20 de agosto de 2014

Um caso a merecer explicação cabal


Qualquer trabalhador por contra de outrem, em qualquer área de actividade, pode ver o seu contrato de trabalho rescindido ou não renovado.
E pelas mais variadas razões.
Vista por este prisma, a decisão da Universidade de Macau de não renovar o contrato de trabalho do académico Bill Chou seria uma decisão banal, uma mera opção de pura índole administrativa.
No entanto, atendendo aos contornos de todo o caso, à gravidade das acusações trocadas entre as duas partes (Bill Chou fala em perseguição política, a Universidade numa falta de respeito da parte do académico para com a instituição e na utilização das aulas para acções de campanha política) a decisão de não renovar este contrato em especial tem que ser muito bem explicada.
Muito mais ainda quando se segue a acontecimentos muito recentes noutra instituição de ensino superior (eu sei que são situações diferentes, mas também sei que se prestam a grandes confusões) em que foram trocadas também graves acusações e se falou insistentemente, dentro e fora de Macau, em ataques à liberdade de pensamento e à liberdade académica.
Com este enquadramento, frases de circunstância, chavões linguísticos, aligeirar de responsabilidades, só tendem a agravar uma situação já por si algo obscura.
Se o Chefe do Executivo já garantiu que o Executivo nada teve a ver com esta decisão, se o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior já veio dizer o mesmo, a Universidade de Macau tem o dever de explicar porque razão tomou a decisão de não renovar o contrato de Bill Chou.
Dito de outra forma, tem o dever de explicar o que é que significa exactamente desrespeito para com a instituição e utilização das aulas para acções de campanha política.
Se fosse George Orwell a analisar este imbróglio decerto comentaria que todos os contratos de trabalho por contra de outrem são iguais.
Mas há alguns que são realmente mais iguais que os outros.

22 comentários:

  1. Mais uma telenovela do nosso tempo. Vai sobrar sempre para o mais fraco...Olé.

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    1. Um caso que cheira muito mal, luís.
      Tresanda, diria eu.
      Mais uma razão para ser totalmente esclarecido por parte da Universidade e do docente.
      Se há provas, e ambos afirmam ter provas daquilo que dizem, que sejam apresentadas.
      Assim, no escurinho, é que não.
      Escurinho é mesmo só no cinema, como cantava a Rita Lee.

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  2. E sempre assim será, Pedro!

    Aquele abraço.

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    1. Esta malta tem que deixar de falar em transparência e passar a agir com transparência, Ricardo.
      É melhor para todos.
      Até para eles próprios
      Aquele abraço

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  3. Por muito mal que cheire nunca será deslindado!
    É como cá!

    Rosa dos Ventos

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    1. Depois de ver este caso chapado nas páginas do New York Times (o Mundo é muito pequenino) tenho a sensação que terá que haver explicações, Rosa dos Ventos

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  4. Claramente um 'sacudir a água do capote'. Não tarda, descobre-se que ninguém foi responsável pelo acontecimento. Ou, não me admirava nada, o trabalhador sim, era o malandro, porque tinha olhos azuis.
    E depois há o 'manda quem pode obedece quem deve'.

    Um abraço, Pedro.

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    1. Acredito que acabem por ser dadas explicações neste caso, António.
      Porque passou fronteiras e Macau não ficou nada bem na fotografia
      Aquele abraço

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  5. Três em um :

    _ Realmente, parece necessária uma explicação, até porque , segundo percebi, já não é o primeiro caso...e isso está a trazer-me à memória um caso que vivi de muito perto: a expulsão da José Afonso da carreira docente.

    - Realmente , a foto não deveria correr mundo , pela simples razão de que um ser humano se deverá sempre comportar como o ser humano que é .Se o facto de o fazer , causa espanto, mal vai o mundo...Claro que não estou a retirar nenhum mérito ao polícia!

    - Sousa Tavares tem razão nas críticas !
    No entanto, gostaria de saber porque motivo ainda não falou nesta escandaleira do BES, já que segundo ele mesmo diz tem opinião sobre tudo!

    Boa semana, Pedro :)

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    1. São,
      - Sendo casos diferentes, em instituições de ensino superior diferentes, este não é efectivamente o primeiro caso semelhante;

      - Essa é a realidade - situações como esta vão sendo honrosas excepções. Tão triste quanto real;

      -Eu também gostaria de fazer essa pergunta ao Sousa Tavares. Está à espera de quê?

      Boa semana!

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  6. ~
    ~ ~ E o que mais impressiona é a falta de sensibidade, tanto dos superiores, como dos colegas e discípulos.

    ~ ~ Esta perseguição ao espírito democrático dos docenres, um dia terminará, mas, entretanto, vai fazendo víitimas lendárias.

    ~ ~ Macau tem obrigação de ser um exemplo de justiça.

    ~ ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~ ~

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    1. Majo,
      Macau tem que dar mais liberdade de pensamento e de criação aos seus talentos.
      Não chega falar em talentos (e fala-se muito!).
      É preciso criar espaço para que eles apareçam e cresçam.
      Beijinhos

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    1. Pois, que há mosquitos por cordas, há, Carlos.
      Agora tem é que se saber exactamente porquê.

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  8. A Universidade tem por obrigação de dar a explicação, ou não?

    Beijinho e uma flor

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    1. Tem que a dar, Adélia.
      Até porque já não é só Macau a pedi-la.
      Beijinhos

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  9. Ainda bem que em Portugal não se despedem trabalhadores por dá cá aquela palha, ou à vontade subjetiva do empregador. Porque senão não leríamos outros assuntos nos jornais... :P

    Beijocas

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    1. Ele não foi despedido, Teté.
      Não lhe renovaram o contrato.
      O que até pode ser normal.
      Se for bem explicado porquê.
      Beijocas

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  10. Pedro, não quero desanimar, mas ou muito engano ou este caso vai acabar como tantos outros: em nada!
    Segundo parece, cá como aí, explicação de factos "estranhos" é coisa que não se usa.
    Abraço.

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    1. GL,
      Não acredito.
      O caso já passou fronteiras e creio que não haverá sossego até se conhecer uma explicação acerca do que motivou esta não renovação contratual
      Abraço

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  11. Até pode ser dada UMA explicação sobre o assunto mas parece-me que deveria ser A explicação.

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    1. O Reitor já veio dizer que não pode explicar.
      Para proteger ambas as partes.
      O prof ficou com o ferrete de ter um comportamento censurável; a Universidade de ser intolerante.
      Proteger quem e de quê, apetece perguntar.

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