23 de setembro de 2014

Chefe em Pequim


Chui Sai On deslocou-se a Pequim para cumprir o protocolo e receber o decreto de nomeação como quarto Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).
Costume intimamente ligado à idiossincrasia típica do povo chinês ("uma mão cheia de mel, outra cheia de merda"), Chui Sai On ouviu de Xi Jinping alguns elogios [prosperidade económica da RAEM,  estabilidade política e paz social (recado para Hong Kong ouvir e anotar)], à mistura com uns puxões de orelhas relacionados com o crescente descontentamento da população acerca do rumo da governação da Região, incapaz de ser activa e mostrando-se mais e mais apenas reactiva.
Chui Sai On deve ter percebido, se o não tinha percebido antes, que o próximo período de governação será objecto de escrutínio ainda mais apertado por parte das autoridades centrais.
As mesmas que curiosamente aparecem agora a apontar o dedo a um monstro que ajudaram a gerar e alimentar.
O brutal crescimento económico da RAEM não podia acontecer sem custos sociais associados.
E não faltaram avisos nesse sentido, vindos dos mais diversos quadrantes, ao longo de todos estes anos.
Se é verdade que a governança de Macau preferiu seguir uma postura autista face aos sinais muito claros de descontrolo que se avolumavam, e aos avisos que recebia, também não é menos verdade que, de Pequim, descontando uns recados enviados de quando em vez, pouco se fez para reverter o caminho que agora Xi Jinping vem publicamente criticar.
Depois de ouvir Xi Jinping dirigir-se a Chui Sai On apeteceu-me citar  Bette Davis - fasten your seatbelts, it's going to be a bumpy ride!

15 comentários:

  1. ~ ~ ~ Será que Macau também vai entrar em crise?!!: (

    ~ ~ ~ ~ Beijinho. ~ ~ ~ ~

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Em crise, não, Majo.
      Mas que há um arrefecimento das receitas, do crescimento desenfreado, da voragem, isso é um facto.
      E muito do "ar frio" vem de Pequim.
      Beijinhos

      Eliminar
  2. Não sei se a mensage foi entendida...
    Mor

    ResponderEliminar
  3. Respostas
    1. Vamos ver nos próximos tempos, Mor.
      O Chefe não precisa de ir a Pequim para levar um puxão de orelhas e para ouvir um lembrete.
      Os olhos, os ouvidos, as bocas, estão aqui mesmo ao pé de casa.

      Eliminar
  4. Tudo na vida tem um princípio, um meio e um fim.

    Aquele abraço, Pedro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não é esse o caso, Ricardo.
      Acho é que Pequim, finalmente!!, percebeu que não se pode crescer desmesuradamente.
      As dores de crescimento, nesses casos, são muitas.
      E está a passar o recado para Macau.
      Até porque a grande chave do crescimento de Macau está precisamente em.......Pequim.
      Aquele abraço!

      Eliminar
  5. O desenvolvimento descontrolado tem custos e a China no seu todo tem assimetrias profundas. Até quando o pcc terá o controlo da situação ?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A grande dúvida e o grande receio do próprio Partido, Agostinho.
      Dai o martelar constante na ideia de harmonia social e política.

      Eliminar
  6. Os extremos dão sempre mau resultado!
    Aí cresceu-se desmesuradamente...aqui encolheu-se! :(

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O crescimento desregrado é um problema em si mesmo é pelos efeitos colaterais que provoca, Rosa dos Ventos.
      E, ao longo dos anos, a governação de Macau tem sido afectada pelos males dos três macaquinhos - cega, surda e muda.
      Apesar dos constantes avisos.

      Eliminar
  7. E que bem citada que foi Bette Davis.
    Abraço, Pedro.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vão ser cinco anos de grande agitação, António.
      A entrada no novo decénio, e não sou eu a dizê-lo tudo indica que trará para esta zona o destino de zona economicamente mais vibrante do planeta.
      O eixo Hong Kong/ Macau/ Shenzen/ Guangdong caminha nesse sentido.
      Nada poderá afectar esse plano do Governo Central.
      Dai estes avisos à navegação
      Aquele abraço

      Eliminar
  8. Isso faz-me lembrar aqueles dirigentes desportivos que manifestam confiança no treinador e na semana seguinte o despedem...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este não vai ser despedido, Carlos.
      Mas vai ter que se portar muito melhor que até agora que é para não levar uns puxões de orelhas.

      Eliminar