4 de dezembro de 2014

As profundas divisões que abalam a sociedade de Hong Kong


Na passada semana tinha aqui previsto o princípio do fim dos protestos em Hong Kong.
Mantenho essa ideia, agora reforçada pelos sinais públicos de uma profunda divisão no seio dos três principais grupos de manifestantes e na própria sociedade de Hong Kong.
No dia em que os três fundadores do movimento Occupy Central se entregavam à polícia (saíram em liberdade depois de identificados) na tentativa de colocar um ponto final nos protestos e de pacificação da sociedade de Hong Kong, rendição acompanhada por um misto de gritos de apoio e de protesto à porta da esquadra, o líder do movimento Scholarism (Joshua Wong), acompanhado por outras duas estudantes, mantinha-se em greve de fome e apelava a um regresso à mesa das negociações com o Executivo de CY Leung.
Observando estes desenvolvimentos, respeitando estas duas posições, mas não apoiando nenhuma, a Federação de Estudantes de Hong Kong ficava numa posição de quase terceira via.
Em Hong Kong, David importunou Golias, ousou fazer-lhe frente, aborreceu-o, mas não houve, não haverá, uma repetição do episódio bíblico.
No dia 20 de Dezembro Xi Jinping estará em Macau para celebrar o décimo quinto aniversário da Região Administrativa Especial e dar posse ao quarto governo pós-transição.
Até lá Pequim tudo fará para ter as ruas de Hong Kong desocupadas, os movimentos de protesto silenciados.
O jogo de paciência continua.
Mas avolumam-se os sinais de que estará a chegar ao fim.

10 comentários:

  1. ~ Lamento pelo triste desfecho. Tinha que haver um fim e pensar dobrar Pequim era utópico. Deveriam ter pensado em prosseguir o protesto numa forma menos agressiva, com impacto nos media e exequível a longo prazo.

    ~ ~ Que soprem ventos de progresso sociopolítico em Macau.

    ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~

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    1. Em Macau é tudo mais pacífico, Majo.
      De tal forma que foi um responsável político chinês a falar ontem na possibilidade de alterações das leis eleitorais.
      Não será já, não será depressa, mas a porta está aberta
      Beijinhos

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  2. Anda tudo sobre um barril de pólvora e incomoda-me muito que quem governa não veja que existe por todo o mundo uma geração de jovens em busca dos seus direitos.

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    1. Estes garotos em Hong Kong demonstraram uma força de vontade, uma força nas suas convicções, que impressionou, Fatyly

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  3. Que tudo se resolva sem conflitos de maior. O mundo precisa de paz.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Já houve alguns conflitos, Elvira Carvalho.
      Mas acredito que não passará muito mais daquilo que já aconteceu.
      Um abraço e votos de bfds também

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  4. É bom saber a opinião de alguém que vive por perto os acontecimentos, pois aqui - como sempre - fica-se pelo fogo fátuo do que se passa....

    Tudo de bom, Pedro

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    1. Ver garotos de 17 anos com esta força é impressionante, São.
      Um deles, Joshua Wong, cara de menino que é, está em greve de fome.
      E não vira a cara.
      Tudo de bom para si também

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  5. O que se tem visto na televisão é preocupante!

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    1. Houve problemas, Rosa dos Ventos.
      Não sei se não terá havido algum empolamento nos meios de comunicação social no Ocidente.
      Fiquei com essa impressão

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