28 de abril de 2015

Atingir Pequim através de Macau


Todos os anos a Comissão Europeia usa Macau para mandar uns recados e umas alfinetadas a Pequim (a means to an end).
Lá chegou mais uma vez o habitual relatório, com as habituais recomendações ao Executivo de Macau, as mesmas acerca das quais a Comissão Europeia sabe muitíssimo bem que  o Executivo de Macau não tem autonomia para decidir.
Aprofundamento da democracia e evolução do regime político, no sentido de uma maior aproximação ao modelo Ocidental, são decisões que a Comissão Europeia sabe que só podem ser tomadas a Norte, são matéria reservada ao primeiro sistema.
Em vez de perder tempo com este tipo de recomendações espúrias, andaria melhor a Comissão Europeia se apontasse o dedo a problemas muito concretos, estes sim passíveis de resolução a nível do segundo sistema.
Maior inclusão e aprofundamento dos direitos das comunidades migrantes (curiosamente a Comissão Europeia aponta para melhorias nesta vertente, melhorias que confesso tenho dificuldade em vislumbrar), aprofundamento dos direitos laborais e regulamentação de direitos fundamentais, a título de exemplo.
A Comissão Europeia, que saúda o caminho percorrido na qualificação como crime público dos actos de violência doméstica, mas aponta para o facto de o projecto de lei não contemplar as ligações entre casais do mesmo sexo (facilmente se adivinha a fonte, a mesma que terá dado a dica para a hipotética auto-censura nos meios de comunicação social), mais uma vez utiliza o relatório anual sobre Macau para atingir Pequim e repetir as mesmas banalidades acerca da Região Administrativa Especial. 
Citando uma frase recente de um conhecido treinador de futebol português - "siga para bingo".
No próximo ano haverá mais do mesmo.

14 comentários:

  1. Realmente não dá para entender...o actual modelo da UE está esgotado porque sim!

    Beijos

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    1. Todos os anos lá vem o estupor do relatório, Fatyly.
      Que até podia abordar assuntos com interesse, mas que se limita a bater a mesma tecla.
      Que já está gasta e quem ninguém ouve.
      Beijos

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  2. ~~
    ~ Paninhos quentes e de veludo - uma diplomacia algo hipócrita...

    ~ Nem sempre foi assim, porém, presentemente, a China é um poderoso país emergente, que até teve poder de decisão na eleição de Christine Lagarde...

    ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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    1. Essa é a grande questão, Majo.
      Atingir a China directamente?
      E se Pequim se irrita e limita o número de vistos concedidos a nacionais chineses para visitarem a Europa?
      Lá se vai o negócio.
      Beijinhos

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  3. Pedro, posso fazer uma pergunta:

    O que se espera de burocratas caducos?

    Aquele abraço, meu caro amigo.

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    1. Todos os anos lá vem a mesma lenga-lenga, Ricardo.
      Eu até podia fazer já o do próximo ano.
      Poupava-se tempo e trabalho.
      Aquele abraço

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  4. Estas hipocrisias irritam-me... e fico por aqui

    Bom Dia do Sorriso

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    1. Hipocrisia e cobardia, São.
      Servidas no mesmo prato.

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  5. Tratar-se-á de uma Carta a Garcia que fica no apeadeiro mais próximo de Pequim.
    A intenção deve ser dirigirem o recado ao governo central mas a europa- UE tem uma linguagem complicada.
    Abraço.

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    1. Estes recados caem em saco roto, Agostinho.
      Pequim está a tremer por causa destes relatórios.
      E Macau também.
      Vamos lá sorrir!!
      Aquele abraço

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  6. A CE gosta muito de se meter na vida dos outros, em vez de cuidar de limpar a porcaria que tem em casa.
    Boa malha, Pedro

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    1. Todos os anos, sempre por esta altura (deve ser efeito das alergias ao pólen....) lá vem o famigerado relatório.
      Que passa por cima de assuntos realmente importantes e a merecerem reparo para se concentrar no que Macau não pode fazer e Pequim não quer.

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  7. A UE em vez de se preocupar com os seus assuntos, vai agora mandar «bitaites» sobre uma coisa que pouco ou nada importa para os europeus. Vá-se lá saber porque?

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    1. A UE adora mandar uns bitaites sobre tudo e todos, Paulo Lisboa.
      Sobretudo para picar a China.
      Como se a própria UE não tivesse suficiente sarna para se coçar....

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