2 de junho de 2015

Aumento de rendas em tempo de crise?


Sucedem-se as notícias que dão conta de um suposto cenário de crise económica em Macau.
Porque as receitas directas dos jogos de fortuna e azar não param de cair e contagiam o retalho, a restauração, o imobiliário.
Em boa verdade, não há uma crise, parece que há muitas crises.
No meio deste cenário aparentemente caótico subsiste uma excepção teimosa, renitente - as rendas dos parques de estacionamento privados.
Com tanta crise, tantas crises, os donos de parques de estacionamento vivem por estes dias num mundo à parte.
Fui ontem informado de mais um aumento da renda do parque de estacionamento que ocupo no edifício onde trabalho.
Acontece assim todos os anos a partir do dia 1 de Julho.
Num cenário de contracção económica o que é que justifica estes aumentos?
Não há parques em número suficiente, há demasiados veículos, a procura excede em muito a procura, o mercado funciona, a economia é assim, estúpida e absurda.
Sobretudo quando deixada em completo descontrolo, em rédea solta, quando nada se faz para a regular.
Desde que comecei a arrendar este parque de estacionamento, contando com o novo aumento a partir do próximo dia 1 de Julho, o montante mensal da renda quadruplicou.
O meu salário, não.
Essa é a grande realidade.
O resto é pura especulação.
No que este termo tem de pior.

20 comentários:

  1. Onde é que já ouvi e senti isso? Pois é Pedro acho que por aí as coisas seguem o rumo das daqui.

    O aumento de tudo que é renda e pior, muito pior do que um parque de estacionamento foi o aumento gritante absurdo e feito em cima do joelho das rendas habitacionais...uma saque puro e duro sobre quem vive numa casa arrendada como eu. Claro que nunca fui contra o aumento, a casa não é minha, respeito o senhorio...mas poderia ser feito gradualmente e não por "atacado" e baseado em avaliações feitas da forma que foram. Resultado? milhares de casas vazias, já para não falar de espaços comerciais. Digo-te também que fecharam muitos "serviços públicos", pois fecharam porque também eles sofreram aumentos brutais por parte dos senhorios...ou seja...fazem leis e nunca pensaram que seriam igualmente atingidos.

    Voltando aos parques de estacionamento...é ver quase vazios, outros por concluir...porque não dá mesmo já que os ordenados e reformas encolhem cada vez mais.

    Um abraço e um bom dia

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    1. Fatyly,
      Se é assim em Portugal, onde há leis que regulam o arrendamento, imagine o que será num espaço onde não há lei.
      O mercado é bruto, irracional, selvagem.
      Se se deixa à solta acaba por ser autofágico - chega-se a um ponto de ruptura em que as pessoas deixam de poder pagar as rendas absurdas e abandonam os locais arrendados.
      E os senhorios ficam com os seus bens devolutos e a perderem valor.
      Explique lá isso às luminárias que acreditam no poder de auto-regulação dos mercados.
      Um abraço

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  2. É necessário haver um equilíbrio, como em tudo.

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    1. O desequilíbrio é assustador, Miss Smile.
      Resultado de um mercado desregrado

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  3. Começo a achar verdadeiramente que a Nova Ordem Mundial está a ser implantada em todo o planeta...

    E não me acusem de teórica da conspiração, porque não sou!

    Bom JUnho

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    1. Neste caso é apenas um mercado deixado à solta, São.
      Não se quer regular o mercado do arrendamento e o resultado é este - cada um faz o que quer, como quer, quando quer.
      Não há conspirações, não há nada de obscuro.
      Até as caras mais importantes são perfeitamente conhecidas.
      E estão todas à vista em lugares chave e de relevo.
      Bom Junho

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  4. É um aumento sem pés nem cabeça, Pedro.
    Aquele abraço

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    1. A prova (mais uma) que o mercado desregulado é estúpido, Carpe Diem.
      Aquele abraço

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  5. Li há dias um artigo do Arnaldo Gonçalves sobre este assunto e fiquei com a sensação de que realmente a coisa por aí está preta...

