19 de agosto de 2014

Transporte e alojamento?!


Chui Sai On, o candidato a Chefe do Executivo, na apresentação do seu programa eleitoral deixou a pairar uma ideia que me levanta sérias dúvidas.
A possibilidade de incluir na renegociação dos contratos com as operadoras de jogos de fortuna e azar a obrigatoriedade de serem estas a providenciar transporte e alojamento para os trabalhadores não-residentes que venham a contratar.
Todos sabemos que, à revelia do discurso político autista e populista, Macau vai necessitar nos próximos anos de um forte contingente de trabalhadores não-residentes.
Na edificação de novos projectos, numa primeira fase, na operacionalidade dos mesmos em fase posterior.
Trabalhadores não-residentes que continuam a ser uma visão algo fantasmagórica para alguns olhares mais sensíveis nesta Cidade do Santo Nome de Deus.
Pressionado, o candidato a Chefe do Executivo, tirou esta carta da manga.
Mas não concretizou (uma vez mais....) exactamente o que pretende e qual o caminho para lá chegar.
Vão ser construídas habitações para alojar estes trabalhadores?
Temporárias ou definitivas?
Onde (a reacção de Ambrose So, representante da SJM, ao perguntar se há terrenos disponíveis é sintomática)?
Por quem?
E o transporte?
Mais autocarros das concessionárias, agora apenas destinados a trabalhadores não residentes, nas estradas de Macau onde já é quase impossível circular?
E, se é realmente assim, para que serve afinal o metro de superfície?
Muitas dúvidas se suscitam depois desta declaração do candidato Chui Sai On.
Muitas e mais uma.
Macau, a jurisdição onde as operadoras suportam a carga fiscal mais elevada do Mundo, continua a pensar que as operadoras, para além de encherem os cofres da Administração com dinheiro e darem emprego a milhares e milhares de pessoas, ainda têm obrigação de fazer tudo o que o Governo não faz e de resolver tudo o que o Governo não resolve?!

20 comentários:

  1. ~ ~ Uma polis muito peculiar...

    ~ ~ Governam as operadoras?!

    ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~

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    1. Majo,
      Só agora reparei que, num dos jornais locais em língua portuguesa, se fazem perguntas muito semelhantes às que eu faço.
      Respondendo à pergunta, as concessionárias não governam, é legítimo pedir-lhes uma maior intervenção social, há que perceber onde fica a fronteira entre o público e o privado.
      E não deixar espaço para negociatas quando se apregoa precisamente o contrário.
      Beijinhos

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  2. Pois é...poucos são os governos mundiais "que fazem, que resolvem tudo" ou seja governam para a melhoria dos seus povos em vez de melhoria do seu umbigo, dos familiares e amigos dos amigos partidários.

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    1. Fatyly,
      As concessionárias ganham aqui MUITO dinheiro.
      Se não ganhassem, não estavam cá e não investiam o que investem.
      É necessário fazer-lhes exigências a nível social.
      Algo que a Administração portuguesa sempre fez com Stanley Ho e que ele sempre aceitou de bom grado.
      Mas há que perceber muito bem até onde se pode ir.
      E deixar a César o que é de César.

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  3. Os políticos são iguais em todo o lado!

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    1. Apetece-me responder que há alguns mais iguais que os outros, Kruzes Kanhoto

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  4. Vou repetir, porque o meu computador desatinou e eu não sei se o comentário chegou a entrar.

    Pergunto eu se a classe política não tem ninguém de jeito?!

    Tudo de bom.

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    1. Por aqui, se os houver, serão muito poucos, São.
      E tenho alguma dificuldade em apontar nomes.
      O que é desde logo mau sinal

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  5. Dores de crescimento, Pedro!
    Aquele abraço

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    1. Quinze anos depois da transição, Ricardo?
      É dor a mais, não?
      Aquele abraço

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  6. Nem sequer podemos dizer que são chinesices! :(

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  7. Mais uma voltinha no carrossel e voltamos ao mesmo. Tanto cá como lá.

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    1. São as tais especificidades de Macau.
      Que existem, que são conhecidas, mas das quai não se pode falar porque não é de bom tom, Timtim Tim

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  8. O populismo tem destas coisas, Pedro.
    Abraço

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    1. Quando ouço, ou leio, estes discursos, fico a pensar que me estão a chamar burro, António.
      E eu até nem sou burro de todo, modéstia à parte

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  9. Pois, a mim parece-me que falas de Portugal.

    Falarão os politicos uma língua só deles?

    Beijo do Ocidente.

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    1. Repito o que já por aqui tinha comentado, Pérola - não foi à toa que passámos aqui quase cinco séculos.
      Beijinhos a Oriente

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  10. por estes dias, também se fala por cá de jogo, mas a história é, em minha opinião, muito mais picante. Trata-se de acabar com o monopólio do jogo da Santa Casa, abrindo-o aos privados. Vou escrever sobre isso um dia destes.

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