abraço

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  5. O Vacafarius e o Xipras (não sei grego. É evidente k é de propósito) já deram o k tinham a dar, já fizeram a mis-en-scène, k tinham a fazer, portanto ficaram, INFELIZMENTE, para a História da Grécia, k só deixou alguma coisa k se visse, a. C.
    Agora, quem vier, dissidentes e de outros partidos, decerto, não farão deste modo, pke isto foi coboiada a mais, e o povo, k na sua maioria é corrupto (não sei qtos taxistas paraplégicos a conduzir, não sei qtas piscinas camufladas, etc. etc. vai votar naqueles k apresentem mais regalias e "dolce far niente".
    Não tenho a sua opinião, Pedro, mas na diversificação é k está a virtude.

    Bem, a Catarina, não sei das quantas, do BÊ, agora, já tem o rascunho, ou melhor, a prova real, k, decerto porá em prática, embora atendendo às características do nosso país, para qdo este partido de táxi for governo.

    Há tanta coisa e gente k eu não entendo! Então, percebe-se lá, k não seja O PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS o vencedor nas eleições legislativas em Outubro? Tanta gente nas ruas contra a política deste governo, tantas manifestações, tantas greves, tanto, tanto, tanto tudo e agora vai ganhar o Costa? Muitos a falar mentira, só pode! Do k têm medo, afinal? O PCP já não "come" crianças ao pequeno-almoço.

    Eu como estou satisfeita com a política desenvolvida pela atual maioria, voltarei a votar nela, e portanto, não votarei no PCP, mas se tivesse master descontente, não hesitaria, nem um pouco.

    Afastei-me da Grácia, mas as conversas, verbais ou escritas, são como as cerejas.

    Beijos, Pedro!

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    1. Eu sou ferozmente independente, CÉU.
      Apenas gosto de, como George Carlin, observar the freak show (era assim que ele dizia).
      E parece-me quase inevitável que Tsipras, que continua a ser o político mais popular na Grécia, ganhe as eleições, venha a formar governo, e passe a ter outro relacionamento com os credores.
      Não estou a fazer juízos de valor, limito-me a constatar o que parece inevitável.
      Beijos

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  6. Políticos são todos iguais, o que mudo é só mesmo o endereço. Mais essa agora... Governar com credores, difíceis acreditar.
    E aqui no Brasil a nossa Presidente esta a ponto de levar o impeachment. E ainda continua fazendo besteira no poder. Vamos ver até onde isso vai parar.

    Beijo Pedro!
    Já tem nova atualização no blog, e fala sobre um pouco dessa tema.

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    1. Vou passar no blogue daqui a pouco, Smareis.

      Governar com credores é, muitas vezes, uma necessidade.
      A Grécia percebeu isso da forma mais dura.
      E agora vê-se confrontada com essa inevitabilidade.

      Acompanho a evolução da situação política no Brasil e não consigo perceber a teimosia de Dilma.
      Chegou ao ponto de não retorno.
      Ou sai a bem, ou sai a mal.
      Agora escolha.

      Beijo

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  7. O que se passou na Grécia foi uma jogada política de Tsipras, com ela tenta matar dois coelhos de uma só cajadada: Livrar-se dos dissidentes do Syriza e chegar à maioria absoluta que lhe permite governar nas calmas com os credores. Conseguirá? Não sei, mas sei que é uma jogada muito arriscada.

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    1. Pode-se dizer que Tsipras apostou as fichas todas nessa hipótese.
      As sondagens são favoráveis.
      Será assim nas urnas??

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