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    1. Não é assim, carlos.
      A crise devia estar entre aspas.
      A crise de que esta gente fala é "só" terem agora num mês o que a administração portuguesa teve para todo o ano de 99, o de maior orçamento de sempre nos tempos da outra senhora.
      Pensavam era que o céu era o limite.
      Mas do "céu" (Pequim) veio um apertar da torneira para refrear os ânimos.
      Estão a abrir novos projectos bilionários na área dos jogos de fortuna e azar.
      Os promotores iam torrar biliões sem saberem que haverá condições para esses empreendimentos funcionarem e serem rentáveis?
      E é tão simples - é só o "céu" abrir mais um bocadinho a torneira.

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  6. Aumentos assim parecem ser mesmo preocupantes...

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    1. Apensa para quem se vê no meio deste jogo especulativo e desregrado, Gábi.
      Para quem está a ganhar MUITO DINHEIRO com isto, é óptimo.

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  7. Caro Amigo Pedro Coimbra.
    Estamos na mesma sintonia, porque tu não imaginas como também estamos a passar uma severa crise econômica por conta da incúria da "Grande Toura Chefa Sentada", como diz o nobilíssimo José Simão, que foi eleita por conta das suas mentiras.
    Caloroso abraço. Saudações exasperadas.
    Até breve...
    João Paulo de Oliveira
    Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver sem véus, sem ranços e com muita imaginação.

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    1. A crise aqui é uma ficção, Amigo João Paulo de Oliveira.
      Receita no mês passado?
      20 mil milhões de patacas (mais de dois mil milhões de dólares). Num mês!!!
      O que esta gente chama crise é que, por esta altura no ano passado, facturaram trinta e tal mil milhões.
      Com todas as consequências inflaccionistas que essas verbas acarretam.
      E Pequim disse que se estava a andar demasiado depressa, que era tempo de travar a euforia.
      Estão a fazer birrinha (quem não chora, não mama) enquanto vão ganhando fortunas que ainda acham que não chega.
      Aquele abraço

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  8. Nunca pensei que a crise chegasse a Macau, e com essa dimensão. Supunha que o jogo fosse o "maná" que tudo evitasse, mas afinal enganei-me.
    Cá, como aí, um fadário sem fim à vista.
    Abraço

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    1. Como já comentei com o Carlos e o Prof., crise tem que ser colocada entre aspas, GL.
      Este fadário terá fim quando abrirem ainda este ano os novos mega resorts.
      Mas não se voltará aos valores loucos que ainda há um ano se verificavam.
      Isso, Pequim, que tudo controla, não deixará que aconteça.
      Abraço

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  9. A instituição para a qual trabalho está a ser reestruturada... mais uma vez ... e entre muitas propostas de cortes, há uma que se refere ao parque de estacionamento que sempre foi grátis... mas que poderá deixar de o ser. O meu salário está congelado há 2 ou 3 anos... nem já me recordo.

    Essas fortunas não as entendo... demasiados zeros. Um mundo tão diferente do meu mundo. ☺

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    1. Um mundo quase virtual, Catarina.
      Desalinhado com a realidade, paradoxal, desregulado.
      E, havendo vontade política para isso, seria tão fácil controlar o mercado de arrendamento.

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  10. Com um desequilíbrio dessa envergadura, vai chegar o dia em que a vida em Macau passa de um extremo a outro. Quem diria que a crise ia atingir uma desigualdade dessa natureza?
    Será que ainda vai chegar a hora de embalar a trouxa e zarpar daí, Pedro?:((
    Assim a vida fica difícil....

    Beijinhos

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    1. A crise é artificial, Janita.
      E justificação para muitos abusos.
      Uma receita mensal superior a dois mil milhões de euros, para uma população de 600 000 pessoas, configura uma crise??
      Com papas e bolos.....
      Chico-espertos!!
      Beijinhos

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