4 de junho de 2015

A partir pedra


A expressão "a partir pedra" generalizou-se com o significado de esforço, de desbravar terreno, de uma tarefa árdua.
Foi o que estiveram ontem a fazer durante quatro horas o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, o presidente da Comissão Europeia,  Jean-Claude Juncker, e o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.
No final, o optimismo de Tsipras de alguma forma contrastava com as cautelas dos outros dois participantes na reunião.
O acordo entre o governo grego e a troika que forma o chamado Grupo de Bruxelas estará agora mais próximo.
E, extrapolando das várias declarações que se vão conhecendo, será um acordo de matiz muito asiática, porque muito provavelmente baseado no menor denominador comum.
A confirmar-se esta possibilidade é curioso que terá sido a União Europeia a aprender com a Asean e não o oposto.
Tsipras sabe que não pode dar aos credores tudo o que os credores querem.
Não o pode fazer economicamente (não dispõe de fundos para isso) e não o pode fazer sobretudo politicamente (seria uma traição incompreensível e imperdoável ao eleitorado do Syriza).
Do outro lado, os credores sabem que não podem ceder às exigências gregas porque tal representaria um precedente de consequências imprevisíveis.
Neste cenário, completado com um natural receio em ver sair a Grécia do universo da moeda única, eventualmente da União Europeia (mais uma vez o medo de pisar terreno desconhecido e de abrir precedentes de consequências imprevisíveis), os gregos e os seus credores parecem condenados a entender-se.
E afigura-se muito provável que esse entendimento tenha mesmo que basear-se no principio do menor denominador comum.
Até lá, e não pode ser por muito mais tempo, as partes terão de continuar "a partir pedra".

18 comentários:

  1. "a partir pedra" para modernos templos gregos Pedro ?:)

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    1. Ainda há muita pedra para partir, Angela
      Para se chegar a esse entendimento baseado no menor denominador comum.

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  2. E continuam a negociar...ao invés de alguns que se submeteram a tudo e "muito além do tudo" e hoje cantam de galo "depenado" como na década de 80 a 86. Pedro, é tão fácil destruir um país, um povo mas construir demorará décadas! Quando um primeiro ministro que herdou o que herdou diz que prefere pagar ao povo do que aos credores...mostra que tem muito, mas muito mais do que julgamos!!!!

    Também estou expectante o que irá dizer o povo inglês e se saírem do euro... a barraca da UE vai abanar deixando cair outros enfeites como Portugal. Andam agora nas "***" campanhas eleitorais onde afinal já há dinheiro para tudo e para as nomeações feitas por eles de "amiguinhos e comparsas" continuam a ocorrer dia sim...dia sim!

    A história repete-se e acho que tudo é negociável e que os credores de rosto tapado e mercados escondidos que aguardem!!!

    É a leitura que eu faço!!!!

    Beijocas e um bom dia

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    1. O governo grego foi eleito, e abanou a Europa,a prometer fazer o que está a fazer agora, Fatyly.
      Com uma opinião pública grega revoltada ao ponto de apostar todas as fichas nas promessas do Syriza (e agora a ficar farta de negociações intermináveis sem resultados), Tsipras não tem outra alternativa que não seja fazer peito aos credores.
      Que também não podem ceder muito sob pena de os restantes membros da UE, especialmente os mais afectados pela crise, a fazer barulho.
      Neste jogo complexo, de cedências mútuas, chegará o compromisso.
      Nunca acreditei, não acredito, numa saída da Grécia do euro ou da UE.
      Beijocas

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  3. Pedro, isto nem com picareta lá vai, meu amigo.

    Aquele Abraço.

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  4. Pedro, enquanto houver Rússia há esperança.
    Um abraço.

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    1. Mesmo sem meter os russos ao barulho, os gregos e o credores vão chegar a um entendimento, António
      Aquele abraço

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    1. Não pode ser por muito mais tempo, Diana Fonseca...

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  6. Logo a seguir às eleições na Grécia, escrevi que a solução nunca seria encontrada antes do final de Maio, ou mesmo Junho. Parece que não me enganei muito...

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    1. São negociações que levam tempo, Carlos.
      O contrário é que seria surpreendente.

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  7. Têm muito ainda para partir Pedro!

    Beijinho

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    1. Não pode ser por muito mais tempo, Adélia ...
      Beijinhos

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  8. Coimbramigo

    No caso vertente será pedra da Acrópole?

    是在我的整个生命中最可怕的噩梦。我想你应该明白!

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    1. O Tsipras não quer que lhe mexam ....na Acrópole, quero eu dizer, FerreirAmigo
      Não te apoquentes muito
      Mo man tai

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  9. Já era altura de se despacharem! Que partam pedra, mas, logo de uma vez.

    Bom fim de semana.

    Beijinho.

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    1. Já não têm muito tempo, CÉU
      Está a chegar o prazo de entrar com a massa.
      Beijinhos, Bfds

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