26 de agosto de 2014

O neto e o avô - não é saudosismo, mas realidade.


Uma tarde um neto conversava com seu avô sobre os acontecimentos actuais.


Então, de repente, o neto perguntou:

- Quantos anos tem, avô?

E o avô respondeu:

- Bem, deixa-me pensar um momento...

Nasci antes da televisão, e já crescidinho apareceu, com um único canal e a preto e branco.

Nasci antes das vacinas contra a poliomielite, das comidas congeladas, da fotocopiadora, das lentes de contacto e da pílula anticoncepcional.

Não existiam os radares, os cartões de crédito, o raio laser nem os patins on-line.

Não se tinha inventado o ar condicionado, as máquinas de lavar e secar, (as roupas secavam ao vento) e frigoríficos quase ninguém tinha.

O homem nem tinha chegado à lua.

A tua avó e eu casámos e só depois vivemos juntos e em cada família havia um pai e uma mãe.

"Gay" era uma palavra inglesa que significava uma pessoa contente, alegre e divertida, não homossexual.

Das lésbicas, nunca tínhamos ouvido falar e os rapazes não usavam piercings.

Nasci antes das duplas carreiras universitárias e das terapias de grupo.

Não havia computador, comunicávamos através de cartas, postais e telegramas.

Mails, chats e Messenger, não existiam. Computadores portáteis ou Internet nem em sonhos.

Estudávamos só por livros e consultávamos enciclopédias e dicionários.

As pessoas não eram medicadas, a menos que os médicos pedissem um exame de sangue.

Chamava-se a cada polícia e a cada homem "senhor" e a cada mulher "senhora".

Nos meus tempos a virgindade não produzia cancro.

As nossas vidas eram governadas pelos 10 mandamentos e bom juízo.

Ensinaram-nos a diferençar o bem do mal e a ser responsáveis pelos nossos actos.

Acreditávamos que "comida rápida" era o que comíamos quando estávamos com pressa.

Ter um bom relacionamento, queria dizer dar-se bem com os primos e amigos.

Tempo compartilhado, significava que a família compartilhava as férias juntos.

Ninguém conhecia telefones sem fios e muito menos os telemóveis.

Nunca tínhamos ouvido falar de música estereofónica, rádios FM, Fitas, cassetes, CDs, DVDs, máquinas de escrever eléctricas, calculadoras (nem as mecânicas quanto mais as portáteis).

"Notebook" era um livro de anotações.

"Ficar" dizia-se quando pessoas ficavam juntas como bons amigos.

Aos relógios dava-se corda todos os dias, mesmo aos de pulso.

Não existia nada digital, nem os relógios nem os indicadores com números luminosos dos marcadores de jogos, nem as máquinas.

Falando de máquinas, não existiam as cafeteiras eléctricas, ferros de passar eléctricos, os fornos microondas nem os rádios-relógios despertadores. Para não falar dos vídeos ou VHF, ou das máquinas de filmar minúsculas de hoje.

As fotos não eram instantâneas e nem coloridas. Eram a branco e preto e a sua revelação demorava mais de três dias. As de cores não existiam e quando apareceram, a sua revelação era muito cara e demorada.

Se nos artigos lêssemos "Made in Japan", não se considerava de má qualidade e não existia "Made in Korea", nem "Made in Taiwan", nem "Made in China".

Não se falava de "Pizza Hut" ou "McDonald's", nem de café instantâneo.

Havia casas onde se compravam coisas por 5 e 10 centavos. Os sorvetes, os bilhetes de autocarros e os refrigerantes, que se chamavam pirolitos, tudo custava 10 centavos.

No meu tempo, "erva" era algo que se cortava e não se fumava.

"Hardware" era uma ferramenta e "software" não existia.

Fomos a última geração que acreditou que uma senhora precisava de um marido para ter um filho.

Agora diz-me, quantos anos achas que tenho?

- Meu Deus, Avô! Mais de 200! - disse o neto.

- Não, querido. Tenho 55!

24 comentários:

  1. : )))

    Admiro-me de o garoto nao o ter considerado medieval! : ))

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  2. Revejo-me nesta história...mesmo sem netos e ligeiramente mais novo!

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    1. Kruzes Kanhoto,
      Completei 50 anos do dia 27 de Junho.
      Tenho duas filhas - 16 e (quase) 11 anos.
      Mas há aqui muita coisa em que me revejo também.
      E não me considero um cota, longe disso.

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  3. Outros tempos, diferentes... não deixa de ser triste...
    Já vou nos 57 e ainda não tenho netos. Será por me sentir ainda "um puto"?
    :)

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    1. Vou nos 50, Rui.
      Mas é só no BI.
      Considero até que estou a viver a época mais feliz da minha vida.
      Não sei se poderá melhorar no futuro.
      Mas, se fosse como agora, seria muito feliz.

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  4. Hummm, fiz 43 anos, Pedro e ...já pareço o Avô do post!!!! Ah!Ah!Ah!

    Aquele abraço

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    1. Aos 50 há ali muita coisa que identifico, Ricardo.
      Mas estou longe de estar velho.

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  5. Tudo na vida é uma questão de perspectiva... tanto nas opiniões como na forma de percepcionarmos o mundo. A idade que vamos somando em anos vai-nos alargando essas mesmas perspectivas... por isso eu defendo que (enquanto tivermos saúde) cada ano mais que tivermos, mais felizes seremos!

    A tua idade é magnífica... e eu não demoro muito a lá chegar! ;))

    Beijinhos sem idade
    (^^)

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    1. Já o disse várias vezes, Afrodite - só voltava para os vintes para poder viver mais tempo.
      Porque gosto muito mais de mim próprio agora, com 50, do que gostava nessa época.
      E sou muito mais feliz.
      Beijinhos

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    2. Amanhã vou aqui publicar uma perspectiva menos saudosista e mais bem humorada das diferentes idades.
      Foi o Ricardo Santos que me enviou e é muito engraçado.

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    1. Timtim Tim
      Fez-me lembrar o meu patrono no estágio de advocacia.
      Sempre que queria despachar alguém dizia.......pois :))))

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    1. Mas valeu a pena, António.
      Para perceber a diferença de gerações.

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  8. Foi pena o avô ter revelado a idade, Pedro.

    Isso deveria ficar à imaginação de cada um...

    Assim, fiquei a sentir-me do tempo da pré-história...:))

    A verdade, Pedro, é que quando nasci também não existia nada do que o avô enumerou, e parece que foi ontem. :))

    Beijinhos e boa semana.

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    1. Também eu nasci quando não havia nada disso, Janita (50 anos fresquinhos)
      E sou só um miúdo crescido.
      Beijinhos

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  9. Bah, eu sou esse avô. Que tempo bom era sem nada dessa tecnologia que aprisiona os mais jovens. Aqui no campo estamos tentando viver livres.
    Tenha um ótimo início de semana.

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    1. Somos todos um pouco, Anajá.
      Mais importante que o Bilhete de Identidade é o que se sente e o que se pensa.
      Votos de óptima semana para si também

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  10. Fez-me lembrar algumas conversas que tinha com jovens, numa tertúlia sobre o século XX. Tudo lhes parecia tão estranho, que às vezes pensavam que eu estava a brincar. Como, por exemplo, quando les falava sobre a licença de isqueiro, ou a necessidade as mulheres terem de ter autorização do marido para sair do país

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    1. E são muito reais e não são assim tão longínquos, Carlos.
      Não deixam saudades nenhumas!

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  11. :)) Mais de 200 deveria ser difícil :)

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